4 BALDO S/A – FILIAL 16 – ANÁLISE DAS TRANSAÇÕES PARA OBTENÇÃO DE
4.1 ESPECIFICIDADES DA CADEIA PRODUTIVA DA ERVA-MATE
A indústria ervateira possui uma cadeia de produção que julgamos essencial referendarmos para maior compreensão do objeto de análise e do objetivo a que este trabalho se propõe.
Entre as várias etapas da cadeia produtiva da erva-mate encontramos:
Figura 2 - Fluxograma da cadeia produtiva da erva-mate
O ambiente organizacional ervateiro brasileiro possui diferentes situações empresariais: empresas auto-sustentáveis que atuam na produção agrícola, no processamento agroindustrial e na comercialização; empresas que adquirem a matéria prima, processam e
Ambiente Organizacional
Sistema Estadual de Assistência Técnica, Sistema Estadual de Pesquisa Agropecuária, EMBRAPA, Universidades Públicas e Privadas, Sistema Financeiro, CODESUL, Federações das Indústrias, Secretarias de Agricultura, Secretarias de Ciência e Tecnologia, ATER, APIMATE, ASPEMATE, SECEX, MERCOSUL, FINEP, Fundações de Amparo a Pesquisa Estadual. Produção de Sementes Produção de Mudas Área de Plantio Produção de Terceiros Tarefeiros Produção em Áreas das Indústrias Biomassa Foliar Secagem ou Cancheamento de Terceiros Mercado Interno Exportação Consumidor
GOVERNO: Ambiente Institucional
Ministério da Saúde: Leis, Portarias, Resoluções; CONFAZ: Política Tributária Estadual; Ministério da Agricultura e Abastecimento: Normas de Controle Fitossanitário; Ministério do Meio Ambiente - IBAMA: Normas e Procedimentos da
Exploração Econômica, Secretarias Estaduais de Saúde e Meio Ambiente, Códigos Florestais, Leis e Portarias.
Erva-Mate Plantada
Erva-Mate Nativa
Indústria Secagem (cancheamento) e Beneficiamento Importação Erva- Mate Cancheada e In Natura Produtos e Sub- Produtos da Erva-Mate Comercialização
comercializam; empresas que adquirem mate argentino e misturam com mate brasileiro; e, empresas que participam de todas estas situações empresariais.
O sistema de produção, o tamanho da propriedade, a área de erval plantado e nativo, a produtividade do erval, a qualidade da matéria -prima, são alguns dos indicadores do perfil dos produtores.
Em função do sistema de produção utilizado pelo produtor, ocorrem alterações no ambiente, que se refletem em toda a cadeia produtiva da erva-mate, podendo, ou não, trazer retornos econômicos e ambientais. Entre as formas de obtenção de erva-mate, temos:
A) Obtenção da matéria prima, que poderá ser por meio de:
I – Erva-mate nativa: o denominado erval nativo parte sempre de formação florística original, sem intenção do homem, conhecida por caíva. O manejo para esses ervais é subdividido em duas situações distintas:
1) formação de ervais nativos: o primeiro trabalho de exploração consiste na roçada (a foice) da vegetação de pequeno porte. Permanecem, por conseguinte, as grandes árvores e um número reduzido de erveiras, que aí se encontram vegetando em estado silvestre, em ervas-virgens ou ervas-em-ser, isto é, que nunca foram paradas;
2) adensamento de ervais nativos: esse processo consiste no plantio de mudas de erva-mate nos lugares onde já existem ervais nativos em exploração, em razão dos ervais naturais deixarem grandes clareiras, recebendo estas, então, os novos pés de mate, com espaçamento desuniforme, preenchendo o espaço disponível.
II – Erva– mate plantada:
1) área de plantio: constitui-se no plantio em terrenos sem erveiras, seja em áreas desnudas (ocupadas com lavouras ou pastagens) ou com capinzal formado de explorações contínuas. De acordo com a disponibilidade dos fatores de produção (terra/capital/mão-de- obra) de cada propriedade ervateira, poder-se-á adotar uma opção da área de plantio dos ervais: 1) erval a céu aberto; 2) erval sob cobertura; 3) erval em leiras ou curvas de nível;
2) produção de mudas e sementes: segue uma seqüência de atividades interligadas, em que cada fase deve ser desenvolvida de forma a não dar prejuízo às seguintes: obtenção de sementes com procedência reconhecida; estratificação das sementes adquiridas; obtenção de terra de boa qualidade, para uso no viveiro; semeadura das sementes estratificadas na sementeira; processo de germinação das sementes; desinfecção dos canteiros e da
terra/substrato; enchimento das embalagens com terra; repicagem das mudas de erva-mate para as embalagens; cuidados básicos após repicagem das mudas; tratos fitossanitários; aclimatação das mudas de erva-mate.
B) Colheita: processo de poda das erveiras para a obtenção das folhas. A colheita no
melhor período do ano agrícola da erva-mate para poda ocorre, normalmente, nos meses de maio, junho, julho e agosto, nesta fase se obtém o melhor produto. No período de inverno, a erveira está em processo de dormência e as seivas concentram-se nas folhas, com isso dando maior desfrute industrial do que no verão.
C) Sapeco: trata-se de um tratamento térmico em que se usam altas temperaturas,
sendo considerada uma operação que determina a qualidade da erva-mate, e objetiva impedir a ação de enzimas (como a oxidase) que enegrece as folhas verdes nas condições ambientais. Deve ser realizada logo após a colheita, em até 24 horas, para evitar a fermentação que é favorecida por altas temperaturas e umidade ambiental, inutilizando e causando a perda da erva-mate a ser colhida. Pelo calor, as folhas verde-escuras perdem parte da umidade, fixando a cor verde -dourada, característica da erva -mate Ilex paraguariensis.
D) Operações de Secagem: no processo da erva -mate, em geral, o único parâmetro
que se controla é o conteúdo final de umidade do produto. A secagem ocorre em duas etapas, para que o produto perca, gradativamente, o seu conteúdo de umidade.
E) Cancheamento: nessa etapa do filière ocorre a trituração ou fragmentação das
folhas, após a secagem. Normalmente é feito por um triturador de madeira dura (pelo produtor) ou por um cancheador metálico (na indústria). Esse processo faz parte de um sistema característico, em que a erva depois de peneirada, passa a ser denominada cancheada. Nessa etapa observa -se que a erva-mate perde de 50 a 60% de seu peso original60, assim, 10 quilos de erva-mate fresca podem produzir normalmente 4 quilos de erva-mate cancheada. A erva-mate cancheada é matéria-prima para processo de industrialização, em que os engenhos de beneficiamento usam-na especialmente para a preparação dos tipos especiais (chá, er va para chimarrão e outros).
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MAZUCHOWSKI, J. Z; RUCKER, N. G. de A. Prospecção tecnológica da cadeia produtiva da erva- mate. Curitiba: Secretaria da Agricultura e do Abastecimento do Paraná – Departamento de Economia Rural, 1997.
Essas etapas representam o beneficiamento do produto e podem ser resumidas a três operações distintas: a secagem ou retificação da umidade, a separação e a mistura (formação dos tipos especiais).
F) Estocagem: período em que o produto, após cancheado, aguarda sua
industrialização.
G) Embalagem: no contexto do mundo globalizado, o consumidor é o fator mais
relevante para um empreendimento, seja industrial seja comercial. Em decorrência, deverá ser informado da marca do produto (além da promoção específica, ela deve indicar o fabricante), da formulação e dos componentes identificados, além de palavras, símbolos e sinais que completem o aspecto de comunicação da embalagem. Por sua vez, o usuário deverá seguir as orientações dada s pelo fabricante, não usando o produto por sua conta e/ou risco.
De maneira geral, no universo de tipos de embalagens primárias, secundárias ou terciárias, existem aquelas de uso atual e as de emprego potencial, para novos produtos com erva-mate. Entre os tipos de embalagens empregáveis pelo setor ervateiro, podem ser relacionadas caixas, sacos, cartuchos, frascos, tampas, rótulos, envoltórios, bisnagas, latas e fibralatas, invólucros, etiquetas, estojos flexíveis, envelopes, lacres, sachês, tubos, adesivos, fechos, bombonas, carretéis, barricas, garrafões, botijões, tambores, aerosóis, entre outros.
H) Comercialização:
I) Mercado Interno: a localização da zona produtora ervateira possui certa influência das tendências climáticas, que interferem nos índic es da produção e no “blend” final do produto mais ou menos amargo, principalmente nos ervais cultivados. No Brasil, a região Sul responde por cerca de 97% da produção nacional, enquanto o Mato Grosso do Sul, embora crescente, apresenta uma participação de apenas 3%.
O consumo brasileiro de erva-mate tem potencial, quer como chimarrão, chás e outros derivados, fundamentando-se basicamente na tradição, como no caso do chimarrão. A região Sul é a maior consumidora de chimarrão, cerca de 80% do consumo, parte da matéria- prima vem da produção paranaense, em média 90% do total. O Paraná e Rio Grande do Sul são os tradicionais consumidores dessa bebida; os 10% restantes da produção são utilizados para produtos como chás, mate solúvel, entre outros.
Na região de União da Vitória – região onde se localiza a BALDO, em estudo neste trabalho -, cerca de 30% da erva-mate cancheada é beneficiada e colocada à disposição no
mercado local.
II) Mercado Externo: o principal mercado comprador da erva-mate brasileira concentra-se nos países que fazem parte do Mercado Comum do Sul. Em 1999, o Uruguai recebeu cerca de 83,4% das exportações brasileiras de mate (cancheado e beneficiado) sendo o maior importador, o Chile 12,7%, e os demais países 3,9%. Entretanto alguns países importadores como Japão, Alemanha e Estados Unidos passaram a demonstrar interesse pelo produto mate, principalmente como produto medicinal, além da procura/consumo por colônias brasileiras com hábito do chimarrão, nesses países. Esses países também possuem grande capacidade tecnológica para investir em pesquisas sobre a erva-mate, podendo representar vantagens e desvantagens, pois um produto nacional corre o risco de ter parte dos seu uso patenteado fora do Brasil.
Observa-se que parte da erva -mate exportada para países como a França, Japão, Alemanha e Estados Unidos não tem como destino final a cuia de chimarrão. Esses países passaram a demonstrar interesse pelo produto mate, principalmente como alimento e medicinal, pois possuem grande capacidade tecnológica para investir em pesquisas mais tecnificadas para erva-mate, o que nem sempre é bom para o produto nacional, que corre o risco de passar a ser "estrangeiro". No caso brasileiro, a situação apresenta-se de forma contrária, não existindo pesquisas avançadas voltadas ao uso da erva-mate, quer seja para fins medicinais quer para outras formas diferenciadas de uso que agreguem valor ao produto. Um exemplo desse fato é a própria declaração da Associação Brasileira da Indústria de Higiene, Perfumes e Cosméticos – ABIHPEC, que diz não ser comercializado o extrato de erva-mate no Brasil para esse fim, não existindo sequer registro nacional desse produto.
Para ser viável a exportação de um ou mais produtos de uma empresa, é exigido que sejam efetuados cadastros legais junto aos organismos competentes de exportação. Uma vez habilitada, a empresa deve estar preparada para efetuar a exportação nas regras do mercado internacional, onde está incluído o domínio dos aspectos de como não proceder na comercialização. Adicionalmente, faz-se necessário promover o produto e contar com potenciais compradores dele em mercados selecionados.
Em decorrência, é importante conhecer as diversas maneiras de atingir o mercado internacional, ou seja, os canais de comercialização que são englobados em formas diretas e indiretas de comercialização.
O crescimento das exportações de mate, principalmente do beneficiado, vislumbra também a maior agregação da renda no país, que retorna em benefícios para a cadeia do setor ervateiro.
I) Distribuição: o que tange à distribuição do produto, ela pode referir-se a sua
distribuição para as demais unidades da empresa (no caso em questão – BALDO S/A – unidade de São Mateus do Sul); a distribuição do produto de qualquer uma de suas etapas da cadeia produtiva para a etapa seguinte; a distribuição do produto beneficiado para os distribuidores; e, ainda a distribuição do produto beneficiado diretamente no mercado varejista.
Para que essa etapa da cadeia de produção atinja os resultados que dela se esperam, mostra-se fundamental a realização de uma análise responsável para cada caso específico, possibilitando, desse modo, que sejam adotadas estratégias operacionais que se adaptem a competitividade do mercado. Conseqüentemente, a escolha do melhor tipo de transporte (terrestre, marítimo, aéreo, fluvial), a opção por frota própria ou não, tipo de combustível, utilização de funcionários próprios ou não, terá que ser analisada em cada fase da filière que necessite desse serviço, pois nem sempre a melhor opção para uma etapa apresenta-se como tal numa etapa anterior ou posterior.
Outras peculiaridades podem ainda ser observadas na cadeia produtiva da erva-mate, tais como:
1) Produção de Terceiro: possui situações empresariais diferenciadas: empresas auto- sustentáveis atuando na produção florestal, no processamento agro-industrial e na comercialização; empresas que adquirem a matéria -prima, processam e comercializam; empresas que adquirem o mate argentino e misturam com o mate brasileiro; e, as que participam em todas essas situações empresariais.61 O sistema de produção, a área de erval plantado e nativo, a produtividade e a qualidade da matéria prima indicam o perfil dos produtores. Em função do sistema de produção utilizado pelo produtor, ocorrem alterações no ambiente, que podem ou não, trazer retornos econômicos e ambientais, que se refletem em toda cadeia produtiva da erva-mate. Os sistemas de produção podem ser:
a) extrativista: sistema rudimentar de produção de erva -mate nativa. As práticas silviculturais adotadas, total ou parcialmente, são: aquisição ou produção própria de mudas; coveamento manual para adensamento de erval nativo; plantio de mudas em faxinais/ervais na mata; roçada das saias de erveiras antes da colheita; poda das erveiras com foice ou facão, a cada 2 ou 3 anos;
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RUCKER, N. G. de A. MERCOMATE: cooperação na competitividade. Curitiba: Secretaria da agricultura e do abastecimento do Paraná – Departamento de Economia Rural, 1993.
b) não tecnificado: as técnicas utilizadas se referem basicamente a aquisição ou produção própria das mudas; aquisição de lâminas para proteção das mudas; coveamento manual; plantio das mudas com replantio das falhas; roçada por ocasião da colheita; poda com facão a cada dois anos;
c) tecnificado: produtor com nível tecnológico adequado às exigências do mercado constituem técnicas silviculturais básicas; aquisição ou produção própria de mudas; aquisição de lâminas/tábuas para proteção; coveamento manual; aquisição de esterco animal para plantio; aplicação esporádica de fertilizante químico; capina das linhas de plantio dos dois anos iniciais; emprega eventual de herbicida no lugar da capina; poda com tesouras; controle de pragas com catação manual dos galhos atacados e sua queima; combate a formigas cortadeiras; corte bienal.
2) Fontes energéticas: a sapecagem antigamente era realizada manualmente e, às vezes, ainda no interior das florestas, no entanto, com os avanços ocorridos no setor ervateiro, atualmente, os processos modernos de sapeco contam com sapecadores mecânicos. Assim como essa etapa, a da secagem também necessita de fonte energética para a sua efetivação.
a) madeira: no processo tradicional era (e ainda é, em muitos casos) usada a madeira como fonte de energia, tanto no sapeco quanto na secagem da erva -mate. Sua utilização, no entanto, apresenta problemas não apenas ambientais pelo consumo de árvores, mas também aqueles associados a sua combustão. Algumas substâncias causadoras de câncer são produzidas quando materiais orgânicos, como a madeira, são aquecidos a temperaturas muito elevadas. Dessa forma, quando há temperaturas elevadas, junto com a fumaça são arrastadas substâncias perigosas. As substâncias cancerígenas presentes na fumaça têm causado eventuais problemas na comercialização de produtos, não apenas de erva-mate;
b) gás GLP: os riscos à saúde e a questão ambiental levaram à adoção de outras fontes de energia, principalmente o gás liquëfeito de petróleo (GLP). Esse gás, na verdade, é formado por mistura de gases (propano e butano). O uso do GLP é considerado vantajoso, quando comparado a outras fontes de energia, sendo definido como alternativa limpa, segura e mais econômica. As empresas
distribuidoras de gás informam que a combustão do GLP não gera resíduos tóxicos, não contaminando o produto, apesar disso, algumas referências citam a presença de contaminantes (hidrocarbonetos) no gás, que não são queimados, gerando resíduos. Os resíduos gerados estariam presentes em quantidade inferior à de outros combustíveis de petróleo;
3) Consumidor Final: apesar de, na maioria das vezes, a empresa não ter acesso direto ao consumidor final, este emerge como elemento fundamental na análise estrutural da empresa e do produto. Assim sendo, o setor ervateiro vem buscando apreender as tendências que estão ocorrendo no mercado de consumo de bebidas, as mudanças nos hábitos de consumo de bebidas do produto MATE e, as possibilidades de aplicação e uso industrial dos principais ativos da espécie Ilex paraguariensis, St. Hill.
As modificações/mudanças/transformações e a evolução dos hábitos e costumes do consumidor nessa era de proliferação tecnológica fazem com que o fluxo de poder, em qualquer cadeia de negócios, emane do consumidor para as pontas de produç ão e distribuição. Essa é a base da estrutura organizacional da cadeia produtiva da erva-mate.
Desse modo, o poder de fluxo na comercialização do produto em questão, originário do consumidor final, tem como objetivo a qualidade, por excelência, e o consumo do MATE, por opção. Logo, o ponto focal da cadeia de negócios ervateiros é o consumidor aberto a experimentação, com baixa ou até nenhuma fidelidade a marca e, com um perfil de quem está disposto a pagar mais, desde que o produto seja reconhecido como o de melhor qualidade na relação preço/cor, sabor, aroma e valor. O conceito de valor do produto MATE é a forma como o consumidor traduz qualidade.
4) Tecnologia : tecnologia não se apresenta como uma arma de combate, mas de apoio à empresa no constante embate competitivo. A tecnologia desempenha um papel muito importante, alterando a estrutura do próprio ramo de negócios, criando novos ramos e até extinguindo a vantagem competitiva adquirida por empresas fortes.62
As trajetórias tecnológicas possuem as características de serem gerais ou mais específicas, mas, geralmente, são complementares, podendo dada tecnologia estimular ou frear o desenvolvimento de outras. As trajetórias tecnológicas podem ser transformadas, mas essa transformação representa os limites em determinados caminhos num período e também é
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PORTER, M. Estratégia competitiva: técnicas para análise de indústrias e da concorrência. Rio de Janeiro: Campus, 1986.
influenciada pelo “estoque” de conhecimentos existentes naquele momento. Existem trajetórias que sobressaem no quesito técnico-econômico, tornando difícil a utilização de novas trajetórias. É extremamente difí cil avaliar ex-ante a superioridade de uma trajetória sobre as demais existentes; e as tecnologias competem entre as atuais e as de vanguarda, e entre as próprias tecnologias de vanguarda.
Conseqüentemente, as empresas que investem nesse setor inserem-se no mercado com produtos de alta qualidade, produzidos com tecnologias sofisticadas, comercializando de forma menos custosa para o consumidor. Logo, nem sempre o melhor produto é o mais caro. A inovação mostra-se como conseqüência de uma série de pequenos avanços relacionados a idéias e conhecimentos, e investimentos em P&D, treinamentos e divulgação da marca.
A existência de convênios ou parcerias mantidos com Universidades e / ou Institutos de Pesquisa, apresenta-se como uma das modalidades viabilizadoras para o desenvolvimento tecnológico industrial, propiciando à empresa um melhor enfrentamento à concorrência mercadológica acirrada.
Ante o exposto, no concernente à cadeia produtiva da erva-mate, ressalta-se que esta se apresenta permeada por uma série de nuances, que deverão ser mais bem analisadas a
posteriore, haja vista que, em suas etapas, pode a empresa desenvolvê-las de modo autônomo,
ou fazendo parcerias em todas ou apenas algumas dessas fases. Por conseguinte, o reconhecimento das relações vivencia das e do grau de interdependência entre ela e as diversas etapas do filière, somente poderá ser obtido a partir de um processo analítico sobre a realidade de cada empresa ervateira em particular.