4. D INÂMICAS TERRITORIAIS DA P ENÍNSULA DE S ETÚBAL E DA Q UINTA DO C ONDE
4.2. Quinta do Conde
4.2.5. Espaços edificados e não edificados
De acordo com David (2002), cerca de 70% da habitação na Quinta do Conde cor- responde a moradias (isoladas, geminadas ou em banda), com acesso próprio e logradouro. As primeiras construções são moradias isoladas e têm, vulgarmente, associada uma gara- gem e, não raras as vezes, também um anexo. Nas tipologias mais recentes, as moradias em bandas não dispõem de garagem, ao passo que num lote de terrenos onde exista uma moradia geminada, apenas uma das fracções tem garagem.
No que concerne à habitação colectiva destaca-se a Urbanização Cova dos Vidros, onde apenas existem prédios entre três e cinco pisos. Os edifícios são predominantemente de uso habitacional, havendo, contudo, alguns que têm comércio e serviços no piso térreo. Como afirma David (2002:52), ―a zona da Covas dos Vidros [foi] onde se desenvolveu uma diferente
tipologia de habitação e onde se concentram as grandes superfícies comerciais do aglomerado.‖ Este projec-
to urbano permitiu também o desenvolvimento de espaços verdes e de lazer, que se articu- lam com o edificado. Além do estacionamento existente ao longo dos arruamentos, há ain- da três grandes bolsas de estacionamento, de apoio às superfícies comerciais.
Todavia, têm surgido blocos de habitação colectiva noutros trechos urbanos. Têm, por norma, entre três e cinco pisos e situam-se na rede viária principal (p.e., Rua Damião de Góis, Rua João de Barros, Rua Manuel de Arriaga, Rua Serra da Arrábida e Avenida dos Aliados).
O município tem desenvolvido acções com vista a melhorar a leitura do espaço construído, definindo, para o efeito, eixos ou áreas de maior importância ao nível do edifi- cado, condicionando a tipologia das novas edificações ou fechando as malhas já existentes. Isto acontece nas áreas que gozam de boa acessibilidade e, sobretudo, nos principais eixos comerciais, como a Avenida Principal, onde se prevê que haja uma evolução da tipologia, para edifícios com três ou mais pisos. Assim, para futuros loteamentos, a CMS privilegia a consolidação dos eixos com crescente terciarização (Sul da vila), a edificação do extremo Sul do concelho, já fora do actual perímetro urbano (Plano de Urbanização da Ribeira do Marchante), e também na zona da várzea, a Poente do sector Norte da vila.
Importa referir que estamos perante um parque habitacional relativamente jovem, mas que apresenta alguns sinais de degradação, reflexo do contexto de clandestinidade em que surgiu e da ineficiente fiscalização autárquica nos primeiros anos de administração.
O INE sintetiza o espaço urbano, em 2001, em sete categorias10: urbano consolida- do, (sub)urbano qualificado, suburbano novo, (sub)urbano desqualificado, rural, precário e espaços vazios (Figura 14).
10 Urbano consolidado: ―O urbano consolidado é caracterizado por uma elevada presença de famílias unipessoais em
espaços envelhecidos do ponto de vista habitacional e também demográfico, dada a escassez de casais com filhos e de famílias numerosas. Uma boa parte da população vive de outros rendimentos que não o trabalho, em alojamentos sublotados, o que vem corroborar a ideia de envelhecimento associada a estes espaços. Com uma forte presença de alojamentos arrendados, não é de descurar a quantidade de alojamentos do próprio onde já não existem encargos financeiros decorrentes da aquisição. Para a população empregada ou estudante, a vivência diária faz-se dentro do concelho, dada a fraca dependência funcional relativamente a outros concelhos, o que justifica baixos tempos médios nas deslocações casa-trabalho ou escola. Os residentes nestas áreas estão empregados no sector terciário, existindo uma fraca proporção de profissões socialmente desvalorizadas.‖ (INE, 2004:s/g)
(Sub)urbano qualificado: ―A classe (sub)urbano qualificado incorpora uma população com habilitações académicas acima
da média, pessoas com profissões socialmente valorizadas e mais associadas ao sector terciário. Predomina a residência em aloja- mentos do próprio (muitos deles já totalmente pagos) mas cuja idade média não ultrapassa os 30 anos. Também as casas onde habitam são qualitativamente superiores às das restantes classes, designadamente se forem tidos em conta alguns indicadores de conforto, como sejam o número de divisões e a existência de aquecimento. A população residente nestas áreas está funcionalmente dependente dos concelhos limítrofes, sobretudo de Lisboa, para onde se desloca maioritariamente de automóvel.‖ (INE, 2004:s/g)
Suburbano novo: ―O suburbano novo, como o próprio nome indica, agrupa áreas de construção bastante recente onde reside
uma população jovem, formada sobretudo por casais com filhos e onde há poucas pessoas a viverem sós. A maioria dos residentes é proprietária dos alojamentos em que habita, apesar de ainda ter encargos financeiros relacionados com a sua aquisição. Aqui, a grande maioria dos edifícios tem vários alojamentos, apontando para a ideia de densificação do espaço construído. De entre os empregados ou estudantes aí residentes, a maioria desloca-se para outro concelho e demora bastante tempo nessas deslocações consolidando a imagem de suburbanização aqui presente.‖ (INE, 2004:s/p)
Figura 14 – Síntese do espaço urbano (A) e distribuição do edificado consoante o uso predominante (B), em 2001
Fonte: INE (2004)
A estruturação do espaço não edificado denota a influência dos aspectos funcionais, como o plano de loteamento inicial e a morfologia do terreno.
(Sub)urbano desqualificado: ―No (sub)urbano desqualificado estão incluídas unidades sobretudo residenciais, em que
existe um peso forte de alojamentos arrendados. Apresenta níveis de sublotação dos alojamentos inferiores à AML, em parte devido à fraca presença de famílias unipessoais. Registe-se, também, a diminuta utilização do automóvel, como meio de transporte nas deslocações casa-trabalho ou escola, complementada com uma duração elevada das mesmas, muitas delas para fora do conce- lho. Os residentes nestas unidades apresentam baixos níveis de instrução e exercem profissões socialmente menos valorizadas, características que evidenciam a desqualificação inerente a esta classe. O terciário, enquanto sector de actividade da população empregada residente, tem uma menor expressão nesta classe do que nas restantes classes (sub)urbanas.‖ (INE, 2004:s/p)
Rural: ―As características mais marcantes do rural prendem-se exactamente com a dispersão habitacional por um vasto territó-
rio em que a população empregada no sector primário e secundário é significativa, face aos valores da AML, e onde existe um peso significativo de população com profissões menos valorizadas. De facto, os indicadores mostram que, nesta classe, a população habita em espaços sobretudo residenciais, constituídos por vivendas ou casas baixas, em que a maioria das habitações já foram pagas e onde existem, igualmente, habitações sazonais.‖ (INE, 2004:s/p)
Precário: ―Na classe denominada precário estão aglutinadas as unidades territoriais com as características sócio-económicas
mais problemáticas. Encontram-se sobre-representadas nestas áreas as famílias com 5 ou mais pessoas a viverem em alojamentos sobrelotados, os estrangeiros e os casais em união de facto. A desvalorização social pressente-se, não só no baixo nível académico das população residente e na reduzida utilização do automóvel, mas também pelo tipo de profissões exercidas: desvalorizadas, quer no sector secundário, quer no terciário. Saliente-se, ainda, que alguns destes alojamentos de residência habitual são "barra- cas", um dado importante quando este tipo de alojamento é insignificante nas restantes classes sócio-económicas.‖ (INE, 2004:s/p)
Espaço vazio: ―Espaços vazios são subsecções estatísticas não relevantes para a análise por conterem menos de três edifícios,
três alojamentos, três famílias, três núcleos familiares e três indivíduos em simultâneo.‖ (INE, 2004:s/p)
Além dos sistemas contínuos intermunicipais que constituem a estrutura verde principal e que integram o conjunto urbano, há uma estrutura verde secundária tipologica- mente diferenciada, da qual se destacam três tipos de espaços: (i) não edificados, onde pre- dominam espécies como o pinheiro bravo e/ou mato; (ii) espaços abertos privados (logra- douros); e (iii) espaços abertos públicos. Actualmente, as situações predominantes são as correspondentes ao tipo (i) e (ii), havendo, todavia, um crescente aumento de espaços aber- tos públicos (p.e., o jardim público, os espaços verdes na urbanização Cova dos Vidros, o Parque da Vila e há alguns projectos de zona verde para lotes não edificados, recente apre- sentados à comunidade).
“O centro terciário da Quinta do Conde (…) localiza- se numa das avenidas principais do aglomerado (Av.
Principal), próximo da Estrada Nacional n.º 10.”
Nuno David (2002:84)