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Gestão da Avaliação através da Intermediação-Planejada nas

ESTÁGIOS DE DESENVOLVIMENTO DA ESCRITA Professoras Ano/

turma Pré-silábico Silábico

Silábico-

alfabético Alfabético Ortográfico

Ana 1º Ano 42,86% 52,39% 4,76% - -

Jane 2º Ano 15,79% 21,05% 10,53% 52,63% -

Érika 3º Ano 4% 4% - 28% 64%

Fonte: dados da pesquisa obtidos pela autora desta tese.

A Tabela 1 indica a heterogeneidade das turmas entre os estágios de desenvolvimento da escrita predominante para o 2º ano do ciclo. Entretanto, todas as turmas apresentam as diferenças que caracterizam o trabalho heterogêneo existente na unidade pesquisada.

3.1.2 Estudo de Caso: Contexto França

Em relação à delimitação do caso França, escolhemos bairros da cidade de Lyon. Este recorte justifica-se por se tratar de localidades de níveis sociais mais discrepantes e, assim, foi possível identificar escolas que pudessem apresentar turmas cujas docentes possuíam ações que facilitassem a aprendizagem de todas as crianças do grupo classe. Foram identificadas as escolas: Escola A, que fica nas proximidades do centro de Lyon - localiza-se na avenida Berthelot em Lyon no 7e Arrondissement – França; Escola B, situada em um bairro mais distante do centro - localiza-se na rua Alsace Lorraine - Lyon no 1er Arrondissement; e, por fim, Escola C, que fica na periferia de Lyon - localiza-se na rua Stéphane Coignet - Lyon no 8e Arrondissement. Consecutivamente produzimos os dados com referência em todas as turmas do ciclo 2 da Escola A (CP1 e CP2; CP e CE1- turma integrada com a mesma professora; CE1), além da turma de Educação Infantil (GS). A necessidade de entrar nessa turma de GS ocorreu pelo fato de a alfabetização acontecer neste nível. As turmas da Escola B foram GS1 e GS2 (duas turmas), CP1 e CP2 (duas turmas), CE1a e CE1b (duas turmas) e CE2 (uma turma); na escola C coletamos dados nas seguintes turmas CPc, CE1, CE2.

Após investigarmos as turmas dessas escolas durante 48 dias letivos, consecutivos, verificamos que as crianças estão em níveis de construção da língua próximos e a prática do professor é pautada por muitas semelhanças tendo como foco os documentos oficiais. Sendo assim, decidimos realizar a pesquisa na Escola B visto que essa unidade possuía algumas crianças em diferentes níveis de aprendizagem das crianças sobre a língua francesa, em todos

os anos observados. Além disso, esta escola tinha turmas específicas para lidar com imigrantes de todas as nacionalidades no que se refere ao ensino da língua francesa. Outro fator importante na escolha dessa escola é o fato de a professora do CP ter sido professora da GS e estar há 5 anos na atuação do CP. Esta mesma professora desenvolve um trabalho de referência informado pelos professores dos outros anos do Cycle 2.

Para o primeiro contato com todos os professores do contexto francês, foram realizadas reuniões de apresentação com o objetivo de informar sobre a pesquisa e realizar o planejamento das observações para produção dos dados. Nas três escolas de localidades distintas tivemos a presença da pesquisadora Anne-Marie Chartier, que realizou a nossa apresentação nas escolas e colaborou com o protocolo de observação e entrevista. Realizamos a observação em três dias consecutivos em cada uma dessas turmas, totalizando 48 dias letivos de coleta de dados. Esse envolvimento com o campo França nos fez verificar o nível aproximado de construção da língua por parte das crianças. Assim, o que foi verificado de prática característica do coletivo das escolas foram a utilização de lousa digital, livros e cartilhas e a ênfase no trabalho com gestos e sons fonológicos. Todos os professores trabalham com o Programma Pour les Cycle 2 que representa o documento da república para o desenvolvimento da competência realizada por todas as unidades pesquisadas.

Por fim, as unidades escolares da França possuem o trabalho pedagógico voltado para o aprendizado de todos os estudantes de cada turma. Os professores apontam ter ciência de alguns resultados atuais nacionais que deixam a França em condições inferiores ao esperado pelo País e, com isso, a ênfase no documento da república é algo que se apresenta como destaque em todas as unidades e, em especial, na unidade escolhida pelos critérios já apresentados anteriormente.

3.1.2.1 Os contextos sociocultural, econômico e localidade da escola campo de pesquisa - estudo de caso (França)

A escola B, campo de pesquisa, possui a localização em um bairro denominado como primeiro distrito de Lyon, que é um dos nove distritos da cidade. Ele está localizado nas encostas da Croix-Rousse e na parte norte da península formada pelo Saône e pelo Ródano. É o menor distrito ou, mais especificamente, bairro de Lyon e vive de um aspecto turístico do entorno da Place des Terreaux, a Ópera de Lyon, a Câmara Municipal e o Museu de Belas Artes de Lyon (Musée des Beaux-Arts), os principais pontos turísticos da cidade, com circulação financeira.

O entorno da escola é marcado por ser uma localidade prioritariamente residencial com acesso à unidade que é uma das partes de maior altura com visão privilegiada da cidade. Contudo a escola situa-se em um espaço de difíceis condições climáticas. O frio e a neve de determinados períodos do ano são mais intensos pela localização em colinas. A desigualdade social é vista em menores proporções, porém, é visível na fala das professoras que informam ter sempre duas ou três crianças por turma que possuem condições mínimas de sobrevivência com a ajuda do governo e, algumas dessas, chagam a passar fome e que são moradoras de rua vivendo em abrigos noturnos.

Em termos de infraestrutura, a escola possui a construção original de prédio padrão em todas as escolas e sua projeção é em níveis diferentes, ou seja, parte das crianças estão em uma parte mais elevada do terreno. A área colabora para as vivências e brincadeiras com parque e quadra para a interação. As salas são organizadas para ter todo o tipo de atividade e, no interior das turmas, possuem espaço amplo com matérias expostas das crianças e espaço de cinco mesas com seis cadeiras, espaço diferenciado nas salas para a hora da leitura, e toda a distribuição de material acessível para as crianças, com pastas, lousa digital e quadro de giz que podem ser usados simultaneamente ou não e possui a organização das atividades das crianças com exposição ou com local correto de portfólio que facilita a autonomia da criança. As salas comportam os 24 estudantes da referida turma de pesquisa (CPb) de maneira que o professor pode circular facilmente pelos grupos.

Podemos caracterizar a escola com vista para o rio Shaône, com aquecedores em todas as salas, com pias e água potável nas torneiras, com a lousa digital e outro canto, na extremidade paralela da sala, para a leitura. O espaço físico possui 239 estudantes distribuídos em 6 (seis) salas de aula que são destinadas para o trabalho que inicia no maternal com cinco turmas (Classe A (EM); Classe B (MS / GS); Classe C (GS); Classe D (OS / MS); Classe E (OS); e Classe F (OS). No ensino fundamental existem 10 (dez) salas que são Classe 1 (CE2); Classe 2 (CM1-CM2); Classe 3 (CM1-CM2); Classe 4 (CM1-CM2); Classe 5 (CM1-CM2); Classe 6 (CE1); Classe 7 (CP-CE2); Classe 8 (CE1); Classe 9 (CP); Classe 10 (CP) e UPE2A; essa classe é destinada a crianças chegadas recentemente à França e que não dominam o idioma francês.

Escola é do ensino fundamental e educação infantil pública e o tempo escolar é distribuído de segunda, terça, quinta e sexta: 8h20 – 12h e 14h05 – 16h45 e o tempo extracurricular: recepção da manhã: 7h50 – 8h20; meio-dia extracurricular na segunda-feira, terça, quinta e sexta-feira: doze horas – 14:05 (para crianças matriculadas na merenda escolar); depois das aulas: das 16h45 às 17h30; fim de tarde: das 17:30h às 18: 30h.

Por fim, a escola e a turma possuem uma relação com os pais de participação e interação sempre na chegada. Normalmente os pais passam até trinta minutos interagindo com as atividades para complementação ou falta durante todos os dias inicialmente. Os pais chegam a sentar ao lado dos filhos, para colaborar com esse momento do aprendizado das crianças e acompanhar a realização das atividades, enquanto a professora circula entre os grupos de crianças e interage com os pais. Além disso, a prática inicial da professora, depois do momento de correção, realização das atividades e interação com os pais, tem o trabalho de continuidade da aula com o assunto que está sendo tratado na semana, com os ateliês específicos dos grupos de atuação na turma. A professora apresenta domínio pleno do que está ensinando com os objetivos e as competências da república estabelecidos para o grupo de CP.

3.1.2.2 Experiência docente dos profissionais participantes da pesquisa

Para o contexto França, selecionamos a Escola B por apresentar envolvimento entre os professores para o trabalho da gestão do ensino e acompanhamento das aprendizagens. Assim, sete (7) professores foram acompanhados em suas aulas e entrevistados para o levantamento dos saberes e gestos profissionais. Conforme dito anteriormente, todo esse estudo e imersão no campo de pesquisa foi para compreender a cultura educacional da localidade e a compreensão da organização prática dos professores relacionados às orientações nacionais da França.

Nessa participação podemos destacar o perfil desses profissionais conforme quadro a seguir:

Quadro 2 - Perfil do professor da Grande Section e Cycle 2 da Escola B

Professores Ano/ Turma Formação (Graduação ) Experiência Profissional/ turmas de atuação (Redes) Leciona Participação em Formação GS-a: 28 éléves - Equiv.BR: Grupo 5 – Educação Infantil -

SIM 8-15 ans Rede

Pública - GS-b: 27 éléves - Equiv.BR: Grupo 5 – Educação Infantil

SIM 15 ans Rede

Pública - CP-a: 26 éléves Equiv.BR:1º ano -

SIM 28 ans Rede

Pública O treinamento na NORMAL SCHOOL OF INSTITUTEURS (2 anos) CP-b: 24 éléves Equiv.BR:1º ano -

SIM 8-15 ans Rede

Pública

Animatrice; licence Matha Appliqúes et Sciences

Benoit Sociales; IUFM (Institut Universitaire de Formation

des Maitres) concours PE (Professeur d’École). CE1-a:

32 éléves

Equiv.BR:2º ano -

SIM + 15 ans Rede

Pública - CE1-b: 23 éléves Equiv.BR:2º ano

SIM 1 année Rede

Pública - CE2-a: 26 éléves Equiv.BR:3º ano

SIM CE1 – 3 ans; CE2- 15 ans; CM1- 1an; CM2- 1 an. Rede Pública Licence de Psychologie IUFM (Institut Universitaire de Formation des Maitres) concours PE - 1996 (Professeur d’École). Membro d’um mouvement

pedágogique: ICEM- Pédagogie Freinet Fonte: elaborado pela autora.

Todos os professores possuem de 8 anos a 28 anos de docência, exceto uma professora que está no primeiro ano de atuação na turma. Verificamos um perfil de professores experientes na Escola B, campo de pesquisa.

Diante disso, a professora do CPb, da Escola B, apresentou o perfil esperado para a pesquisa, no contexto da prática docente da França. Possui participação em formação nacional do país, possui uma proposição metodológica de ateliês, ou seja, atende a diferentes grupos com diferentes objetivos e, por fim, possui uma turma que tem um nível de heterogeneidade que difere das demais turmas observadas que possui um nível mais próximo de construção das competências entre as crianças da turma. Além de todos esses critérios, a professora também possui uma prática, construída pela experiência na educação infantil. Pelo desenvolvimento do trabalho nessas turmas, a professora optou por realizar sua atuação em turmas de CP, sendo reconhecida por toda comunidade escolar pela prática de sucesso que desenvolve com essas crianças.

3.1.2.3 Características das turmas da pesquisa do Caso Lyon (França)

A turma CP, pesquisada no contexto França, tinha um total de 24 alunos, e equivale ao 1º ano no Brasil. Esse grupo, em especial, possuía uma caracterização mais heterogênea que o parâmetro das demais turmas da unidade educacional. As crianças dessa turma iniciaram o ano com algumas lacunas, e dentre estas, de reconhecimento e movimentação das letras, falta de reconhecimento da articulação das sílabas o que, normalmente, conforme informação da professora, são questões trabalhadas e garantidas na Educação Infantil conforme orienta o documento oficial francês. A ênfase do ensino está nos eixos da língua materna, ou seja, na

França não se costuma categorizar pelos estágios de desenvolvimento da escrita, conforme a teoria de Emília Ferreiro. A heterogeneidade das turmas é trabalhada pela professora e espera- se que todas as crianças evoluam em uma perspectiva de construção aproximada sobre as competências esperadas de aprendizagem.

A seguir, apresentaremos a Tabela 2 com o perfil inicial, em percentual, das turmas pesquisadas, conforme informações da avaliação realizada pela professora.

Tabela 2 - Perfil inicial das turmas do CPb – Cycle 2

Fonte: dados da pesquisa obtidos com a docente investigada pela autora desta tese.

O percentual inicial avaliado e apresentado pela professora mostra que as competências estão em diferentes níveis de construção. Essas competências são o trabalho anual e, como informado pela professora, o que normalmente aconteceria era ter um padrão entre 35% até 40% no nível mais próximo de competências construídas sem tanta discrepância entre os eixos, que caracterizam a autonomia da criança na realização da atividade.

COMPETÊNCIAS TRABALHADAS E CONSTRUÍDAS – PPC2 – INÍCIO DO ANO

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