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5.2. Análise da esfera produtiva, mobilidade, identidade e representação

5.2.8. Esfera da Identidade: Dimensão socioespacial

No que diz respeito ao sentido de pertencimento dos atores, será analisada a elaboração de alteridade e identidade sob os efeitos

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experimentais da pluratividade na dimensão do trabalho. Constata-se a ativação de um repertorio de identidades, e por tanto permite responder o objetivo geral do presente estudo que pretende indagar esse tipo de situações experimentais, como veremos nas seguintes narrativas:

Alexandre, Func. Prefeitura de Betim Acamp. Dois de Julho. 55 anos. Eu carrego meu estilo de vida rural e urbana ao mesmo tempo. Me adapto como se fosse uma linguagem , como outro ator. Convivo com fogão de lenha, falo meio caipira, fico sujo. Lá no trabalho, ando limpinho, falo diferente como se fosse uma dupla personalidade do artista e isso não vai mudar.

Conceição, Coord. Acamp. João Pedro Teixera. 43 anos.

Quero terra para mim e para os que querem casa também, então essa é minha divisão porque sou parte do movimento sem-terra e do movimento sem-casa. A ocupação de casa faz parte de minha vida, é uma mistura entre o rural e o urbano, isso o MST vai ter eu saber. Sou livre, sempre vou estar no bairro.

Jose. Pedreiro-Campones. Acamp. João Pedro Teixera. 43 anos. Eu quero ser sem-terra agora. Por enquanto prefiro ser camponês isso eu sou. Agora me camuflo na cidade. Posso fazer isso porque ninguém proíbe nem se fala, nem os da coordenação, nem os do MST.

As informações confirmam a relação do trabalho na elaboração dos diversos repertórios de identidades nos estilos de vida dos atores, pertenças de caráter circunstancial, maleável e utilitário que permitem a seleção ou a combinação do ser camponês e urbano de forma portátil, pois está ancorada na flexibilidade política do movimento sem-terra. A instalação a influência política no processo é analisada a seguir:

Sr augusto, Marceneiro-camponês. Acamp. Dois de Julho. 51 anos. Não me considero turista moderno nem tradicional porque eu estou sempre no acampamento, participo e compartilho. O verdadeiro turista é aquele que não compartilha, por isso sou sem-terra porque participo, se você não participa, dificilmente os outros mais puros vão te reconhecer.

Rafael, setor de educação MST Acamp. Dois de julho 53. anos. É possível que um fulano seja sem terra na cidade, mas com essa injeção de organicidade, está muito atrelado ao trabalho e à organização do povo. Se está no núcleo, se sabe o grito de ordem, então a identidade não se perde, se reforça na cidade numa relação mais orgânica, nem que eu que cumpro tarefa política fora da área, porque não é só o trabalho o que define a identidade de MST, mas os camponeses mais puros parecem não aceitar.

Renata, Vendedora ex-acampada de João Pedro Teixera. 32 anos. Minha identidade na cidade não se perde, porque segui a linha política da cooperação. Quando comercializa uma mercadoria, quem dirige o carro e quem vende na cidade é um trabalhador rural. Isso não é compreendido por falta de acesso à discussão. Então quem é trabalhador rural? Eu sou

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trabalhadora rural do momento em que estou na organização e não importa se estou na cidade, e já tem livros do movimento sobre o tema.

Confirma-se a importância da participação política na elaboração de identidade por consenso entre os entrevistados, sendo um verdadeiro catalisador de alteridade que incorpora ou exclui o sujeito do estabelecimento. Mas também opera externamente à área, ao ponto de existir acordo entre os informantes de que a identidade do sem terra adquire caráter múltiplo, e pode se reproduzir na cidade, inclusive morando nela, pois depende do manejo orgânico-político e não exclusivamente do trabalho rural. Afirmamos que os repertórios de identidade estão ancorados num patamar político e não estritamente produtivo, o que nos permite responder parcialmente ao objetivo geral da presente pesquisa, pois o caráter experimental da pluriatividade gera diversas formas de expressar a pertença coletiva, faltando comparar as elaborações de identidade com a ocupação rurbana, que será analisada no item três deste capítulo.

5.2.9-Esfera do Imaginário: Dimensão socioespacial

O imaginário rural será analisado em relação ao caráter agrícola do campo, para aproximar seu peso no estimulo da permanência no campo, como veremos nas seguintes entrevistas:

Alexandre, Func. Prefeitura de Betim Acamp. Dois de Julho, 55 anos. Nunca trabalhei na roça, esta é minha primeira vez, agora estou com a expectativa de produzir e voltar a minha origem, porque sou de Ipatinga, mas estou aqui não por uma decisão econômica, estou aqui para lembrar a tradição de meu pai pela terra, porque sempre imaginei a roça como terra para plantar, o natural e viver melhor sem poluição da cidade.

Sra Lis, Serviços Gerais. Acamp. João Pedro Teixeira. 36 anos. Era muito nova quando meu pai perdeu a terra, por isso sempre tive vontade de voltar ao campo, ter meu lote e as lembranças boas que ficaram, mas vou construir a vida do bairro aqui também, não tem como perder isso, porque todo Primeiro de Maio está aqui, e por isso também estou aqui, olha vou construir a roça e o bairro ao mesmo tempo, e as coisas ruim do bairro deixar para lá.

Conceição, Coord. Acamp. João Pedro Teixera. 43 anos.

Na minha infância na terra de meu pai o veneno estava proibido, a vida da roça era saudável, a coisa era preservar, por isso plantar é com meu esposo. Eu vou mexer com cuidar as nascentes de água de nossa terra, porque as empresas das cidades estão matando as águas... Lá eu vou tomar conta disso, e como tudo está perto, vou fazer apresentação de minha idéia a

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outras propriedades. Quem sabe se mexo com turismo rural nas cachoeiras de nossa terra!

As informações selecionadas admitem que a esfera econômica não é um fator determinante para gerar imagens do campo, pois indicam a diversidade de imagens do espaço rural, entre elas a fala da Sra Conceição que representa o campo como preservação da natureza, confirmando a linha teórica de Mansinho e Schmid (1997), utilizada no presente estudo, em que o caráter produtivo do campo dito agrícola perde valor na área ocupada. De igual forma, confirma a noção de recuperação de comunidade esquecida, especificamente aquelas vivências perdidas dos filhos de terceira ou quarta geração de camponeses, que habitaram a periferia da cidade, idéia já instalada por Bengoa (2002). As informações indicam a capacidade que têm os fragmentos recuperados de memória afetiva para mobilizar o sujeito a permanecer no campo. No entanto, não são exclusivos, pois os pedaços recuperados do passado se elaboram no presente ressignificado, como nos informa a Sra. Liz, sobre a construção do bairro no espaço rural, ou seja, a experiência urbana do presente não se perde, ao contrário se reforça no campo. Assim, a presença da experiência urbana no campo explica em parte os fatores do porque ocupar o campo.

PARTE III

5.3.Análise da esfera político-organizativa na dimensão econômica, e