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Espectroscopia Raman da Regi˜ ao entre 250 cm −1 e

Modo cm −1 Identifica¸c˜ao Modo cm −1 Identifica¸c˜ao

3.2.2 Espectroscopia Raman da Regi˜ ao entre 250 cm −1 e

cm

−1

da L-Valina Deuterada

A Figura 26 mostra um espectro Raman da L-Valina deuterada na regi˜ao espectral entre 250 cm−1 e 1000 cm−1. Esta regi˜ao espectral apresenta uma s´erie de bandas e uma

discuss˜ao minuciosa ´e realizada a seguir. Come¸ca-se discutindo a origem da banda obser- vada em aproximadamente 523 cm−1. ´E interessante destacar que na verdade este pico ´e

um dubleto (observe-se a assimetria do pico) e representa modos associados `a vibra¸c˜ao do tipo rocking do CO2, r(CO2). Vale destacar que enquanto esta banda aparece como um

dubleto na L-Valina deuterada, na L-Valina hidrogenada ela foi observada como apenas um ´unico pico. Este aspecto ser´a discutido no pr´oximo cap´ıtulo quando se discorrer´a so- bre o comportamento da banda associada ao r(CO2) no cristal de L-Isoleucina submetido

a altas press˜oes.

Considerando que uma banda observada em 261 cm−1 foi classificada como uma vi-

bra¸c˜ao do tipo deforma¸c˜ao da estrutura NCC, δ(NCC), num cristal de L-Alanina (34), assim tamb´em classificaram-se as bandas observadas neste estudo na L-Valina deuterada, nas frequˆencias de 254 cm−1 e 264 cm−1; note-se que estas s˜ao bandas de muito baixa

intensidade, e perceber a existˆencia de trˆes picos na regi˜ao 250 cm−1 – 300 cm−1, somente

poss´ıvel com um ajuste de Lorentzianas de uma forma bastante cuidadosa.

Figura 25: Espectro FT-Raman de cristais de L-Valina deuterada na regi˜ao 50 cm−1 - 250

Figura 26: Espectro FT-Raman de cristais de L-Valina deuterada na regi˜ao espectral entre 250 cm−1 e 1015 cm−1.

L-Valina hidrogenada na geometria de espalhamento z(yy)z (31) percebe-se que eles s˜ao bastante semelhantes, com exce¸c˜ao do fato de que enquanto em ∼ 415 cm−1existe um pico

sim´etrico na amostra hidrogenada, aqui existem dois picos (marcados com os n´umeros 19 e 20). Ou seja, por causa desta semelhan¸ca as bandas n˜ao devem ter participa¸c˜ao direta com unidades envolvendo ´atomos de hidrogˆenio. Por conta disso, a antiga classifica¸c˜ao que apontava a banda em 297 cm−1 na L-Valina hidrogenada como oriunda de uma vibra¸c˜ao

do tipo τ (CH3), deve ser revista. Assim, ´e poss´ıvel atribuir a esta banda, que na L-

Valina deuterada ´e observada em ∼ 308 cm−1, a alguma vibra¸c˜ao do pr´oprio esqueleto

da mol´ecula, δ(esqueleto). J´a a banda em 330 cm−1 deve mesmo estar associada a uma

deforma¸c˜ao da estrutura NCC, δ(NCC), similarmente ao que acontece com a L-Valina hidrogenada, que apresenta uma banda semelhante em 333 cm−1. As bandas marcadas

no espectro da Fig. 26 com os n´umeros 17 - 19 tamb´em devem estar associadas a vibra¸c˜oes do esqueleto da mol´ecula, δ(esqueleto).

Quanto `a banda observada em ∼ 417 cm−1no espectro da L-Valina deuterada faremos

a seguinte discuss˜ao. Na Ref. (22), onde discute-se a amostra hidrogenada, nenhuma banda foi reportada exatamente nesta regi˜ao de frequˆencia. Entretanto, foi reportada a existˆencia de uma banda em 429 cm−1, no espectro da geometria de espalhamento z(xx)z

e em 431 cm−1, no espectro da geometria z(xy)z. Ora, sendo devido a alguma banda

envolvendo hidrogˆenio, o efeito da deutera¸c˜ao seria muito maior do que diminuir apenas aproximadamente 12 cm−1 a frequˆencia desta banda na referida regi˜ao. Assim, pode-se

supor que seja alguma unidade que n˜ao envolva diretamente o hidrogˆenio, no caso, outra vibra¸c˜ao do esqueleto, δ(esqueleto).

As bandas assinaladas na Fig. 26 com os n´umeros 21 e 22 s˜ao de intensidades extre- mamente baixas, sendo centradas, respectivamente, em 475 cm−1 e 497 cm−1. A antiga

classifica¸c˜ao na L-Valina hidrogenada atribu´ıa `as bandas centradas em 471 cm−1 e 496

cm−1 modos associados `a tor¸c˜oes do NH+

3, τ (NH +

3), o que certamente deve ser revisto com

o resultado aqui apresentado. De fato, se estas duas bandas envolvessem o hidrogˆenio, as mesmas n˜ao deveriam mais ser observadas no espectro da amostra deuterada. Em vista do exposto, procurou-se entender a origem destas duas bandas recorrendo-se ao que ´e conhecido dos espectros vibracionais de outros cristais de amino´acidos alif´aticos, ou seja, L-Alanina, L-Leucina e L-Isoleucina. Na L-Alanina completamente deuterada (34) existe uma banda que foi associada ao rocking do CO2. Mas este resultado n˜ao se coaduna

aos nossos, pois j´a foi visto que referida vibra¸c˜ao na L-Valina deuterada ´e encontrada em 521 cm−1. Na L-Leucina existe uma classifica¸c˜ao tentativa (23) que aponta para uma

para a L-Isoleucina (24), uma vibra¸c˜ao associada a deforma¸c˜oes do tipo CCC, δ(CCC), foi observada em 491 cm−1. Assim, vamos fazer a suposi¸c˜ao de que as bandas em 475

cm−1 e 497 cm−1 estejam respectivamente associadas `a vibra¸c˜oes do tipo δ(esqueleto) e

δ(CCC).

A banda de n´umero 24, de intensidade extremamente baixa, n˜ao foi classificada. J´a a banda de n´umero 25, que no espectro da Fig. 26 foi obsrvado em 635 cm−1 teve

a classifica¸c˜ao realizada como descrito a seguir. Inicialmente ´e importante notar que no espectro da L-Valina hidrogenada n˜ao h´a nenhum modo ativo no Raman entre 600 cm−1 e 650 cm−1. Logo, esta banda deve estar associada a uma vibra¸c˜ao envolvendo o

hidrogˆenio (ou no presente caso, o deut´erio). Al´em disso, lembrando que a frequˆencia de oscila¸c˜ao num modelo simples de um sistema massa-mola ´e descrito por ωH = mkH

12

para uma unidade envolvendo o hidrogˆenio e ωD = mkD

12

para uma unidade envolvendo o deut´erio, com a mesma constante de mola k, ent˜ao, ωH

ωD =

mD

mH

12

, ou seja, ωH ∼1, 41ωD.

Em outras palavras, de uma maneira geral, a frequˆencia de vibra¸c˜ao de uma sub-unidade molecular envolvendo o hidrogˆenio ser´a aproximadamente 1, 41 vezes maior do que a mesma frequˆencia envolvendo o deut´erio. Assim, a vibra¸c˜ao em 635 cm−1observada na L-

Valina deuterada deve corresponder a uma vibra¸c˜ao em aproximadamente 890 cm−1 na L-

Valina hidrogenada. Na Ref. (22) n˜ao foi reportada explicitamente nenhuma vibra¸c˜ao em 890 cm−1, embora uma banda em 902 cm−1 tenha sido classificada como um estiramento

CC, ν(CC). Como aqui tamb´em aparece uma banda em 903 cm−1, isto significa que a

associa¸c˜ao em 902 cm−1 ν(CC) na L-Valina hidrogenada deve estar correta, bem como

a associa¸c˜ao 903 cm−1 ν(CC) na L-Valina deuterada.

Se por um lado a banda em 903 cm−1 foi confirmada como devida a um estiramento

CC, por outro lado, aparentemente, o mist´erio sobre a origem da banda em 635 cm−1

continua presente. Por´em, se forem analisados com mais cuidado os espectros Raman da Ref. (31), que foi o estudo que deu origem ao trabalho da Ref. (22), verificar-se-´a que nas geometrias de espalhamento z(yy)z e z(yx)z existem duas bandas fracas em aproxima- damente 890 cm−1. Estas bandas fracas seriam as equivalentes na amostra hidrogenada

da banda em 635 cm−1 obtida em nosso estudo. Nota-se que na L-Alanina parcialmente

deuterada (34) existem bandas em 874 cm−1 e 916 cm−1, que foram associadas ao rocking

do CH3 , r(CH3). Admitindo-se que na L-Valina hidrogenada a banda de fraca intensi-

dade em 890 cm−1 tamb´em ´e oriunda de uma vibra¸c˜ao do tipo r(CH

3), ent˜ao poderemos

concluir que a banda em 635 cm−1 na L-Valina deuterada est´a associada a uma vibra¸c˜ao

Ainda na Fig. 26, foi observado no espectro Raman um pico em aproximadamente 672 cm−1. Na amostra hidrogenada havia sido observada uma banda em 666 cm−1 que foi

associada a uma vibra¸c˜ao do tipo deforma¸c˜ao do CO−

2, δ(CO−2). Assim tamb´em a vibra¸c˜ao

em 672 cm−1 no presente trabalho foi associada a uma δ(CO

2). J´a a banda bem intensa

em 698 cm−1 deve tamb´em estar associada a uma vibra¸c˜ao envolvendo o hidrogˆenio, haja

vista que n˜ao foi observado nenhum pico no espectro Raman da amostra hidrogenada. Assim sendo, na L-Valina hidrogenada deveria aparecer em torno de 980 cm−1 uma banda

envolvendo o hidrogˆenio. Mas a Ref. (22), para esta regi˜ao, apresenta apenas bandas associadas a vibra¸c˜oes de estiramentos dos tipos CC e NC. Uma possibilidade seria, ent˜ao, que uma das vibra¸c˜oes em torno de 980 cm−1 na L-Valina hidrogenada fosse devida a

um rocking do CH2, r(CH2), e, consequentemente, a banda em 698 cm−1 na L-Valina

deuterada estaria associada a uma vibra¸c˜ao do tipo r(CD2).

Os pr´oximos picos a serem analisados s˜ao aqueles de baixa intensidade que aparecem em 746 cm−1 e 752 cm−1. Na L-Valina hidrogenada uma banda em 754 cm−1foi associada

a uma vibra¸c˜ao do tipo wagging do CO2, w(CO2) (22). Assim, as bandas em 746 - 752

cm−1 foram associadas ao w(CO

2). Entre 750 cm−1 e 800 cm−1 ainda s˜ao observadas

duas bandas bem distintas, em 768 cm−1 e 793 cm−1, marcadas com os n´umeros 30 e

31. Uma destas bandas pode ser associada a uma vibra¸c˜ao do tipo deforma¸c˜ao do CO2,

δ(CO2), uma vez que um pico correspondendo a este tipo de vibra¸c˜ao foi observado na

amostra hidrogenada em 778 cm−1 (22). Na L-Alanina, mesmo num estudo realizado em

amostras deuteradas em v´arias escalas (34), ou seja, parcial e completamente deuterada, s´o foi observada uma banda nesta regi˜ao. Levando-se em considera¸c˜ao o que foi visto anteriormente na L-Valina hidrogenada e nas L-Alaninas hidrogenada e deuterada, vamos ent˜ao identificar a outra banda tamb´em como um δ(CO2).

Chega-se agora `a regi˜ao que compreende os picos Raman localizados entre 800 cm−1

e 900 cm−1. No estudo da Ref. (22) reportou-se a existˆencia de uma banda em 850

cm−1 que, naquela oportunidade, n˜ao foi identificada. Entretanto, no presente estudo foi

observada uma banda em 848 cm−1, tamb´em de intensidade m´edia. Adicionalmente, ´e

importante notar que na L-Alanina, existe uma banda em 850 cm−1 que foi associada a

um estiramento do tipo ν(CCN). Por conta disso, a banda em 848 cm−1 no espectro da

L-Valina deuterada ser´a associada ao modo ν(CCN).

A banda observada em 866 cm−1 n˜ao possui um an´alogo na amostra hidrogenada de

L-Valina, conforme se verifica com a leitura da Ref. (22). Ou seja, se ela fosse oriunda do processo de deutera¸c˜ao, ela deveria ser observada na L-Valina hidrogenada em 866 x

1,4 ∼ 1212 cm−1. Ora, na L-Valina hidrogenada existe uma banda em 1203 cm−1 que

foi classificada como devido a uma vibra¸c˜ao do tipo rocking do NH+3, r(NH +

3). Assim, ´e

razo´avel supor que o pico em 866 cm−1 no nosso trabalho seja oriundo de um r(NH+ 3).

Quando se faz a identifica¸c˜ao de uma banda como origin´aria de uma vibra¸c˜ao do tipo estiramento de uma determinada unidade, digamos, ν(CCN) ou ν(CC), isto n˜ao significa que ela esteja associada exclusivamente aquele modo. Em outras palavras, embora a maior contribui¸c˜ao seja devida ao estiramento das sub-unidades CCN e CC, tamb´em outras partes das mol´eculas podem vibrar e contribuir para o aparecimento daquela banda, embora seja uma contribui¸c˜ao discreta. Esta observa¸c˜ao se faz necess´aria pelo fato de que os pr´oximos modos identificados serem classificados em sua maioria, `a vibra¸c˜oes do tipo estiramento CC. Assim, espera-se que fique claro ao leitor que aquelas vibra¸c˜oes classificadas com ν(CC) na verdade possuem contribui¸c˜oes marginais de outras vibra¸c˜oes moleculares.

O tripleto de bandas 34 - 36 foi associado a vibra¸c˜oes do tipo estiramento CC, ν(CC). Similarmente identificou-se as bandas 37 e 39 como oriundas de vibra¸c˜oes de estiramento CC, ν(CC).

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