Projeção Populacional Abastecimento de Água
5. ESTUDO DE DEMANDAS
5.3. ESGOTAMENTO SANITÁRIO
Neste item as demandas do serviço de esgotamento sanitário são calculadas, tendo como norteador a finalidade principal do sistema, de coletar, afastar e tratar os dejetos gerados nos domicílios urbanos do município.
O conhecimento das estruturas de saneamento existentes no município é imprescindível para avaliar adequadamente a demanda atual e futura, com vistas à proposição das alternativas e metas.
Sendo assim, antes do cálculo das demandas faz-se uma breve apresentação das informações cole-tadas durante o diagnóstico, resultantes de levantamentos de campo e intensa busca de dados secundários em diversas fontes.
Quadro 18 – Projeção da demanda de água para o horizonte de planejamento – 2012 a 2042.
Etapas Ano
2012 2.210 274 604,8 2,2 985 614,1 10,5 12,6 13,1 22,7 12,0 241,9
2013 2.243 274 613,9 2,2 1.000 614,1 10,7 12,8 13,3 23,0 12,0 245,5
2014 2.277 250 569,2 2,2 1.015 560,9 9,9 11,9 12,3 21,3 12,0 227,7
2015 2.311 220 508,4 2,2 1.030 493,6 8,8 10,6 11,0 19,1 12,0 203,3
2016 2.345 180 422,2 2,2 1.045 403,9 7,3 8,8 9,1 15,8 12,0 168,9
2017 2.381 180 428,5 2,2 1.061 403,9 7,4 8,9 9,3 16,1 12,0 171,4
2018 2.416 180 434,9 2,2 1.077 403,9 7,6 9,1 9,4 16,3 12,0 174,0
2019 2.453 180 441,5 2,2 1.093 403,9 7,7 9,2 9,6 16,6 12,0 176,6
2020 2.489 180 448,1 2,2 1.109 403,9 7,8 9,3 9,7 16,8 12,0 179,2
2021 2.527 180 454,8 2,2 1.126 403,9 7,9 9,5 9,9 17,1 12,0 181,9
2022 2.565 180 461,6 2,2 1.143 403,9 8,0 9,6 10,0 17,3 12,0 184,7
Meio de plano
2023 2.590 160 414,4 2,1 1.233 336,0 7,2 8,6 9,0 15,5 12,0 165,8
2024 2.616 160 418,6 2,1 1.246 336,0 7,3 8,7 9,1 15,7 12,0 167,4
2025 2.642 160 422,8 2,1 1.258 336,0 7,3 8,8 9,2 15,9 12,0 169,1
2026 2.669 160 427,0 2,1 1.271 336,0 7,4 8,9 9,3 16,0 12,0 170,8
2027 2.695 160 431,3 2,1 1.284 336,0 7,5 9,0 9,3 16,2 12,0 172,5
2028 2.722 160 435,6 2,1 1.296 336,0 7,6 9,1 9,4 16,3 12,0 174,2
2029 2.750 160 439,9 2,1 1.309 336,0 7,6 9,2 9,5 16,5 12,0 176,0
2030 2.777 160 444,3 2,1 1.322 336,0 7,7 9,3 9,6 16,7 12,0 177,7
2031 2.805 160 448,8 2,1 1.336 336,0 7,8 9,3 9,7 16,8 12,0 179,5
2032 2.833 160 453,3 2,1 1.349 336,0 7,9 9,4 9,8 17,0 12,0 181,3
Fim de plano
2033 2.861 150 429,2 2,0 1.431 300,0 7,5 8,9 9,3 16,1 12,0 171,7
2034 2.890 150 433,5 2,0 1.445 300,0 7,5 9,0 9,4 16,3 12,0 173,4
2035 2.919 150 437,8 2,0 1.459 300,0 7,6 9,1 9,5 16,4 12,0 175,1
2036 2.948 150 442,2 2,0 1.474 300,0 7,7 9,2 9,6 16,6 12,0 176,9
2037 2.977 150 446,6 2,0 1.489 300,0 7,8 9,3 9,7 16,7 12,0 178,6
2038 3.007 150 451,1 2,0 1.504 300,0 7,8 9,4 9,8 16,9 12,0 180,4
2039 3.037 150 455,6 2,0 1.519 300,0 7,9 9,5 9,9 17,1 12,0 182,2
2040 3.068 150 460,1 2,0 1.534 300,0 8,0 9,6 10,0 17,3 12,0 184,1
2041 3.098 150 464,7 2,0 1.549 300,0 8,1 9,7 10,1 17,4 12,0 185,9
2042 3.129 150 469,4 2,0 1.565 300,0 8,1 9,8 10,2 17,6 12,0 187,8
Nota: Qméd – vazão média/ Qmd – vazão do dia de maior consumo/ Qmd+ETA – vazão do dia de maior consumo mais perdas da ETA (considerado 4%) / Qmdh – vazão do dia e hora de maior consumo.
5.3.1.Diagnóstico
O uso da água como agente de limpeza a serviço dos habitantes da cidade leva a uma relação direta com a geração de esgotos. Cerca de 80% transforma-se em esgoto necessitando de tratamento para que sua carga poluidora seja diminuída, facilitando a depuração natural. A correta disposição dos resíduos dos processos de tratamento (lodos) também se enquadra nessa perspectiva.
A seguir são abordadas as principais propriedades do sistema de esgotamento sanitário do município de Coronel Pacheco, incluindo as unidades que o compõe, que se encontram ilustradas no APÊNDICE IV.
A. Gestão do serviço
A Prefeitura Municipal é a responsável pelo sistema de esgotamento sanitário no município. Segun-dos daSegun-dos do Censo Demográfico do IBGE (2010) Segun-dos 926 domicílios de Coronel Pacheco, 588 domicílios encontram-se conectados a rede geral de esgotamento e 11 destinam seus esgotos a fossa séptica.
A cobrança da tarifa de esgoto no município está regulamentada pelo Decreto n.o 525 de 18 de dezem-bro de 1998, sendo os valores apresentados no Quadro a seguir.
Quadro 19 – Tarifas de esgoto.
Serviço Categoria Tarifa (UFIR) Tarifa (R$)
Esgoto Residencial 9,49 10,10
Comercial 12,65 13,46
Ligações1 - 9,27 9,86
Nota: 1Mais material utilizado (registro, luva mista e adaptador).
Fonte: Decreto n.o 525/1998.
Como o município de Coronel Pacheco não possui micromedição a cobrança pelo serviço de esgoto não é realizada em função do coeficiente de retorno e sim em taxa única. A cobrança é realizada conforme a categoria, se residencial ou comercial, de acordo com os valores apresentados no Quadro 19, uma única vez ao ano junto com o IPTU dos domicílios.
De forma geral, o Plano Municipal de Saneamento Básico proporcionará ao município de Coronel Pa-checo, condições de ampliar e sistematizar o serviço prestado de esgotamento sanitário, inclusive desenvol-ver a gestão como um todo.
B. Sub-bacias de esgotamento e rede coletora
Foram identificadas quatro sub-bacias responsáveis por captar a água que escoa superficialmente e direcioná-la a um corpo hídrico. Esse conceito deve ser utilizado tanto na elaboração de projetos de esgota-mento sanitário quanto de drenagem e manejo de águas pluviais urbanas.
As sub-bacias delimitadas em Coronel Pacheco,já considerando uma expansão, foram denominadas Nossa Senhora Aparecida, São Cristóvão, Centro e Santa Rita, fazendo referência ao nome dos bairros situados nas mesmas, e possuem área de contribuição de 1,31 km², 0,45 km², 0,90 km² e 0,44 km², respectivamente.
O sistema de esgotamento de Coronel Pacheco ocorre de forma unitária, ou seja, as águas pluviais, os esgotos sanitários e outros eventuais despejos são indevidamente conduzidos em um único tubo coletor nas ruas que assim o possuem. A rede coletora conta com tubulações de PVC e de manilha cerâmica, com diâmetros variando entre 100 mm a 200 mm (ponta de rede). Existem ligações indevidas de águas pluviais na rede de esgoto, porém nenhuma medida de controle foi verificada.
No ano anterior ao presente levantamento, foi apurado um caso de retorno de esgoto para o interior de imóveis atendidos pela prefeitura. Não há registros operacionaissobre a manutenção executada na rede. Não existe cadastro da rede, mesmo sendo esta unitária.
Quanto às inspeções de ligações prediais, foi verificado que existem pontos de lançamento de esgoto doméstico a céu aberto em áreas de cobertura do sistema.
Em relação à limpeza e inspeção, verificou-se que as principais causas de obstruções de coletores são pedras e raízes, que se acumulam ao redor das redes. Foi relatada a existência de problemas na rede, referente a vazamentos.
O traçado da rede é convencional e segundo a prefeitura, sua extensão é de 7.200 m, porém com-mais300 m de rede pluvial exclusiva. Não há informações que permitam diferenciar e quantificar esgotos domésticos, comerciais e industriais, entretanto foi informado que o número de ligações de água na área urbana é de 665e de ligações de esgoto é de 587.
O afastamento por coletores-tronco, na realidade, é feito por meio da atual rede de drenagem. Não existe coletores-tronco ao longo dos corpos receptores, e também não há tratamento coletivo de esgotos que atenda a área urbana.
C. Estações elevatórias e linha de recalque
O município não conta com estações elevatórias de esgoto ou linhas de recalque de esgoto.
D. Estações de Tratamento de Esgoto - ETE
O município não possui sistema coletivo de tratamento dos esgotos coletados. Segundo o IBGE 1,19%
dos domicílios tem solução individual, destinando o esgoto em fossa séptica.
Cabe salientar nesse instante que a Deliberação Normativa nº 96, de 12 de abril de2006, posteriormen-te alposteriormen-terada pela Deliberação Normativa nº 128, de 27 denovembro de 2008, proferida pelo Conselho Estadual de Política Ambiental (COPAM), convoca os municípios para o licenciamento ambiental de sistema de trata-mento de esgotos, considerando que grande parte dos municípios do Estado de Minas Gerais é desprovida de sistema de tratamento de efluentes. O lançamento deesgotos sanitários in natura em corpos d’água provoca a degradação da qualidade das águas prejudicando usos à jusante, além depossibilitar a proliferação de do-enças de veiculação hídrica e provocar a geração de maus odores.
O município de Coronel Pacheco se enquadra no Grupo 7 estabelecido na DN COPAM nº 128. Para esta ocasião, municípios com população inferior a 20 mil habitantes deverão apresentar Autorização Ambiental de Funcionamento até 31 de março de 2017, com atendimento mínimo de 80% da população urbana e eficiência de tratamento de 60%.
E. Corpo receptor
Tendo em vista a inexistência de tratamento, o esgoto do município é lançado in natura em cursos d’água próximos aos locais gerados. De acordo com informações dos funcionários da Prefeitura, os esgotos domiciliares são lançados em três pontos distintos nos corpos hídricos Ribeirão Água Limpa, Ribeirão Liber-dade e Córrego Carambi (Figuras31 e 32).
Quadro 21 – Projeção da demanda por esgoto para o horizonte de planejamento – 2012 a 2042.
Figura 31 – Local de descarga 1
Fonte: Vallenge (04/11/2011).
Figura 32 – Local de descarga 2
Fonte: Vallenge (04/11/2011).
As três saídas principais de esgoto/águas pluviais se encerram em tubo de concreto Ø 1.00m e, partem a céu aberto, até os corpos receptores citados anteriormente.
Devido ao lançamento in natura do esgoto, os corpos receptores encontram-se degradados, per-cebe-se a poluição da água, exalação de fortes odores, proliferação de insetos e roedores.
5.3.2. Demanda por Infraestrutura em Esgotos Sanitários
A demanda de por infraestrutura de esgoto no município de Coronel Pacheco, seguiu a mesma me-todologia adotada para o cálculo da demanda de água, ou seja, foi efetuada a partir dos dados levantados durante os trabalhos de campo. Pela falta de informações detalhadas do sistema de saneamento de Coro-nel Pacheco, a demanda foi estimada com base nos consumos de água, considerando-se o coeficiente de retorno de 0,8, além das variáveis apresentadas no Quadro 20.
Quadro 20 – Variáveis consideradas para a estimativa da demanda por esgotamento sanitário.
Variável Valor Unidade
Consumo per capta de Água 180 L/hab.dia
Vazão Máxima Diária (k1) 1,2 adimensional
Vazão Máxima Horária (k2) 1,5 adimensional
Vazão Mínima (k3) 0,5 adimensional
Coeficiente de Retorno (C) 0,8 esgoto/água
Carga de DBO 54 g/hab.dia
Carga DQO 100 g/hab.dia
Extensão da Rede 1,5 m/hab
Taxa de Infiltração 0,1 L/s.km
A projeção das demandas para o serviço de esgotamento sanitário é apresentada no Quadro 21.
Deve-se notar que atualmente todo o esgoto gerado no município é lançado sem tratamento nos cursos d’
água causando poluição ambiental, desta forma, deve-se prever já para início de plano a implantação de sistema para tratamento dos esgotos.
Nota: DBO – Demanda Bioquímica de Oxigênio/ DQO – Demanda Química e Oxigênio/ Qméd – vazão média/ Qmd – vazão do dia de maior consumo/ Qmh – vazão da hora de maior consumo.