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5 RESULTADOS E DISCUSSÃO

5.2 ENSAIOS DE PRÉ-FORMULAÇÃO

5.2.2 Ensaio de compatibilidade

5.2.2.2 Espectroscopia de infravermelho com transformada de Fourier – FTIR

Na figura 11A observa-se o espectro do Compritol com uma banda larga por volta de 3400 cm-1 relacionada aos estiramentos dos grupos -OH presentes nos mono- e diglicerídeos, além de picos fortes em 2920 cm-1 e 2850 cm-1 das vibrações do estiramento dos grupos –CH3 e –CH2, em 1740 cm-1 do estiramento de C=O das carbonilas características de ésteres, picos menores em 1465 cm-1 e 1380 cm-1 dos dobramentos de -CH2 e -CH3 de alcanos, em 1172 cm-1 e 1110 cm-1 do estiramento assimétrico de C-O de ésteres, um pico pequeno em 1060 cm-1 referente ao estiramento C-O de álcool secundário, e em 721 cm-1 de dobramento dos grupos CH2 de cadeias longas. O Miglyol apresentou picos de absorção em regiões semelhantes que são característicos de lipídeos, com exceção da absorção em 3400 cm-1, visto que é um triglicerídeo e todos os grupamentos -OH do glicerol estão esterificados com as cadeias de ácidos graxos. Os tensoativos Span e Alkest também apresentaram espectros com bandas semelhantes ao Compritol, já que são derivados de lipídeos. No caso do Span, existe também um pico em 1080 cm-1 referente ao estiramento C-O de álcool secundário, e a banda de absorção referente ao -OH em 3400 cm-1 é mais fraca devido menor presença desse grupamento. Também foram observados os picos em 2920 cm-1 e 2850 cm-1 de – CH3 e –CH2, em 1740 cm-1 de C=O de ésteres, em 1465 cm-1 e 1380 cm-1 dos dobramentos de CH3

e CH2, 1175 cm-1 de C-O de ésteres, e em 721 cm-1 de dobramento dos grupos CH2 de cadeias longas. Para o Alkest, além desses picos mencionados nas faixas de 2920 cm-1, 2850 cm-1, 1739 cm-1, 1465 cm-1 e 721 cm-1, vale destacar um pico de forte intensidade em 1090 cm-1 característico do estiramento C-O-C de éter alifático, que é um grupamento muito presente em sua molécula devido à etoxilação, sendo esse pico em sobreposição com C-O de álcoois secundários e ésteres presentes na molécula. Outro destaque é o pico em 946 cm-1 dos dobramentos fora do plano de alcenos. Tais resultados do espectro do Compritol são semelhantes ao reportado por outras pesquisas (ARSHAD et al., 2019; BORGES et al., 2021; JANSOOK; FÜLÖP; RITTHIDEJ, 2019).

Nas misturas ternárias do AM com os lipídeos, a presença do IFA nas amostras foi confirmada com a detecção em bandas características do mesmo (já mencionadas no tópico 5.1.2) e ausentes nos demais componentes, sendo um pico em 1060 cm-1 referente aos grupos C-N das aminas e outra em 601 cm-1 correspondente ao Sb-O, os quais estão em menor intensidade devido a proporção de fármaco na mistura. Para a mistura ternária com os tensoativos, o AM foi identificado pela presença dos picos em 1641 cm-1 referente ao dobramento -NH de aminas secundárias e 601 cm-1 do Sb-O, além de uma banda mais pronunciada em 3400 cm-1 referente ao estiramento do -OH. Na mistura total, também é possível identificar os mesmos picos do IFA, ainda

que em baixa intensidade. Ademais, em todas as misturas foi possível notar os picos característicos dos lipídeos e tensoativos isolados.

O Imwitor apresentou um espectro com absorções em bandas muito semelhantes ao Compritol, uma vez que também é composto por mono- e diglicerídeos, mudando apenas os ácidos graxos. Na Figura 11B é possível visualizar os picos na região 2920 cm-1 e 2850 cm-1 de –CH3 e – CH2, em 1740 cm-1 de C=O, em 1465 cm-1 e 1380 cm-1 dos dobramentos de -CH2 e -CH3, em 1172 cm-1 e 1110 cm-1 do C-O de éster, um pico em 1080 cm-1 do estiramento C-O de álcool secundário e em 721 cm-1 de dobramento dos grupos CH2 de cadeias longas. Uma pequena diferença em relação ao Compritol foi observada na banda referente aos estiramentos dos grupos -OH, que se apresentou mais deslocada para 3300cm -1. Quanto à mistura ternária com os lipídeos, foi possível identificar o fármaco pelos picos em 1060 cm-1 e 601 cm-1, enquanto a mistura total apresentou os picos do mesmo em 1641 cm-1 e 601 cm-1. O espectro do Imwitor é semelhante à outro estudo (IBRAHIM; ALOMRANI; YASSIN, 2014).

A Figura 11C mostra o espectro do Dynasan114, que apresenta as bandas de absorção características dos lipídeos, tais como os picos nas regiões de 2920 cm-1 e 2850 cm-1 do estiramento dos grupos –CH3 e –CH2, em 1740 cm-1 do estiramento de C=O das carbonilas características de ésteres, em 1465 cm-1 e 1380 cm-1 dos dobramentos de -CH2 e -CH3, 1172 cm-1 e 1110 cm-1 do estiramento C-O de ésteres, e em 721 cm-1 de dobramento de grupos CH2 de cadeias longas. A diferença aqui foram picos justapostos na faixa entre 1215 e 1288 cm-1 do estiramento assimétrico C-O comum em triglicerídeos, além da ausência da banda de alta intensidade na região de 3400 cm-1, uma vez que trata-se de um triglicerídeo. Nas misturas ternárias com os lipídeos, apenas picos de muito baixa intensidade relacionado ao fármaco foram identificados, sendo o 1641 cm-1 referente ao -NH das aminas secundárias e 601 cm-1 do Sb-O. Na mistura total, apenas uma banda fraca em 3400 cm-1 e o sinal fraco em 1641 cm-1 foram identificados. Todas as misturas apresentaram os picos principais dos lipídeos e tensoativos isolados. Além da proporção diminuída do IFA nas misturas, os picos referentes à sua molécula podem ter sido diminuídos por uma dispersão mais facilitada do fármaco nessa mistura. Bertoni e colaboradores (2019) e Prajapati e colaboradores (2018) apresentaram espectro do Dynasan114 semelhante.

O espectro do Dynasan118 é mostrado na Figura 11D, onde é possível notar as principais bandas de absorção dos lipídeos muito semelhantes ao Dynasan114, com diferença nas intensidades, pois ambos são triglicerídeos que se diferenciam apenas no tamanho das cadeias

carbônicas dos ácidos graxos. Na mistura AM+lipídeos, o fármaco pôde ser identificado por dois sinais de baixa intensidade do C-N e do Sb-O em 1060 cm-1 e 601 cm-1 respectivamente. Já na mistura total, é possível visualizar os picos do fármaco em 1641 cm-1 e 601 cm-1, e uma banda larga de baixa intensidade em 3400 cm-1. Além disso, os picos dos demais componentes também foram identificados. Esses resultados são similares ao que foi encontrado na literatura (IBRAHIM;

ALOMRANI; YASSIN, 2014; TEERANACHAIDEEKUL et al., 2020).

Em todas as misturas dos diferentes lipídeos não foram observados deslocamentos bruscos de bandas de absorção, nem surgimento de picos em bandas novas. Baseados nesses resultados de compatibilidade, foi possível verificar que as interações observadas nas análises térmicas não foram oriundas de reações químicas perceptíveis em FTIR, ocorrendo apenas alteração nos parâmetros físico-químicos dos componentes, com indícios de solubilização entre os componentes (CHADHA; BHANDARI, 2014; PANI et al., 2012; ROJEK; WESOLOWSKI, 2019). Nesse caso, trata-se de uma interação que pode favorecer a formação de nanopartículas com maiores concentrações de fármaco. Isso aliado com os ensaios de cristalinidade dos lipídeos, direcionou para a escolha dos lipídeos sólidos Dynasan114 e Compritol para dar continuidade ao estudo. O Dynasan114 foi o lipídeo que apresentou uma interação que sugere melhor dispersão do fármaco nas misturas ternárias e misturas totais, bem como mostrou a melhor interação com o Miglyol, formando uma matriz lipídica de menor cristalinidade, que pode favorecer o encapsulamento do fármaco. O Compritol foi escolhido como a segunda opção de lipídeo sólido com o objetivo de comparação dos tipos de lipídeos sólidos nas nanopartículas, através da avaliação da influência do tamanho das cadeias carbônicas de ácidos graxos e da composição mista de mono-, di- e triglicerídeos nas propriedades físico-químicas e estabilidade dos CLN a serem desenvolvidos.

Ademais, os resultados revelaram que os compostos possuem boa estabilidade térmica nas condições de produção das nanopartículas, bem como ausência de incompatibilidades químicas suportadas pelo FTIR.