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5.1 – Análises dos Grupos Focais

9) Esporte de luta na escola O tema foi apresentado com a

expectativa de acirrar mais o debate o que não ocorreu. O grupo colocou não acreditar que o esporte de luta possa aumentar a violência mais do que qualquer outro tipo de esporte de contato, com o futebol, por exemplo.

Uma contribuição significativa foi à afirmação de que esporte não pode ser entendido como a Educação Física. Cada um possui características e significados sociais diferentes. A Educação Física nasce com o intuito de trabalhar o corpo, a questão de mente sã em corpo são e o esporte, pelo menos na fala deste aluno, segue uma apreciação aos moldes de Elias, uma atividade que é inventada para que a sociedade possa exercer a sua violência de forma regrada, sem que possa cometer as atrocidades de períodos

passados.

A análise desta parte da pesquisa aponta para a percepção de que as categorias criadas no inicio da atividade não chegam a ser muito

contempladas. Apenas a categoria competição e alienação permanecem presente ao longo de todo o debate voltado para a questão do esporte, enquanto que a categoria formação permanece associada à palavra escola.

A percepção de que, ao longo do processo as categorias vão diminuindo e ganhando uma perspectiva mais específica indica que, na visão do grupo o esporte possui um espaço na escola, mas não o espaço advogado pela literatura defensora de uma prática salvacionista. Para estes estudantes as apreciações feitas pelos defensores do esporte como uma forma de

socialização, ampliação da qualidade de vida, inclusão social e participação são visões reducionistas que não examinam o esporte dentro de seu contexto social.

O esporte é um reflexo da sociedade e os fenômenos que ocorrem dentro do esporte ocorrem na sociedade como um todo.

Nesta parte cabe uma reflexão posta por Bauman.

O mundo é ambivalente, embora seus colonizadores e governantes não gostem que seja assim e tentem a torto e a direito fazê-lo passar por um mundo não ambivalente. As certezas não passam de hipóteses, as histórias não passam de construções, as verdades são apenas estações temporárias numa estrada que sempre leva a diante, mas nunca acaba. (BAUMAN, 1999 b, p.189)

Esta fala talvez seja a que melhor traduza a hipótese de ambivalência no e do esporte. O momento em que se perceba a sociedade ambivalente como um todo e o esporte, como fenômeno social, igualmente ambivalente.

Após a interpretação e a análise de dois GFs de enfoques diferentes as ideias sobre a relação esporte/escola e sociedade começam a ganhar um amadurecimento. De imediato foi possível fazer uma diferenciação entre o debate realizado pelos professores de Educação Física e os alunos de diferentes cursos (não de Educação Física). Como era de se esperar os professores de Educação Física mostram-se mais resistentes à percepção de que o esporte não pode ser entendido, unicamente, como algo positivo. Em momento algum foi questionado a sua relevância para a sociedade, mas os não professores de Educação Física consegue um olhar além da apreciação de que se algo está errado com o esporte é responsabilidade de um professor despreparado.

Com estes dados encontro com o terceiro Grupo Focal é direcionado para a percepção da ótica nos cursos de Graduação de professores de

Educação Física. A hipótese é de que o tipo de formação recebida influencia a percepção dos alunos

5.1.3 - GRUPO FOCAL III

:

Alunos do curso de Educação Física da Faculdade de Educação da Universidade de Brasília. Atividade realizada na disciplina Fundamentos sociológicos do esporte. A ideia de

investigação deste grupo sustenta-se na perspectiva de tentar entender como a ambivalência do e no esporte está sendo tratada na formação de futuros

professores de Educação Física e como este grupo está sendo preparado para perceber o esporte na escola. Tempo de duração do Grupo focal 1h12m. Participantes=10. Grupo de verbalização =4. Grupo de anotação =6.

Assim como nas outras entrevistas, antes de oferecer os temas propriamente ditos foram oferecidas duas palavras para que fosse possível coletar algumas categorias a priori. Assim as palavras escola e esporte são lançadas para que o grupo de estudantes falem as primeiras coisas que pensem sobre os fenômenos.

A palavra “esporte” foi lançada para que os estudantes fossem tentando falar as primeiras impressões sobre o tema. Neste momento as ideias iniciais, que chamaremos de categoria foram: para esporte: modalidade, competição organizada e qualidade de vida. Para escola as categorias coletadas foram: educação, regras e aprendizado.

De posse das categorias pré-estabelecidas o primeiro tema foi:

1)Esporte e escola. O grupo apresenta uma reflexão interessante ao citar que o esporte tem que ser entendido pelo menos em duas possibilidades: o esporte na escola e o esporte da escola. O esporte na escola, que o grupo demonstrou ser totalmente contrário, é o esporte de alto rendimento sendo introduzido na escola, com todas as suas regras e fundamentos. Enquanto que o esporte da escola é um esporte adaptado para contemplar os objetivos do esporte escolar (respeito à diversidade, inclusão, cooperação e socialização).

Um dos estudantes lembrou que o esporte pode ser conceituado de várias maneiras, dependendo do interesse e da ótica de percepção de quem

conceitua e que a falha da prática esportiva na escola tem que ser associada a maus professores que não sabem conduzir o esporte dentro de uma ótica educativa.

A apreciação feita pelo grupo de estudantes de Educação Física foi a mesma coletada no Grupo Focal que examinou professores de Educação Física em uma turma de pós-graduação. Tal fato já é entendido como um dado importante, pelo menos até agora. O grupo de professores de Educação Física percebe a adaptação do esporte como imprescindível para que o caráter educativo e formativo possa ocorrer de forma satisfatória.

2) Conceito de esporte e uma possível dificuldade de conceituar o