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Anexo I Professor Albert Richard Dietze

3.3 ESCOLAS PARTICULARES

As escolas particulares também se consolidaram na colônia, a Administração da Província do Espírito Santo pagava os salários dos professores das escolas alemãs particulares na colônia, cujos valores eram estipulados pelo Governo Imperial na Corte do Rio de Janeiro, e também complementados por mensalidades pagas pelos pais dos alunos.

Em 1869, o professor Joaquim Pereira da Costa Muniz pediu licença ao Presidente de Província para abrir uma escola particular em Califórnia, numa região afastada do centro do Porto de Cachoeiro43.

No núcleo colonial de Santa Teresa, descendo em direção às terras mais quentes, chegaram quatro famílias católicas suíças, num total de 30 pessoas, vindas da Argentina, no fim da década de 1870. Na década seguinte, outras famílias de alemães, pomeranos, holandeses vieram se juntar aos suíços neste lugar chamado “Baixo Timbuhy”, atualmente chamado “25 de julho”, munícipio de Santa Teresa. O registro da primeira escola particular deste local data de 1882, quando o médico Emílio Häussler, foi também o primeiro professor. Dr Emílio trabalhou (anexo G) na escola primária fundada naquele vale até o até o ano de1889 (GRÜTZMANN, 2002).

43

Livro 355, Fundo Governadoria - série 751, Correspondências com diversos funcionários da instrução pública,1869, p. 96.

Em 1888, a comunidade Evangélica de Confissão Luterana de 25 de Julho comprou uma extensa área de 367.300 m2 para a construção de uma escola para as suas crianças. Em 1892, Anton Blaser (anexo H), nascido em 31 de outubro de 1869, em Westernohe, Alemanha, assumiu a escola no lugar do médico. Blaser deixou duas vezes o Brasil, mas retornou mais tarde e lecionou na escola de 25 de julho e também na localidade vizinha chamada “15 de agosto”, com aulas em dois dias por semana. No início, o ensino era somente em língua alemã e o material vinha da Suíça e da Alemanha, mais tarde passou a usar o material impresso no Rio Grande do Sul. Em 1934, o professor Anton encerrou a carreira de professor ao ver sua escola ser fechada por falta de alunos (GRÜTZMANN, 2002).

Nos locais não atendidos pelo governo, houve iniciativas particulares de criar escolas que dessem condições de instruir os filhos dos colonos imigrantes. A abertura da escola particular era facilitada, exigiam-se poucos requisitos, conforme o artigo 31 do Regulamento Geral do Ensino que em 1882 estabelecia condições de funcionamento das escolas na província:

Art. 31. É livre o ensino particular primário e secundário da Província; qualquer pessoa pode estabelecer e dirigir aulas sem outras dependências além de comunicar ao Diretor da Escola Superior ou Inspetor Geral da Instrução Pública e inspetores paroquiais, conforme foi a categoria da escola ou aula, as matérias professadas e o número de alunos (A Província do Espírito Santo, Vitória, 19/04/1882).

Em 1º fevereiro de 1885 a professora Carlotta de Souza Salles criou a primeira escola particular primária feminina de Santa Teresa. A escola particular funcionava gratuitamente para 32 alunas matriculadas, conforme ofício transcrito na figura 36 abaixo:

Figura 36 - Ofício da criação da primeira escola particular feminina de Santa Teresa em 1885

Fonte: Livro 361, Fundo Governadoria, série 751, ofício no 52, 27/03/1885. No 52. 1ª secção- Palácio do Governo em 27 de março de 1885.

Fico inteirado, pelo seu ofício de 21 deste mês, sob no 38, de ter a professora D. Carlota de Souza Salles, aberto em o dia 1º de fevereiro último, na povoação de Santa Tereza, núcleo colonial, uma escola particular de ensino primário para o sexo feminino, lecionando gratuitamente, e na qual já se achavam matriculados trinta e duas alunas, conforme lhe deu ciência o Delegado Literário de Cachoeiro de Santa Leopoldina-

Em 1886, o comerciante, agente consular da Alemanha, fotógrafo e professor, Albert Richard Dietze (anexo I) inaugurou outra escola particular de ensino alemão e português em Santa Leopoldina. Dietze contratou o professor Carl Otto Schwarz, que veio da Alemanha para trabalhar na escola particular mista, com salário de 700$000 réis anuais. A escola iniciou as aulas, provisoriamente, em 08 de janeiro de 1886, com 30 alunos matriculados, mas Dietze estava construindo um imóvel amplo, com 94,8 m2, com 12 bancos para acomodar até 72 alunos.

A importância da criação da escola particular de Dietze na colônia foi reconhecida pelos jornais da capital: “A Província do Espírito Santo”, na edição de 31 de março de 1886, e o jornal “O Espírito-Santense”. A figura 37 ilustra o recorte do Jornal “O Espírito-Santense” na edição de 23 de janeiro de 1886:

Figura 37- Notícia da criação da escola particular de Albert Richard Dietze, em 1886, em Santa Leopoldina.

Fonte: O Espírito-Santense, Vitória, p.3, 23/01/1886.

Na pesquisa a respeito do trabalho da igreja Católica na colônia, identificamos apenas uma comunidade católica que se estabeleceu em Tirol, um distrito situado na região mais alta de Santa Leopoldina, visto que o povo germânico era, na sua maioria, luterano. Em visita a esta comunidade, em julho de 2011, conheci a Igreja católica de Tirol, construída pela denominada Ordem do Verbo Divino, inaugurada em 1895. Esta igreja foi tombada pelo Patrimônio Histórico do Espírito Santo. Ao lado da Igreja foi construída a casa paroquial de dois andares, onde moravam os

padres e funcionavam os escritórios. Na parte superior da casa, há uma sala grande onde encontramos vestígios do funcionamento da escola. Neste sótão ainda estão guardados carteiras antigas e um pedestal de madeira para o quadro do professor. São objetos históricos em condições precárias que provam que ali funcionou uma escola.

A casa possui um porão onde se encontram diversos objetos antigos das mais variadas idades. De acordo com relatos de moradores do local, antigamente havia uma passagem subterrânea deste porão da casa até a Igreja ao lado. Conta-se que às vezes os padres apareciam repentinamente no salão da Igreja, sem que fossem vistos entrando pelas portas principais.