CAPÍTULO 4. ORDENAMENTOS JURÍDICOS ALIENÍGENAS E OS GASTOS OFICIAIS
4.2. Espanha
Estabelece a lei espanhola, tal como a portuguesa, uma amplo espectro de normas de proteção ao trabalhador.
O art. 53, combinado com o art. 56, ambos do Estatuto dos Trabalhadores, prevêem a hipótese de despedida do empregado sem que concorram causas objetivas para tanto (ou simplesmente despedida imotivada). A ausência de motivos objetivos enseja a declaração de “despido improcedente”, ou seja, uma dispensa irregular, haja vista que a princípio o trabalhador goza de estabilidade. Autorizam os citados dispositivos a dispensa do empregado com pagamento de indenização não inferior a 45 dias por ano de serviços prestados ao empregador.67
Entretanto, ainda que se garanta, com muito mais vigor naquele ordenamento jurídico o princípio da continuidade das relações de trabalho, é certo que a aposentadoria do empregado importa na automática ruptura contratual. O art. 49 da
Ley del Estatuto de los Trabajadores (Real Decreto Legislativo nº 1/1995), inserido
na seção 4ª (Extinção do Contrato de Trabalho), do capítulo II (formação, suspensão e extinção do contrato de trabalho) assim prescreve:
67 “Artículo 56. Despido improcedente.-- 1. Cuando el despido sea declarado improcedente, el
empresario, en el plazo de cinco días desde la notificación de la sentencia, podrá optar entre la readmisión del trabajador con abono de los salarios de tramitación previstos en el párrafo b) de este apartado 1, o el abono de las siguientes percepciones económicas, que deberán ser fijadas en aquélla: a) una indemnización de 45 días de salario, por año de servicio, prorrateándose por meses los períodos de tiempo inferiores a un año y hasta un máximo de cuarenta y dos mensualidades; b) una cantidad igual a la suma de los salarios dejados de percibir desde la fecha del despido hasta la notificación de la sentencia que declarare la improcedencia o hasta que hubiera encontrado otro empleo si tal colocación fuera anterior a dicha sentencia y se probase por el empresario lo percibido, para su descuento de los salarios de tramitación.”
“Art. 49. Extinção do contrato.
1. O contrato de trabalho se extinguirá: (...)
d) Por demissão do trabalhador, devendo-se obedecer pré-aviso segundo assinalados por convenções de trabalho ou o costume do lugar.
(...)
f) Pela aposentadoria do trabalhador.”68
Recentemente, as Leis 40/2007 e 32/2002 permitiram a continuidade da prestação de serviços somente para os casos de aposentadoria parcial. O prescrito em tal legislação assemelha-se à licença “pré-aposentadoria” em Portugal, com recebimento parcial de proventos de inatividade e salários pelo empregador.
Portanto, a priori, salvo em situações específicas, tem-se como efeito da aposentadoria, tanto do empregado como do empregador, a extinção do contrato individual de trabalho.
Importante salientar ainda a existência da Ley 14/2005, que tem por objetivo estabelecer a possibilidade de instituição de aposentadoria compulsória em
68
Tradução livre do autor: “Art. 49. Extinción del contrato. 1. El contrato de trabajo se extinguirá:
(...) d) Por dimision del trabajador, debiendo mediar el preaviso que señalem los convenios o la costumbre del lugar. (…) f) Por jubilación del trabajador.”
convenções coletivas, mediante observância das condições para aquisição do direito.69
Vale dizer, cumpridas determinados pressupostos que a norma coletiva impõe, possível a cessação do contrato de trabalho com o simples preenchimento dos requisitos para a aposentadoria por idade, ainda que o obreiro não a requeira ao órgão previdenciário.
A preocupação legal destina-se à criação de novos postos de trabalho, bem como da criação de novas espécies de estabilidade no emprego e transformação de contratos por prazo determinado em contratos de prazo indeterminado. Somente nestas hipóteses é cabível estipular-se na norma coletiva a aposentadoria compulsória.
Verifica-se que mesmo contando com uma população economicamente ativa inferior, não se permite também naquele sistema a acumulação de proventos de aposentadoria com salários. Vale dizer, não se permite a continuidade da relação
69 Estabelece o dispositivo legal: “Artículo único. Modificación del texto refundido de la Ley del Estatuto de los Trabajadores, aprobado por el Real Decreto Legislativo 1/1995, de 24 de marzo. Se incluye una disposición adicional décima en el texto refundido de la Ley del Estatuto de los Trabajadores, aprobado por el Real Decreto Legislativo 1/1995, de 24 de marzo, con la siguiente redacción: Disposición adicional décima. Cláusulas de los convenios colectivos referidas al
cumplimiento de la edad ordinaria de jubilación. En los convenios colectivos podrán establecerse cláusulas que posibiliten la extinción del contrato de trabajo por el cumplimiento por parte del trabajador de la edad ordinaria de jubilación fijada en la normativa de Seguridad Social, siempre que se cumplan los siguientes requisitos: a) Esta medida deberá vincularse a objetivos coherentes con la política de empleo expresados en el convenio colectivo, tales como la mejora de la estabilidad en le empleo, la transformación de contratos temporales en indefinidos, el sostenimiento del empleo, la contratación de nuevos trabajadores o cualesquiera otros que se dirijan a favorecer la calidad del empleo; b) El trabajador afectado por la extinción del contrato de trabajo deberá tener cubierto el período mínimo de cotización o uno mayor si así se hubiera pactado en el convenio colectivo, y cumplir los demás requisitos exigidos por la legislación de Seguridad social para tener derecho a la pensión de jubilación en su modalidad contributiva”
empregatícia, muito embora vigorem regras tão ou mais conservadoras no que concerne à proteção à dispensa.
A aposentadoria, naquele país, cumpre, pois, seu papel, garantindo o afastamento do empregado aposentado para que o mercado de trabalho absorva a população em idade economicamente ativa.