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4. GESTÃO DA ENVOLVENTE MARINHA DO CORVO

4.3. Gestão dos Recursos

4.3.1. Esquema de zonamento

Os esquemas de zonamento são instrumentos úteis para a gestão de áreas marinhas protegidas, uma vez que fornecem um mecanismo de separação de actividades que colidem entre si e de ordenamento dos níveis de utilização. Os mesmos podem também ser usados para apresentar os esquemas de gestão num formato que é facilmente inteligível pelos utilizadores. Em redor da ilha do Corvo, deveria ser definido um conjunto de áreas exploráveis e não exploráveis. As áreas onde se considerou ser prioritário o estabelecimento de um maior grau de restrição da exploração foram (vide Fig. 13):

- a costa sul-sudoeste da Ilha (desde o molhe do Porto ao Pão de Açúcar, incluindo o Boqueirão e o Cabeço do Xavier);

- a costa noroeste (Ponta do Marco-Ponta dos Torrais, incluindo respectivos ilhéus e baixa adjacente);

Figura 13: Zonamento do Parque Marinho do Corvo

Considerou-se que estes trechos deveriam merecer um grau de protecção mais elevado já que concentram habitats importantes para as populações locais de peixes e invertebrados de costa rochosa. A sua importância relativa não é, no entanto, idêntica, pelo que é possível encarar não só o estabelecimento de uma ordem de prioridade de protecção como a aplicação de diferentes níveis de restrição a cada um deles. A secção sul-sudoeste é, sem dúvida, aquela que merece medidas de gestão mais restritivas, devendo ser designada zona de elevada protecção. É nesta área que se encontram os recifes mais importantes da ilha em termos de biodiversidade, abundância e biomassa, com potencial não só para a conservação mas também, eventualmente, para suportar comunidades exploráveis nas áreas vizinhas. A única actividade extractiva aí permitida deverá ser a pesca à linha a partir da rocha, uma vez que esta é a única zona de fácil

acesso por terra e desempenha, por isso, uma função social. É provável que esta apreciação esteja de acordo com a visão da comunidade local, embora esta pretenda ver o controlo da extracção aplicado apenas aos que provêm de fora da Ilha. A equipa acredita também que existem circunstâncias que justificam um aumento do esforço de protecção da área marinha do SIC situada na costa NW e da zona do Canto da Carneira-Moldinho. O estabelecimento destas zonas de protecção simplificaria e daria consistência à disposição espacial das medidas de gestão, já que estas áreas se sobrepõem basicamente às zonas de interdição de captura de lapas já existentes. No Quadro VII são indicados os usos permitidos em cada zona do Parque Marinho.

Quadro VII: Zonamento de usos proposto para o Parque Marinho do Corvo.

Zona Actividades Costa S-SW (Molhe-Pão de Açúcar, Cabeço do Xavier) Costa NE (Canto da Carneira – Moldinho) Costa NW (P.tas Torrais – Marco) Restante área do Parque

Pesca profissional Interdita Permitido apenas salto-e-vara

Permitida Permitida apenas a aos barcos registados na ilha e que nela

descarreguem. corrico Interdita Interdita Permitida

apenas para pelágicos

Permitida

fundo Interdita Interdita Interdita Permitida

Pesca lúdico-desportiva cana de rocha

Permitida Permitida Permitida Permitida

Caça submarina Interdita Interdita Permitida Permitido

Apanha de Invertebrados

Interdita Interdita Interdita Permitida*

Mergulho Permitido** Permitido** Permitido** Permitido**

Tráfego de embarcações motorizadas

Permitido Permitido Permitido Permitido

Tráfego de embarcações não motorizadas

Permitido Permitido Permitido Permitido

* na posse de licença apropriada. ** na posse de “forfait”.

A delimitação da área do Parque foi também avaliada, tendo sido consideradas as possibilidades de utilizar linhas batimétricas, distância à costa (a opção utilizada na definição da área marinha do SIC) ou linhas de latitude-longitude. A última hipótese foi considerada a mais linear e de mais fácil verificação no terreno.

Assim sendo, propõe-se que a área de gestão passe a ser definida com base num rectângulo que contenha toda a ilha do Corvo e compreenda, no essencial, a batimétrica dos 1000m. As coordenadas delimitadoras de tal área seriam os paralelos 39º46’28’’N e 39º37’41’’N e os meridianos 31º11’20’’W e 31º00’48’’W, os quais foram definidos utilizando uma distância de 3 M aos pontos extremos da costa da ilha (a S, W, N e E).

As vantagens de definir uma área tão alargada prendem-se com os seguintes factores: - salvaguardar devidamente as zonas costeiras e litorais relativamente a impactos

gerados por actividades ao largo das costas das ilhas;

- reafirmação e reforço da interdição do palangre de fundo até às 3 M em redor de uma ilha;

- criação de uma zona demonstrativa, a nível do Arquipélago, dos efeitos gerados por esta medida em redor de uma ilha.

Para além desta zona deverá estender-se uma “zona de regime geral”, onde as normas aplicadas relativamente à exploração marinha são as que se aplicam na generalidade dos Açores (vide 3.2.).

4.3.2. Licenciamento

A implementação de um sistema funcional de gestão dos recursos piscícolas do Corvo vai exigir o apoio por parte da DRP ao regime de gestão das pescarias costeiras. Quotas e licenças podem fornecer este controlo adicional e devem ser contempladas no plano de gestão da envolvente marinha do Corvo. Na ausência de medidas que tenham em conta a capacidade de carga da área e limitem quantitativamente os usos, não é provável que os esquemas de zonamento por si só sejam suficientes para gerir a área. Algumas medidas que parecem adequadas a nível de licenciamento merecem ser aprofundadas: a) o licenciamento de embarcações locais ou externas desde que descarreguem o peixe no Corvo, e consequente interdição de pesca a outras embarcações; b) o refinamento do sistema de licenciamento da caça submarina.

4.3.2.1. Pesca profissional

O licenciamento de embarcações e delimitação do seu raio de acção está já instituído. Analisando os registos de embarcações e licenças atribuídas em 1998, apenas dois pescadores das Flores podiam atravessar o canal para pescar no Corvo.

Igualmente estabelecida está a obrigatoriedade de venda do peixe na lota para pescadores profissionais, a proibição da venda do produto de pesca por parte dos pescadores não profissionais, e a limitação das capturas para a caça submarina. Estes instrumentos de regulação são, como se verifica na generalidade do Arquipélago, pouco eficazes na gestão dos mananciais, muito por via da falta de fiscalização eficaz, para além de se tornarem insuficientes quando os custos do esforço descem ou o preço de venda dos recursos sobe muito.

Uma possibilidade a explorar é a instituição de um sistema de licenças de exploração de recursos em redor da Ilha que sejam atribuídas dando prioridade aos residentes locais, ou a embarcações externas, desde que desembarquem o pescado no Corvo. Os objectivos de uma medida desta natureza seriam (1) garantir que uma parte da renda dos recursos beneficie e fique na economia do Corvo, (2) facilitar a fiscalização através da identificação à distância das embarcações licenciadas e, (3) permitir uma contenção do esforço realizado em redor do Corvo, já que não há indícios de que o esforço actualmente desenvolvido a partir da própria ilha seja suficiente para pôr em perigo os mananciais acessíveis.

Ao permitir algum acesso a agentes exteriores, esta abordagem seria mais admissível à luz do regime legal vigente, suavizando a opção de discriminação defendida pela

comunidade (ou seja, a proibição total de não-residentes explorarem as águas do Corvo).

Implementar esta medida ao nível do Corvo exigiria uma avaliação, nomeadamente por parte da Direcção Regional das Pescas, da sua coerência com o actual enquadramento legal nacional. Refira-se, no entanto, que medidas similares estiveram já em vigor no Arquipélago (vide Port. n.º 54/81, a qual limita a actividade de pesca de embarcações com comprimento =14m à envolvente das ilhas em que se encontram registadas). Precaucionariamente, o número inicial de licenças não deveria ultrapassar o nível de uso actual. De futuro, esse número poderia ser aumentado, ou reduzido, consoante os resultados da monitorização da abundância dos recursos indicasse que níveis de exploração se poderiam estabelecer sem comprometer as funções e características de bom estado de preservação do ecossistema local.

Paralelamente, é também proposta a implementação de um regime de taxação que permita a angariação de receitas a favor do Parque.

As taxas podem ser aplicadas no momento do licenciamento ou sobre as capturas realizadas. No primeiro caso, é necessário um conhecimento prévio sobre que impacto se espera que o esforço autorizado (por exemplo, n licenças) tenha sobre os mananciais. Como tal cálculo é difícil no caso do Corvo, é proposta uma taxação sobre as capturas realizadas (descargas). Este tipo de taxação reduz as receitas, implicando uma implementação eficaz da obrigatoriedade de todos os recursos capturados passarem pela lota. Tal medida permitiria uma monitorização do esforço e das capturas (e, consequentemente, das CPUE), servindo de indicador directo dos reflexos das medidas ao nível dos mananciais.

Uma forma de amenizar a potencial resistência por parte dos agentes locais a esta medida seria a criação de um selo de qualidade que fosse atribuído ao pescado do Corvo. Tal selo atestaria o estatuto de Pescado Proveniente de Área Submetida a Regime de Pesca Sustentável e poderia constituir uma futura mais-valia para os recursos marinhos do Corvo.

4.3.2.2. Apanha de Invertebrados

No âmbito de projectos em curso no IMAR-DOP/UAç com financiamento da DRP (nomeadamente, projecto RIVA), estão em fase de finalização propostas e regulamentos relativos à apanha profissional de recursos costeiros. Aquando da discussão pública da presente proposta, tais elementos deverão ser tidos em conta e, se forem considerados adequados, integrados no plano de gestão a aprovar. Especificamente, seria útil a adopção das “licenças unificadas de captura profissional de invertebrados” e dos respectivos diários de apanha.

Tendo em atenção os resultados das prospecções efectuadas em 1999, um recurso parece exigir medidas prementes – o cavaco. Durante a missão efectuada em redor da ilha não foi observado qualquer indivíduo, em contraste com as outras ilhas onde foram sempre observados alguns exemplares, apesar de em número reduzido. Tal facto aponta para um recurso em muito mau estado. Assim, aconselha-se o início urgente de uma avaliação rigorosa deste recurso. Até estarem disponíveis os resultados deste estudo, deveria ser instituída uma moratória que impedisse a captura deste crustáceo em redor do Corvo.

No caso das lapas (Patella spp.), considera-se adequado o presente regulamento, embora se realce a necessidade de o divulgar e de o fazer cumprir. Quanto às zonas de

interdição de captura (ZICL) definidas para a ilha, é proposta a união das áreas NE e NW, ficando proibida a captura de lapas em toda a costa Norte da ilha (desde o Canto da Carneira à Ponta do Torrais – vide “zona 2”+”zona 3” da Fig. 13), o que tornaria mais inequívoco o zonamento vigente e facilitaria a fiscalização. Por outro lado, é proposto que essas áreas de reserva para as lapas sejam ampliadas a outros recursos invertebrados, como cracas, ouriços e polvos. Estes locais funcionariam como locais de protecção de adultos reprodutores em relação à exploração e permitiriam a salvaguarda de um maior potencial reprodutor. Para além desta função, estes locais poderiam igualmente ser utilizados como casos de estudo e controlo em relação aos locais explorados.

4.3.2.3. Caça submarina

Actualmente, estão em fase de finalização regulamentos relativos à pesca recreativa (ou lúdico-desportiva). O conteúdo de tais regulamentos deve ser avaliado à luz do contexto da ilha do Corvo e, se considerado adequado, integrado no plano de gestão a aprovar para a envolvente marinha desta ilha.

No que diz respeito à caça submarina, poderia manter-se o actual programa de licenciamento, a cargo das Capitanias. No entanto, a experiência quotidiana mostra que para que este instrumento seja eficaz é imperativo reforçar a fiscalização e sensibilização deste tipo de utilizadores, sendo incontornável um envolvimento mais forte e mais eficaz das capitanias nestas tarefas. A entrega e a exibição de material de promoção do Parque no acto de licenciamento deverão ser exploradas como forma de divulgação dos regulamentos. Um número máximo de licenças deveria também ser implementado, assim como um período específico de licenciamento. Para os turistas que se deslocam à ilha com este fim deveria ser estabelecido um sistema de licenças temporárias (com uma validade de 1-2 semanas) e também limitadas em número. Tal processo permitiria limitar o esforço de exploração, nomeadamente aquele que tem origem fora da ilha e cujos benefícios para a comunidade local parecem não ultrapassar os malefícios (vide 3.4.3.).

Em alternativa, e como forma de centralização do licenciamento de actividades de extracção de recursos vivos marinhos em redor do Corvo, a emissão de licenças de caça submarina poderia passar a ser da responsabilidade do Parque Marinho (após revisão dos art.os 5º e 6º do DLR 5/85/A de 8 de Maio). O número de licenças atribuídas anualmente e uma verificação no terreno da sua utilização serviria de indicador do esforço desenvolvido por este tipo de utilizadores, ao passo que as receitas geradas por este processo reverteriam para a gestão do Parque.

Qualquer que seja o sistema, considerou-se apropriado o limite de captura definido no DLR 5/85/A de 8 de Maio, que estabelece um máximo de 5 peixes e 2 crustáceos por caçador/dia.

4.3.2.4. Mergulho

Ao nível do mergulho, a instituição de um programa de “forfait” deveria ser considerada para o Parque. Este programa exigiria o pagamento de uma pequena quantia (por exemplo, € 5 por série de 5 mergulhos) a cada mergulhador que realizasse mergulhos na reserva. Tal obrigatoriedade, criaria uma oportunidade adicional de sensibilização dos visitantes sazonais, incluindo os provenientes das Flores. Panfletos sobre o património e regulamentos do Parque deveriam ser distribuídos, assim como uma pequena etiqueta autocolante numerada (destinada ao caderno de mergulho e válida

para o ano civil correspondente), simbolizando o direito a mergulhar no Parque por 5 vezes.

No caso da actividade de Observação de Cetáceos (“whale-watching”), uma prospecção informal de mercado junto dos turistas que realizam este tipo de actividade, no sentido de se saber se estariam dispostos a pagar uma pequena quantia adicional destinada aos esforços de conservação destes animais, mostrou que esta era uma opção aceitável. É provável que um programa de “forfait” de mergulho seja bem aceite pelos mergulhadores, até porque ao mergulharem no Corvo estão a usufruir de uma das áreas mais bem preservadas de Portugal e da Europa, senão do Mundo. A experiência recolhida em outras áreas marinhas protegidas espalhadas pelo mundo mostra que este tipo de esquemas se tornou já uma parcela aceitável do mergulho. A sensibilização e a colaboração das empresas de actividades marítimo-turísticas de Corvo e Flores serão essenciais para o sucesso de uma iniciativa deste género.

Alguma atenção deve ser mantida em relação ao crescimento das actividades marítimo-turísticas dentro do Parque. Um pequeno código de conduta foi estabelecido voluntariamente pela empresa local de mergulho que desaconselha a alimentação dos meros, a recolha de recordações (por exemplo, conchas), a destruição de ouriços para concentração de cardumes de peixe, o envio de lixo para o mar ou fumar dentro da embarcação. Aquando da publicação do plano de gestão do parque tais regras de comportamento dos mergulhadores deverão ser incluídas nos regulamentos. De futuro, poderá ser necessário definir capacidades de carga para actividades como o mergulho. O licenciamento e o reforço do código de conduta serão formas possíveis de gerir o impacto gerado por tais actividades. Uma situação do género está a ser implementada para a observação de cetáceos nos Açores.

4.3.2.5. Observação comercial de cetáceos

A actividade de observação comercial de cetáceos (ou “whale-watching”) tem conhecido um crescimento acentuado, desde o seu aparecimento, em 1992. Com a promoção das actividades turístico-recreativas ligadas ao Parque Marinho, é provável que aumente a actividade de observação de cetáceos. Tal levará forçosamente ao crescimento do número de interacções entre cetáceos e embarcações.

É sabido que os cetáceos tendem a alterar o seu comportamento, designadamente, o padrão de natação e a velocidade e sentido de deslocação, na presença de embarcações (vide Magalhães et al., 1999 e respectiva bibliografia). Os efeitos a curto prazo da perturbação são o resultado duma resposta imediata dos indivíduos à presença das embarcações, e poderão provocar um estado de “stress” momentâneo. A longo prazo, os efeitos da perturbação poderão incluir a alteração da distribuição, movimentos, áreas de alimentação e reprodução dos animais, o que poderá ter consequências no “fitness” biológico da população. Estes últimos são de maior gravidade, uma vez que se fazem sentir a nível populacional, podendo mesmo ser irreversíveis. Enquanto não for possível avaliar o impacto real da presença das embarcações sobre as populações de cetáceos, a actividade deverá ser regulamentada de acordo com princípios precaucionários.

No actual contexto, considera-se suficiente que dentro do Parque as medidas aplicadas à actividade de observação de cetáceos se restrinjam aos regulamentos existentes e a publicar em breve, desde que convenientemente implementados.

De futuro, caso se verifique um crescimento da actividade que o justifique, poderá vir a ser necessário introduzir o conceito de capacidade de carga na actividade de

observação de cetáceos, estipulando um número máximo de embarcações dentro de uma zona limitada. Para tal, deverá ser considerada a experiência obtida na implementação da Portaria regulamentadora do Decreto Legislativo Regional n.º 9/99/A na zona do Canal Faial-Pico.

4.3.3. Quotas

Dada a escassez de dados disponíveis sobre o estado real de cada um dos mananciais pesqueiros existentes em redor do Corvo, o licenciamento e definição de um número máximo de licenças atribuíveis é a medida possível actualmente, mas não garante que a quantidade de recurso capturado se mantenha em níveis sustentados. Para um número de licenças constante, o esforço de pesca desenvolvido e as capturas efectuadas podem aumentar se, por exemplo, ocorrerem inovações a nível das tecnologias de pesca.

Uma exploração com maiores garantias de sustentabilidade requer a definição do quantitativo de pescado que seria biologicamente aceitável explorar (quota). No entanto a definição de limites de exploração concretos (nomeadamente, Quotas Anuais para os recursos mais relevantes) vai exigir a realização de estudos locais de avaliação de recursos.

A implementação de uma medida desse tipo requer uma monitorização periódica das descargas cumulativas bem como uma fiscalização eficaz que evite fugas à lota será sempre essencial, tendo de ser estabelecidas multas suficientemente dissuasivas para as infracções e eventual ultrapassagem da quota definida.

Por fim, é de mencionar que, caso seja necessário, uma distribuição justa da quota podem ser conseguida através da atribuição de uma percentagem da quota por embarcação/licença.

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