Foto 39 Personagens Paxua e Paramim
3.1 ESCOLHA DA REGIÃO
A Bahia (BA) é um dos 27 estados brasileiros, pertence à região Nordeste do país o
qual faz divisa com os estados de: Pernambuco e Piauí ao norte; com o Tocantins a oeste;
com Goiás a sudoeste; Minas Gerais e Espírito Santo ao sul; e Sergipe e Alagoas, a
nordeste. O estado possui uma área territorial de 564.733 km², onde habitam pouco mais
de 15 milhões de habitantes. A capital Salvador é um dos 417 municípios atualmente
estabelecidos.
A Baía de Todos-os-Santos (BTS) é a maior baía do Brasil, com extensão de 1 .052
km2 e profundidade de quarenta e dois metros. São ao todo cinquenta e seis ilhas espalhadas,
com maior destaque para Itaparica, Madre de Deus, Ilha de Maré, Ilha dos Frades dentre
outras. Sua formação compõe uma espécie de ancoradouro natural, motivo pelo qual
despertou o interesse dos portugueses, que enxergaram aí um potencial para a comunicação
com a metrópole. Na BTS estão a Baía de Aratu, a Baía de Iguape, os municípios de
Salvador, Cachoeira, Itaparica, Jaguaripe, Madre de Deus, Maragogipe, Salinas das
Margaridas, Santo Amaro, São Francisco do Conde, Saubara, Simões Filho e Vera Cruz, que
juntos compõem a Área de Proteção Ambiental – APA, criada em 5 de junho de 1999.
Vários pesquisadores avaliam que a história da BTS se une com o início da história
do próprio país e lá se vão mais de 500 anos de ocupação desse território, diversos ciclos
econômicos, regimes, mas uma beleza que se mantém exuberante e rodeada por
comunidades tradicionais, que retiram do mar a sua subsistência. Era também a porta de
entrada para os escravos, chegados das diferentes regiões da África, para trabalharem nos
engenhos de açúcar do Recôncavo Baiano. Seu nome vem do fato de ter sido fundada no
dia 1º de novembro de 1501, dia de todos os santos.
Figura 1- Mapa da Bahia de Todos os Santos
Fonte: Google Earth
Além da importância histórica da região, a escolha da Baía de Todos os Santos, se
deu por conta da experiência vivida pela pesquisadora ao trabalhar durante três anos no
município de Santo Amaro da Purificação, período suficiente para um envolvimento com
outros municípios do recôncavo, possibilitando o acesso às riquezas culturais da região
frente a uma realidade de falta de estrutura, ausência de espaços de lazer e cultura. Vale
ressaltar que a Bahia é um estado com uma grande extensão, a região escolhida propicia
menor custo e facilidade de acesso aos municípios da região por serem próximas da
capital Salvador, onde resido e trabalho.
3.2 A PESQUISA
Não há o que questionar quando afirmamos que o mundo atual exige dos cidadãos
comum o conhecimento básico sobre Ciência e Tecnologia, o problema está na
complexidade que envolve a divulgação do conhecimento científico e tecnológico. Se, por
um lado, temos as redes sociais dando informações de todos os níveis; por outro, o desafio
de entender a qualidade dessas informações e até mesmo, qual o objetivo delas,
dependendo do contexto em que esteja inserida. A tentativa de simplificação de um
problema mais complexo, por exemplo, pode carregar equívocos na informação, tornando
mais árduo o trabalho para os divulgadores científicos.
Para Ana Maria Sánchez Mora, autora do livro A Divulgação da Ciência como
literatura existe três vertentes presentes na divulgação:
Dos comunicólogos, cujo maior interesse é a transmissão de uma mensagem e os
processos que nela intervêm (Corrente francesa);
A dos populizadores da Ciência, com maior interesse nos produtos (Corrente
inglesa);
A que integra Ciência e Humanidades.
Independente dos objetivos de cada corrente, a discussão está na pauta dessa era
tecnológica e podemos perceber avanços ainda tímidos diante da grande demanda exigida
de algum modo pela própria sociedade.
Para o divulgador Manoel Calvo Hernando, uma política científica deve basear-se
na política de comunicação científica. O autor afirma que a divulgação científica não
substitui a educação e que elas podem complementar-se levando em consideração o atraso
dos programas escolares em relação ao progresso da ciência, ele chama atenção em relação
a algumas funções intrínseca no ato de divulgar:
Combater a falta de interesse sobre temas relacionados com a ciência e a
tecnologia;
Chamar a atenção de grandes problemas como as reservas alimentares e
energéticas, o meio ambiente, os recursos, os perigos da guerra armamentista;
Desdramatizar a ciência, levando para os canais abertos de televisão.
“La divulgación de la ciencia se configura, junto con la educación, entre los
grandes retos de la sociedad tecnológica y como una necesidad de las sociedades
democráticas, una necesidad cultural, económica e incluso política. ” (HERNANDO,
2006).
Hoje, o estado da Bahia, com uma população de mais de três milhões de habitantes,
tem crescido nos últimos anos antes do golpe de 2016, no que diz respeito, principalmente,
a educação com implantação de Universidades e Institutos Federais de Ensino Superior em
vários municípios, descentralizando o acesso dessa população aos estudos e
consequentemente a uma formação mais qualificada. No entanto, ainda existe um déficit
muito grande no acesso aos conhecimentos científicos e tecnológicos e certamente a
socialização do conhecimento científico e tecnológico possui um papel fundamental na
formação para cidadania.
A pesquisa aqui apresentada vem contribuir com a análise do que está sendo
desenvolvida na Baía de Todos os Santos na perspectiva de levar o conhecimento
científico e tecnológico na área das ciências da natureza para o público em geral.
A pergunta que pretendemos responder se reporta às ações e métodos presentes nos
espaços não formais dos municípios da Baía de Todos os Santos na perspectiva de
promover a socialização do conhecimento científico e tecnológico nas áreas das ciências
da natureza. Na perspectiva de analisar as ações e métodos, usamos as contribuições do
paradigma do Interpretativismo para a metodologia de investigação qualitativa.
Seguindo a lógica defendida por CRESWELL (2010), nos tempos atuais parece
haver algum consenso sobre o que constitui investigação qualitativa. Essa discussão não é
mais necessária, portanto, apenas citaremos algumas das características que permeiam a
pesquisa e que justificam o seu caráter qualitativo no paradigma do interpretativismo:
Pluralidade de realidades envolvidas na pesquisa ao envolver diferentes municípios
da Bahia de Todos os Santos;
Necessidade da presença da pesquisadora nos locais a serem estudados;
Necessidade de a pesquisadora interagir com os vários sujeitos envolvidos na
pesquisa;
Necessidade de uma postura compreensiva frente a investigação, levando em
consideração a realidade local de cada município;
Necessidade da construção de significados mediados pela linguagem, ou seja, os
significados são tratados e modificados através de um processo interpretativo, não
existindo um padrão a ser utilizado;
O processo de coleta de dados é flexível, pudendo mudar à medida que as portas se
abrem ou se fecham para a coleta de dados;
Uma reflexão sistemática sobre a postura na investigação em relação à biografia
pessoal da pesquisadora e à maneira como é conduzida a pesquisa;
Utilização de observações abertas, entrevistas e análise de documentos;
Os dados são interpretados e analisados na perspectiva de identificar temas ou
categorias;
O levantamento dos dados foi uma atribuição da pesquisadora.
Antes de iniciar a pesquisa de campo, foi criado um Diário de bordo, onde as
primeiras anotações correspondem às discussões ocorridas durante as reuniões de
orientação, endereços a serem visitados, dentre outras anotações. Nesse sentido,
construímos uma proposta de roteiro de entrevista com dezessete perguntas que possuíam
como objetivos:
Identificação de atividades ou eventos voltados para a população do município que
levasse tema da ciência e da tecnologia no ano de 2013 e 2014 ou projeto para 2015;
Identificação da regularidade dos eventos ou projetos;
Identificação dos temas abordados;
Identificação das equipes elaboradoras e executoras do projeto ou evento;
Identificação do público atingido;
Identificação quanto a existência de acompanhamento e avaliação sobre as metas a
serem alcançadas.
No documento
UNIVERSIDADE FEDERAL DA BAHIA
(páginas 62-66)