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Escolas de tempo integral no contexto da lei de diretrizes e bases

CAPÍTULO I EDUCAÇÃO INTEGRAL E ESCOLA DE TEMPO INTEGRAL

CAPÍTULO 2 A ESCOLA DE TEMPO INTEGRAL NA POLÍTICA NACIONAL DE

2.1 Escolas de tempo integral no contexto da lei de diretrizes e bases

A educação é um bem público, imprescindível e insubstituível, direito de todos e dever do Estado. É dever do Estado criar e oferecer condições efetivas para que isto se realize com a amplitude, a qualidade e a sustentabilidade necessárias e adequadas.

Trata-se de um bem público cercado de proteção, como a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), o Plano Nacional de Educação (PNE) e os pareceres e resoluções dos Conselhos de Educação.

Para regular a Educação, a Constituição Federal de 1988 dispõe que a educação é direito de todos e dever do Estado e da família, e será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando o pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho.

De acordo com o artigo 206 da Constituição Federal, o ensino será ministrado sob os seguintes princípios:

I - igualdade de condições para o acesso e permanência na escola;

II - liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber;

.

III - pluralismo de ideias e de concepções pedagógicas, e coexistência de instituições públicas e privadas de ensino;

IV - gratuidade do ensino público em estabelecimentos oficiais;

V - valorização dos profissionais da educação escolar, garantidos, na forma da lei, planos de carreira, com ingresso exclusivamente por concurso público de provas e títulos, aos das redes públicas;

VI gestão democrática do ensino público, na forma da lei; VII - garantia de padrão de qualidade;

VIII - piso salarial profissional nacional para os profissionais da educação escolar pública, nos termos de lei federal (BRASIL, 1988).

Se a nossa Constituição tem como princípio do ensino a garantia de um padrão de qualidade (BRASIL, 1988, art. 206, inc. VII), por contraste, assinala no artigo 208, §2º, “que o não oferecimento do ensino obrigatório ou sua oferta irregular, importa responsabilidade da autoridade competente”. Tal efetivação abrange desde os princípios e regras da administração pública até as diretrizes que regem os currículos da educação escolar.

A LDB é uma lei que envolve interesses orçamentários e interfere em instituições públicas e privadas de grande relevância nacional. De acordo com Demo (1997), sua análise crítica considera que há ranços como há avanços, ainda que no fundo se acredite que os ranços são predominantes. O autor destaca que:

Como balizamento do futuro do país, a Lei expressa com grande timidez a potencialidade da educação, entre outras coisas, porque se atém ainda a modelos didáticos totalmente superados, perante as atuais tendências da aprendizagem, ao lado de conferir a entidades e componentes mais ou menos caducos um papel que não possuem mais (DEMO, 1997, p. 11).

Muitas análises foram e são realizadas sobre a LDB, imprimindo diversas perspectivas que merecem total atenção por tratarem de um debate importantíssimo para as novas gerações, bem como para o desenvolvimento da sociedade e da economia.

Seria ingenuidade atribuir a esta lei força ou mesmo potencialidade para provocar uma revolução da educação no país. Entretanto, o reordenamento dos sistemas educativos, inscrito em uma LDB, poderá criar contextos de relações estruturais de transformação, de reforma e de inovação educacional como parte do processo de “regulação social” A ocorrência desses processos, concomitantemente ou com prevalências, depende de vários fatores, entre eles as concepções que os atores sociais envolvidos – oriundos do Estado, dos partidos políticos, do campo educacional e de outros grupos da sociedade – têm da sociedade, Estado e educação e das suas relações; dos interesses, das estratégias e dos mecanismos de controle social desenvolvidos pelos diferentes protagonistas e das dinâmicas que darão forma aos diversos níveis de relações sociais [...] (BRZEZINSKI, 2002, p. 19).

. Entendemos que um dos pressupostos das diretrizes, que devem nortear os conteúdos curriculares, é o da igualdade de condições assegurada e protegida, como vimos, pelo poder público na Constituição Federal (BRASIL, 1988, art. 206, inc. I).

Essa igualdade pretende que todos os membros da sociedade tenham iguais condições de acesso aos bens produzidos pelo conhecimento, de tal maneira que possam participar em termos de escolha ou mesmo de concorrência no que uma sociedade considera como significativo, de modo que possam ser bem-sucedidos e reconhecidos como iguais.

A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), Lei nº 9.394/96, reitera os princípios constitucionais anteriormente expostos (BRASIL, 1996, art. 2°) e ainda prevê a ampliação progressiva da jornada escolar do Ensino Fundamental para o regime de tempo integral (BRASIL, 1996, arts. 34 e 87), a critério dos estabelecimentos de ensino. Além disso, prevê que “a educação abrange os processos formativos que se desenvolvem na vida familiar, na convivência humana, no trabalho, nas instituições de ensino e pesquisa, nos movimentos sociais e organizações da sociedade civil e nas manifestações culturais” (BRASIL, 1996, art. 1º), ampliando os espaços e práticas educativas vigentes. No entanto, é importante ressaltar que quando a LDB aborda a questão do tempo integral, no art. 34, trata da jornada escolar, considerada como o período em que a criança e o adolescente estão sob a responsabilidade da escola, quer em atividades intraescolares ou extraescolares.

Dessa forma, a LDB reconhece que as instituições escolares, em última instância, detêm a centralidade do processo educativo pautado pela relação ensino- aprendizagem. Além de prever a ampliação do Ensino Fundamental para tempo integral, a Lei admite e valoriza as experiências extraescolares (BRASIL, 1996, art. 3º, inc. X), as quais podem ser desenvolvidas com instituições parceiras da escola.

De acordo com Guará (2006), essas indicações legais correspondem tanto às expectativas de ampliação do tempo de estudo, ou da jornada escolar, dentro do Sistema Público de Ensino, quanto ao crescente movimento de participação de outras organizações nascidas, em geral, por iniciativa da própria comunidade e que trabalham na interface educação/proteção social.

. É importante frisar que a participação dessas organizações necessita que suas ações e intervenções constituam-se como respostas a demandas diagnosticadas no âmbito da própria escola e, como tal, precisam estar impressas no seu projeto político-pedagógico. Caso contrário, o papel de tais organizações, quando muito, poderá restringir-se tão somente ao caráter da proteção social.

O Decreto nº 6.253/2007, em seu artigo 4º, define educação básica em tempo integral, para fins de repartição dos recursos do Fundeb. Entretanto, para além do objetivo de distribuição de recursos, torna-se necessário que se desenvolvam outros critérios e indicadores relacionados ao tempo integral, abarcando também aspectos qualitativos, dispostos, se possível, no ordenamento jurídico voltado para a área educacional, de modo a que os mesmos venham a contribuir para que o tempo integral se constitua como estratégia voltada para o real desenvolvimento da educação integral (MEC, 2009, p. 129).

A carga horária deve ser maior ou igual a sete horas diárias para corresponder, portanto, às determinações do Decreto nº 6.253/2007 quanto aos requisitos para serem caracterizados como educação básica em tempo integral, para fins de financiamento através do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (FUNDEB).

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