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ESCRITURA PÚBLICA DE SEPARAÇÃO CONSENSUAL

5 ANÁLISE DOS PRINCIPAIS ASPECTOS HISTÓRICOS E TEÓRICOS

5.9 ESCRITURA PÚBLICA DE SEPARAÇÃO CONSENSUAL

Sobre a separação consensual, as partes devem estar acordadas, não terem filhos

menores ou incapazes, obedecendo aos prazos previstos em lei (PARIZATTO, 2007, p. 96).

O artigo 1.124-A do Código de Processo Civil passou a prever a separação consensual

extrajudicial. A mesma se dará comprovada mediante certidão de casamento, inexistente há um

(01) ano. A inclusão desse artigo como intuito de conferir celeridade aos processos judiciais.

Neste aspecto, o mesmo autor (2007, p. 96) destaca:

Além disso, à evidência, as partes deverão apresentar ao tabelião, a certidão de casamento atualizada, de modo a se atestar a existência deste e a época de sua realização.

Observa-se que o artigo 1.574 do Código Civil, já previa a separação por mútuo

consentimento:

Art. 1.574. Dar-se-á a separação judicial por mútuo consentimento dos cônjuges se forem casados por mais de um ano e o manifestarem perante o juiz, sendo por ele devidamente homologada a conversão.

Para Farias (2007, p.128), “o prazo de um ano de casamento é exigido, inclusive, para

as separações consensuais originadas de conversão de separação litigiosa, em juízo, quando o

magistrado obtém acordo entre as partes”.

A separação consensual é um ato jurídico semelhante ao divórcio, só que neste caso,

não há necessidade de testemunha e o prazo é menor.

Sobre a partilha, as partes declaram no próprio corpo da escritura que não há bens

para partilhar; quanto menção a respeito da pensão alimentícia, poderá haver dispensa e não

renúncia, conforme prevê o artigo 1.707 do Código Civil; e sobre a alteração de nome,

poderá voltar a usar o nome de solteiro ou optar pela manutenção do nome de casado

(PARIZATTO, 2007, p. 99).

5.9.1 Escritura Pública de Separação Consensual com Partilha

A modalidade de separação com partilha de bens obedece aos mesmos requisitos da

separação sem partilha acima referida, apenas acrescenta-se a partilha de bens, bem como o

recolhimento dos impostos devidos, ITBI e ITCMD, conforme o caso.

A partilha poderá ser feita de forma desigual, ou apenas esclarecida que ocorrerá em

outro momento, como já mencionado no item que trata do divórcio consensual com partilha de

bens.

Após a efetivação da Escritura Pública de Separação Consensual com Partilha, esta

deverá ser encaminhada ao Ofício de Registro de Imóveis competente aos bens especificados

no corpo da escritura e ao Ofício do Registro Civil, onde os consortes se casaram, para que

sejam feitas as respectivas anotações e averbações acerca dos imóveis e alteração do seu estado

civil (PARIZATTO, 2007, p. 104).

5.9.2 Escritura Pública de Conversão de Separação em Divórcio

O casal que optar pela modalidade de escritura pública de conversão de separação em

divórcio deverá cumprir os vários requisitos, dentre eles, o que dispõe o art. 1.580 do Código

Civil, em outro momento já mencionado, que determina o prazo de um (01) ano após o trânsito

em julgado da separação judicial.

Parizatto (2007, p. 111) comenta sobre o parágrafo 1º, do art. 1.580, que discorre sobre

a conversão em divórcio decretada por sentença, da qual não constará referência à causa que a

determinou:

Apesar da restrição contida no parágrafo 1º do art. 1.580 do Código Civil, no sentido de que a conversão em divórcio da separação judicial dos cônjuges em divórcio da separação judicial dos cônjuges será decretada por sentença, da qual não constará referência à causa que a motivou, é de se observar que o parágrafo 2º de tal dispositivo, também se refere ao requerimento de pedido de divórcio. Ora, se a lei permite que se faça o divórcio extrajudicialmente, por escritura pública, ou seja, sem ser requerido, é de se entender que a conversão também poderá ser feita da mesma forma. Parece-nos que a Lei nº 11.441, de 04 de janeiro de 2007, deveria ter sido expresso mas não o foi e deveria ter mudado a redação dos parágrafos 1º e 2º do art. 1.580 do Código Civil.

O prazo mencionado no referido artigo satisfaz as necessidades; as partes deverão

apresentar sua certidão de casamento atualizada com a anotação de sua separação judicial onde

o tabelião e o assistente jurídico, atentos aos prazos, podem observar que o trânsito em julgado

da separação já cumpriu o prazo previsto, estando o casal apto para realizar a conversão da

separação em divórcio.

5.9.3 Escritura Pública de Conversão de Separação em Divórcio com Partilha

Na escritura pública de conversão de separação em divórcio com partilha, os requisitos

são os mesmos anteriormente mencionados na subseção, havendo apenas a partilha de bens, o

recolhimento dos impostos devidos, ITBI e ITCMD dependendo de cada caso. Dentre os

requisitos retromencionados, pode-se destacar que, para o cumprimento de uma separação ou

divórcio extrajudicial, o tabelião deverá exigir das partes contratantes, o que dispõe o art. 33 da

Resolução nº 35, de 24 de abril de 2007, dentre eles:

a) certidão de casamento atualizada;

b) documentos pessoais das partes, ou seja, Cédula de Identidade ou outro documento

oficial de identificação, bem como o CPF da mesma;

c) a escritura pública de pacto antenupcial, quando o regime de bens adotado pelo casal

é diferente do legal (Comunhão Parcial de Bens);

d) certidão de nascimento ou outro documento de identidade oficial dos filhos

absolutamente capazes, se houver;

e) documentação dos bens a partilhar, escrituras, matrículas, títulos, comprovações dos

bens e direitos se houver;

Na prática, o tabelião deverá ter reservado um espaço físico que não exponha as partes,

pois as escrituras devem ser lidas em voz alta para os interessados.

Sobre o exposto, o autor, Parizatto (2007, p. 98), ressalta:

De se frisar, dada a pertinência do assunto, que os tabelionatos deverão possuir uma dependência separada para a realização destas escrituras, preservando-se a privacidade das partes envolvidas no ato notarial. Nada impede, contudo, que marquem determinado dia e hora para atendimento especial, visando-se a elaboração de tal documento.

Convém mencionar que, após a efetivação da referida escritura, ocorrem os mesmos

procedimentos das separações consensuais com partilha, no que tange aos assuntos sobre o

Ofício de Registro de Imóveis e Ofício do Registro Civil, para que se proceda às devidas

averbações e anotações.

Analisados esses aspectos legais acerca da nova lei, e o procedimento para realização

e elaboração das escrituras públicas de separação e divórcio extrajudicial, ainda restam algumas

questões a serem analisadas relacionadas à formalidade para validade do ato, como a

importância da elaboração através de instrumento público em cartório, considerando-se a fé

pública da qual é dotado o tabelião, bem como a participação essencial do advogado.

6 O TABELIÃO, O ASSISTENTE JURÍDICO, A PUBLICIDADE E O