2.4 FUNDAMENTOS DA TEORIA DA FORMAÇÃO PLANEJADA DAS AÇÕES MENTAIS E DOS CONCEITOS
3. O ESQUEMA DA BASE ORIENTADORA COMPLETA DA AÇÃO (EBOCA)
Este capítulo discute o conceito de Esquema da Base Orientadora Completa da Ação (EBOCA) no contexto da Teoria de Galperin a partir da uma concepção sistêmica da orientação da ação e da ideia de se constituir como uma orientação de referência no âmbito da Teoria da Atividade.
Caracteriza o processo de orientação para a leitura crítica, conceitua o que consiste um EBOCA, sua função no ensino e em seguida o caracteriza em relação à ação para ler criticamente textos de conteúdo químico, no sentido de configurar-se, no contexto da pesquisa, como a representação de uma orientação desejável como conhecimento para o Ensino da Química, em função da aprendizagem.
Para isso, elabora uma orientação em função do conceito de invariante da ação para apresentar a elaboração da orientação de referência da pesquisa na qual se fundamenta a experiência formativa apresentada posteriormente.
3.1. A ORIENTAÇÃO E A LEITURA CRÍTICA.
Como se caracterizou anteriormente a leitura crítica é uma atividade que se estrutura em torno de uma unidade de análise que consiste de seus elementos motivadores, das suas necessidades, objetivos e de uma base orientadora, que em consonância com as explicações descritas, constitui um sistema de condições que antecipam a ação de modo a proporcionar sua execução e controle de forma consciente.
Entretanto, como explicado em relação às diferentes tipologias de orientação, é possível que os indivíduos, em função de experiências escolares diversas no âmbito da ação leitora, representem esta ação a partir de uma variedade de bases orientadoras.
Em decorrência disso, se considera que a BOA, sendo uma representação subjetiva da ação em nível conceitual e operativo, possa apresentar divergências e fragilidades nos diferentes sujeitos, acarretando problemas em tornos da plenitude, generalização e grau de consciência de sua utilização para a ação de ler criticamente.
Entretanto, do ponto de vista da didática, sendo a base orientadora uma estrutura psicológica da ação no âmbito de sua execução consciente e regulada com o propósito de um ensino que prova a aprendizagem estável, se torna necessário para os professores, reconhecerem as características invariantes dessa ação com objetivo de estabelecerem uma base orientadora de referência para o aprendizado e que sirva, como estratégia de
ensino, como um modelo a ser negociado em relação à BOA no intuito de aproximar a orientação dos estudantes ao modelo considerado desejável.
É justamente essa caracterização de um esquema de orientação ideal ou adequado, do ponto de vista da composição do modelo conceitual e operativo de uma ação em função e seu caráter invariante que a TFPAMC designa de esquema da base orientadora completa da ação, o EBOCA.
O EBOCA, de acordo com a TFPAMC, representa uma BOA materializada em torno do caráter invariante da ação. Logo, se configura no âmbito da aprendizagem, como um modelo de referência que sistematiza o conhecimento conceitual e operativo da ação que caracteriza em função da máxima generalização, plenitude, transferência de aprendizagem e grau de consciência de sua representação.
Assim como a BOA III representa uma orientação do sujeito em função desses indicadores de atualidade, o EBOCA configura essa representação de forma materializada e que pode ser objeto de negociação pelo professor em sala de aula, como um conhecimento a ser negociado em função dos conhecimentos dos estudantes sobre determinada ação, habilidade ou conceito.
Consiste no que Galperin (1992), denomina como o mapa da atividade, que de acordo com sua designação, permanece constante durante a assimilação de uma ação enquanto a base orientadora dos sujeitos se modificam gradualmente em relação à aproximação a esse modelo de referência.
Nesse sentido, quando se pensa na orientação para a leitura crítica, em especial para a ação de ler criticamente no contexto do ensino de Química, este esquema de referência deve representar, além das condições necessárias à assimilação do conceito e das operações relacionadas à leitura em si, sua finalidade de ser aplicada ao aprendizado do conteúdo de química presente em um texto.
Afinal, em consonância com os aspectos teóricos é na atividade orientadora da leitura crítica que devem estar representadas de forma clara, consciente e explícita as ações e as operações subsequentes do processo de assimilação, ou seja, pela etapa orientadora se estabelece o percurso para se atingir os objetivos propostos e se controla tanto a execução como as correções ao longo do processo a fim de se regular a ação.
Como explica Talízina (1988), deve representar de forma materializada o elemento estruturante do qual transcorre a ação, sendo um sistema de condições que de fato o sujeito de apoia para cumprir os objetivos e sobre a qual o funcionamento mental se estrutura. Pois, como explica Galperin:
Durante a atividade orientadora, o sujeito realiza um exame da situação nova, confirma ou não o significado racional ou funcional dos objetos, testa e modifica a ação, traça um novo caminho e, mais adiante, durante o processo da realização, faz um controle da ação de acordo com as modificações previamente estabelecidas (GALPERIN,1982, p. 81).
Em função do ensino de química portanto, uma base orientadora para se ler criticamente, e que ao mesmo tempo sirva de referencial para o aprendizado de conteúdos precisa estabelecer, além da imagem da ação que ele irá realizar, ou seja, o produto final a ser alcançado mediante a execução dos procedimentos relativos ao sistema de condições exigidas para a ação, um objeto didático do ensino.
Em termos do ensino da leitura crítica deve expressar um sistema que a regula e dirige as condições específicas e necessárias para se ler textos com conteúdo químico de forma crítica com o objetivo da construção correta e racional da execução e controle da ação leitora.
Elaborar uma orientação para a leitura crítica de textos com conteúdo químico significa representar uma base orientadora de forma a se materializar de forma mais adequada possível as características essenciais e suficientes à execução e controle dessa ação as quais possam ser utilizadas como uma referência para resolução de problemas gerais que envolvam a leitura de textos dessa natureza e que a medida que se internaliza a orientação em função de seu conteúdo conceitual e operativo possa ser transferido para outras situações de aprendizagem.
Levando em consideração os referenciais linguísticos adotados até aqui como sendo a perspectiva de leitura crítica a ser representadas pelo esquema da orientação destinado a ensinar química através da linguagem. Se assume uma postura a partir da qual, se toma como referência o modelo de orientação para leitura que considera a dinâmica dos sentidos relacionados ao discurso e que perceba a informação em torno de seus significados sociais e culturais (SOLÉ, 2009; 2012).
Nesse aspecto também se referenda a ação leitora em função de momentos funcionais para o aprendizado e a interpretação das informações, a parir dos quais se remodela a ação da leitura crítica em consonância com os momentos funcionais da aççao, isto é, um planejamento, execução consciente e regulação, sendo estes, subsistemas da orientação da ação.
Dessa maneira, correlacionado o conteúdo da orientação em termos das operações necessárias para se lograr êxito na execução da ação é possível estabelecer uma relação
entre o esquema da estrutura geral da atividade leitora apresentado anteriormente e um conjunto de operações e metas correspondentes, conforme se ilustra a seguir:
Figura 2: Correlação entre a estrutura da atividade para se ler criticamente textos com conteúdo químico e as operações necessárias para a execução
(Fonte: o autor)
Por este esquema se convergem as questões relacionadas aos momentos funcionais da orientação e os momentos de interpretação da informação considerados nesta pesquisa como parte da representação necessária à orientação para ler criticamente. Neste aspecto, quando associado ao EBOCA descrito adiante, possibilita uma orientação que do ponto de vista do planejamento coincide com o aspecto do momento antes da leitura, em relação à execução, com o momento da leitura em si e o controle com o momento após a leitura.
Como consequência desse processo, e elabora a orientação materializada da ação que constitui o aspecto mediador da atividade e estabelece o vínculo entre o sujeito e a ação, que no caso específico da leitura crítica representa, em consonância com o que
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