• Nenhum resultado encontrado

2 A PRÁTICA COMO COMPONENTE CURRICULAR NA PERSPECTIVA DAS DIRETRIZES LEGAIS

2.4 SOBRE O ESTÁGIO SUPERVISIONADO E A PRÁTICA COMO COMPONENTE CURRICULAR

Ao ser elaborado o Parecer CNE/CP 28/2001, a comissão organizadora apresentava, distinção entre o que seria de um lado a Prática de Ensino e o Estágio Supervisionado e do outro a Prática como Componente Curricular (APCC).

A primeira relação entre a APCC e a Prática de Ensino foi na mudança na redação do Parecer CNE/CP 21/2001 ocorrida no Parecer CNE/CP 28/2001 e efetivada nas Diretrizes para os cursos de Licenciatura do ano de 2002, é importante ressaltar que as diretrizes de 2002 ao serem elaboradas geraram diversas dúvidas nas Instituições de Ensino Superior, principalmente na compreensão entre a diferença de APCC e Prática de Ensino, pois era preciso reorganizar seus PPCs para se adequar as novas diretrizes. Como foi o caso da Universidade Estadual do Sudeste da Bahia (UESB) que encaminhou um oficio para o Conselho Nacional de Educação (CNE) solicitando 5 esclarecimentos referente as Resoluções CNE/CP 01 e 02/2002, como podemos verificar a seguir:

01 - Que turmas efetivamente deverão adequar-se à norma?

02 - A Lei é retroativa a todos os alunos que estão na IES e ainda não concluíram o curso?

03 - Em não sendo retroativa a aplicação da Resolução, é correto afirmar que apenas os alunos entrantes no período de 2004 deverão adaptar-se?

04 - Qual a compreensão desse Conselho com relação à distinção entre prática como componente curricular e prática de ensino?

05 - No caso dos cursos que possuem disciplinas com créditos práticos, as horas desses créditos poderão ser utilizadas como horas de prática como componente curricular? Do contrário, como poderá ser feito tal aproveitamento: serão criadas disciplinas específicas ou poderá se adaptar as já existentes? (BRASIL, 2005b, p.1)

Das cinco pergunta apresentadas pela UESB, nos interessamos exclusivamente pela pergunta quatro, pois trata da Prática como Componente Curricular e solicita o esclarecimento do CNE sobre a diferença entre a Prática de Ensino e a Prática como Componente Curricular.

A resposta do ofício da UESB, veio pela Câmara de Educação Superior (CES) no Parecer CNE/CES nº 15 de 02 de fevereiro de 2005, que inicialmente transcreve os trechos dos Pareceres CNE/CP 09/2001, referente à noção de prática como componente curricular e a prática na matriz curricular. Enquanto do Parecer

CNE/CP 28/2001 é mencionada a distinção entre a Prática como Componente Curricular e a Prática de Ensino.

Após essa rápida contextualização no Parecer CNE/CES Nº: 15/2005 sobre ambos os itens, é respondido realmente o que é solicitado pela UESB entre a diferença de compreensão dos dois termos.

Portanto, a prática como componente curricular é o conjunto de atividades formativas que proporcionam experiências de aplicação de conhecimentos ou de desenvolvimento de procedimentos próprios ao exercício da docência. Por meio destas atividades, são colocados em uso, no âmbito do ensino, os conhecimentos, as competências e as habilidades adquiridos nas diversas atividades formativas que compõem o currículo do curso. As atividades caracterizadas como prática como componente curricular podem ser desenvolvidas como núcleo ou como parte de disciplinas ou de outras atividades formativas. Isto inclui as disciplinas de caráter prático relacionadas à formação pedagógica, mas não aquelas relacionadas aos fundamentos técnico-científicos correspondentes a uma determinada área do conhecimento.

Por sua vez, o estágio supervisionado é um conjunto de atividades de formação, realizadas sob a supervisão de docentes da instituição formadora, e acompanhado por profissionais, em que o estudante experimenta situações de efetivo exercício profissional. O estágio supervisionado tem o objetivo de consolidar e articular as competências desenvolvidas ao longo do curso por meio das demais atividades formativas, de caráter teórico ou prático (BRASIL, 2005, p.3).

Então podemos entender que as atividades desenvolvidas como Prática como Componente Curricular são aquelas tomadas pela instituição de ensino superior para proporcionarem experiências e desenvolvimento de procedimentos para a docência que utilizem os conhecimentos no âmbito do ensino, as competências e habilidades que serão adquiridas nas atividades formativas que o curso disponibilizar para seu acadêmico. A APCC pode estar no núcleo, ser parte das disciplinas ou até mesmo de qualquer ação que a instituição de ensino superior considere formativa para o acadêmico, além disso, as atividades de Prática como Componente Curricular podem ser realizadas individualmente pelo acadêmico, sem a constante supervisão do docente da instituição superior. O parecer CNE/CES 15/2005 ainda completa a necessidade de se compreender que nem todos os componentes curriculares podem ser entendidos por si só como APCC ao mencionar

“mas não aquelas relacionadas aos fundamentos técnico-científicos correspondentes a uma determinada área do conhecimento” (BRASIL, 2005, p.3).

Por outro lado, o Parecer 09/2001 frisa que:

Todas as disciplinas que constituem o currículo de formação e não apenas as disciplinas pedagógicas têm sua dimensão prática. É essa dimensão prática que deve estar sendo permanentemente trabalhada tanto na perspectiva da sua aplicação no mundo social e natural quanto na perspectiva da sua didática. (BRASIL, 2001, p. 57, grifo nosso)

Em contrapartida, as atividades relacionadas ao estágio supervisionado deverão ter a supervisão de um docente da instituição formadora e também serão acompanhados por um profissional. E assim, oportunizando que o acadêmico experimente situações de efetivo exercício da docência e com isso possa articular as competências desenvolvidas, até então pelo curso e das demais atividades formativas, que incluem situações encontradas nas Práticas como Componentes Curriculares.

Assim como a UESB buscou, por meio de um oficio enviado ao Conselho Nacional de Educação, compreender o que se desejava com a Prática como Componente Curricular, com base em nossos estudos, realizamos uma síntese sobre as orientações legais e as características da Prática como Componente Curricular e o Estágio Supervisionado.

Prática como Componente Curricular Estágio Supervisionado

Carga horária de no mínimo 400 horas

Desde o primeiro semestre Da metade do curso em diante

Distribuídas ao longo do processo formativo, em

todas as disciplinas Em momentos específicos da formação Espaços de atuação variáveis como: agências

educacionais não escolares, secretárias de educação, comunidades, escolas.

Realizada em escolas, mesmo que não em sala de aula

Orientação e supervisão da instituição formadora Orientação da instituição formadora e supervisão da escola.

Orientação e supervisão voltada ao conhecimento da docência e o trabalho acadêmico

Orientação voltada na articulação da prática docente.

Proporcionam experiências de aplicação de Consolidar e articular as competências

conhecimentos ou de desenvolvimento de procedimentos próprios ao exercício da docência

desenvolvidas ao longo do curso por todas as atividades de formação teórica ou prática, como a prática como componente curricular.

QUADRO 4 - APCC X ESTÁGIO SUPERVISIONADO

FONTE: Adaptação do autor do quadro de DINIZ-PEREIRA (2011)

O quadro 4 unifica as informações que estão presentes nos Pareceres CNE/CP 09 e 28/2001 (sobre a articulação entre a teoria e a prática) Parecer CNE/CES 15/2005 (informa sobre as orientações e supervisão em cada um dos itens) e na Resoluções CNE/CP 02 de 2015 referente a carga horária, o momento que a APCC e o Estágio Supervisionado deverão ser executado no curso de Licenciatura.

Por fim, na discussão entre a Prática como Componente Curricular e o Estágio Supervisionado, atentamo-nos aos ambientes em que as atividades de cada item irão ocupar. Enquanto o Estágio Supervisionado está limitado ao espaço da escola, a Prática como Componente Curricular oferece ao futuro professor a oportunidade de experimentar outros ambientes e atividades pertinentes a formação do professor, nas secretarias de educação, instituições educacionais não escolares e qualquer espaço que possa contribuir na formação desse futuro Professor, mas queremos frisar que em nenhum momento uma atividade substitui a outra e sim se completam para oferecer ao acadêmico do curso de Licenciatura a melhor formação inicial possível.

2.5 PESQUISAS ENVOLVENDO A PRÁTICA COMO COMPONENTE