• Nenhum resultado encontrado

Nesta secção, iremos referir alguns elementos linguísticos que podem ser especificadores do sintagma nominal, como são os determinantes e os quantificadores. Segundo Brito (2003: 329), estes determinantes e quantificadores formam a estrutura funcional do SN, por oposição à estrutura lexical (núcleos e complementos), e encontram-se à esquerda do nome, restringindo a extensão do núcleo nominal. Como iremos ver ao longo desta secção, pode haver casos em que a um determinante ou quantificador de uma língua corresponda mais do que um determinante ou quantificador ou pronome na outra língua.

2.4.1 – Determinantes

O determinante é uma “palavra pertencente a uma classe fechada que geralmente precede o nome, contribuindo para a construção do seu valor referencial” (Dter). Entre os determinantes, encontramos os artigos definidos e indefinidos, os demonstrativos e os possessivos. Diferentes línguas podem ter diferentes maneiras de construir a determinação, que pode ser mais frequente numa língua do que noutra.

Nesta secção, vamos analisar algumas formas de determinação a partir dos textos trabalhados.

2.4.1.1 – Determinantes Possessivos

Como já foi referido, entre os determinantes encontram-se os possessivos, que podem variar de língua para língua. Em relação ao Português e ao Inglês, encontramos uma diferença no que diz respeito aos determinantes de terceira pessoa do singular. Em Inglês, encontramos its, um determinante possessivo neutro, correspondente ao pronome pessoal it, um "non-personal gender" (Quirk et al, 1985: 341). Geralmente, não se refere a pessoas mas a um objecto, a um local ou a algo abstracto. Também se usa para animais quando o género não é relevante (Sinclair et al, 1990:29). Em Português, existe o determinante de terceira pessoa seu, muitas vezes substituído pela contração da preposição de com o pronome de terceira pessoa (dele/dela), mais frequente e usada

131

para evitar ambiguidades, já que a forma seu pode ter como referente uma segunda pessoa. Mas não existem formas neutras no Português.

Outra diferença entre as duas línguas diz respeito ao grau de uso dos determinantes possessivos, sendo que a língua inglesa favorece mais o uso destes elementos. Nas línguas românicas, em particular em Português, o possessivo é muitas vezes desnecessário por ser facilmente deduzível pelo contexto (Yebra, 1982:488). Swan (2005: 417) refere que, na língua inglesa, os artigos são usados em vez dos possessivos em complementos preposicionais que se referem a partes do corpo “which refer to the subject or object, mostly when we are talking about blows, pains and other things that happen to parts of people’s bodies”. Nos outros casos, o uso do possessivo é obrigatório.

Assim, quando em Português não surge o possessivo, em Inglês este pode ser obrigatório. Vejamos um exemplo de traduções em que este fenómeno se verifica:

153)

Texto Original Tradução

PROGRAMA DE COOPERAÇÃO COM ROMÉNIA O Signatário português manifesta interesse em oferecer

The Portuguese Signatory expresses its interest in offering

Além desta questão da possível omissão do determinante em Português, há ainda a questão do género. Como foi referido acima, its é o chamado "non-personal gender" (Quirk et al, 1985: 341). No exemplo (153), dado que o sujeito denota uma pessoa (Portuguese signatory), seria de esperar que encontrássemos o determinante possessivo de terceira pessoa his, independentemente de o referente ser masculino ou feminino.

No entanto, alguns autores, como Swan (2005: 197), alertam para a questão do uso de um determinante masculino para referentes não específicos, podendo denotar entidades femininas ou masculinas, o que pode ser entendido como linguagem sexista. As estratégias utilizadas para ultrapassar este problema recebem o nome de “inclusive language” (CIDE, 1995: 1305), um uso da língua que é “modern non-sexist” (idem) e que, além da questão dos determinantes pode ainda abarcar outros aspectos, como o uso de vocábulos neutros para designar certas profissões (firefighter em vez de fireman, por exemplo). O uso do determinante possessivo its é precisamente uma dessas estratégias.

132

Existe também a estratégia, utilizada igualmente em Português, de juntar, usando uma barra oblíqua que marca a disjunção, os determinantes his/her/their. Esta técnica é rejeitada pelo English Style Guide da Comissão Europeia, que a considera pesada (2010: 12.2), recomendando-se, nestes casos, o uso do pronome de terceira pessoa do plural, they.

Como veremos em seguida, em alguns casos, o uso do neutro its é problemático.

154)

Texto Original Tradução

BOLSAS INGLÊS

declaração do(a) próprio(a) sobre as razões que o(a) levaram a efectuar esta candidatura e em que medida considera que o estudo em Portugal contribuirá, no futuro, para o seu percurso profissional e para a difusão da língua e da cultura portuguesa no seu país de origem

a self-declaration regarding the reasons for the application and to what extent the candidate considers that the study in Portugal will contribute, in the future, to his/her professional career and to the diffusion of the Portuguese language and culture in his/her native country;

No Português temos a distinção de género (do(a) próprio(a) sobre as razões que o(a) levaram). No entanto, na nossa tradução para Inglês, usámos o nome candidate, que denota entidades masculinas e femininas (comum de dois). No final da frase, surge em Português o determinante posessivo de terceira pessoa, seu, que pode referir qualquer um dos géneros. Podíamos, na tradução, ter usado its, como nos exemplos anteriores. No entanto, aqui, referimo-nos particularmente a pessoas que se candidatam e não a um Signatory não específico, que pode até referir mais do que uma pessoa. O determinante neutro its não é adequado a este antecedente. Já que no original Português se encontra a explicitação da divisão entre masculino e feminino [do (a)], considerámos que se justificava repetir os dois géneros na tradução inglesa, ainda que esta forma possa ser considerado pesada e tal estratégia não seja recomendada pelo já referido English Style Guide da Comissão Europeia.

2.4.1.2 – Nomes simples (bare nouns)

Outra característica que distingue a língua inglesa de línguas românicas como o Português ou o Francês é a frequência em Inglês de expressões nominais sem determinante, ou bare nouns. Huddleston e Pullum (2002: 328) referem-que estas

133

expressões nominais são “bare in the sense that they do not contain a determiner”. E acrescentam: “under certain circumstances, nominals can themselves form NPs in the absence of a determiner and we speak here of bare NPs” (2002: 355). Isto acontece sobretudo com nomes contáveis no plural e com nomes não contáveis.

Em Português existem grandes restrições em relação à presença de expressões nominais sem determinante em posição de sujeito. Brito (2003) realça que, em posição de sujeito, certos plurais simples podem ser aceitáveis sem determinante “num registo mais ‘telegráfico’ ou acompanhados de complementos e/ou modificadores que os especifiquem, tendo a leitura genérica” (Brito, 2003: 361). As restrições na ocorrência de nomes simples em posição de sujeito em Português levaram a alterações na tradução dos textos, uma das quais levou à transformação de uma frase activa para passiva, já referida no ponto 2.2 deste capítulo. Mas a principal alteração foi a introdução de um determinante em Português, como podemos ver nos seguintes exemplos:

155)

NEWSLETTER ABRIL

Films will be introduced by special guests,

Os filmes serão apresentados por convidados especiais

156)

NEWSLETTER ABRIL

Book lovers can look forward to a new date in the program of the European Days

Os amantes dos livros podem aguardar uma nova data no programa dos European Days Na tradução de Português para Inglês, houve, por vezes, algumas dúvidas em relação à introdução ou não de artigo, sobretudo definido. Foi o que aconteceu no seguinte exemplo: 157) PROGRAMA DE COOPERAÇÃO COM ISRAEL

O seguro de saúde será da responsabilidade de cada viajante.

Health insurance is the responsibility of each traveler

A colocação do artigo definido na expressão health insurance (the health insurance) poderia ser aceitável se o SN tivesse sido referido anteriormente, o que não foi o caso. Trata-se daquilo a que Leech & Svartvik (1994) chamam “back-pointing use of “the”: “When identity has been mentioned by an earlier mention (often with an indefinite article)” (1994:52). Trata-se de uma estratégia importante na construção da referência nominal: quando se introduz um referente pela primeira vez, utilizam-se

134

expressões nominais indefinidas; nas restantes ocorrências, opta-se por expressões definidas com repetição do antecedente (Duarte, 2003a: 113). Assim, optámos por construir este sintagma nominal sem determinante.

2.4.2. – Quantificadores

Os quantificadores fazem parte da estrutura funcional do sintagma nominal (Brito, 2003: 329), tal como os determinantes, referidos no ponto anterior. Segundo Brito (2003: 356), os quantificadores podem exprimir quantificação existencial (uns, alguns), universal (todos, ambos) e ainda incluir numerais (dois) e quantificadores indicadores de pluralidade (muitos, vários).

Como veremos nos exemplos seguintes, as línguas podem diferir em relação ao número de unidades que realizam um determinado valor de quantificação:

158)

Texto Original Tradução

PROGRAMA DE

COOPERAÇÃO COM ISRAEL

Nenhum dos Signatários pode transmitir qualquer informação

No Signatory can transmit any information

Que quantificador escolher aqui na tradução para Inglês? Utilizámos no que é um quantificador negativo. No é substituto de not a ou not any (Huddleston e Pullum, 2002: 389). Mas uma outra opção poderia ter sido neither. Quirk et al (1985) adiantam que “neither differs from no and none as either differs from neither: it is restricted to a set of two people or things, while none applies to three or more identities and no to any number.” (1985: 392). Neither poderia então ser a opção mais adequada já que é utilizado para nos referirmos a apenas duas coisas ou pessoas e, neste caso, temos precisamente dois signatários. É a forma negativa de either e que se pode traduzir literalmente por nem um nem o outro. Assim, embora consideremos, agora, que neither teria sido a opção mais adequada, também julgamos que a nossa opção por no não introduz qualquer agramaticalidade.

Outro quantificador do Português que pode ter diferentes realizações na língua inglesa é todos, que pode ser traduzido por all, any ou every.

135

159)

Texto Original Tradução

PROGRAMA DE

COOPERAÇÃO COM ISRAEL

Todas as divergências que possam surgir no âmbito deste Programa serão resolvidas por via diplomática

Any dispute that may arise from this Program shall be resolved through the diplomatic channels.

Temos aqui um caso de dúvida entre uma forma não distributiva (todas) ou distributiva (qualquer) (Duarte e Oliveira, 2003: 240, 241). Poderíamos ter traduzido por all disputes that may arise. No entanto, Sinclair et al (1990: 56) referem que any é usado antes de nomes plurais ou não contáveis quando nos referimos a uma quantidade que pode existir ou não. Lock (1999:46) confirma: “any, like an inclusive such as all, refers to a whole group of things. Unlike all however, it suggests the possibility that the things may not actually exist or occur”. Ou seja, tendo em conta o exemplo (159), a diferença entre any e all é que o primeiro leva à pressuposição da não existência de disputas. Neste caso, o texto original português mantém esta distinção com o uso do presente do conjuntivo, com valor de dúvida (que possam surgir), estratégia que não podemos manter em Inglês por não existir, nesta língua, o referido modo. Assim, optámos por any.

Compare-se este caso com outra tradução do quantificador universal todas, que surge no mesmo texto:

160)

Texto Original Tradução

PROGRAMA DE COOPERAÇÃO COM ISRAEL Todas as atividades e os intercâmbios realizados no âmbito do presente Programa serão executados em conformidade com o Direito dos Signatários

Every activity and exchange carried out under this program shall be executed in compliance with the Law of each Signatory.

Aqui, a questão é, uma vez mais, escolher entre any, every ou mesmo all. Neste caso, considerámos mais apropriado every do que any, já que, como se viu no exemplo anterior, any implica que a situação descrita possa não existir; ora, neste caso, sabe-se que as actividades e os intercâmbios referidos vão existir. Mas poderia ser all activities and exchanges? Leech e Svartvik (1994:48) afirmam que every olha para cada um dos

136

constituintes separadamente (leitura distributiva), enquanto all vê os constituintes como um todo (leitura não distributiva). Parece-nos que isto justifica o uso de every.

2.5 – Pronomes

Os pronomes são “unidade de um conjunto fechado que pode ser utilizada na substituição de sintagmas nominais” (Mateus e Xavier, 1992: 313). Entre os pronomes contam-se os pessoais, os possessivos, os demonstrativos, os interrogativos, os indefinidos e os relativos. Como aconteceu nos pontos anteriores, relativos a determinação e quantificação, as diferentes línguas também podem divergir quanto ao número de elementos pertencentes à classe dos pronomes.

2.5.1 – Pronomes relativos

Os pronomes relativos têm a sua referência fixa por “um determinado antecedente e servem de elo subordinante da oração que iniciam” (Cunha e Cintra, 1984: 344). Também no que diz respeito aos pronomes relativos existem várias diferenças entre as línguas. O pronome relativo invariável português que pode ter vários correspondentes em Inglês: who, which, that, sempre dependendo do tipo de antecedente. Se este é “personal antecedent” (Huddleston e Pullum, 2002: 1048) usa-se who; se não o é, usa-se which ou that, apesar de who poder referir-se a animais quando existe “personal interest and involvement” (idem).

Verifique-se no seguinte exemplo, retirado de um texto analisado para revisão, como a ocorrência do o pronome who é duvidosa quando este é utilizado para referir entidades que não correspondem a um indivíduo específico:

161)

Texto Original Tradução Revisão

PROGRAMA DE COOPERAÇÃO COM ROMÉNIA Os Signatários incentivarão os contactos diretos entre as entidades que em ambos os países se dedicam à formação profissional em jornalismo

The Signatories will encourage direct contacts between the entities in both countries who are responsible for the professional training in journalism.

The Signatories will encourage direct contacts between the entities in both countries which are responsible for the professional

training in

137

O corrector ortográfico chega mesmo a assinalar como discutível a opção por who. Corrigimos então para which.

O facto de o pronome que poder ter, em Português, outras funções além de relativo – como, por exemplo, a de pronome interrogativo – pode, por vezes, dar lugar a confusões, como acontece no exemplo revisto que apresentamos:

162)

Texto Original Tradução Revisão

PROGRAMA DE COOPERAÇÃO COM ROMÉNIA Os Signatários consideram desejável o estreitamento das relações de cooperação no domínio cinematográfico, para o que facilitarão os contactos e o diálogo entre as respetivas instituições competentes The Signatories consider interesting the strengthening of relations of co- operation in the cinematographic field,including the co-production cinematography, for what will facilitate the contacts and dialogue between the respective institutions The Signatories consider interesting the strengthening of relations of co- operation in the cinematographic field, including the co-production cinematography, for which will facilitate the contacts and dialogue between the respective institutions

Aqui optámos por corrigir what para which, já que o constituinte relativo deve referir-se a toda a oração anterior e este é o pronome usado para estas ocasiões (Swan, 2005:479). What não é um pronome relativo em frases relativas com antecedente, ocorrendo apenas em relativas livres (what I se is what I want).

A diferença acima referida entre antecedentes humanos e não humanos é diluída no caso do genitivo, que só admite a forma whose (Hudlleston e Pullum, 2002: 1050). Este é usado antes dos nomes “in the same way as his, her, its or their. It replaces his/her/its” (Swan 2005:479). No entanto, Huddleston e Pullum (2002: 1050) advertem para o facto de whose ser usado, na maioria dos casos, apenas com antecedentes humanos, devido, possivelmente, à semelhança morfológica com o pronome who, que, como vimos, ocorre com antecedentes humanos. Mas o seu uso com antecedentes não humanos não é, segundo os mesmos autores, agramatical; é apenas menos comum.

O equivalente português desta forma relativa com valor de posse, whose, é cujo, que ocorre associado a uma expressão nominal com o significado do qual, de quem, de

138

que. A diferença entre as duas formas é que whose é invariável, enquanto cujo “concorda com o objecto possuído em género e número” (Cunha e Cintra, 2010: 350).

Como verificamos, no exemplo seguinte, correspondente a uma revisão a nosso cargo, o primeiro tradutor não usa a forma whose, que seria, em princípio, a mais adequada neste contexto:

163)

Texto Original Tradução Revisão

PROGRAMA DE COOPERAÇÃO COM ROMÉNIA Os Signatários promoverão a realização de estudos e iniciativas adequadas à aprendizagem da Língua Portuguesa e Romena e divulgação das Culturas de Portugal e da Roménia, através de plataformas na Internet, cujo acesso poderá ser cedido

The Signatories shall promote appropriate studies and initiatives to the learning of the Portuguese and Romanian languages and the dissemination of the cultures of both countries, through Internet platforms, which access may be assigned, by mutual agreement

The Signatories shall promote appropriate studies and initiatives to the learning of the Portuguese and Romanian

languages and the dissemination of the cultures of both countries, the access to which may be assigned, by mutual agreement

Na revisão deste texto, optámos pela substituição de which, que não é uma forma de genitivo (seria whose) por the access to which. Explicamos esta mudança por duas razões. Em primeiro lugar, a forma relativa which não é genitiva, correspondendo antes ao objecto (Quirk et al, 1985: 366), e, portanto, não pode ser equivalente de cujo. O segundo problema é que a forma which não pode surgir acompanhada de um nome quando introduz uma oração relativa (tal pode acontecer apenas quando which é um especificador interrogativo, como na frase which access is this?). A forma correcta teria de ser, portanto, whose access.

No entanto, foi ainda necessário proceder a uma outra correção, motivada por um problema existente no texto de partida e que é frequente em Português: o uso do pronome cujo para pronominalizar constituintes que não correspondem ao genitivo, ou seja, que não são introduzidos pela preposição de (Peres e Móia (1995: 318). No exemplo (163), a frase portuguesa não relativa correspondente seria o acesso às plataformas na Internet poderá ser cedido. Não temos aqui um constituinte genitivo, mas sim um complemento de nome (acesso) introduzido pela preposição a (às

139

plataformas na Internet). Assim, a utilização de um pronome relativo com valor genitivo resulta numa sequência agramatical. Por essa razão, procedemos à alteração necessária, o que implicou alteração da estrutura sintáctica proposta pelo primeiro tradutor. Assim, para além de problemas na tradução original, existe um problema no próprio texto de partida, que procurámos resolver. Note-se que o mesmo problema surgiu no texto de Israel (cf. (164)), caso em que seguimos a estratégia a que recorremos no texto da Roménia acima.

164)

Texto Original Tradução

PROGRAMA DE COOPERAÇÃO COM ISRAEL Os Signatários promoverão a realização de estudos e iniciativas adequadas à criação de plataformas, na Internet, para aprendizagem da Língua Portuguesa e divulgação das Culturas de Portugal e de Israel, cujo acesso poderá ser cedido, por comum acordo,

The Signatories shall promote studies and initiatives in order to create platforms on the Internet for learning the Portuguese Language and disseminating the Portuguese and Israeli Cultures, the access to which may be assigned by mutual agreement,

Já em (165), usámos o pronome relativo whose, aqui sim, com valor de posse. 165)

Texto Original Tradução

MEMORANDO UNIVERSIDADE AIN SHAIMS

O Instituto Camões, com sede na Rua Rodrigues Sampaio

The Instituto Camões, whose head office is in Rua Rodrigues Sampaio

Ainda assim, há lugar para dúvidas quanto à nossa opção, dada a limitada ocorrência do pronome whose com antecedentes que não denotam seres humanos. A solução alternativa poderia ter passado pela utilização de um complemento preposicional: with its head office in Rua Rodrigues Sampaio. No entanto, encontrámos várias ocorrências da construção que escolhemos em sítios como o IATE.

2.5.2 – Pronomes reflexos e recíprocos

Os pronomes reflexos utilizam-se em Português quando o “objecto directo ou indirecto representa a mesma pessoa ou a mesma coisa que o sujeito do verbo” (Cunha e Cintra, 1984: 281, 282). Os pronomes recíprocos, por sua vez, usam-se quando se quer

140

indicar que “a acção é mútua entre dois ou mais indivíduos” (idem). Estes dois tipos de pronomes podem ser realizados pela mesma forma – o clítico se, no caso da terceira pessoa –, o que pode causar problemas de tradução, sobretudo quando se encontram formas de terceira pessoa do plural, que, em Inglês, correspondem a duas formas distintas: themselves (pronome reflexo) ou each other (pronome recíproco). É o que acontece em (167), de um texto de revisão:

167)

Texto Original Tradução Revisão

PROGRAMA DE COOPERAÇÃO COM ROMÉNIA Os Signatários manter-se-ão informados sobre o desenvolvimento

The Signatories will keep themselves informed about the development

The Signatories will keep each other informed

about the

development

Neste caso, ocorre, no texto de partida, o recíproco se, que o primeiro tradutor interpretou, erradamente, como reflexo, traduzindo-o por themselves. Na verdade, a