• Nenhum resultado encontrado

1. INTRODUÇÃO

2.1.3 Estimativa do risco cardiovascular em idosos por meio

2.1.3.3 Espessura Médio-Intimal da Carótida

Dentre as doenças cardiovasculares, tem-se a aterosclerose, que é uma doença inflamatória, multifatorial, que envolve processos inflamatórios que se desenvolvem no interior das artérias e predispõem chance de um evento final, como por exemplo, a ruptura de uma placa aterosclerótica (LIBBY et al, 2002). Por ser uma doença sistêmica, a aterosclerose acomete as artérias de forma não localizada. Assim, é possível realizar o exame de imagem nas artérias das carótidas, e compreender o que pode estar ocorrendo na circulação coronariana (BAMPI, 2007).

O exame de ultrassonografia da carótida complementa a estratificação de risco dos idosos, possibilitando melhor identificação dos casos que necessitarão de intervenções medicamentosas ou invasivas. A mensuração da espessura médio-intimal da carótida é preditora independente de doenças cardiovasculares (SEALS et al, 2008; RUIJTER et al, 2012).

Resultados de uma meta-análise demonstraram que para uma diferença de 0,1mm na espessura médio-intimal da carótida, o risco de um futuro infarto agudo do miocádio aumenta de 10 a 15% e o risco acidente vascular encefálico de 13 a 18% (LORENZ et al, 2007).

Zavodni et al (2014) realizaram estudo com 946 sujeitos participantes do Multi-Ethnic Study of Atherosclerosis (MESA) para verificar por meio de ultrassonografia da carótida a incidência de trombose coronária. Os autores demonstraram que em sujeitos com média de 1.05 mm não houve ruptura de placas; já indivíduos com média de 1.62mm foram acometidos por trombose coronária (p=0 ,001). Em termos percentuais, pacientes com obstrução da carótida acima de 50% no exame de ultrassonografia devem ser considerados como portadores de aterosclerose significativa com alto risco para eventos coronários (WANG et al, 2006).

Em estudo recente, pesquisadores analisaram os valores de referência da espessura médio-intimal da carótida na população espanhola, de 35-84 anos, e sua associação com os fatores de risco cardiovasculares. Neste estudo, foram incluídos 3.161 sujeitos. Os resultados foram similares nos três segmentos da espessura médio- intimal da carótida (carótida comum, interna e bulbo carotídeo). O espessamento médio-intimal da carótida foi maior nos homens (0,71mm) do que nas mulheres (0,67 mm). Os principais preditores destas medidas foram a idade e a pressão de pulso (GRAU et al, 2012).

Abizanda et al, (2010) em estudo longitudinal com dois anos de acompanhamento, 246 idosos (64 anos) sem aterosclerose, observaram que o aumento médio foi de 0,02 mm da EMI por ano e que a espessura da EMI carotídea aumenta com a idade, conforme resultados: ≥0.90mm (65–74 anos), ≥1.00mm (75–79 anos), e ≥1.40mm (+79 anos).

Polak et al (2013) realizaram um estudo para verificar a capacidade do exame de ultrassom de carótida em predizer doenças e eventos cardiovasculares, utilizando dados do estudo MESA, realizado com 6814 sujeitos, com idades média de 61,1anos, sendo 47,5% de homens, sem evidências clinicas de DCVs. O estudo MESA teve acompanhamento por 7,8 anos. Os autores descreveram as prevalências de placa nos momentos iniciais e finais do estudo. A prevalência de placas passou de 13,2% para 43,5%. A incidência de DCVs ao final do estudo foi de 5,7% e de IAM de 2,1%. Os autores verificaram que o exame de ultrassom de carótida foi preditor independente de eventos cardiovasculares acrescentando valor a predição de risco realizada por meio do ERF.

Elias-Smale et al (2012) realizaram um estudo para determinar a contribuição do rastreamento de risco por meio do ultrassom da carótida sobre os fatores de risco tradicionais por meio do ERF, em população idosa. Foram incluídos 3580 idosos não diabéticos, com idade de 55 a 75 anos, sem DCVs, que compunham The Rotterdam Study. Este grupo foi acompanhado por 12,2 anos. Os resultados demonstraram que a maioria das mulheres foi classificada com baixo risco pelo ERF, sendo que 4% tiveram DCV e 3% IAM; enquanto as mulheres classificadas pelo ERF com risco intermediário apresentaram percentuais de 43% para DCVs e 28% para IAM. O exame de ultrassom da carótida reclassificou as mulheres com baixo risco para risco intermediário, destas 8.2% (p=0.03) desenvolveram DCVs e 8.0% (p=0.06) tiveram IAM, o que demonstra a importância do rastreamento por meio do ultrassom para reclassificação de risco do ERF, buscando por meio de intervenções prevenirem futuros acometimentos de DCVs.

Além das medidas de espessura da carótida, o exame de ultrassom permite verificar o número de placas e o grau de obstrução dos vasos. As placas são formadas basicamente por um núcleo acelular de lípides e substâncias necróticas circundado por células espumosas; por uma capa fibrosa composta de fibras musculares lisas e tecido conjuntivo fibroso; por infiltrado inflamatório linfo-histiocitário e deposição de cálcio no centro lipídico-necrótico (HIGUCHI & GUTIERREZ, 2002). As placas são consideradas marcadores independentes para incidência de doenças cardiovasculares, conforme o

estudo de Polak et al (2013) realizado com a população do estudo MESA. Neste estudo a amostra foi de 6.814 pessoas sem doenças cardiovasculares prévias, com idades de 45 a 84 anos, de diferentes etnias, durante oito anos de acompanhamento, os autores observaram incidência de 5,7% doenças cardíacas e 2,1% de infartos (POLAK et al,2013).

A ruptura de uma placa instável pode levar a oclusão completa, ou resultar na síndrome coronária aguda, a qual é representada por infarto agudo do miocárdio (IAM), angina instável, morte súbita cardíaca ou acidente vascular cerebral (SULO et al, 2013).

Sobre as obstruções nas artérias, elas podem ocorrer de forma aguda e abrupta; ou quando a inflamação crônica persiste, levando a uma cicatrização inadequada da lesão. São normalmente demonstradas por percentagem de oclusão do lúmen vascular, nas quais aquelas acima de 50% merecem maior atenção e intervenções mais agressivas (WANG et al, 2006).

Entretanto, a gravidade na instabilidade da placa coronária não está relacionada somente ao tamanho da obstrução da luz do vaso. Foi observado, por meio de angiografia, que a maioria dos casos com síndrome coronária tinha lesão prévia do vaso menor que 50% (BAMPI, 2007).

Por isso, torna-se relevante a associação do exame da carótida com um biomarcador de inflamação (como a neopterina) e com o Escore de Framingham, no sentido de cercar os fatores de risco para o desenvolvimento de doença cardiovascular, prevendo possíveis eventos a curto e longo prazo.