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4.1 ENTREVISTAS COM EXPERTS

4.1.1. Escopo do projeto (C1)

Esta categoria abrange a natureza, objetivos e tipologias do projeto e todos os aspectos a ele conectados como, por exemplo, interação com o meio ambiente e

A, l 23

Identificação Identificação da linha tabela Informante unidade de análise

aproveitamento das condicionantes naturais (vegetação, ventos, iluminação); comunicação e investigação do negócio; interpretação do escopo e diálogos praticados com o cliente, entre outros (apêndice A).

Através do diálogo com o cliente, os projetistas elencam os aspectos que devem ser considerados para o lançamento de projeto. Assim como colocado pela entrevistada A (Simone), não corresponde ao papel do projetista criar demandas, o que ocorre em alguns casos é indicar “[...] algumas soluções às vezes, mas o programa de necessidades é o cliente que define” (A, l 1-2).

Tendo como enfoque um projeto sustentável, conforme proposto por Moxon no item 2.3, é interessante a adoção de questionamentos-chave em sua etapa projetual, como qual o propósito do projeto, por quanto tempo ele será necessário, quais os materiais adequados, entre outros, que conectam as necessidades do cliente e o que estará traduzido no projeto.

Um fator importante dessa etapa foi listado pela entrevistada C (Caroline), sobre a necessidade de ambos os atores (projetistas e cliente) estarem motivados em prol do projeto sustentável: “[...] quando o proprietário já vem com a demanda ‘ah eu quero que seja sustentável’, aí o arquiteto vai atrás, mas eu acho que tem que ter essas duas pessoas, pelo menos, querendo” (l 10).

Nessa perspectiva, o projeto pode ser considerado como uma via de duplo sentido, que se constrói entre o projetista e o interesse do cliente em sustentabilidade. Outro elemento que pode ser considerado é que a sustentabilidade, quando convertida em economia dos sistemas, como, por exemplo, energia e água, tende a se tornar mais atrativa de ser praticada. Ainda dentro desse contexto, o entrevistado B (Maurício) fala sobre a importância do papel do projetista de ser um orientador, sendo que é necessário em momentos “[...] abrir os olhos da pessoa, desmitificar certas coisas que estão mistificadas” (l 19).

Em maior parte, quando o projeto busca atender quase que exclusivamente aspectos estéticos e critérios de composição, sem alinhar-se harmoniosamente aos aspectos sustentáveis, os demais elementos ficam desfavorecidos, conforme é colocado pelo entrevistado B:

[...] soluções puramente estéticas que se dá para um projeto [...] para obter certo ritmo ou para obter certa padronização, para conseguir escala... Essas coisas são importantes, mas se não ligar para a parte de energia e conforto térmico, perde muito (l 12).

No contexto dos espaços comerciais, esta aproximação é facilitada quando as empresas possuem em seu DNA a sustentabilidade como diferencial-chave ou que estejam direcionados a ela, conforme exposto no item 2.2 por Takano; uma vez que milhares de PDVs são criados todos os anos, eles poderiam contribuir para a conscientização dos seus consumidores, permitindo a reflexão e a mudança dos seus hábitos.

Sendo o PDV direcionado à sustentabilidade, notou-se a importância do projetista investigar as peculiaridades do negócio, procurando entender a área de concentração do seu cliente, já que “[...] tudo tem que ser levantado sob o ponto de vista do negócio, a própria marca, o conceito do negócio de onde veio, [...], a própria criação de nome e marca do negócio, a gente precisa saber da onde veio o conceito” (A, l 25).

Ainda deve-se levar em consideração que o “[...] o projeto comercial é para o cliente do estabelecimento muito mais do que o cliente que está te contratando” (A, l 22). Mediante essa fala, emerge a importância do estudo do público-alvo, das características do negócio e da relevância que um projeto orientado à experiência pode auxiliar a difundir os valores intangíveis do negócio, através de diferentes formas de comunicação, inclusive espacial.

Podemos relacionar esse aspecto com a fala de Gurgel, conforme item 2.1.3, onde é exposto que o ambiente de varejo possui a responsabilidade de manifestar a filosofia dos produtos comercializados, criando espaços para os quais os consumidores sejam atraídos e sintam-se confortáveis de permanecerem (2013, p. 176).

Para um programa abrangente dos espaços de comércio, também deve ser levado em consideração os principais concorrentes da marca e como eles se posicionam no mercado, e então, conforme a entrevistada A, o contratante do projeto pode optar por seguir o que já é praticado pelo mercado ou fazer de uma maneira diferente, levando em consideração “[...] uma série de questões que são estratégicas para ele que a gente precisa trazer na arquitetura, são detalhes que acabam entrando no briefing que no residencial a gente não tem” (A, l 26).

Percebe-se, através dos entrevistados, que após a montagem do programa e dos primeiros esboços ocorrem as validações, podendo haver mudanças do que foi primeiramente estabelecido. Este momento é considerado importante pelos

projetistas, pois tem a função de ser um revisor da real demanda do cliente; entende-se que, após serem elaborados os primeiros esboços do projeto, ocorre um exercício de amadurecimento do que de fato se deseja, como é observado na fala da entrevistada A:

[...] muitas vezes o briefing não bate com a área construída, é a história de colocar Porto Alegre dentro de Caxias [risos], tem cliente que adora fazer isso, então assim, quer construir 150m² e quer 4 suítes, garagem para não sei quantos carros, área gourmet, churrasqueira, sala isso e aquilo... não cabe, mas geralmente, isso no próprio programa de necessidades a gente já dá um toque para o cliente se vai encaixar, se vai caber para no primeiro estudo fazer só a validação de briefing (l, 3).

Ainda farão parte do programa informações de como os espaços funcionarão, suas características, seus fluxos e acessos, as formas de exposição dos produtos, a linguagem visual e aspectos legislativos, quando aplicáveis, e, ainda,

[...] quantas pessoas ele pode receber ao mesmo tempo, quantas ele pode servir, como que essa pessoa chega à loja como ela entra como ela é recebida, como que ele faz o controle para essa pessoa quando sai, se ela vai consumir alguma coisa ela tem que passar por um trajeto que ela seja obrigada a passar pelo caixa, esse tipo de detalhe, não pode ter conflito de circulação, por exemplo, entre cozinha e área de servir, o cliente não pode enxergar a pessoa passando cozinhando então tem vários detalhes que tem que ser observados (A, l 5).

Além disso, a forma como o cliente tende a expressar sua necessidade se dá na utilização do termo “eu preciso”, conforme fala da entrevistada C: “[...] ele ia demandando as coisas muito na parte funcional. Então, assim, ‘ah, eu preciso de uma recepção’, ‘eu preciso de um lugar, um cofre para guardar as máquinas fotográficas’” (l 9). Essa fala também se relaciona com a da entrevistada A, que destaca a necessidade do projetista investigar o maior número de condicionantes possível, conferindo a ele o entendimento do “[...] que a pessoa quer dizer” (C, l 21).

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