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30 estágio: grupo paradigmático, onde pelo menos dois cientis­

tas estabelecidos se interessam pela nova área, não neces­ sariamente com contato entre si; 29 estágio: rede de comu­ nicação, onde ocorre maior intercâmbio de informação entre os interessados e o aumento de seu número; 39 estágio: "en­ xame", onde aumenta o número de pesquisadores e quantidade de recursos para a área; 49 estágio: especializado, ocorre quando o assunto se estabelece como especialidade com pro­ cessos regulares de treinamento, recrutamento e posições de carreira reconhecidas.

Como afirmamos no início deste item, a utilização do texto de MARTYN & LANCASTER (1981) teve uma função eminen­

temente técnica . Ainda assim, vale ressaltar os pontos ne­ le apresentados que consideramos importante para o tipo de estudo que desenvolvemos, no qual utilizamos um dos métodos obstrutívos de coleta de dados, qual seja, a entrevista: - classificação dos métodos de abordagem dos usuários e a­ valiação de suas vantagens e desvantagens;

- necessidade de ter em mente que a população estudada con­ siste em determinados subgrupos. Em vista disso, há a ne- cessidade de se individualizar estes subgrupos de forma obter análises significativas;

a

- as questões abertas envolvem a subjetividade na posterior classificação de suas respostas, mas isso não desabona seu uso . As questões fechadas têm a vantagem de lembrar ao en­ trevistado itens que ele poderia esquecer ou considerar ir­ relevantes para a pesquisa. Mas lembrar de sempre incluir

-

a categoria out r o s e reservar espaço para comentários;

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- vantagens da entrevista: respostas mais espontâneas; re- dução de ambigüidades pela possibilidade do entrevistador

esclarecer dúvidas . Desvantagens: possibilidade de influ- ência do entrevistador sobre as respostas do informante; - importância dos estudos sociométricos (.também realizados no presente estudo) para determinar os padrões de comunica­ ção informal em uma determinada comunidade de pesquisa.

A elaboração do sociograma pode se basear tanto em

análises de citações (método indireto) quanto em perguntas aos membros da comunidade (método direto) ou, ainda, em am­ bas as formas;

- as perguntas genéricas auxiliam pouco no projeto de ser­ viços de informação. A técnica do incidente crítico rompe com a inespecificidade das respostas genéricas.

O artigo anal:isado de FLANAGAN (.1973) descreve o de- senvolvimento da metodologia do incidente crítico, seus princípios fundamentais e sua condição atual. O autor cha­ ma a atenção para o fato de que, independentemente do méto- do ter sido desenvolvido para estabelecer características consideradas determinantes no bom desempenho de certas ta­ refas, ele oferece uma flexibilidade muito grande com rela- çao a seus usos. Tendo em vista que este método sempre se

aplica na observação do comportamento humano em situações dadas, listemos os fatores abordados que tocam à nossa pes­ quisa:

32 - definição de inci d en t e: atividade humana passível de ob­ servação que seja suficientemente completa e que permita fazer inferências e previsões a respeito de quem a executa;

- definição de cri t i cidade : tal atividade deve se dar de forma que seu propósito ou intenção, assim como seus efei­ tos, sejam claros ao observador;

- principais passos do método: especificação dos objetivos da atividade a ser analisada; delimitação da situação a ser

observada e verificação de relevância quanto ao geral; coleta de dados (de fato que seja recente o

objetivo sufi-

ciente para seus aspectos estarem presentes na memória do pesquisado); análise dos dados; interpretação e relatório;

- importância de relatar as limitações do método ;

- usos da técnica: dentre os usos listados pelo autor, os

de relevância para nós podem ser adaptados do que ele chama

-

de proce dimen to de op eraçao, que se relaciona com procedi-

mentos observados em determinada situação e do intitulado

p roj e to de equi p amen to , isto é, observação com vistas

formulação de projetos adaptados aos hábitos e comportamen­ tos de quem vai utilizá-los. Outro uso, que o autor chama de mot ivação e li de ran ç a , constitui-se em suplementos a

pesquisas de opiniões, já que se relaciona com situações

que envolvam decisões e _escolhas por parte do pesquisado. De CRANE (1975b e 1975 a), interessa�nos basicamente a descrição da metodologia sociométrica para análise das

-

.._,

-

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que este método permite. Os textos analisados sao muito

relacionados, sendo o primeiro basicamente um resumo do se­ gundo. Analisemos primeiramente o texto de CRANE (1975b) , já que o artigo original foi publicado anteriormente ao seu livro-texto (1975a) :

- para análise das relações sociais dentro de uma área de pesquisa é necessário: examinar os fatores relacionados com o estágio em que a área se encontra - crescimento, desen­ volvimento ou declínio - e estudar as relações entre cien­ tistas da área com os de outras, pois estas indicam como as ligações entre as áreas se formam e se modificam;

- importância de se utilizar indicadores diferentes para os vários tipos de relações sociais que ligam os cientistas; discussão informal de pesquisa; influência de colegas sobre a seleção de problemas e .técnicas; relações com professores e trabalhos publicados. Nos marcos de sua pesquisa, a au­ tora estabeleceu tipologias que permitiam a subdivisão dos integrantes da área de pesquisa analisada. Seus critérios foram p ro d u t ivi d ade e ded i c ação destes cientistas. Po­

rém, a autora esclarece que, dependendo da area ou finali­ dades de pesquisa, estes critérios podem ser outros.

Os conceitos-chave da análise sociométrica nesse ca- so sao:

- Colé g i o inv i s ível - conceito popularizado por PRICE, que indica "elite de cientistas mutuamente interagentes e pro-

dutivos dentro de uma �rea de pesquisa" (GRANE, op. cit. : 4 3 - 4 ) ;

3 4

- C í rcu l o s ocial - conceito preferido pela autora, por con­ siderar que o conceito de colégio invisível não abarca re-

laçõe s como entre os membros mai s ativos em urna áre a

pesquisa e o "soldado raso" (sic). Este conceito

de de

KADUSHIN (1966, 68) e refere-se a uniões entre pessoas, es­ tabelecidas mais sobre a base de seus interesses do que de suas afinidades ou condições atribuídas. A interação indi­ reta, isto é, por meio de parte mediadora, é um aspecto im­ portante do círculo social.

Tanto no relato de suas pesquisas, como no levanta­ mento de outros autores, CRANE (1975b) apresenta alguns in­ dicadores úteis para nosso estudo, quais sejam :

- liderança em área de atuação : a natureza desta liderança pode ser estudada pelas características dos cientistas in­ dicados maior número de vezes em sua área de atuação;

- grau de conexidade : grande numero de escolhas .dirigidas

para poucos membros é estabelecido na análise dos sociogra­ mas e varia de uma área de pesquisa para outra . Pode ser deterroinado por vários fatores como o grau de especiali za­ ção da área e/ou pela forma de divulgação dos achados cien-

tíficos da área (por veículos de circulação mais ou restritos) ;

.menos

- grau de visibilidade de um cientista ou grupo de cientis­ tas em sua área: os grandes produtores de uma área aparecem no sociograma mais pelas indicações de outros do que

suas próprias;

-

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- grau de eficiência de circulação da informação em um sis­ tema: alto grau de conexidade entre os cientistas (por la-

ços diretos ou indiretos) e poucos ou nenhum elemento grupo separado de outro por muitos "elos";

do

- área-problema em uma disciplina científica - esta defini­ ção foi usada por GRIFFITH, B. C. e MILLER, A. J. , em pro-

jeto sobre troca de informação cientifica em (1969) e significa

psicologia

Uma unidade temporaria que se forma a fim de tra­ tar proble mas e spe ciais e de pois se dissolve , a­ pos uma ou varias décadas, quando o problema ou foi resolvido ou conside rado insolúvel. (CRANE,

1 9 7 5 b )

A autora afirma que quando os resultados na pesquisa nao confirmam os "limites" de uma área-problema, pode ser a demonstração.de que houve falhas na definição destes limi­ tes. Mas ela afirma que, apesar desta dificuldade, há pro­ vas sociométricas suficientes de apoio para a hipótese da existência de organização social em áreas-problema de pes­ quisa;

dispersão de título: grau no qual a literatura em uma da­ da área de pesquisa está espalhada em vários títulos de li­ vros e periódicos diferentes;

- dispersão de assunto: grau no qual a literatura em uma dada área de pesquisa inclui publicações de diferentes as­ suntos;

- focos de redes de informação: membros comuns de redes de informação.

3 6 Em seu livro, CRANE (1975a) retorna vários pontos in­

dicados no artigo anterior. Vejamos apenas aqueles que so aparecem aqui ou que sao mais aprofundados:

- utiliza de CRAWFORD (1970)10 o conceito de centros d e pesquisa , que sao

. . . are as nas quais os cientistas atuam como uma unidade , indepe nde ntemente de sua filia ção insti­ tucional ou fronte iras políticas de cidade ou es­ tado. Os se us me mbros colaboram em pe squisa, par tilham laboratórios e e stão prontame nte acess{= veis e ntre si. (CRANE , op. cit. : 52-3)

A importância deste conceito deriva de sua capacida­ de de explicitar a importante ligação entre as pessoas cen­ trais de um centro de pesquisa e as pessoas centrais de ou­ tros ;

- analisa o grau de reciprocidade nas escolhas em um socio­ grarna. Quando o grau é baixo, pode estar indicando que grande parte da comunicação é puramente de consulta. Esco­ lhas recíprocas costumam refletir ocorrências de trocas de idéias (cf. CRANE, op. cit. : 59) ;

- sobre as comunidades científicas internacionais, afirma

haver indícios de que somente haverá compromissos estáveis entre urna área de pesquisa de um país e de outro quando há, em ambos, a disponibilidade de urna

legas ;

� .

massa criti ca de co-

10. CRAWFORD, S. Informal communication among scie ntists

in sleep and dre am re search. Doctoral dissertation. Uni­ versity of Chicago, 19 70. Apud CRANE, op. cit.

37 - neste texto, CRANE, citando KUHN 11, introduz o conceito

de parad i gma , que, juntamente com o círculo social e os

colégios invisíveis, unificaria áreas científicas. A orga­ nização social em áreas de pesquisa, através de seus círcu- los sociais e colégios invisíveis, manteria a unidade e proveria coerência e direção as suas áreas. Seus membros

centrais desenvolvem um tipo de solidariedade Útil na cons­ tituição de urna moral cientifica e mantêm a motivação entre seus demais membros (.cf. CRANE, op. cit. : 138-9);

- a autora reconhece que estas análises podem ser utiliza­ das na compreensão de outros tipos de círculos culturais g.ie não os cognoscitivos, onde se insere a ciência e a tecnolo-

gia, mas também nos valorativos e nos que se agregam por

metas expressivas. Estes conceitos também foram extraídos de KADUSHIN (1966, 68), cujas idéias são expostas a seguir.

KADUSHIN ( 1966, 1968) afirma que na sociedade em ge­ ral, assim como nas instituições, há dois mecanismos que l! gam seus membros; um formal e um informal. Chama a atenção para o fato de que nas instituições este fenômeno tem sido bem estudado, o mesmo não se dando na sociedade como um to­ do 12

11. KUHN, T. The structure of scientific revolutions.Chi­ cago, University of Chicago Press, 1962. Apud CRANE, op.cit. 12. KADUSHIN baseia seu conceito de círculo social na aná­ lise de SIMMEL (1955), que entre as mesmas caracteristicas

apontadas por KADUSHIN, apresenta outra: "o cí.rculo social

tem propriedades tanto integrativas quanto produtoras de

conflito" ( S IMME L. The web of group affiliations. New York,

. '-

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Para este autor, o círculo social é o principal me­ canismo informal que liga pessoas e organizações (cf. KADU­ SHIN, 1968: 691).

As principais características do círculo social sao: 1 - tem laços ou rede de interação indireta, de forma a que a maior parte dos membros do círculo está ligada a

membros, pelo menos em sua terça parte;

outros

2 - a rede se forma pelos interesses comuns compartilhados por seus membros (políticos ou culturais);

3 - o círculo não e formal, pois:

a) nao tem lideranças claras, mas figuras centrais;

b) nao tem metas claramente definidas, mas quase sempre tem funções implícitas;

c) nao tem regras definidas para formas de interação mas há freqüentemente relacionamentos habituais; e

d) nao define regras para inclusão de membros (cf. KA­

DUSHIN, op . ci t . : 692) .

KADUSHIN aponta quatro tipos de círculos, ligados a tipos diferentes de interesses:

- cultu r al - liga seus membros sobre a base de metas valo­ rativas (religiões, filosofias de vida), expressivas (artes e recreação) e cognitivas (ciência e tecnologia);

r

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serviços ;

- po der e i n f luê nci a - integra seus membros em torno de me­

tas ligadas ao poder ;

- integ r ativo - resulta de experiências comuns, como de gru

pos étnicos, comunidades ocupacionais etc .

A estrutura dos círculos tende a diferir de acordo

com o tipo: os culturais possuem um núcleo de produtores de símbolos em torno do qual se agregam consumidores ou vali­ dadores destes símbolos ; os utilitários tendem a ser menos

concêntricos e mais imbricados ; os voltados para o poder

são mais piramidais e os integrativos tendem a ser mais i­ gualitários e frouxos em sua estrutura.

KADUSHIN também analisa as diferentes ligações com estruturas formais que os diferentes círculos costumam ter: os culturais tendem a ser desligados de estruturas formais e a se basearem em locais de encontro como forma de unifi­ car seu legado ; os utilitários costumam ligar organizações formais, assim como os que se agregam pelo poder e influên­ cia, apesar de estes Últimos manterem uma unidade política

mais ampla e amorfa, podendo ter ou não uma ideologia co-

esiva. KADUSHIN alerta que, "por várias razões, as xões entre os c{rculos utilitários e os de poder são

cone­ mais escondi das e me nos legitimadas " ( op. cit. : 692). Já os cír-

culos integrativos costumam estar por trás ou em várias formas de organizações voluntárias.

florescerem

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('

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que ligam os núcleos de vários círculos de diferentes ti­ pos. Freqüentemente é dito, segundo o autor, que há super­ círculos de uma combinação de círculos utilitários e de po­ der (cf. KADUSHIN, op . ci t . : 692) .

Entre as questões técnico-metodológicas no estudo dos círculos sociais, KADUSHIN lista:

envolvidas

- a problemática da esquernatização do estudo, isto é, corno

" fechar" o esquema de análise do círculo social. Se ini- cialrnente o pesquisador o esquematizar fechado, perderá urna de suas características principais, ou seja, suas frontei­ ras informais. Urna solução apresentada pelo autor e o pro­ cesso "bola-de-neve" , que pararia quando urna parte signifi­ cativa das pessoas citadas se repetisse (cf. KADUSHIN, op. ci t . : 694 ) ;

- a importância de manter a distinção entre os membros das círculos, de forma a permitir a análise dos círculos fun­ cionais em si, corno a análise dos supercírculos.

Chama ainda atenção para o fato de que, se os nomes

indicados pelos entrevistados tenderem a não pertencer

listagem-universo inicial, isto deve ser analisado à luz de três fatores : ou os nomes iniciais estavam simplesmente er-

rados, a lista inicial estava incompleta, ou, ainda, pode

estar aflorando o que o autor chama de "grupo da cozinha ", ou seja, as pessoas do círculo estão apontando seus conse­ lheiros próximos que não necessariamente pertencem ao cír­ culo. As " ondas" subseqüentes de entrevistas podem checar alguma destas possibilidades. O autor afirma que se rela-

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tivamente poucos nomes forem somados, o novo universo for­ mado pela lista inicial mais os novos nomes mencionados por pelo menos duas ou três pessoas, é provavelmente o correto

(cf. KADUSHIN, op . ci t . : 696).

Ainda sobre a questão metodológica, o autor adverte que a ausência de técnica e de modelos estabelecidos de a­

nálise tem levado grande parte dos -estudos das redes colhi­

das em pesquisas ao fracasso. Enfatiza, ainda, a necessi­ dade de se estabelecer a priori o tipo de laço que vai ser analisado, como "melhor amigo" etc. (cf. KADUSHIN, op . ci t . : 69 4) .

CICOUREL (1975), em seu texto sobre teoria e método em pesquisa de campo, elabora uma revisão da literatura so­ ciológica sobre o tema. Expomos aqui os pontos de maior in teresse para nossa pesquisa:

- as próprias condições da pesquisa de campo se tornam em

variável complexa e importante para o resultado da investi­ gaçao (cf. CICOUREL, 1975: 87);

- é importante estabelecer a diferença entre trabalhar na

própria sociedade do pesquisador ou em sociedade estrangei­ ra, para compreender as condições nas quais as percepçoes e interpretações ganham significado (cf. CICOUREL, op. ci t. : 88) ;

- o contato inicial vai depender da sofisticação da comuni­ dade e das informações prévias que o pesquisador conseguir;

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pante ou na entrevista. No primeiro caso, o observador pa� sa a ser parte do contexto observado , modificando-o e sendo

modificado por este. A entrevista exige maior observação

formal e é mais indicada quando o observador pesquisa em sua própria sociedade, pois lida com o mesmo sistema sim­ bólico e a mesma linguagem dos observados (cf. CICOUREL,op.

ci t . : 8 8 e 8 9 ) ;

- três características devem ser analisadas ao transformar os dados colhidos em peças de evidência: a credibilidade do informante; a espontaneidade das respostas e o papel do observador no grupo ;

- o estudo piloto se torna necessário quando:

a) o pesquisador necessita conhecer os tipos sociais e­ xistentes na comunidade, restringir o quadro de possibili­ dades do projeto e testar hipóteses exploratórias, além dos instrumentos de pesquisa e análise (cf. CICOUREL, op . ci t . :

115) ;

b) o pesquisador não dispõe de teorias suficientemente precisas para especificar hipóteses antes de iniciar a pes­ quisa (cf. CICOUREL, op . ci t. : 117) ;

c) o pesquisador, ao investigar organizações cornplexas,a­ penas tem contato inicial com conjunto restrito de sujeitos e onde não dê para coletar dados que permitam o teste de hipóteses (cf. CICOUREL, op . ci t . : 104) .

Destes estudos, cornumente se extrai conhecimento de� critivo, impressionista. O autor frisa a necessidade de se

4 3 superar esta fase, tanto em urna pesquisa especifica, quan­ to nas Ciências Sociais em geral, onde há urna tendência a "institucionalizar" esta etapa, que ele considera não cien­

tífica por ser assisternática (cf . CICOUREL, ap. ci t . : 117);

- o autor considera que tem havido pouco empenho por parte dos pesquisadores no sentido de contribuir para o avanço teórico e metodológico das pesquisas de campo nas Ciências Sociais . Para tal, propõe aos pesquisadores:

a) formular, tão especificamente quanto possível, o que buscam realizar com sua pesquisa (explorar posições teóri­ cas gerais; testar hipóteses específicas; delimitar terri­ tório para futuras pesquisas etc . ) ;

b) travar contato inicial com o terna através de litera­ tura ligada à questão;

c) esclarecer que questões são relevantes para o cumpri­ mento dos objetivos traçados;

d) elaborar urna h i stó r ia natural da pesquisa, o que per mite ao pesquisador evitar discrepâncias entre teoria e me­ todologia, intenções explícitas e implícitas, além de ser­ vir de ensinamento aos iniciantes, através do conhecimento dos passos equivocados do pesquisador (cf. CICOUREL,

ci t . : 118-119) .

op

O artigo de NEDER (1988) apresenta urna tentativa de caracterização das opiniões e respostas à automação micro­ eletrônica dos sindicatos metalúrgicos e de operários de base no Estado de são Paulo . A análise de NEDER, apesar de

r t

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nao se pautar pelos conceitos e abordagens da Ciência da

Informação, para nós se reveste de interesse especial,

que baseia sua caracterização no grau de informação destas pessoas e entidades sobre o significado da automação micro­ eletrônica no trabalho .

NEDER estabelece uma correlação, através de dados obtidos em pesquisa de campo, entre os canais informacio- nais sobre o tema a que os entrevistados têm acesso, a vi­ são do assunto que estes canais possibilitam e as respostas sindicais e/ou dos trabalhadores efetivamente dadas no en­ frentamento da questão .

O autor situa quatro canais típicos de informação na obtenção de informações sobre os efeitos da introdução da automação microeletrônica por parte dos entrevistados:

a) convivência com a organiz ação do trabalho e da produção nas empresas - trata-se da experiência pessoal demonstrada pelos sindicalistas e repre­ sentantes de base no interior da produção. ( . . . )

b) militância sindical - refere-se a experiência e conhecimento adquiridos através do canal insti­ tucionalizado do sindicato (diretorias} e das co­ missões de fábrica que desenvolvem trabalho con­ junto com o sindicato. ( . . . )

c) convivência com representantes de base - tra­

ta-se da relação de sindicalistas e membros de

comissões de fábrica, ou diretor de base, com re­

presentantes das organizações de base ou grupos