4.1 AS ETAPAS DESENVOLVIDAS PELOS LICENCIANDOS
4.1.2 Escolha do recorte realizada pelos grupos
Posteriormente à etapa de descrição fenomenológica, temos a escolha de um recorte para futuro aprofundamento. Para esta etapa, os licenciandos devem estabelecer critérios de seleção e redefinir o estudo do tema, focalizando os aspectos que, sob algum modo, são considerados mais relevantes. Sendo assim, alguns aspectos são selecionados, enquanto outros, mesmo que importantes para outras investigações, são descartados. O foco de problematização é que vai definir o que se deve ser relevante ou não para o desenvolvimento de seus trabalhos.
4.1.2.1 Grupo de Efeito Estufa
Observando e analisando o segundo diário do grupo, notamos que os licenciandos dão indícios de já terem percebido e identificado alguns conceitos e processos físicos importantes para o desenvolvimento do trabalho, tal como o sol, a radiação absorvida e refletida pela atmosfera,
os gases que compõem a atmosfera, a temperatura e o fluxo de calor. Segue abaixo um trecho que já foi analisado antes, mas que agora nos é útil para observar a etapa de escolha do recorte.
A interação da radiação eletromagnética com as moléculas dos gases que compõem a atmosfera é que nos traz as revelações de como a natureza se comporta e a manifestação dos fenômenos que determinam a dinâmica do clima terrestre. Assim, o CO2 e a H2Ovapor são os gases que possuem o
papel de destaque neste tema e a luz é quem será a mola propulsora para que o efeito possa manifestar-se. […]
O sol é a fonte de radiação que irá interagir com a atmosfera terrestre e fará com que determinadas moléculas vibrem e reemitam a radiação, inclusive de volta para a superfície. O calor que a superfície da Terra emite possui um comprimento de onda diferente daquele que o sol emitiu, logo, parte desta radiação fica retida, isso quer dizer que a energia que entrou é maior do que a energia que saiu. O resultado é um aquecimento gradual na temperatura do planeta. (Diário de Bordo 2 – Efeito Estufa).
Elencar esses parâmetros é essencial para esta segunda etapa, de escolha do recorte, sendo que o que define a importância de cada aspecto é o foco escolhido. No caso desse grupo, em conversas com o professor, os licenciandos disseram que o foco deles para a disciplina de INSPE B era estudar a interação da radiação com a atmosfera. A ideia era que, com esse estudo, eles pudessem ter um melhor embasamento para a disciplina de INSPE C, em que iriam preparar um material envolvendo o aquecimento global.
No material que criamos, também destacamos esses parâmetros. Assim como nós, os licenciandos apontaram os principais conceitos e processos físicos, demarcando pontos para um futuro aprofundamento. Como escrevemos em nosso material, uma opção para entender o Efeito Estufa é por meio do estudo da interação da radiação com a matéria, em que a compreensão de alguns aspectos são necessários, como a radiação, a composição da atmosfera e a interação dessas.
4.1.2.2 Grupo de Ondas Sísmicas
Nesta etapa, o grupo apontou que iria aprofundar o estudo do meio. Esse é um importante recorte para entender as ondas sísmicas. Em seu terceiro diário, os licenciandos destacaram:
Uma onda mecânica necessita de um meio (via) para se propagar.
Esse meio, quando perturbado, tem uma resposta, uma reação que varia em função das características mecânicas do material desse meio. (Diário de Bordo 3 – Ondas Sísmicas).
O recorte escolhido pelo grupo se deve, em grande parte, ao professor, que durante a disciplina, em suas orientações, buscou sempre enfatizar a importância do meio para esta temática. A partir disso, eles buscaram evidenciar esta escolha, sendo que neste diário eles já destacaram algumas características referentes às propriedades do meio, como a elasticidade e as tensões sofridas. Esses parâmetros receberam um tratamento inicial, mas os alunos afirmaram que iriam fazer um aprofundamento nesse estudo posteriormente.
No quarto diário, o grupo buscou relacionar o estudo do meio com a temática em análise. Segue abaixo:
[...] para provocar um sismo deve-se ter duas condições simultaneamente:
1) movimento diferencial no material, de forma que a tensão possa acumular e extrapolar o limite elástico desse material;
2) o material tem que ceder por fratura frágil. (Diário de Bordo 4 – Ondas Sísmicas).
Entendendo o sismo como o causador das ondas sísmicas, o grupo, nesse trecho, evidencia o papel do material para a geração desse fenômeno, destacando novamente a tensão e a elasticidade do material para um futuro aprofundamento.
Nesse trecho, merece também destacar que os licenciandos não exploraram a relação entre sismo e ondas sísmicas. Se há uma ruptura e uma extrapolação do limite elástico do meio, não se tem uma onda sísmica, embora se tenha um sismo. Portanto eles não colocam com clareza que a onda, quando gerada por um sismo, estabelece-se após
uma região, onde a energia do sismo foi suficientemente dissipada, gerando perturbações dentro do limite elástico.
Na sequência desse diário, o grupo evidencia o papel do meio para se compreender a velocidade de propagação das ondas sísmicas:
As ondas sísmicas se propagam com velocidade e características definidas por propriedade do meio por onde passam. (...) A velocidade de propagação das ondas sísmicas vai depender das propriedades elásticas e da densidade do material no qual ela se propaga. Ela é diretamente proporcional aos parâmetros elásticos e inversamente proporcional à densidade do corpo. (Diário de Bordo 4 – Ondas Sísmicas).
Além de novamente destacar a elasticidade do material, os licenciandos enfatizam também a densidade como sendo essencial para entender a velocidade de propagação. Esses são conceitos de extrema relevância para entender a influência do meio na propagação das ondas sísmicas, como destacamos em nosso material de referência.
Neste sentido, podemos observar, neste quarto diário, que o grupo evidenciou como aspectos relevantes para a compreensão do meio a tensão sofrida pelo material, a densidade e a elasticidade, sendo que esses fatores receberam destaque no PT do grupo e serão mais bem analisados na próxima subseção.