COSTA; LIMA; SOUSA; GADELHA,
2.3 ESTÁGIOS CURRICULARES DOS CURSOS DA ÁREA DA SAÚDE
O período dos estágios curriculares supervisionados é um período geralmente bastante aguardado pelos acadêmicos, uma vez que todo o conhecimento até então compartilhado na graduação precisa ser visitado, (re)visitado, inter-relacionado, explorado para o “ensaio” da futura profissão.
Uma vez que esta pesquisa ocorre nos três níveis de atenção é importante informar que foi a partir do estabelecimento das Leis 8.080/1990 e da Constituição de 1988, que o SUS foi constituído e firmou-se uma tentativa de expressar a complexidade e a extensão da saúde, a partir dessa complexidade, foram criados os níveis de assistência à saúde (tais como promoção de saúde, prevenção de doenças e riscos, tratamento específico, redução de danos e agravos, recuperação de doenças, manutenção da saúde, reabilitação no âmbito individual e coletivo) e níveis de complexidade, estes níveis são comumente assim relacionados: baixa, média e alta complexidade, que ocorrem nos níveis primário, secundário e terciário de atenção. É importante salientar que os mesmos ocorrem em vários cenários e são diferenciados por densidade tecnológica e complexidade das ações de assistência (PAIM, 2004; PINHEIRO; MATOS, 2009). Observação: No site do Ministério da Saúde consta o nível quaternário de atenção, cujas ações também estariam no terciário, porém as ações seriam de altíssima complexidade. Este nível não foi abordado nesta tese por não ocorrem práticas de estágio.
Segundo Haq et al., (1996), atenção primária é o campo onde acontece o contato inicial entre o paciente e o serviço, através da oferta de ações de saúde para a atenção integral (de prevenção e curativa) desenvolvida pelos membros de uma equipe de saúde multidisciplinar. O mesmo autor e Kuschnir e Chorny (2010) ressaltam que o usuário deve ter acesso a rede de saúde por meio dos serviços de nível primário de atenção, sendo que este precisa estar qualificado para atender e resolver os principais problemas que demandam serviços de saúde. Quando neste nível não há a solução do problema, os usuários deverão ser referenciados para os serviços especializados ambulatoriais ou hospitalares, os quais formam uma rede de atendimentos de saúde. Os estágios supervisionados na graduação acontecem nestes três níveis e redes de atenção à saúde e qualquer professor com formação em saúde pode se tornar um orientador de estágios curriculares.
Discorrendo brevemente sobre as Redes de Atenção à Saúde (RAS), criadas pela Portaria nº 4.279, de 30 de dezembro de 2010 (BRASIL, 2010), nas DCN da Enfermagem estas constam como eixos coordenadores e integradores da formação para o SUS, cujas prioridades são definidas pela vulnerabilidade social e pelo risco à saúde e à vida das pessoas (BRASIL, 2018). Nas pesquisas sobre os níveis de atenção e RAS percebeu-se uma mudança na percepção de níveis hierarquizados em
forma de pirâmide para o desenvolvimento da rede em busca da menor fragmentação histórica do sistema de saúde. A seguir visualizamos estas mudanças da sistematização dos níveis de atenção.
Figura 3 - Mudança na Organização do Sistema de Saúde
Fonte: Mendes (2011).
O contexto de formação para o SUS implica considerar a APS e as RAS como eixos coordenadores e integradores da formação para o SUS com prioridades definidas pela vulnerabilidade social e pelo risco à saúde e a vida (MENDES, 2011).
Garcia (2001) afirma que em sua maior parte, os estágios na saúde ocorrem em serviços integrados ou pertencentes à rede pública, o que visa minimizar o distanciamento entre o ensino e a realidade social onde a IES está inserida.
É fato que os estágios curriculares supervisionados obrigatórios compõem a grande maioria dos PPC/PPP dos Cursos de Graduação, sejam eles de licenciatura ou bacharelado. Existe uma vasta literatura abordando diversos elementos a respeito dos estágios nas licenciaturas, assim como, hoje em dia um expressivo número de pesquisas envolvendo, especificamente, este tipo de estágio na área da saúde. Muitas conceituações deste período de formação acadêmica são desenvolvidas.
No estudo de Zaroni et al., (2015), evidenciou-se que a atividade que mais contribuiu para a aprendizagem dos alunos de odontologia da Universidade Federal do Paraná, foram as práticas, o treinamento das técnicas odontológicas na presença do professor, porém muito além deste aprendizado, comentam que os profissionais da odontologia necessitam de outras habilidades e competências para inserção no mercado de trabalho. Dentre elas a tomada de decisões, comunicação, liderança, gerenciamento e educação permanente. A relevância da vivência de trabalhos preventivos e sociais, também são enfatizados nos estágios supervisionados dos cursos de odontologia da Universidade Estadual de Maringá (UEM) e Centro Universitário Cesumar (UNICESUMA) (OLIVEIRA; AMARAL; TEIXEIRA, 2016; LOLLI et al., 2016).
Mais especificamente sobre a importância dos estágios para a formação do profissional da saúde, trazemos uma investigação sobre desafios e contribuições do estágio na graduação em Farmácia da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba. Nesse estudo, os autores concluíram que o período de estágio é um elemento facilitador entre teoria e prática. O aluno tem experiências, observa características das áreas de futura atuação, adquire responsabilidades, preparando-se mais para o exercício profissional, sendo que a integração da vivência nos estágios envolve um período crítico de construção, com grande repercussão para a profissão (DA SILVA et al., 2015).
Scavuzzi et al., (2015), conceituam estágio como ato educativo supervisionado para o desenvolvimento de atividades e para aperfeiçoar o aprendizado do estagiário, obrigatoriamente sob a responsabilidade e orientação efetiva e presencial in loco e coordenação direta de professor da IES. Este deve efetuar supervisão direta e desenvolver a capacidade do aluno em construir o conhecimento, para a progressiva autonomia intelectual e profissional. Acreditamos que todos estes aspectos são fundamentais na relação professor/orientador estagiário em qualquer nível de atenção a saúde ou de complexidade de ação.
Azevedo e Andrade (2011) se referem ao estágio de futuros professores, como um período de aprendizado marcado pelo período de transição e pela fase de aprender algo, uma profissão. As autoras afirmam que o estágio nas licenciaturas contribui para o desenvolvimento de conhecimentos, habilidades e atitudes de aprendizagem no ambiente profissional e os professores formadores, responsáveis
pelos estágios, desempenham um papel formativo fundamental, pois podem gerar a qualificação do trabalho dos estagiários, mediante interação legítima e colaborativa.
O estudo acima mencionado refere-se mais precisamente aos professores de licenciatura, porém acreditamos que este papel formativo é de total relevância e necessidade nos cursos de bacharelado também, uma vez que é crescente o número de professores universitários nas ciências da saúde.
Ainda na linha de pesquisa do estágio supervisionado, nas licenciaturas, Nörnberg e Pereira (2013) afirmam que o professor supervisor da IES e o professor supervisor da escola, onde a IES está inserida, apresentam muitos aportes teóricos - práticos para poder problematizar com os estudantes sobre o que significa ser professor e ensinar numa determinada realidade sociocultural, ações importantes de uma supervisão.
Ao fazer estas relações percebemos mais uma vez a proximidade da realidade dos estágios na licenciatura e no bacharelado, pois o uso de problematizações na saúde tem sido intensificado como um modo de explorar e incentivar o acadêmico a pensar, criar e propor resoluções, baseadas nos diferentes cenários de estágio.
Em se tratando este subitem especificamente do estágio supervisionado apresentamos no Quadro 12 outras informações da Lei Federal nº 11.788/2008 correlacionadas a esta pesquisa.
Quadro 12 - Informações da Lei nº 11.788 de 25/09/2008 – Estágios
(continua) CAPÍTULO I - DA DEFINIÇÃO, CLASSIFICAÇÃO E RELAÇÕES DE ESTÁGIO
Art. 1º Estágio é ato educativo escolar supervisionado, desenvolvido no ambiente de trabalho, que visa à preparação para o trabalho produtivo de educandos que estejam frequentando o ensino regular em instituições de educação superior [...].
§ 1º O estágio faz parte do projeto pedagógico do curso, além de integrar o itinerário formativo do educando. § 2º O estágio visa ao aprendizado de competências próprias da atividade profissional e à contextualização curricular, objetivando o desenvolvimento do educando para a vida cidadã e para o trabalho.
Art. 2º O estágio poderá ser obrigatório ou não-obrigatório, conforme determinação das diretrizes curriculares da etapa, modalidade e área de ensino e do projeto pedagógico do curso. § 1º Estágio obrigatório é aquele definido como tal no projeto do curso, cuja carga horária é requisito para aprovação e obtenção de diploma.
Quadro 12 - Informações da Lei nº 11.788 de 25/09/2008 – Estágios
(conclusão) Art. 3º O estágio, [...] não cria vínculo empregatício de qualquer natureza, observados os seguintes requisitos: I – matrícula e frequência regular do educando em curso de educação superior [...] § 1º O estágio, como ato educativo escolar supervisionado, deverá ter acompanhamento efetivo pelo professor orientador da instituição de ensino e por supervisor da parte concedente, comprovado por vistos nos relatórios referidos [...]
Art. 5º As instituições de ensino e as partes cedentes de estágio podem, a seu critério, recorrer a serviços de agentes de integração públicos e privados, mediante condições acordadas em instrumento jurídico apropriado, [...]
Art. 6º O local de estágio pode ser selecionado a partir de cadastro de partes cedentes, organizado pelas instituições de ensino ou pelos agentes de integração.