4.3 T´ ecnicas Experimentais
4.3.3 Espetroscopia de Raman
Os resultados experimentais obtidos por espetroscopia de Raman foram adquiridos na Univer- sidade de Aveiro, no espectr´ometro Jobin Yvon HR800, Horiba. As carater´ısticas principais deste aparelho s˜ao a rede de difra¸c˜ao com 1800 linhas/mm, com uma abertura de fenda de 300 µm, com um detetor CCD. Na sua constitui¸c˜ao temos tamb´em um laser de estado s´olido, em que foi utilizada a linha de 532 nm com uma potˆencia `a sa´ıda do laser de 25%, que equivale a aproxima- damente a 250 mW. A objetiva utilizada para a focagem foi a OLYMPUS com 100x de amplia¸c˜ao. Todas as medidas foram efetuadas `a temperatura ambiente e ap´os calibra¸c˜ao do sistema.
A calibra¸c˜ao ´e efetuada utilizando uma amostra de Si com o modo de vibra¸c˜ao ´otico transversal (520 cm−1). Antes de come¸car as medi¸c˜oes das amostras pretendidas realizamos a medi¸c˜ao da amostra de Si e no final de todas as medi¸c˜oes voltou-se a realizar uma medi¸c˜ao dessa amostra de referˆencia. Desta forma, o desvio de Raman obtido entre a medi¸c˜ao inicial e final da amostra de referˆencia deve ser compensado de forma proporcional em todas as medidas realizadas nesse intervalo de tempo. Essa compensa¸c˜ao ´e aplicada, elaborando um gr´afico de desvio de Raman em fun¸c˜ao do tempo, e depois adicionando o valor do desvio a cada conjunto de dados experimentais adquiridos no tempo correspondente.
4.3.4
Fotoluminescˆencia
Foi utilizado um espectr´ometro de transformada de Fourier, Bruker, modelo IFS 66v, equipado com um detetor de germˆanio da Applied Detector Corporation, arrefecido com azoto liquido. O arrefecimento das amostras foi realizado atrav´es de uma linha de transferˆencia da Oxford Instru- ments, modelo LLT300/13, ligada a um reservat´orio de h´elio l´ıquido o qual permite o arrefecimento das amostras colocadas no interior de um cri´ostato de fluxo, modelo CF1204 da Oxford. Neste trabalho, a temperatura foi variada numa gama de valores 6-160 K,uma vez que a luminescˆencia das amostras se extinguiu termicamente para este ´ultimo valor da temperatura. A estabiliza¸c˜ao `
as diferentes temperaturas ´e resulta do equil´ıbrio t´ermico entre o arrefecimento com h´elio l´ıquido e o aquecimento criado por um filamento resistivo situado no interior do cri´ostato. A excita¸c˜ao das amostras foi realizada com um laser de Ar+, modelo 2080, tendo sido utilizadas as linhas de 457.9 e 514.5 nm. Os dados obtidos s˜ao apresentados no programa OPUS Spectroscopy Software. De seguida os dados s˜ao exportados para formato ASCII para destas forma serem realizadas corre¸c˜oes, em Matlab, da absor¸c˜ao do vapor de ´agua existente no caminho ´otico entre a amostra e o detetor, e da resposta espectral do detetor. No final destas corre¸c˜oes, os ficheiros s˜ao exportados para formato ASCII de forma a serem posteriormente analisados.
Figura 4.3: Esquema de montagem experimental envolvendo o espectr´ometro de transformada de Fourier.
Cap´ıtulo 5
Resultados Experimentais
5.1
Microscopia eletr´onica de varrimento
A an´alise estrutural e morfol´ogica das 4 amostras foi efetuada atrav´es da aquisi¸c˜ao de imagens SEM na configura¸c˜ao de sec¸c˜ao transversal (ver figura 5.1). A sua obten¸c˜ao permite a visualiza¸c˜ao das diferentes camadas que comp˜oem a c´elula solar e avaliar mais especificamente o tamanho de gr˜ao da camada absorvente. Este fator ´e determinante nas propriedades de transporte nas c´elulas solares [64]. Na figura 5.1, ´e apresentada para cada uma das amostra uma das imagens adquiridas em SEM. ´E ainda de salientar que todas as imagens foram obtidas recorrendo a condi¸c˜oes idˆenticas de aquisi¸c˜ao.
Figura 5.1: Imagens de corte transversal em SEM, das 4 amostras de CIGS. O r´acio de [In]+[Ga][Cu] corresponde a: (a) 0.53 (Cu50); (b) 0.73 (Cu70); (c) 0.84 (Cu85); (d) 0.98 (Cu100). Todas as imagens foram obtidas com as mesmas condi¸c˜oes experimentais e amplia¸c˜ao (Largura m´axima pela escala ´e de 2 µm).
Numa primeira observa¸c˜ao das diversas imagens, verificamos que o tamanho de gr˜ao aumenta de uma escala sub-microm´etrica para microm´etrica com o aumento do r´acio de Cu. Para a amos- tra Cu70 ´e evidente a presen¸ca de gr˜aos colunares e com alguns espa¸cos vazios entre eles, e sem um aumento do tamanho de gr˜ao evidente , comparativamente `a amostra Cu50. No caso da amostra Cu85, observamos um crescimento significativo do tamanho de gr˜ao relativamente `as
amostras anteriores mas com uma distribui¸c˜ao mais aleat´oria. A amostra Cu100 apresenta gr˜aos com tamanhos claramente superiores `as restantes amostras. O gr˜ao ´e maioritariamente colunar e apresenta-se compacto, sem aparecimento de espa¸cos vazios, nas zonas de observa¸c˜ao. A espes- sura total da amostra tamb´em apresenta um ligeiro aumento em altura, como ´e constatado nos dados obtidos por fluorescˆencia de raio-X (ver tabela 4.1). ´E de salientar que as camadas s˜ao relativamente planas e a sua rugosidade diminui com o aumento do r´acio de Cu nas amostras. Nas imagens (a), (c) e (d) da figura 5.1, observamos trˆes camadas bem definidas, onde se observa SLG na parte inferior, de seguida a camada de Mo e por fim a regi˜ao de CIGS. No caso imagem 5.1 (b) torna-se mais evidente a presen¸ca de uma camada muito fina na parte superior da amostra que corresponde `a camada de CdS. Estas camadas e as suas espessuras s˜ao descritas com mais detalhe na figura 5.2 para a amostra Cu70.
Figura 5.2: Imagem de corte transversal da amostra Cu70 o na qual o r´acio [In]+[Ga][Cu] ´e de 0.73. Os valores das espessuras descritas na figura 5.2 foram obtidos a partir de uma m´edia de v´arias medidas efetuadas por diferen¸ca de pixeis. O valor obtido por fluorescˆencia de raio-X descrito na tabela 4.1 para a espessura de CIGS ´e de 1,88 µm, o que representa uma diferen¸ca de ∼0.43
µm do que ´e observado em SEM. Esta diferen¸ca pode ser explicada pelo facto da amostra n˜ao estar completamente perpendicular `a imagem. Uma ligeira varia¸c˜ao no ˆangulo pode determinar o aparecimento de erros consider´aveis e o pr´oprio m´etodo de medi¸c˜ao por pixeis possui um erro consider´avel devido `a dificuldade em definir o limite de cada camada da amostra.
5.2
Difra¸c˜ao de raios-X
A carateriza¸c˜ao estrutural por difra¸c˜ao de raios-X (DRX) foi efetuada nas 4 amostras, com o objetivo de avaliar as fases cristalinas dominantes em cada uma delas. Na figura 5.3 s˜ao apresen- tados os difratogramas para cada uma das amostras e a identifica¸c˜ao de fases e planos at´omicos em cada uma dessas fases. A identifica¸c˜ao de cada m´aximo de difra¸c˜ao apresentado na figura 5.3, baseia-se na compara¸c˜ao dos difratogramas com os dados constantes do International Centre for Diffraction Data (ICDD) [65, 66, 67]. Visto que o nosso objetivo de estudo ´e o CIGS, o pico de difra¸c˜ao associado `as fam´ılias de planos at´omicos (110) do Mo, n˜ao ser´a discutido.
Observando os difratogramas, para as amostras Cu100 e Cu70, o pico de difra¸c˜ao mais intenso ´
e da fam´ılia de planos at´omicos (112), enquanto que para as amostras Cu85 e Cu50, os picos mais intensos s˜ao os relacionados com as fam´ılias de (204)/(220). Esta observa¸c˜ao confirma-se com os valores apresentados na tabela 5.1. Globalmente, as intensidades relativas variam de amostra para amostra devido ao rearranjo da estrutura do CIGS causado pela varia¸c˜ao da fra¸c˜ao de Cu em cada amostra. Segundo a literatura [25, 68] o principal pico de difra¸c˜ao em CIGS situa-se num valor de 2θ pr´oximo de∼26,6o.
De forma a compreender que altera¸c˜oes o Cu provoca na estrutura cristalina, a figura 5.4 ir´a focar-se na regi˜ao associada a essa posi¸c˜ao de pico. A partir da an´alise da figura 5.4, observamos
que para a fam´ılia de planos (112) obtemos um deslocamento do pico de difra¸c˜ao de maiores para menores ˆangulos com o aumento da fra¸c˜ao de Cu na amostra. Este comportamento ´e semelhante ao observado na literatura [69] e nestas amostras obtemos uma varia¸c˜ao de ∼27,07o em Cu50 para∼26,87o em Cu100. O deslocamento para maiores ˆangulos observado na figura 5.4 sugere a forma¸c˜ao de uma fase cristalina de CuIn3Se5observada para c´elulas solares CIGS com baixo r´acio de Cu [69]. Desta forma o aumento do r´acio de Cu permite que a fam´ılia de planos (112) apresente um pico de difra¸c˜ao mais pr´oximo do encontrado na base de dados de CuInSe2 [66], visto que, com o aumento da quantidade de Cu, haver´a uma altera¸c˜ao da sua estequiometria nesse sentido.
Figura 5.3: Difratogramas de DRX para as quatro amostras. Mo identifica o pico de difra¸c˜ao (110) relacionado com a camada de Mo enquanto os restantes picos est˜ao relacionados com a fase cristalina de CIGS. A identifica¸c˜ao dos planos at´omicos para estes ´ultimos picos est´a indicada.
Na figura 5.4, no difratograma correspondente a Cu100, observamos um pico de maior intensi- dade para∼26,87o e outro de menor intensidade para∼26,94o, sendo que nas restantes amostras apresenta-se como uma assimetria para maiores ˆangulos. Estes valores est˜ao relacionados com os dois comprimentos de onda Kα1e Kα2emitidos pela fonte de Cu do difrat´ometro de raios-X.
Figura 5.4: Espetros de DRX para as quatro amostras.
Na tabela 5.1 est˜ao descritos os dados de cada pico de difra¸c˜ao com maior intensidade relevante para o estudo da orienta¸c˜ao preferencial das amostras. A partir da an´alise desta tabela, constata-se
que as amostras aparentam ter uma boa cristalinidade visto que a largura a meia altura (FWHM) dos picos de difra¸c˜ao de maior intensidade em cada uma delas ´e relativamente pequeno. Os maiores valores de FWHM ocorrem para a amostra Cu50 e, por outro lado, os valores menores s˜ao obtidos para a amostra Cu100. Isto significa que a cristalinidade do CIGS vai degradando-se com a diminui¸c˜ao do r´acio de Cu na amostra.
Tabela 5.1: Valores do ˆangulo de difra¸c˜ao, da intensidade relativa normalizada e da largura a meia altura obtidos para os picos de difra¸c˜ao mais intensos nos difratogramas das 4 amostras.
Amostras / P. Crist. (112) (204)/(220) (116)/(312) (325)/(413)
Cu100
2θ [o] 26,87 44,61 52,85 71,59 Int. Rel. Norm. 1 0,03 0,08 0,01
FWHM [o] 0,1211 0,0951 0,1021 0,0951
Cu85
2θ [o] 26,90 44,65 52,88 71,66 Int. Rel. Norm. 0,61 1 0,08 0.06
FWHM [o] 0,1429 0,2102 0,2618 0.3539
Cu70
2θ [o] 26,96 44,75 53,03 71,86 Int. Rel. Norm. 1 0,53 0,05 0,03
FWHM [o] 0,1471 0,2191 0,2710 0,3772
Cu50
2θ [o] 27,07 44,93 53,27 72,23 Int. Rel. Norm. 0,78 1 0,07 0,04
FWHM [o] 0,1649 0,2746 0,3316 0,4616
Na tabela 5.2 ´e apresentada a raz˜ao entre os trˆes principais picos de difra¸c˜ao de maior inten- sidade, de forma a poder comparar com os valores obtidos pelos r´acios fornecidos pela base de dados [66, 67].
Tabela 5.2: Diferentes raz˜oes de intensidades para os 3 planos de difra¸c˜ao de maior intensidade e respetiva compara¸c˜ao com os valores tabelados na base de dados [66, 67].
Amostra [(204)/(220)](112) [(116)/(312)](112) [(204)/(220)][(116)/(312)] Cu100 28,3 12,8 0,4 Cu85 0,6 7,7 12,6 Cu70 1,9 18,1 9,6 Cu50 0,8 11,9 15,1 Dados CIS [66] 1,7 3,4 2,0 Dados CGS [67] 2,6 4,7 1,8
Ao comparar os valores obtidos com os da literatura, observam-se valores elevados nas raz˜oes de intensidades para todas as amostras. Estes valores demonstram que a amostra Cu70 e Cu100 apresentam um crescimento preferencial segundo a dire¸c˜ao [112] e as amostras Cu50 e Cu85 um crescimento preferencial segundo as dire¸c˜oes [204]/[220]. O resultado obtido para a Cu70 n˜ao ´e compat´ıvel com o observado na literatura [27].
5.3
Espetroscopia de Raman
A figura 5.5 apresenta os espetros medidos por espetroscopia de Raman para todas as amostras, observando-se modos de vibra¸c˜ao a ∼176-178 cm−1 (A), ∼216-218 cm−1 (B) e ∼300-302 cm−1 (C). Com o aumento da fra¸c˜ao de Cu verifica-se que a intensidade relativa do modo de vibra¸c˜ao a A aumenta enquanto que a intensidade do modo B diminui. Quanto ao modo de vibra¸c˜ao C, os dados sugerem que exista um ligeiro aumento da intensidade relativa com o incremento da fra¸c˜ao de Cu. Segundo a literatura [44, 68], o pico A corresponde ao modo de vibra¸c˜ao dominante A1 em CIGS. O pico B, apresenta-se na literatura como um modo de vibra¸c˜ao misto B2/E. Por fim,
o pico C representa um modo de vibra¸c˜ao carater´ıstico de CdS [45]. Note-se que a an´alise das amostras foi realizada com as camadas de SLG, Mo, CIGS e CdS.
Figura 5.5: Espetros de Raman para as quatro amostras, medidos `a temperatura ambiente. A excita¸c˜ao foi realizada com um laser na linha de 514.5 nm.
Na tabela 5.3 encontramos a varia¸c˜ao da posi¸c˜ao de pico para o modo de vibra¸c˜ao A1 e a sua respetiva varia¸c˜ao da largura a meia altura. Para a an´alise mais coerente dos dados , todos os valores foram obtidos utilizando um ajuste de Lorentzianas para assim sermos capazes de determinar os valores da posi¸c˜ao de pico e da largura a meia altura mais aproximados deste modo de vibra¸c˜ao. Os dados da tabela 5.3 sugerem que com o aumento da fra¸c˜ao de Cu a largura a meia altura do modo de vibra¸c˜ao A1 atribu´ıdo ao CIGS, e que apresenta maior intensidade relativa, diminui, o que sugere um aumento da qualidade cristalina [25]. Estes resultados est˜ao de acordo com a interpreta¸c˜ao da an´alise DRX e SEM.
Tabela 5.3: Posi¸c˜ao do modo de vibra¸c˜ao e FWHM para as diferentes amostras. O aumento de FWHM com a diminui¸c˜ao do r´acio de Cu sugere uma diminui¸c˜ao da qualidade do cristal [25].
Amostra Modo de vibra¸c˜ao A1 (cm−1) FWHM (cm−1)
Cu100 176,33±0,01 4,09±0,04
Cu85 176,54±0,02 4,65±0,05
Cu70 177,32±0,03 4,8±0,1
Cu50 177,97±0,06 6,0±0,2
Um ponto importante na utiliza¸c˜ao da espetroscopia de Raman para a identifica¸c˜ao de fases cristalinas ´e o facto de os fot˜oes dispersos terem origem numa camada superficial da amostra. Para esta discuss˜ao, o conhecimento do coeficiente de absor¸c˜ao do CIGS ´e fundamental, e segundo a literatura este valor ronda os 105 cm−1 para o vis´ıvel [70]. Desta forma, j´a podemos calcular a profundidade efetiva de analise (dα) para Raman utilizando a equa¸c˜ao 5.1 [71]:
dα≈
1
2α (5.1)
onde a constante 2 resulta do facto da radia¸c˜ao ter que penetrar o material, e ap´os sofrer dispers˜ao, retornar `a superf´ıcie. Assim, temos o valor de dα≈ 50 nm, para o comprimento de onda de 514,5
nm. Este valor mostra que a radia¸c˜ao alcan¸ca unicamente uma camada superficial de CIGS visto que, segundo a an´alise de SEM em 5.1 o valor aproximado para a camada de CIGS ronda os
∼2 µm. Esta informa¸c˜ao, demonstra a impossibilidade de estudar eventuais fases secund´arias no
interior desta camada absorvente [71]. Esta limita¸c˜ao pode ser reduzida utilizando comprimentos de onda maiores, e assim alcan¸car maiores profundidades de penetra¸c˜ao na amostra.
5.4
Fotoluminescˆencia
A estrutura de n´ıveis de energia eletr´onicos ser´a estudada por fotoluminescˆencia. Na figura 5.6 apresentam-se os espetros das 4 amostras medidas a baixa temperatura (∼10 K) para uma potˆencia de 10 mW, utilizando-se para as medidas o comprimento de onda de excita¸c˜ao de 514,5 nm. Em primeiro lugar, a amostra Cu100 n˜ao apresentou qualquer luminescˆencia independentemente da potˆencia de excita¸c˜ao utilizada. No sentido de ultrapassar esta dificuldade foi utilizado um tratamento com HCl para remover a camada de CdS e, posteriormente um tratamento de KCN para a remo¸c˜ao das fases cristalinas de Selenetos de Cu. Para as outras trˆes amostras temos uma banda larga na regi˜ao de∼0,85-1,12 eV. Verifica-se que com a diminui¸c˜ao do r´acio de Cu, a banda come¸ca a apresentar uma maior assimetria para menores energias. Comparando os trˆes espetros anteriores com a literatura, verificamos que para a regi˜ao identificada anteriormente, foram observadas transi¸c˜oes radiativas que s˜ao compat´ıveis com o reportado na literatura para o CIGS [57].
Figura 5.6: Espetros de fotoluminescˆencia para as amostras Cu50, Cu70, Cu85 e Cu100 a∼10 K. A excita¸c˜ao foi feita com a linha de 514,5 nm de um laser de Ar+ e utilizando uma potˆencia de excita¸c˜ao de 10 mW.
No sentido de estudar as transi¸c˜oes radiativas para as amostras de Cu50, Cu70 e Cu85 e de, eventualmente as poder identificar, estud´amos a dependˆencia na potˆencia de excita¸c˜ao e na temperatura da fotoluminescˆencia para cada amostra.
5.4.1
Cu85
Devido `a diferen¸ca de intensidade relativa entre as trˆes amostras em que observ´amos PL, e considerando a eficiˆencia de convers˜ao de luz para potˆencia das c´elulas baseadas em cada uma das amostras, vamos iniciar a an´alise pela amostra Cu85. O estudo consistiu na varia¸c˜ao da potˆencia
de excita¸c˜ao e da temperatura de forma a analisar os processos de recombina¸c˜ao radiativos e n˜ao radiativos.
As figuras 5.7 (a) e (b) apresentam os espetros para a dependˆencia para a potˆencia de excita¸c˜ao e para a temperatura, respetivamente. No caso da figura 5.7 (a) os valores da potˆencia de excita¸c˜ao foram variados na gama∼0,05-12 mW, para uma temperatura de 7 K. Para valores da potˆencia de excita¸c˜ao superiores, foi observada a satura¸c˜ao do detetor.
Figura 5.7: Dependˆencia, na (a) potˆencia de excita¸c˜ao e (b) na temperatura, da fotoluminescˆencia medida para a amostra Cu85. A dependˆencia na potˆencia de excita¸c˜ao foi medida a 7 K. Nas figuras (c) e (d) ilustra-se o modelo de ajuste com componentes Gaussianas para as temperaturas de (c) 9 K e (d) 76 K. Na dependˆencia com a temperatura foi utilizada uma potˆencia de excita¸c˜ao de 12 mW.
De forma a facilitar a an´alise dos espetros de PL e assim extrair, para cada potˆencia de excita¸c˜ao e para cada valor de temperatura, a energia do m´aximo de intensidade e a intensidade de cada transi¸c˜ao radiativa, os espetros foram ajustados com componentes Gaussianas. O modelo de ajuste corresponde sempre ao menor n´umero de componentes necess´ario e com significado f´ısico que melhor possam ajustar as transi¸c˜oes observadas nos espetros. Este modelo consistiu em quatro componentes. Para temperaturas baixas foram necess´arias unicamente trˆes componentes mas, com o aumento da temperatura, verificou-se a necessidade de utilizar uma componente adicional. A componente C permite representar a emiss˜ao dominante a ∼1,03 eV, as componentes A e B ajustam a assimetria n˜ao gaussiana evidente para a transi¸c˜ao observada para menores energias e a componente D ajusta a assimetria para maiores energias. No caso da figura 5.7 (b), os valores da temperatura utilizados variaram na gama ∼9-122 K para uma potˆencia de excita¸c˜ao de 12 mW, valor que foi escolhido pelo facto de estar no limiar da satura¸c˜ao do detetor. Verifica-se que com o aumento da temperatura a intensidade da emiss˜ao diminui progressivamente at´e se anular para temperaturas superiores a 120 K. Note-se tamb´em que com o aumento da temperatura a banda assim´etrica que se observa para baixas temperaturas consiste na realidade em pelo menos trˆes
transi¸c˜oes radiativas, tal como pode ser observado na figura 5.7 (d). O modelo de ajuste utilizado para a dependˆencia na temperatura est´a descrito nas figuras 5.7 (c) e (d).
A an´alise da PL requer que o modelo para descrever a emiss˜ao PL tem que ser o mesmo para qualquer espetro medido. Assim, considerando os resultados j´a descritos para a dependˆencia na temperatura que mostram a existˆencia de trˆes transi¸c˜oes radiativas, a dependˆencia com a potˆencia de excita¸c˜ao assume a existˆencia de trˆes transi¸c˜oes radiativas. A que ´e observada para maiores energias (∼1.02-1.04 eV), n˜ao ´e observada para temperaturas baixas pelo que n˜ao foi poss´ıvel estud´a-la em fun¸c˜ao da potˆencia de excita¸c˜ao uma vez que as medidas s˜ao efetuadas a 7 K. Na figura 5.8 (a) e (b), s˜ao apresentadas as dependˆencias na potˆencia de excita¸c˜ao da energia de pico e da intensidade relativa das duas transi¸c˜oes radiativas observadas. Na figura 5.8 (a), observamos a energia de pico para as transi¸c˜oes T1 e T2 as quais foram ajustadas pelas componentes A e B (T1) e a componente C (T2).
Figura 5.8: Dependˆencia na potˆencia de excita¸c˜ao para as transi¸c˜oes T1 e T2 para: (a) energia do pico; (b) intensidade integrada das transi¸c˜oes, na amostra Cu85. A temperatura de aquisi¸c˜ao de todos os espetros foi 7 K e os ajustes foram realizados com recurso `a equa¸c˜ao 3.24 enquanto em (b) foram realizados com recurso `a equa¸c˜ao 3.23.
Com o aumento da potˆencia de excita¸c˜ao, na figura 5.8 (a) e (b) observa-se, para toda as transi¸c˜oes, que existe um deslocamento evidente da emiss˜ao para mais altas energias e altas in- tensidades, respetivamente. No caso da figura (a), o deslocamento da transi¸c˜ao T1 foi de∼21,0 meV, enquanto que na transi¸c˜ao T2 esse aumento foi de∼25,6 meV. O deslocamento para maiores energias, est´a de acordo com o comportamento observado na literatura para o CIGS [72]. Na figura 5.8 (a), valor do deslocamento para o azul, est´a de acordo com os valores t´ıpicos de materiais em