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ESGOTAMENTO SANITÁRIO

No documento PLANO MUNICIPAL DE SANEAMENTO BÁSICO (páginas 127-134)

Projeção Populacional Abastecimento de Água

5. ESTUDO DE DEMANDAS

5.3. ESGOTAMENTO SANITÁRIO

Neste item as demandas do serviço de esgotamento sanitário são calculadas, tendo como norteador a finalidade principal do sistema, de coletar, afastar e tratar os dejetos gerados nos domicílios urbanos do município.

O conhecimento das estruturas de saneamento existentes no município é imprescindível para avaliar adequadamente a demanda atual e futura, com vistas a proposição das alternativas e metas.

Sendo assim, antes do cálculo das demandas faz-se uma breve apresentação das informações coletadas durante o diagnóstico, resultantes de levantamentos de campo e intensa busca de dados secundários em diversas fontes.

5.3.1. Diagnóstico

O uso da água como agente de limpeza a serviço dos habitantes da cidade leva a uma relação direta com a geração de esgotos. Cerca de 80% transforma-se em esgoto necessitando de tratamento para que sua carga poluidora seja diminuída, facilitando a depuração natural. A correta disposição dos resíduos dos processos de tratamento (lodos) também se enquadra nessa perspectiva.

A seguir são abordadas as principais propriedades do sistema de esgotamento sanitário do município de Santana do Deserto, incluindo as unidades que o compõe.

A. Gestão do serviço

A Prefeitura Municipal de Santana do Deserto é a responsável pelo sistema de esgotamento sanitário no município. Constatou-se no levantamento de campo que, como o município de Santana do Deserto não possui micromedição, a cobrança pelo serviço de esgoto não é realizada em função do coeficiente de retorno.

De forma geral, o Plano Municipal de Saneamento Básico proporcionará ao município de Santana do Deserto, condições de ampliar e sistematizar o serviço prestado de esgotamento sanitário, inclusive desenvolver a gestão como um todo.

B. Sub-bacias de esgotamento e rede coletora

Assim como no sistema de abastecimento e distribuição de água, o sistema de esgotamento sanitário atualmente existente no município, será descrito para cada núcleo populacional afastado do centro do município.

Os esgotos gerados são lançados em corpos hídricos distintos caracterizados pela maior proximidade com os locais antropizados, na maioria das vezes por meio de rede coletora unitária.

Embora o lançamento de esgotos sanitários seja realizado in natura, não foi verificado aspecto desagradável e exalação de odores nos locais de descarga. Isso se deve à baixa vazão do lançamento de esgotos sanitários realizada de forma descontínua em trechos distintos nos corpos receptores. Entretanto cabe ressaltar que os corpos receptores não possuem monitoramento e que, o lançamento de esgotos sanitários do modo como é realizado no município de Santana do Deserto, provoca degradação da qualidade das águas.

A seguir são descritas as atuais unidades componentes do sistema de coleta de efluentes líquidos.

Bairro Centro

A sede municipal é provida de rede, responsável pela coleta de efluentes líquidos, constituída em tubulações de PVC e manilhas cerâmicas, com diâmetro variando entre 100 e 150 mm.

Em vistoria de campo, estimou-se que a extensão da rede é igual a 4,54 km, correspondendo a um índice de cobertura de 73,6%. Os outros 26,4% correspondem a logradouros situados na periferia da zona urbana, portanto, desprovidos de benfeitorias nesse sentido.

Todo o esgoto sanitário gerado na sede municipal é lançado in natura em três corpos hídricos distintos, sendo um córrego sem denominação (situado no sítio da Liberdade), córrego Recreio da Serra e ribeirão Caguincho (Figura 66 e Figura 67).

Figura 66 – Lançamento de esgoto Centro vista 1

Fonte: Vallenge (05/12/2011).

Figura 67 – Lançamento de esgoto Centro vista 2

Fonte: Vallenge (05/12/2011).

Bairro das Flores e Migliano e Povoado Serraria

Os bairros das Flores e Migliano e povoado de Serraria são providos de rede, responsável pela coleta de efluentes líquidos.

Esses núcleos urbanos são providos de rede, responsável pela coleta de efluentes líquidos, constituída em tubulações de PVC e manilhas cerâmicas, com diâmetro variando entre 100 e 150 mm. Constatou-se ainda a ocorrência de trechos onde a rede é unitária, ou seja, são conduzidos em conjunto, esgotos sanitários, águas pluviais e outros eventuais despejos.

Os efluentes coletados são lançados no rio Paraibuna e seus afluentes.

Povoado de Ericeira

O Povoado de Ericeira é provido de rede, responsável pela coleta de efluentes líquidos, constituída em tubulações de PVC e manilhas cerâmicas, com diâmetro variando entre 100 e 150 mm. Porém, assim como no bairro das Flores, Migliano e povoado de Serraria, constatou-se a ocorrência de trechos onde a rede é unitária, ou seja, são conduzidos indevidamente, esgotos sanitários, águas pluviais e outros eventuais despejos.

Os efluentes coletados são lançados no rio Cágado.

Povoado de Silveira Lobo

O povoado de Silveira Lobo não possui rede responsável pela coleta de efluentes líquidos.

Esse aglomerado populacional se desenvolveu a partir da Estação Ferroviária Silveira Lobo e ao longo das margens do ribeirão Caguincho. Desse modo, a maioria dos domicílios está implantada em proximidade com o ribeirão, caracterizando o despejo in natura dos esgotos sanitários, realizado diretamente das propriedades para o corpo hídrico.

Povoado de Sossego

O povoado de Sossego, assim como Silveira Lobo, não possui rede responsável pela coleta de efluentes líquidos.

Esse aglomerado populacional se desenvolveu a partir da Estação Ferroviária de Sossego e ao longo das margens dos cursos d’água (principalmente o ribeirão Caguincho. Desse modo, a maioria dos domicílios está implantada em proximidade com os corpos hídricos, caracterizando o despejo in natura dos esgotos sanitários, realizado diretamente das propriedades para os cursos d’água.

Os efluentes sanitários são lançados in natura no córrego Santa Clara e ribeirões Zumbi e Caguincho (Figura 68 e Figura 69).

Figura 68 – Lançamento de esgoto Sossego vista 1

Fonte: Vallenge (05/12/2011).

Figura 69 – Lançamento de esgoto Sossego vista 2

Fonte: Vallenge (05/12/2011).

C. Estações de Tratamento de Esgoto - ETE

O município não possui sistema coletivo de tratamento dos esgotos coletados.

Cabe salientar nesse instante que a Deliberação Normativa nº 96, de 12 de abril de 2006, posteriormente alterada pela Deliberação Normativa nº 128, de 27 de novembro de 2008, proferida pelo Conselho Estadual de Política Ambiental

(COPAM), convoca os municípios para o licenciamento ambiental de sistema de tratamento de esgotos, considerando que grande parte dos municípios do estado de Minas Gerais é desprovida de sistema de tratamento de efluentes. O lançamento de esgotos sanitários in natura em corpos d’água provoca a degradação da qualidade das águas prejudicando usos à jusante, além de possibilitar a proliferação de doenças de veiculação hídrica e provocar a geração de maus odores.

O município de Santana do Deserto se enquadra no Grupo 7 estabelecido na DN COPAM nº 128. Para esta ocasião, municípios com população inferior a 20 mil habitantes deverão apresentar Autorização Ambiental de Funcionamento até 31 de março de 2017, com atendimento mínimo de 80% da população urbana e eficiência de tratamento de 60%.

5.3.2. Demanda por Infraestrutura em Esgotos Sanitários

A demanda por infraestrutura de esgoto no município de Santana do Deserto foi efetuada a partir dos dados levantados durante os trabalhos de campo.

Ressalta-se aqui que, assim como na demanda por infraestrutura do sistema de abastecimento de água, os estudos detalhados de demanda das unidades do sistema de esgotamento sanitário foram realizados exclusivamente para o bairro Centro. Isso se deve ao fato das informações obtidas no levantamento de campo, tais como volume captado e produzido de água, serem particularizadas para a sede municipal.

Pela falta de informações detalhadas do sistema de saneamento de Santana do Deserto, a demanda foi estimada com base nos consumos de água, considerando-se o coeficiente de retorno de 0,8, além das variáveis apresentadas no Quadro 13.

Quadro 13 – Variáveis consideradas para a estimativa da demanda por esgotamento sanitário.

Variável Valor Unidade

Consumo per capta de Água 180 L/hab.dia

Vazão Máxima Diária (k1) 1,2 adimensional

Vazão Máxima Horária (k2) 1,5 adimensional

Vazão Mínima (k3) 0,5 adimensional

Coeficiente de Retorno (C) 0,8 esgoto/água

Carga de DBO 54 g/hab.dia

Carga DQO 100 g/hab.dia

Extensão da Rede 1,5 m/hab

Taxa de Infiltração 0,1 L/s.km

A projeção das demandas para o serviço de esgotamento sanitário é apresentada no Quadro 14. Deve-se notar que atualmente todo o esgoto gerado no município é lançado sem tratamento nos cursos d’ água causando poluição ambiental, desta forma, deve-se prever já para início de plano a implantação de sistema para tratamento dos esgotos.

Quadro 14 – Projeção da demanda por esgoto para o horizonte de planejamento – 2012 a 2042.

Nota: DBO – Demanda Bioquímica de Oxigênio/ DQO – Demanda Química e Oxigênio/ Qméd – vazão média/ Qmd – vazão do dia de maior consumo/ Qmh – vazão da hora de maior consumo.

No documento PLANO MUNICIPAL DE SANEAMENTO BÁSICO (páginas 127-134)