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2.3. O parque escolar edificado

2.3.3. Tipologias de escolas posteriores a 1974

2.3.3.1. Escolas Normalizadas P3

No âmbito do Projecto Regional do Mediterrâneo foi elaborado um novo projecto de escolas primárias, as Escolas Normalizadas P3 ou Escolas de Área Aberta. Este projecto tinha dois objectivos prioritários: harmonizar a concepção das construções escolares com as concepções de escola e as mais recentes orientações no campo da pedagogia, e criação de um mínimo de variáveis a nível de elementos de construção que possibilitasse uma maior variedade de soluções de lotação e de adaptação aos terrenos. Assim, foram estabelecidos os princípios gerais para o novo projecto [22]:

• O edifício da escola primária representa a transição da habitação para a vida pública; • O edifício deve ter em consideração o tamanho da criança;

• A escola não se restringe à sala de aula e deve, por isso, estar aberta ao exterior;

• O ensino não consta só de memorização, mas é também actividade que os espaços (diversificados) devem permitir;

• Deve ser fomentada a manipulação e criação de objectos (pelo que se introduziu uma zona de trabalho, dita “suja”, com pontos de água, ligada às salas de aula, propriamente ditas);

• A organização de situações como a de trabalho em grupo, prevendo-se a mobilidade do equipamento;

• Nem todas as actividades podem ser realizadas no mesmo espaço (e dai a instalação dos chamados “polivalentes”);

• As refeições são actividades educativas (e, por isso, foi suprimida a separação entre edifício- cantina e edifício-escola);

• As instalações sanitárias seguem a mesma lógica, como apoio e momento de Educação; • A escola è um edifício aberto, um equipamento social de e para toda a comunidade.

O modelo escolhido para o projecto das Escolas Normalizadas P3 foi uma adaptação dos modelos existentes nos países nórdicos durante as décadas de 60 e 70. As novas escolas para o ensino primário foram construídas após o 25 de Abril de 1974, à excepção da Escola Piloto de Mem Martins

O projecto consistia na abertura dos espaços lectivos tornando-os mais flexíveis e polivalentes para promover o desenvolvimento da espontaneidade e criatividade da criança, e também para a sua socialização. Caracterizava-se pela inexistência de paredes ou outros obstáculos à comunicação entre núcleos de 2 a 3 salas, e pela existência de um grande espaço polivalente [23].

Figura 2.18 – Interior da Escola Piloto de Mem-Martins [50]

A escola foi dimensionada para uma lotação entre 120 e 480 alunos, tendo por base, 25-30 alunos por sala de aula. De modo a permitir que o projecto fosse repetitivo e flexível procurou-se que a partir de diferentes blocos se pudessem obter associações variadas tendo em conta o número de salas, as características do terreno e a orientação dos edifícios para além disso procurou-se uma solução construtiva modulada, que tivesse em vista a racionalização da construção, a possibilidade de utilização da pré-fabricação e a possibilidade de ampliações futuras, sem alteração da estrutura existente [23].

Os edifícios escolares estavam organizados por blocos de dois tipos, um bloco de aulas e outro bloco central (polivalente).

Os blocos de aulas eram essencialmente constituídos por salas de aula (que incluem zonas de aula e zonas de trabalho) e serviços de apoio directo (átrio, arrecadações e instalações sanitárias que se localizam numa zona que faz a ligação aos blocos centrais). Existiam quatro tipos de blocos de aulas consoante o número de alunos: 2 tipos de um piso para 60 e 80 alunos respectivamente (2 e 4 salas) e 2 tipos com dois pisos para 120 e 180 alunos, respectivamente (4 e 6 salas) [23].

Os blocos centrais também de ensino com características de espaços maiores e utilizáveis por assembleias mais numerosas. Este espaço, zona polivalente, servia para actividades de ginástica,

refeitório, recreio, festas, podendo também ser utilizado pela comunidade local. O projecto previa 3 tipos de blocos centrais, consoante a lotação da escola [23]:

• Bloco central (120/180 alunos): bloco constituído por um espaço quadrado (zona polivalente) com vão livre de cerca de 10,80 m e um pé direito de 4,80 m e uma zona de serviços (gabinete para professores, instalações sanitárias e zona de cozinha ligada à zona polivalente) com um pé direito de 2,60 m.

• Bloco central (240/300 alunos): bloco constituído por um espaço quadrado com um vão livre de cerca de 10,80 m e por outro espaço rectangular de cerca de 7,20x10,80 m ambos com um pé direito de 4,80 m. A zona de serviços é anexa à zona polivalente, com pé direito de 2,60 m. • Bloco central (360/480 alunos): bloco constituído por dois espaços quadrados com um vão

livre de cerca de 10,80 m e com um pé direito de 2,6 m. Anexa a esta zona polivalente existia uma zona de serviços.

Os edifícios são constituídos por uma estrutura de betão armado (pilares e vigas que servem de apoio a lajes aligeiradas ou maciças. As paredes exteriores são constituídas por dois paramentos de tijolo furado com caixa-de-ar de modo a garantir um melhor isolamento térmico e higrométrico e as paredes interiores, que têm exclusivamente a função de divisórias, são constituídas por um único pano de tijolo furado [23].

A quase totalidade dos espaços principais de ensino tem como fonte principal de iluminação natural, aberturas voltadas para um quadrante entre nascente e sudoeste e aberturas complementares em paredes opostas ou em ângulo, que suavizem os contrastes devidos à iluminação natural.

A vantagem adicional destas aberturas é a de permitir uma ventilação cruzada que é bastante mais eficaz que a ventilação unilateral.

Em 1987, o projecto foi descontinuado devido ao descontentamento dos professores relativamente às condições de ensino. As restantes escolas de área aberta começaram a isolar as salas que antes comunicavam entre si, com o levantamento barreiras arquitectónicas.