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Escolha dos textos e fontes utilizados na escrita e reescrita dos relatos

No documento wallacealvescabral (páginas 74-77)

4 A CONSTRUÇÃO DO CORPUS E UMA PROPOSTA DE ANÁLISE

4.4 OS CAMINHOS PERCORRIDOS NA CONSTRUÇÃO DOS RELATOS

4.4.1 Escolha dos textos e fontes utilizados na escrita e reescrita dos relatos

Observando os caminhos percorridos pelos estudantes, todos iniciaram a busca de novos textos a partir do buscador Google, digitando palavras-chave do tema de interesse e selecionando aqueles assuntos que apresentavam alguma relevância para o seu relato, como exemplificado na fala da estudante Fernanda: “[...] Pra mim, foi jogando palavras-chave, 4.4 OS CAMINHOS PERCORRIDOS NA CONSTRUÇÃO DOS RELATOS

temas no Google, temas, um tema relacionado, procurando, lendo textos sobre aquilo e vendo onde aquilo se encaixava melhor dentro do texto”.

Outro caminho apontado por alguns estudantes é a busca de informações nas disciplinas já cursadas na graduação, uma vez que tiveram dificuldades de encontrar o termo específico no buscador Google, como é visto na fala dos estudantes Alexandre e Nena:

Alexandre: Pra mim também, essa pesquisa de fontes também foi bem complicada, eu utilizei o Google. Eu também tentei usar textos de disciplinas que eu tava fazendo no momento, que de alguma forma explicava aquilo ali. Tentei olhar, achar um texto, escolher um texto e tentar trabalhar em cima daquele texto, pela própria dificuldade de se achar o texto nessas áreas aí, indisponível. Encontrei alguns artigos da área de Educação. E também, usei texto de instrumentação, usei texto de prática, usei de química. Eu usei introdução à química.

Nena: Eu tenho muitos textos, eu tenho os textos das práticas todas, né, e do estágio e desses textos eu fui lendo e dali eu fui tirando.

O estagiário Adrian também relatou dificuldades ao encontrar trabalhos digitando palavras-chave no buscador Google, porém utilizou a biblioteca virtual da SciELO. É importante ressaltar que, quando os estudantes não encontram a palavra-chave de forma direta no buscador, eles tendem a relatar dificuldades na busca de novas referências. Isso evidencia que eles, muitas vezes, não buscam outros termos ou não procuram textos que tangenciam as discussões de interesse, conforme destacam Santos, Firme e Barros (2008). Como aparece na fala de Adrian:

Adrian: Eu pesquisei também no Google, aquelas consultas de textos científicos, de periódicos [SciELO] e foi difícil de achar. Pelo menos pelo tema, né? Espaço e tempo escolar, foi muito difícil de achar. Inclusive eu achei um bom trabalho da própria UFJF, foi uma das minhas fontes, mas muito pouco.

Geraldi (2013) destaca algumas relações que podem ser estabelecidas entre o texto e o leitor, o movimento realizado pelos estagiários se aproxima da leitura-busca-de-informações, na tentativa de encontrar textos que possam dialogar com seus relatos. Como aponta Flôr (2009, p. 91) “[...] a leitura em busca de informações é realizada constantemente pelos sujeitos fora do ambiente escolar. Atualmente, então, com a inserção da internet e das

ferramentas de busca no dia-a-dia dos estudantes, essa é uma forma de leitura bastante comum”.

Esses dois caminhos apresentados pelos discentes vão ao encontro da noção de intertextualidade discutida por Orlandi (2012), que remete ao fato de que um texto nasce em outros textos, assim como também aponta para outros tantos. Dessa forma, novos relatos vão sendo produzidos, incorporando novas leituras do espaço escolar e dialogando com a literatura. Diante disso, a estagiária Fernanda apontou para a importância de relacionar e buscar novas leituras:

Fernanda: Acho que assim fica mais completo, você aprende mesmo a como escrever um texto, como por exemplo, da primeira vez, ninguém colocou um referencial teórico, ninguém levou pra fora, ficou só no seu próprio relato, na sua própria redação. Aí nós fomos incitados a colocar outros textos dentro daquele texto [...] Então eu acho que isso é essencial, além de fica mais rico o texto e a gente aprende muita coisa, né?

Percebemos que o movimento inicial dos estudantes foi o de digitar palavras-chave do tema de interesse no buscador Google e selecionar aqueles trabalhos que apresentavam alguma relevância para o seu relato. Partindo da dificuldade de encontrar novas referências, houve também a busca de textos em disciplinas já cursadas, revelando, assim, o interesse em estabelecer conexões entre as diferentes abordagens dadas pelas disciplinas de estágio.

Diante desse movimento de busca apresentado, os estudantes falaram como se deu a escolha dos textos que foram utilizados, seja através do Google ou do material que foi utilizado em outras disciplinas. Nesse sentido, Nena ressaltou:

Nena: Primeiro eu joguei no Google, né? Aí eu cliquei nos links que achava que poderia me ajudar no relato. Só que quando eu comecei a ler, eu percebi que algumas discussões não ajudavam muito. Aí eu passava para o próximo texto. Com relação a fonte, eu sinceramente não sei... é... eu sei que eu utilizei uma tese de doutorado que fala sobre o uniforme escolar e os outros eram artigos, só que não sei qual era periódico.

É perceptível, na fala da estudante Nena, a validação imediata dos artigos científicos para referendar os trabalhos acadêmicos, marcando a relação de forças existentes entre os textos acadêmicos e não acadêmicos. Como destaca Orlandi (2012, p. 39), “[...] Como nossa sociedade é constituída por relações hierarquizadas, são relações de força, sustentadas no poder desses diferentes lugares, que se fazem valer na comunicação”. Para os demais

estudantes, houve uma preocupação com relação aos periódicos e fontes utilizadas, como pode ser destacado na fala de Alexandre: “[...] Tipo assim, eu digitei no Google e procurei os textos que me interessavam, aí... eu sempre olhava de onde o texto era, procurava se era um autor conhecido, entendeu? Teve uma vez que até olhei o lattes de um pesquisador. Acho que fazer isso ajuda bastante”.

A partir desse movimento de busca por fontes acadêmicas ou não acadêmicas, direcionamos a discussão da roda de conversas para o papel dos textos não acadêmicos, como será visto no item a seguir.

No documento wallacealvescabral (páginas 74-77)