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Os principais materiais betuminosos utilizados para imprimação das bases rodoviárias são os asfaltos diluídos de cura média CM-30 e o CM-70. Esses materiais são normatizados pela ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas), através do Procedimento das Especificações Brasileiras P-EB-651.

Segundo ERDMENGER (1969) há muitos tipos de ligantes asfálticos formulados para uso em imprimação, porém os asfaltos diluídos de cura média são os mais utilizados em virtude do rápido acréscimo de viscosidade dos asfaltos diluídos de cura rápida (CR), dos cimentos asfálticos de petróleo (CAP) e das emulsões asfálticas depois da sua aplicação. Conforme esse pesquisador, a escolha do tipo certo de ligante para uma imprimação depende da qualidade e do tamanho dos agregados da base, da temperatura de aplicação, do clima local e da velocidade de cura desejada.

BUTTOM e MANTILLA (1994) confirmam esses critérios de escolha do ligante, porém, acrescentam ainda o volume de tráfego e o teor de asfalto contido no ligante utilizado. Parece lógico afirmar que a boa qualidade da imprimação dependa da concentração desse teor residual de asfalto presente nos grãos superficiais da base. Mesmo assim, a maioria dos pesquisadores que se dedicou ao estudo da imprimação não faz menção a essa quantidade de resíduo asfáltico.

BUTTOM e MANTILLA (1994) afirmam que se devem utilizar ligantes com baixo teor de asfalto para imprimação de bases densas, e ligantes com alto teor de asfalto para bases bastante permeáveis e pouco coesivas. Segundo esses pesquisadores a utilização de ligantes com altos teores de asfalto, apesar de oferecerem imprimação de qualidade superior, deve ser evitada em virtude da sua dificuldade de penetração. BUTTOM e MANTILLA (1994) recomendam que se o tempo de exposição da base ao tráfego, depois de imprimada, for superior a uma semana, durante uma estação chuvosa, deve-se utilizar um material com alto teor de asfalto. Porém, se o ligante empregado tiver baixo teor de asfalto, faz-se necessária a aplicação periódica de asfalto diluído em água sobre a superfície imprimada.

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Neste sentido, cabe destacar a afirmação de HENNES e EKSE (1975) de que os asfaltos de alcatrão não são adequados para uso em imprimação porque não oferecem desejável uniformidade de aplicação.

O uso dos asfaltos diluídos de cura rápida em serviços de imprimação deve ser restrito, segundo USACE (2005), em virtude dos riscos de separação do solvente ou da sua absorção pelos finos da base, o que ocasiona a deposição do asfalto sobre a superfície imprimada.

OCAPE (2002) também recomenda o uso dos asfaltos diluídos de cura média sobre os de cura rápida em virtude da maior segurança no seu manuseio.

Segundo as especificações de serviço do DNER-ES 306/97, a escolha do ligante betuminoso a ser empregado em uma imprimação é feita em função da textura do material da base, sendo a taxa de aplicação determinada, experimentalmente, no canteiro da obra.

Conforme USACE (1999) a escolha do tipo de ligante para imprimação pode ser influenciada pelas condições do tempo. Segundo esse órgão, o processo de cura das emulsões é dependente da evaporação da água, podendo ser lento ou paralisado sobre as condições de baixas temperaturas e altas umidades, enquanto os asfaltos diluídos não são tão dependentes das condições do tempo. Em tempo frio, segundo USACE (1999), os asfaltos diluídos de cura rápida têm melhor desempenho do que os de curas média e lenta.

Apesar dos asfaltos diluídos serem os materiais mais utilizados para imprimação, tanto no Brasil como no exterior, SENÇO (1997) ressalta que o seu para imprimação podem não corresponder economicamente, em virtude das altas porcentagens de diluentes utilizadas na sua fabricação. Neste contexto, vale ressaltar que, segundo CROSS e SHRESTHA (2004), os asfaltos diluídos de cura média contém cerca de 25 a 45% de diluentes de petróleo. Dessa forma, entende-se que a inviabilidade econômica do uso dos asfaltos diluídos, a qual se refere SENÇO (1997), esteja associada às altas proporções de diluentes empregadas para a composição dos asfaltos diluídos, bem como os seus altos preços de aquisição. Vale lembrar que os diluentes de petróleo adicionados aos cimentos asfálticos de petróleo evaporam depois da sua aplicação, caracterizando

sua participação apenas como veículo para a penetração do asfalto nas bases compactadas.

Os asfaltos diluídos têm uma outra restrição quanto ao seu uso para imprimação. Segundo CROSS e SHRESTHA (2004) muitos departamentos de transporte rodoviário, no exterior têm evitado ou reduzido a utilização desses materiais em virtude do perigo da poluição ambiental. Essa restrição tem se estendido a certas partes do ano, ou mesmo durante o ano inteiro, por causa da emissão de compostos voláteis orgânicos no ar. Entende-se que as partes do ano as quais os autores se referem sejam os períodos de chuva, quando os riscos de arraste de materiais de betuminosos aplicados em imprimação (não completamente curados), para mananciais ou áreas ambientalmente sensíveis são maiores.

Neste contexto CROSS e SHRESTHA (2004) realizaram uma pesquisa com o objetivo de verificar os principais parâmetros utilizados nos serviços de imprimação por alguns departamentos de transporte norte-americano vinculados CFLHD (Central Federal Lands Highway Division). Um dos parâmetros investigados foi o tipo de produto empregado por cada um desses departamentos. Os resultados obtidos da pesquisa são mostrados na Tabela 3.2.

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Tabela 3.2: Tipos de ligantes utilizados pelas agências rodoviárias pertencentes à CFLHD (CROSS e SHRESTHA, 2004).

Agência Material

Arizona Asfalto diluído e emulsão California Não usam asfalto diluído

Colorado Emulsões AE-P e PEP

Kansas Asfalto diluído e emulsão

Nebraska Asfalto diluído

Nevada Asfalto diluído e emulsão

New Mexico Emulsões AE-P e PEP

North Dakota Todos os materiais

Oklahoma Asfalto diluído e emulsão South Dakota Asfalto diluído e emulsão

Texas Todos e AE-P e PEP

Utah Todos os materiais

Wioming Todos os materiais

U.S.F.S (U. S. Forest Service)

(United States Department of Agriculture) Asfalto diluído e emulsão UFC - Unified Facilities Criteria

(Practice Manual for Flexible Pavements - USACE)

Asfaltos diluídos e emulsão de cura lenta

CFLHD Asfalto diluído e emulsão

Conforme se observa na Tabela 3.2, a maioria dos órgãos rodoviários não menciona o material a ser utilizado para imprimação, enquanto apenas 4, dos 15 consultados permitem o uso de asfaltos diluídos, emulsões asfálticas e cimento asfáltico. Sete órgãos permitem o uso de qualquer tipo de material. Apenas o departamento de transporte de Nebraska utiliza o asfalto diluído como alternativa única para imprimação, enquanto 3 agências especificaram as emulsões AE-P (Asphalt Emulsion Prime) ou PEP (Penetrating Emulsion Prime).

De forma geral o que se percebe é que, por força da legislação ou pela própria conscientização ambiental, o uso dos asfaltos diluídos nos Estados Unidos é bastante

limitado, o que tem contribuído com o desenvolvimento de pesquisas com vistas à busca de materiais alternativos menos poluentes ao meio ambiente.