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TESE + DADOS --- ESCORAMENTO --- PORTANTO CONCLUSÃO ANTERIOR (PREMISSAS) DE PROVAVELMENTE (NOVA)TESE

INFERÊNCIAS

SALVO SE RESTRIÇÕES

SOMENTE SE ESPECIFICAÇÃO

P.ARG0 P.ARG1 P.ARG2 P.ARG4 P.ARG3

Segundo Adam (2008), a sequência argumentativa concretiza-se por meio de dois movimentos: a demonstração e/ou justificativa de uma tese e a refutação de outras teses ou argumentos; e, a partir de premissas estabelecidas, chega-se a uma conclusão ou afirmação. Em outras palavras, nessa sequência apresentamos uma posição favorável ou desfavorável com relação a uma tese inicial e sustentamos nossa posição com base em argumentos ou provas.

Identificadas por P.arg (proposição argumentativa), as seguintes macroposições dão base ao esquema: os dados (P. arg1), as inferências (P. arg2) e a conclusão (P.arg3), as quais estão relacionadas a uma tese anterior (P. arg0), uma afirmação, a qual será refutada.

É interessante observar que essa tese anterior não precisa estar explícita no texto, assim como também as inferências, as quais são determinadas pelo sentido do enunciado. Os dados (afirmações) levam, por meio de operadores de conclusão ou restrição (P.arg4), a uma conclusão (opinião do enunciador), que pode servir de base a uma nova sequência argumentativa.

Deve-se ressaltar que a ordem estabelecida na sequência argumentativa é flexível, por exemplo, a tese anterior pode estar subentendida, ou, ainda, a nova tese/conclusão pode ser formulada no início e retomada ou não no fim da sequência.

A ordem dessa sequência pode se dar de forma progressiva (D então C) como o esquema aponta; ou regressiva (D porque C), nessa ordem prioriza-se a explicação para justificar uma afirmação antecedente.

Para Adam (2008, p.233-4), o esquema ampliado da sequência argumentativa comporta dois níveis:

a) no nível justificativo (soma das proposições argumentativas: P.arg1 + P.arg2 + P.arg3), a estratégia argumentativa é dominada pelos conhecimentos apresentados e o interlocutor tem pouca relevância.

É o que acontece no seguinte texto produzido por um aluno da 7ª série:

Exemplo 4

Em varios paises está sendo discultido o uso de celulares em sala de aula (P.arg1 - dado).

Muitos alunos usam celulares em sala para humilhar professores, colar em provas ou assistir TV (P.arg2 – argumento 1).

Por outro lado alguns alunos usam o celular para trabalhos e pesquisas (P.arg2 – argumento 2).

Na minha opinião cada escola deveria fazer as suas regras (P.arg3 - conclusão).

b) no nível dialógico ou contra-argumentativo (soma das proposições argumentativas P.arg0 + P.arg4), a estratégia argumentativa visa a uma transformação dos conhecimentos, a argumentação é negociada com um contra-argumentador real ou potencial, o que caracteriza o aspecto dialógico da sequência argumentativa.

O texto a seguir, de um aluno do ensino médio, exemplifica o nível dialógico da argumentação:

Exemplo 5

A proibição total dos celulares nas instituições escolares, ao meu parecer, é uma atitude extremamente radical (P.arg3 - posicionamento).

Este tipo de restrição poderia ser feita durante os horários de aula, onde a atenção dos alunos deve ser voltada apenas para as atividades aplicadas pelos docentes (P.arg2 – argumento 1),

no entanto durante o intervalo e nos horários em que os mesmos estiverem fora de sala de aula, não há motivos para a restrição destes aparelhos (P.arg4 – contra-argumento),

pois não estarão em momento de atividades pedagógicas (P.arg2 - argumento 2).

Esses dois níveis constituirão minha base para a análise da sequência argumentativa dos textos do corpus. Postulo que os textos de alunos de níveis escolares mais iniciais, pelo seu desenvolvimento cognitivo, tenderão a apresentar o nível justificativo com mais frequência; enquanto o nível dialógico, que exige complexidade maior de raciocínio, caracterizará os textos de séries mais avançadas.

Aqui aproveito para esclarecer como procedi à análise dos textos que serviram de exemplo aos níveis argumentativos (justificativo e dialógico) relacionados por Adam. Para o pesquisador, como expus anteriormente neste mesmo capítulo, um texto constitui-se de uma estrutura hierárquica que pode compreender n sequências de mesmo tipo ou de tipos diferentes. Ou seja, na estrutura de um texto, podemos nos deparar com vários tipos de sequências, sendo que a estrutura argumentativa prototípica pode ser uma delas (ou mais de uma).

Entretanto, Adam também considera a possibilidade de um texto elementar ser constituído por uma única sequência e, por isso, apresentar uma estrutura sequencial homogênea.

Pautando-me nessa possibilidade é que, para caracterizar a estrutura argumentativa prototípica na análise dos textos do corpus deste trabalho, assim como fiz com os exemplos apresentados, tomarei cada um dos textos em seu todo como constituído de uma sequência única, uma vez que os textos são curtos (até 10 linhas) e alguns deles pouco complexos. Esse procedimento me permitirá dar aos dados obtidos uma maior visibilidade e facilitará a comparação entre os níveis argumentativos dos textos de acordo com os graus de escolarização.

Portanto, com base na estrutura prototípica ampliada de Adam, cada proposição argumentativa (P.arg) compreenderá a estrutura do texto como um todo:

P.arg0 – a tese anterior a ser refutada ou confirmada;

P.arg1 – os dados, os fatos do mundo;

P.arg2 – as justificativas que sustentam um posicionamento;

P.arg3 – a conclusão ou posicionamento assumido pelo produtor do texto;

P.arg4 – contra-argumento a uma possível voz contrária.

1.6.1.5 A SEQUÊNCIA DIALOGAL

Comparada às demais sequências, a dialogal é a única que em sua estrutura caracteriza-se pela presença explícita de mais de um interlocutor (poligerada), os quais podem ser personagens, se esta sequência compuser um gênero de ficção. Esta sequência concretiza-se nos segmentos de discursos interativos dialogados, estruturados em turnos de fala. Portanto, segundo Adam (2009b, p.127), constitui-se de uma sucessão de trocas, “uma cadeia hierarquizada

ou coordenada de sequências, chamadas “trocas””.

Essas trocas caracterizam dois tipos de sequências: as fáticas, que têm a função de iniciar ou encerrar a interlocução; e as transacionais, são as que compõem o corpo da interação, a razão do ato interlocucional. A sequência dialogal, para Adam, é autônoma e previsível e, segundo Wachowicz (2010, p.88):

Isso se justifica por um pressuposto básico: o diálogo estrutura seus componentes temáticos por algum tipo de ligação. Se os turnos temáticos estão desconexos, o diálogo não acontece e, por conseguinte a situação de comunicação não se constrói.

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