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Espécies mais importantes na estrutura da floresta

∑ D de todas as espécies

6. RESULTADOS E DISCUSSÃO 1. Curva espécie - área

6.5. Efeito da exploração florestal sobre a estrutura da floresta

6.5.6. Espécies mais importantes na estrutura da floresta

Antes da exploração

Na Figura 12 podem-se observar os valores relativos de abundância, freqüência e dominância das dez espécies mais importantes, em relação às demais espécies ocorrentes na floresta em estudo.

Observa-se que a espécie mais importante na estrutura arbórea, antes da exploração florestal foi Lecythis idatimon (jatereu) com um índice de valor de importância de 20,14, considerando todas as espécies ocorrentes na área. Esta espécie foi a mais abundante, mais freqüente e dominante na área, embora não apresente indivíduos nas classes de DAP superiores a 50cm. No atual sistema de manejo utilizado pela Cikel, empresa detentora da área de estudo, e outras empresas da região, essa espécie não seria colhida, considerando que não atinge o diâmetro mínimo de corte, que normalmente é de 55cm.

Poecilanthe effusa (gema-de-ovo) foi a segunda espécie com maior valor de importância, principalmente devido a sua alta abundância e freqüência apesar de apresentar um baixo valor de dominância quando comparada, por exemplo, com a espécie Eschweilera grandiflora, que aparece como quarta colocada em importância, (Figura 12). O mesmo aconteceu com a espécie Rinorea flavescens (canela-de-jacamim) que, apesar de apresentar um dos menores valores de dominância entre

essas dez espécies, foi a terceira de maior importância na estrutura arbórea da área, embora esteja na 13ª posição em relação à área basal (Apêndice B, Tabela B.1).

Essas espécies são típicas de sub-bosque, e não alcançam grandes diâmetros, atingindo no máximo 40 e 30cm, respectivamente.

0 5 10 15 20 25

IVI Lecythis idatimon

Poecilanthe effusa Rinorea flavescens Eschweilera grandiflora Eschweilera pedicellata Inga sp.

Protium spp.

Vouacapoua americana Guatteria poeppigiana Eschweilera coriacea

Espécies

AR DR FR

Figura 12. Abundância relativa (AR), dominância relativa (DR), freqüência relativa (FR) e índice de valor de importância (IVI = AR + DR + FR) das espécies arbóreas mais importantes em 108ha (amostra de 9ha) de floresta de terra firme na Fazenda Rio Capim, Paragominas, PA, considerando indivíduos com DAP > 10cm.

Oliveira & Amaral (2004), analisando a fitossociologia de uma floresta de vertente no estado do Amazonas, verificaram que as espécies com maiores IVI foram: Eschweleira bracteosa, Protium apiculatum, Pouteria filipes, Eschweleira tessmannii e Licania octandra, sendo Protium apiculatum a mais abundante de todas as espécies. As demais se destacaram pelo porte de seus indivíduos. Consideraram Eschweleira bracteosa (AR= 3,89; R=3,78; FR= 2,30) e Protium apiculatum (AR=

4,93; DR=2,45; FR= 2,47) como sendo as espécies com melhores distribuições, na área por possuírem parâmetros fitossociológicos relativamente uniformes, teoria defendida por Matos & Amaral (1999). Eschweilera grandiflora (AR= 5,06; DR=4,74;

FR=4,74) e Protium spp. (AR=2,46; DR=2,74; FR=2,57) foram às espécies com os parâmetros fitossociológicos mais uniformes ao longo da área em estudo (Figura

12), entretanto há a discordância em relação a está teoria, considerando que as espécies com melhores distribuições são aquelas com maiores freqüências (Lecythis idatimon, Rinorea flavescens e Poecilanthe effusa).

Vouacapoua americana (acapu) foi a oitava espécie com o maior valor de importância na floresta em estudo, devido principalmente ter se destacado com a terceira maior área basal (Figura 12).

Essas dez espécies somam 45,38%, 28,67%, 42,23% em abundância, dominância e freqüência, respectivamente, em relação ao total amostrado.

Apresentaram juntas distribuição diamétrica em forma de J invertido, semelhante ao total da população amostrada (Figura 13).

Figura 13. Distribuição diamétrica das dez espécies mais importantes em 2003 em 108ha (amostra de 9ha) de floresta natural, na Fazenda Rio Capim, Paragominas, PA.

Vale ressaltar que Pseudopiptadenia suaveolens (timborana), apesar de não estar entre as dez espécies de maior valor de importância ecológica, por ser pouco abundante na área, apresentou a quarta maior área basal da floresta, com poucos indivíduos distribuídos nas classes inferiores de tamanho.

Barros et al. (2000b) verificaram que Manilkara huberi (maçaranduba) é a espécie com maior representatividade na floresta de Curuá-Una, com um grande número de árvores nas classes de diâmetro superiores (DAP > 45cm). No presente

estudo essa espécie não ocorre entre as dez mais importantes com poucos indivíduos distribuídos nas classes diamétricas.

Após a exploração

Na Tabela 14 são apresentados os valores dos parâmetros estruturais das dez espécies arbóreas mais importantes após a exploração florestal.

Lecythis idatimon permanece como sendo a espécie de maior importância da comunidade, com uma pequena redução em abundância, freqüência e área basal (dominância). Essa espécie apresentou quatro indivíduos novos no estrato arbóreo, porém estes não puderam ser visualizados na abundância devido à mortalidade ser superior ao ingresso.

A redução em área basal (dominância absoluta) ocorreu devido à morte de 25 indivíduos da referida espécie, pertencentes a classes intermediárias (20 – 40cm) de diâmetro. Porém, é interessante ressaltar que, apesar da diminuição no valor absoluto da dominância, houve um ligeiro aumento em seu valor relativo passando de 4,89% para 4,96%, devido à morte de árvores de outras espécies.

Tabela 14. Abundância (A), abundância relativa (AR), dominância (D), dominância relativa (DR), freqüência (F), freqüência relativa (FR) e índice de valor de importância (IVI) das dez espécies mais importantes na estrutura arbórea, após a exploração florestal, em 108ha (amostra de 9ha) de floresta natural na Fazenda Rio Capim, Paragominas, PA, considerando árvores com DAP > 10cm.

Nome científico Nome comum A Eschweilera grandiflora Matamatá-preto 24,67 5,13 1,32 5,22 21,22 4,82 15,17 Eschweilera pedicellata Matamatá-preto 23,44 4,87 0,82 3,23 20,11 4,57 12,67

Inga sp. Ingá 20,11 4,18 0,57 2,26 16,56 3,76 10,20

Observa-se que as espécies ecologicamente mais importantes após a exploração florestal, foram as mesmas de antes da exploração, ocorrendo apenas

uma inversão no grau de importância entre as espécies Rinorea flavescens e Poecilanthe effusa, devido à maior redução na abundância de P. effusa do que em R. flavescens. Nota-se também que, com exceção das espécies Lecythis idatimon e Guatteria poeppigiana, houve um ligeiro aumento no índice de valor de importância das oito espécies restantes, demonstrando que a exploração florestal não causou grandes alterações na estrutura das populações dessas espécies.

Estas dez espécies, juntas, apresentaram 45,62% do total de indivíduos amostrados na área, ocupando 30,34% da área basal existente. Barros et al.

(2000b) em estudo em Curuá-Una, considerando os indivíduos com 10cm < DAP <

45cm em uma área de 1ha, verificaram que somente as espécies Rinorea guianensis (aquariquarana - AB= 46,5ind./ha) e Tetragastris panamensis (breu-preto – AB= 24,6ind./ha), juntas, representaram 44,91% do total de indivíduos, além de ocuparem 33,72% da área basal. Estes resultados demonstram que a área do presente estudo apresenta maior diversidade e maior número de indivíduos por hectare.

Na Tabela 15 estão relacionadas as espécies exploradas na UT 02, UPA 07 (área de estudo) e seus respectivos valores absolutos e relativos de abundância, freqüência, dominância e IVI, antes e após a exploração florestal. Antes da exploração estas espécies representavam 4,55% da abundância, passando para 3,68%, porém ocupam juntas 19,44 e 13,20% (antes e após a exploração) da área basal existente, mostrando que, apesar de pouco abundantes, estas espécies possuem indivíduos com grandes diâmetros.

Os valores referentes à abundância, freqüência e dominância após a exploração sofreram pequenas alterações devido ao pequeno número de indivíduos colhidos em cada espécie. Apesar dessa diminuição, esse conjunto de espécies, após a exploração florestal, apresentou distribuição diamétrica contínua, semelhante àquela antes da exploração, com indivíduos, em todas as classes de tamanho (Figura 14). Contudo, ao analisar a distribuição diamétrica de cada espécie, observa-se que algumas observa-se apreobserva-sentam de forma irregular, como por exemplo, Caryocar villosum (piquiá), Jacaranda copaia (parapará), e Parkia gigantocarpa (fava-atanã), que apresentam poucos indivíduos distribuídos de forma descontínua nas classes diamétricas.

Tabela 15. Abundância (A), abundância relativa (AR), dominância (D), dominância relativa (DR), freqüência (F), freqüência relativa (FR) e índice de valor de importância (IVI) das espécies exploradas em 108ha (amostra de 6ha) na UT 02, UPA 07, na Fazenda Rio Capim, Paragominas, PA, considerando árvores com DAP

> 10cm.

0 UPA 07 na Fazenda Rio Capim em Paragominas, PA.

As espécies Lecythis pisonis (sapucaia) e Pseudopiptadenia suaveolens (timborana) praticamente não possuem indivíduos nas classes inferiores de tamanho, ao contrário de Brosimum guianense (amapá-amargoso) que tem indivíduos apenas nas classes com diâmetro inferior a 40cm. Nenhum indivíduo de Simarouba amara (marupá) e Copaifera multijuga (copaíba), no entanto, foi registrado na área após a colheita (T1 + T2).

É de suma importância que sejam realizados estudos sobre a ecologia dessas espécies, a fim de que haja adequação de técnicas que possam favorecer o estabelecimento e desenvolvimento das mesmas.