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Esgotamento sanitário

No documento Diagnóstico da Dinâmica Social (páginas 51-56)

4. SANEAMENTO AMBIENTAL

4.2 Esgotamento sanitário

Em relação à coleta de esgotos e ao tratamento do mesmo a situação na bacia ainda deixa muito a desejar, apesar dos indicadores estarem melhorando década após década. A base de dados disponível para a totalidade dos municípios ainda não foi atualizada com os dados da contagem populacional 2007. O perfil municipal elaborado pelo Ministério da Saúde (MS/ Datasus) atualizado em fevereiro 2009, utiliza indicadores de saneamento dos últimos censos (1991 e 2000). Os dados relativos ao percentual de moradores por tipo de instalação sanitária revelam uma ampliação do atendimento. Na média geral da bacia o percentual de moradores atendidos por rede geral de esgoto (ou rede pluvial) aumentou de 48%, em 1991 para 60,4%, no anos 2000 (Tabela 25).

Tabela 25 – Proporção de moradores atendidos por rede geral de esgoto – Trechos da BHRS

Trecho da BHRS

Percentual de moradores por tipo de instalação sanitária: rede geral de esgoto ou pluvial

1991 2000 Baixo Sapucaí 53,6 69,7 Médio Sapucaí 49,2 60,4 Alto Sapucaí 41,4 51,2 Percentual médio 48,0 60,4

FONTE: Datasus/ Censos Demográficos

Alguns municípios pequenos, como Gonçalves e Senador José Bento, tinham um grau baixo de cobertura de rede de esgoto em 2000 , respectivamente 26 % e 28,7 %. Vários municípios antes de pensar a possibilidade de tratamento de esgoto precisam investir na estruturação do sistema de coleta. O mesmo ocorre em municípios maiores e / ou com mais recursos financeiros, como Itajubá, Pouso Alegre e Campos do Jordão precisam ampliar a rede de coleta (os índices de cobertura de esgoto podem ser conferidos no Anexo 2)

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Tabela 26 - Proporção de moradores atendidos por rede geral de esgoto – municípios com sede na BHRS – 1991 e 2000

Municípios

Percentual de moradores por tipo de instalação sanitária: rede geral de esgoto ou pluvial,

1991 2000 Baixo Sapucaí Carvalhópolis 55,7 69,4 Cordislândia 50,9 74,9 Elói Mendes 64,0 76,6 Monsenhor Paulo 56,3 69,2 Paraguaçu 64,5 76,9

São Gonçalo do Sapucaí 67,2 78,7

Turvolândia 16,2 42,2 Sub-total 53,6 69,7 Médio Sapucaí Borda da Mata 51,3 75,7 Cachoeira de Minas 41,0 55,0 Cambuí 61,2 74,4 Careaçu 61,7 72,5 Congonhal 56,3 68,5

Córrego do Bom Jesus 29,5 49,3

Espírito Santo do Dourado 32,3 43,8

Estiva 41,3 48,4

Heliodora 64,7 79,0

Natércia 36,3 50,4

Pouso Alegre 84,5 86,9

Santa Rita do Sapucaí 71,7 79,4

São João da Mata 41,1 55,7

São Sebastião da Bela Vista 47,3 59,6

Senador Amaral - 52,6

Senador José Bento 26,6 28,7

Silvianópolis 40,7 46,3

Sub-total 49,2 60,4

Alto Sapucaí

Brasópolis 46,4 55,9

Campos do Jordão 63,3 73,4

Conceição das Pedras 38,2 47,1

Conceição dos Ouros 51,5 71,9

Consolação 36,0 37,2 Delfim Moreira 16,2 30,8 Gonçalves 24,3 26,0 Itajubá 82,2 87,8 Maria da Fé 43,7 54,6 Marmelópolis 29,7 36,2 Paraisópolis 64,3 75,8 Pedralva 38,5 45,6 Piranguçu 27,6 38,8 Piranguinho 42,9 53,3

Santo Antônio do Pinhal 26,7 34,6

São Bento do Sapucaí 38,3 37,0

53 Municípios

Percentual de moradores por tipo de instalação sanitária: rede geral de esgoto ou pluvial,

1991 2000

Sapucaí-Mirim 47,6 46,2

Wenceslau Braz 19,4 56,2

Sub-total 41,4 51,2

FONTE: Datasus, Perfil Municipal

Se a infra-estrutra de saneamento deixa a desejar, mais ainda quando se focaliza a questão do tratamento de efluentes. O índice de tratamento de esgotos nos municípios com sede na bacia é pequeno. Dados de diferentes fontes divergem. de acordo com a pesquisa realizada no âmbito deste estudo junto aos prestadores de serviço, dos 49 municípios mineiros da bacia, apenas Cambuí (2 bairros), Gonçalves, Pedralva e Paraguaçu possuem estação de tratamento de Esgotos. A COPASA está em fase de projeto ou construção de estações de tratamento de esgoto em 7 municípios: Borda da Mata, Camanducaia, Conceição das Pedras, Congonhal, Itajubá, Pouso Alegre e Santa Rita do Sapucaí. Segundo dados do SNIS, há tratamento de esgoto nos seguintes municípios: Itajubá (apenas 1,98 % do esgoto coletado), Borda da Mata (4,3 %), Pouso Alegre (0,4 %). Os dois municípios com a maior população da bacia, Itajubá e Pouso Alegre que juntas somam 207.000 habitantes, praticamente não possuem tratamento de esgoto. Em Pouso Alegre e Borda da Mata a COPASA concluiu a etapa de implantação de interceptores e redes coletoras e está preparando o processo de licitação da segunda etapa (construção de elevatórias e da ETE).

A inexistência de rede geral de esgoto e de tratamento do esgoto gerado “compromete o meio ambiente e, conseqüentemente a saúde da população que utiliza rios, lagos, lagoas e solos contaminados por esgoto lançado in natura” (IBGE, 2004: 10), como alerta de extrema importância a ampliação do serviço de coleta e tratamento de esgoto nos municípios pertencentes à bacia.

Segundo dados obtidos junto à COPASA e a algumas prefeituras, relativos a 15 municípios com sede na bacia (37,5%), são lançados diariamente 27.339 m³ de efluentes, diretamente nos cursos d’água.

A Figura 5 apresenta a situação dos municípios em relação à presença de estação de tratamento de esgoto.

Dos três municípios paulista que compõem a bacia, Campos do Jordão, Santo Antônio do Pinhal e São Bento do Sapucaí, apenas Santo Antônio do Pinhal apresenta tratamento de esgoto. A ausência de tratamento de esgotos nos dois maiores municípios, Campos do Jordão e São Bento do Sapucaí, compromete a qualidade dos

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mananciais. Dos municípios paulistas apenas Santo Antônio do Pinhal trata o esgoto. Informações secundárias indicam que 100% do esgoto coletado é tratado, mas é coletado 47% do esgoto gerado. Além disso, é crítica a situação no distrito José da Rosa, pela inexistência de tratamento. Na sede deste município, há uma ETE (lagoa de estabilização), mas sem controle de sua eficiência.

A questão do tratamento de esgotos em Campos do Jordão ainda está sendo debatida (localização, métodos, custos, licenciamento ambiental) e em São Bento do Sapucaí já tem local definido: no córrego Quilombo, nas proximidades com a foz no rio Sapucaí- Mirim.

Problema recorrente nos municípios paulistas que compõem a bacia, a falta de tratamento de esgotos sanitários atinge a bacia do Rio Sapucaí, e deve ser considerada uma das grandes prioridades do Plano Diretor. Embora o índice médio para a coleta de esgotos seja apreciável nas áreas urbanas, os dois maiores municípios paulistas que compõem a bacia não apresentam qualquer tratamento. Como a região do Estado de São Paulo que pertence à bacia é utilizada para o turismo, a população flutuante atrelada ao turismo gera demandas sazonais de água atipicamente elevadas, resíduos sólidos e esgotos, que somados à expansão imobiliária (loteamentos, chácaras etc.), acarretam em potencial degradação ambiental nessa região e interfere na qualidade ambiental da bacia do Rio Sapucaí.

Em todos os município da bacia há ainda os sistemas independentes de saneamento in situ (fossas e outros sistemas sépticos), notadamente nas casas de campo, sítios, fazendas e pequenas comunidades, não havendo, no entanto, qualquer avaliação sobre a eficiência e os impactos destes sistemas no solo e águas subterrâneas adjacentes.

A COPASA realiza convênios com prefeituras para a instalação de ETE, repassa o recurso e fiscaliza sua aplicação. Nesse processo, algumas das dificuldades encontradas são: a morosidade das prefeituras (entraves burocráticos), a falta de sensibilidade e de vontade política. A transição política entre gestões constitui outro obstáculo, na medida em que interrompe processos que vinham sendo construídos na gestão anterior.

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Figura 6 – Concessionárias de esgoto na Bacia do Rio SAPUCAÍ

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No documento Diagnóstico da Dinâmica Social (páginas 51-56)

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