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1. Introdução geral

2.6. Espécies mais comuns de flores comestíveis

Como já foi referido, não existe nenhuma lista oficial de flores comestíveis e não comestíveis emitidas por qualquer organismo internacional, incluindo a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), Organização Mundial da Saúde (OMS) ou Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA) (Fernandes, et al., 2017). Sendo assim, o número de espécies que produzem flores comestíveis variam de autor para autor. Segundo Lim (2014) existem mais de 80 espécies de cerca de 32 famílias que são classificadas como flores comestíveis, segundo Brash (1993) as flores comestíveis provêm de 55 géneros conhecidos e, de acordo com Lu et al (2016), as flores comestíveis são obtidas de 97 famílias, 100 géneros e 180 espécies em todo o mundo (Tabela 3).

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Tabela 3 - Espécies com produção de flores comestíveis

Nome Científico Nome Comum Cor da Flor Floração Sabor Referência

Abelmoschus

aesculentus Quiabeiro Amarelo, Vermelho Meio de Julho - Agosto

Suave, doce e levemente

mucilaginosa Newman & O’Connor (2013)

Agastache foeniculum Hissopo-anisado Lavanda Julho até às geadas Anis forte, doce, alcaçuz Newman & O’Connor (2013)

Alcea rosea Malva-rosa Várias Julho até às geadas Suave, ligeiramente

amargo Newman & O’Connor (2013)

Allium schoenoprasum Cebolinho Lavanda, vermelho a roxo Agosto até às geadas Cebola, Forte Newman & O’Connor (2013)

Allium tuberosum Cebolinho chinês Branco Amarelo até às geadas Cebola, Forte Newman & O’Connor (2013)

Anethum graveolens Endro Amarelo Julho até às geadas Mais forte que as folhas Newman & O’Connor (2013)

Anthemis nobilis Camomila-romana Pétalas brancas e centro

amarelo

Fim de Junho até às

geadas Maça doce Newman & O’Connor (2013)

Anthriscus cerefolium Cerefólio Branco Maio a Junho Como salsa, toque de

frutas cítricas, estragão Newman & O’Connor (2013)

Antirrhinum majus Boca-de-leão Amarelo Amarga Rop et al (2012)

Begonia boliviensis Laranja avermelhado e

violeta Sabor a limão Rop et al (2012)

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Bellis perennis Margarida Branco a roxo Abril a Setembro Leve a amargo Newman & O’Connor (2013)

Borago officinalis Borragem Azul, roxo Junho e Julho Pepino Newman & O’Connor (2013)

Brassica spp. Couve Amarela Junho a Agosto Brócolos Newman & O’Connor (2013)

Calendula officinalis Calêndula Amarelo, dourado/laranja Junho a Agosto Apimentado Newman & O’Connor (2013)

Carthamus tinctorius Açafrão-bastardo Amarelo a vermelho

intenso Agosto Amargo Newman & O’Connor (2013)

Centaurea cyanus Centáurea Amarelo, Cor-de-Rosa,

Azul Maio até às geadas Vegetal Newman & O’Connor (2013)

Cercis canadensis Cor-de-Rosa Abril Feijão e maçã azeda Newman & O’Connor (2013)

Chrysanthemum

coronarium Malmequer Amarelo a branco Agosto a Outubro Suave Newman & O’Connor (2013)

Chrysanthemum

frutescens Cor-de-laranja e amarelo Amargo Rop et al (2012)

Chrysanthemum

leucanthemum Margarida

Branco com centro

amarelo Abril a Agosto Suave Newman & O’Connor (2013)

Chrysanthemum

parthenium Tanaceto Branco ou amarelo Um pouco amargo Rop et al (2012)

Cichorium intybus Chicória Azul e lavanda Julho até às geadas Agradável, leve amargo

semelhante a endívia Newman & O’Connor (2013)

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Citrus sinensis Laranjeira Branco Depende da variedade Cítrico, doce Newman & O’Connor (2013)

Coriandrum sativum Coentros Branco Junho até às geadas Sabor a folha suave Newman & O’Connor (2013)

Cucurbita spp. Abóbora Cor-de-Laranja, amarelo Julho a Agosto Suave, polpa crua Newman & O’Connor (2013)

Cynara scolymus Alcachofra Verde Outono Alcachofra Newman & O’Connor (2013)

Dendranthema x

grandiflorum Depende da variedade Agosto a outubros De forte a amargo Newman & O’Connor (2013)

Dianthus caryophyllus Rosa escuro Um pouco amarga Rop et al (2012)

Dianthus spp. Cravo Cor-de-rosa, branco e

vermelho Junho a agosto Picante, tipo alho Newman & O’Connor (2013)

Eruca vesicaria Branco Maio até às geadas Nozes, fumo, menos

picante que as folhas Newman & O’Connor (2013)

Feijoa sellowiana Feijoa Branco a cor-de-rosa

profundo Cresce dentro de casa

Sabor floral; papaia ou

melão exótico Newman & O’Connor (2013)

Foeniculum vulgare Fucho Amarelo pálido Julho a Agosto Alcaçuz, mais suave que

folhas, doce Newman & O’Connor (2013)

Fuchsia x hybrida Avermelhada, Roxo rosada Um pouco ácido Rop et al (2012)

Galium odoratum Aspérula-odorífera Branco Maio Doce, folhas e baunilha Newman & O’Connor (2013)

Gladiolus spp. Gladíolo Várias exceto azul 6-8 semanas após a

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Hemerocallis fulva Lírios de um dia Laranja tawny Junho a Julho Combinação de aspargos

e abobrinha Newman & O’Connor (2013)

Hibiscus rosa-sinensis Hibisco ou graxa-de-

estudante Laranja, vermelho e roxo Fim do verão Cítrico Newman & O’Connor (2013)

Hibiscus syriacus Hibisco-da-síria Azul, branco, cor-de-rosa Julho a Outubro Amargo; similar a tónico Newman & O’Connor (2013)

Impatiens walleriana Avenca Rosa Doce Rop et al (2012)

Lavandula angustifolia Alfazema Lavanda, roxo, cor-de-

rosa, branco Junho a início de agosto Fortemente perfumado Newman & O’Connor (2013)

Levisticum officinale Levístico Amarelo a branco Agosto Aipo suave Newman & O’Connor (2013)

Melissa officinalis Erva-cidreira Branco cremoso Julho a Agosto Limonada, doce Newman & O’Connor (2013)

Mentha spp. Menta Lavanda, cor-de-rosa a

branco Julho a Setembro

Mentado; mais suave que

as folhas Newman & O’Connor (2013)

Monarda didyma Bálsamo de abelha Vermelho, cor-de-rosa,

branco, lavanda Julho a agosto

Mais aromático que as

folhas Newman & O’Connor (2013)

Muscari atlanticum Jacinto comum Cor-de-Rosa ou Azul Abril a Maio Uva, ligeiramente azedo e

amargo Newman & O’Connor (2013)

Ocimum basilicum Manjericão Branco a rosa pálido Julho até às geadas Mais suave que as folhas;

picante Newman & O’Connor (2013)

Origanum majorana Manjerona Rosa pálido Junho até Agosto Picante, doce Newman & O’Connor (2013)

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Pelargonium spp. Branco, vermelho, cor-de-

rosa, roxo Varia

Depende da variedade

selecionada Newman & O’Connor (2013)

Phaseolus coccineus Feijão-da-espanha Cor-de-laranja brilhante a

vermelho Julho a Agosto Feijão cru, mas suave Newman & O’Connor (2013)

Pisum sativum Ervilha Branco, cor-de-rosa tingido Maio a Junho Ervilhas cruas Newman & O’Connor (2013)

Poterium sanguisorba Vermelho Julho a Agosto Pepino Newman & O’Connor (2013)

Raphanus sativus Rabanete Branco, Cor-de-Rosa,

Amarelo

Um mês depois da

plantação Picante Newman & O’Connor (2013)

Rosa odorata Vermelho Doce e aromática Rop et al (2012)

Rosa spp. Rosa Depende da variedade Maio a Junho; Setembro Muito perfumado; doce a

suave Newman & O’Connor (2013)

Rosmarinus officinalis Alecrim Azul suave, azul escuro,

cor-de-rosa Depende do cultivar Rosmaninho suave Newman & O’Connor (2013)

Salvia elegans Salva-ananás Vermelho Setembro Ananás; tons de sálvia Newman & O’Connor (2013)

Salvia officinalis Sálvia Azul, roxo, branco, cor-de-

rosa Maio a Julho ligeiramente almiscarado Newman & O’Connor (2013)

Satureja hortensis Segurelha-anual Cor-de-rosa Julho a Agosto Suavemente apimentado,

picante Newman & O’Connor (2013)

Satureja montana Segurelha-das-

montanhas Azul pálido Julho a Agosto

Suavemente apimentado,

picante Newman & O’Connor (2013)

Syringa vulgaris Lilás Branco, cor-de-rosa, roxo,

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Tagetes erecta Cravo-de-burro Branco, dourado, amarelo

e vermelho Maio a Setembro

Varia; algumas cultivares

são fortes e amargos Newman & O’Connor (2013)

Tagetes patula Cravo-de-defunto Cor-de-laranja Amargo, cravo Fernandes et al (2017)

Tagetes tenuifolia Tagetes Anão Branco, dourado, amarela,

vermelho Maio a Setembro

Cítrico; mais suave que T.

erecta Newman & O’Connor (2013)

Taraxacum officinale Dente-de-leão Amarelo Maio a Junho; Outono Azedo Newman & O’Connor (2013)

Thymus spp. Tomilho Cor-de-Rosa, roxo, branco Julho a Agosto Mais suave que as folhas Newman & O’Connor (2013)

Trifolium pratense Trevo vermelho Cor-de-rosa, lilás Julho a Setembro Feno Newman & O’Connor (2013)

Tropaeolum majus Capuchinha Várias Julho a Agosto Agrião; apimentado Newman & O’Connor (2013)

Tulbaghia violácea Alho-social Lilás Primavera Sabor de cebola Newman & O’Connor (2013)

Tulipa spp. Túlipa Dependente da cultivar Doce, sabor a ervilha Fernandes et al (2017)

Viola odorata Víolas-roxas Violeta, cor-de-rosa,

branco Abril a maio Doce Newman & O’Connor (2013)

Viola x wittrockiana Amor-perfeito Pétalas de duas cores –

Amarelo e violeta Maio e Julho Doce Rop et al (2012)

Yucca filamentosa Iúcas Branco cremoso com tons

de roxo Julho

Sugestão de alcachofra,

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2.6.1. Amor-perfeito (Viola tricolor)

O amor-perfeito silvestre (Viola tricolor L.) representa uma das mais populares flores comestíveis, pertencendo à família Violaceae. São conhecidas como sendo uma planta medicinal (Vukics, et al., 2008a) que eram usadas para tratar problemas de pressão arterial alta, indigestão, gripes e constipações, artrite reumatológica e doenças de pele, como o eczema, alergias e inflamações (Roberts, 2014; Vukics, et al., 2008a).

As suas flores pequenas são comestíveis e têm cor azul, amarelo, roxo, rosa, branco ou uma mistura de cores (Koike, et al., 2015; Mlcek & Rop, 2011). Têm um sabor refrescante, semelhante à alface, e uma textura aveludada que podem ser usadas como complementos ou decoração em pratos, saladas, sopas, molhos, licores, vinagres, bebidas e sobremesas e também na extração de corantes alimentícios azuis e amarelos (Creasy, 1999; Koike, et al., 2015; Newman & O’Connor, 2013). Têm sido usadas para melhorar a qualidade sensorial e nutricional dos pratos conferindo um aroma, sabor e aspeto visual único, assim como são caracterizadas como tendo uma elevada atividade biológica, maioritariamente pela presença de flavonoides e pela sua atividade antioxidante (Koike, et al., 2015; Piana, et al., 2013; Vukics, et al., 2008a).

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2.6.2. Capuchinha/ Chagas – Tropaeolum majus

A capuchinha, Tropaeolum majus L, da família Troparolaceae, é nativa do Perú e da Bolívia e foi trazida para a Europa no século XVII, devido aos seus usos medicinais e ornamentais, por um monge holandês Pater Beverning (Sparre & Andersson, 1991), que deu sementes ao Hortus botanicus da Universidade de Leiden, na Holanda (Figura 4). Pensa-se ser um cruzamento das espécies T. minus L. e T. ferreyrae Sparre (Sparre & Andersson, 1991).

É uma erva anual de flores com cores vermelha, laranja ou amarela, sendo que o fenótipo cor-de-laranja é o que predomina (Creasy, 1999; Garzón & Wrolstad, 2009).

As suas flores são comestíveis e normalmente são adicionadas a saladas e molhos, conferindo-lhes um sabor picante semelhante a agrião (Creasy, 1999; Garzón & Wrolstad, 2009). No Canadá são tradicionalmente recheadas com queijo. (Grzeszczuk, et

al., 2010). Mas não só as flores podem ser usadas para fins alimentares pois toda a

planta pode ser consumida e as folhas, caules e flores podem ser usadas para a preparação de vinagres (Grzeszczuk, et al., 2010).

Tradicionalmente era usada, externamente, para o tratamento de doenças de pele, unhas e cabelo, assim como queimaduras solares e superficiais e inflamações (Bruneton, 1999) e internamente para o tratamento de problemas respiratórios, doenças urinárias e infeções bacterianas (Bruneton, 1999; Fournie, 1947). Atualmente são utilizadas pelas suas propriedades antibióticas, antifúngicas, antivirais e antibacterianas devido à presença de glucosinolatos (De Medeiros, et al., 2000; Santo, et al., 2007) e pela sua capacidade antioxidante devido à presença de antocianinas.

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2.6.3. Centáurea – Centaurea cyanus

A centáurea (Centaurea cyanus L.), também conhecida como a flor de milho, é da família das Asteraceae e era, até aos meados do século XX, uma erva daninha em campos cerealíferos na Europa (Figura 5). Atualmente, devido ao aumento de uso de herbicidas para o controlo de infestantes, está em declínio especialmente na Europa Ocidental (Penet, et al., 2012; Sutcliffe & Kay, 2000).

As suas flores são azuis intensas e estão inseridas numa inflorescência em forma de capítulo que pode ter até três centímetros de diâmetro (Shiono, et al., 2005). É uma planta que floresce normalmente de Maio a Setembro e o período de amadurecimento das sementes dá-se entre Agosto e Outubro (Barbosa, 2014). As pétalas destas flores são comestíveis e usadas para decoração de pratos, saladas, infusões e para condimentar o pão, queijos e até gelados, tendo um sabor entre o doce e o picante, apesar do recetáculo não ser utilizado como produto alimentar por ser amargo. Tradicionalmente eram também usadas para a extração de pigmento azul (Barbosa, 2014). Como planta medicinal era usada internamente para tratar perturbações gástricas pelas suas propriedades laxantes e diuréticas, e externamente para tratar de feridas, conjuntivites e problemas capilares. (Barbosa, 2014).

As flores são muito perecíveis e apenas têm um tempo de vida de prateleira de apenas uns dias, sendo que a qualidade das flores durante o armazenamento depende da temperatura, humidade relativa e composição da atmosfera. As condições de armazenamento ideias são de temperaturas de 4.5ºC e uma humidade relativa de 90- 95% (Barbosa, 2014).

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2.6.4. Borragem – Borrago officinalis

A borragem, Borrado officinalis L., da família das Boraginaceae, é uma erva anual originária da Síria mas que se encontra naturalizada pela região mediterrânica, assim como na Ásia menor e América do Sul, onde é cultivada para usos medicinais e culinários (Asadi-Samani, et al., 2013), embora seja principalmente usada devido ao óleo extraído da sua semente (Figura 6). Também conhecida como flor-estrela, tem flores azuis, brancas ou cor-de-rosa (Zargari, 1997) que são usadas como complemento para a confeção de vinhos, saladas, sopas e sobremesas (Roberts, 2014), conferindo aos pratos um sabor fresco semelhante a pepino. Em termos medicinais, é usada para o tratamento de problemas respiratórios (Asadi-Samani, et al., 2013; Roberts, 2014), doenças como esclerose múltipla, diabetes, doenças do coração, artrite e eczema (Asadi-Samani, et al., 2013).

A nível nutricional são encontrados flavonoides, antocianinas, entre outros (Asadi- Samani, et al., 2013), contendo ácidos gostos essenciais, ácido linoleico e linolénico (Mhamdi, et al., 2009). As folhas e flores são ricas em potássio, cálcio, taninos, óleos essenciais e vitamina C (Ministry of Health & Welfare New Delhi, 2009)

Apesar de todas as flores comestíveis terem uma vida de prateleira relativamente curta, a borragem apresenta-se como sendo uma das mais perecíveis com apenas um dia em que a qualidade é aceitável para venda, pois após a colheita as flores secam rapidamente tornando-se mais escuras (Fernandes, et al., 2018).

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