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Estação da qualidade do ar Minho - Lima, Viana do Castelo

No documento NOTA DE APRESENTAÇÃO (páginas 152-163)

selecção das alternativas de projecto, acompanhada de cartografia ou de representação geoespacial adequada

7 Caracterização do ambiente afectado

7.3 Recursos hídricos superficiais

7.4.1 Caracterização da qualidade do ar (estações da qualidade do ar da zona e simulação da dispersão dos poluentes atmosféricos emitidos pelas e simulação da dispersão dos poluentes atmosféricos emitidos pelas

7.4.1.2 Caracterização da qualidade do ar da zona

7.4.1.2.1 Estação da qualidade do ar Minho - Lima, Viana do Castelo

A qualidade do ar num determinado local pode ser avaliada de três modos distintos: por monitorização contínua com recurso a estações fixas; por campanhas efectuadas com estações móveis; por utilização de modelos de dispersão baseados nas emissões atmosféricas dos diferentes poluentes e nas condições fisiográficas e meteorológicas locais.

Em Portugal, a qualidade do ar é conhecida essencialmente a partir dos dados recolhidos em diversas estações de monitorização fixas equipadas predominantemente com analisadores automáticos, que fornecem em contínuo valores das concentrações médias horárias de cada poluente.

As estações podem ser classificadas em três tipos, consoante o ambiente em que se inserem, e em três tipos consoante a influência que sofrem.

Classificação das estações consoante o ambiente em que se inserem:

 Urbana - localizada em ambiente urbano, cidades;

 Suburbana - localizada na periferia das cidades;

 Rural - localizada em ambiente rural.

Classificação das estações consoante a influência a que estão sujeitas:

 Tráfego - monitoriza a qualidade do ar resultante das emissões directas do tráfego automóvel;

 Fundo - não monitoriza a qualidade do ar resultante das emissões directas de nenhuma fonte em particular; representam a poluição a que qualquer cidadão, mesmo que viva longe de fontes de emissão, está sujeito.

Estas classificações interligam-se entre si, existindo na Região Norte estações urbanas de fundo, rurais de fundo, suburbanas de fundo, urbanas de tráfego e estações industriais.

Constata-se que praticamente todas as estações de monitorização fixas se encontram localizadas nas grandes áreas urbanas ou nas áreas industriais mais relevantes. Em resultado dessa mesma distribuição, a zona em estudo passou a estar abrangida por uma das redes de medição ou controlo da qualidade do ar mencionadas. A estação de monitorização mais próxima da área em estudo está inserida na rede de qualidade do ar do Norte. A Figura 56 representa as zonas e aglomerações da Região Norte e a localização das respectivas estações de monitorização.

Figura 56 – Representação das Zonas e Aglomerações da Região Norte e localização das estações de monitorização (CCDR-N, 2015).

A estação de monitorização Minho-Lima, localizada no Alto do Monte, Senhora do Minho, no concelho de Viana do Castelo (ver Tabela 8 e Tabela 9), entrou em funcionamento em 2005. Trata-se

de uma estação de fundo relativamente próxima do local em estudo (distando cerca de 20 km), considerando-se para os efeitos necessários como representativa do local em estudo2. De seguida apresentam-se dados relativos à localização desta estação e aos poluentes avaliados.

Tabela 8 – Características da estação de monitorização da Senhora do Minho (APA, 2015)

Código: 1047

Data de início: 2005-03-11

Tipo de Ambiente: Rural

Tipo de Influência: Fundo

Zona: Norte Litoral

Rua: Alto do Monte, Senhora do Minho

Freguesia: Montaria

Concelho: Viana do Castelo

Coordernadas Gauss Militar (m)

Latitude: 537310 Longitude: 153293

Coordernadas Geográficas WGS84

Latitude: 41°48'08'' Longitude: -8°41'38''

Altitude (m): 777

Rede: Rede de Qualidade do Ar do Norte

Instituição: Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte

Contacto: 226086300

2 Atendendo aos efeitos da movimentação e dispersão de poluentes atmosféricos e à distância ao local.

Tabela 9 – Poluentes medidos pela estação de monitorização da Senhora do Minho (APA, 2015)

Poluente Símbolo Data de Início da medição

Dióxido de Enxofre SO2 2005-03-11

Partículas <10 µm PM10 2005-03-11

Ozono O3 2005-03-11

Dióxido de Azoto NO2 2005-03-11

Óxidos de Azoto NOx 2005-03-11

Monóxido de Azoto NO 2005-03-11

Partículas <2.5 µm PM2.5 2005-03-11

Figura 57 – Localização da estação de monitorização de Minho-Lima (APA, 2015).

Considerando que se trata de uma estação de monitorização localizada em ambiente rural, com influência de fundo, e que a qualidade do ar é condicionada pela presença de determinados poluentes específicos, procedeu-se a uma avaliação dos poluentes atmosféricos monitorizados pela estação de monitorização Minho-Lima. Procedeu-se ainda a um enquadramento no âmbito dos diplomas legais aplicáveis.

Nesse seguimento, a avaliação da qualidade do ar centrou-se na análise dos dados fornecidos pela base de dados online da qualidade do ar – QualAr, disponibilizada pela Agência Portuguesa do Ambiente, para os anos de 2013 e 2014, relativos aos seguintes poluentes:

 Dióxido de azoto;

 Partículas < 10 µm;

 Ozono.

Consideraram-se ainda, os dados fornecidos pela Agência Portuguesa do Ambiente para os anos de 2010 e 2011, relativos ao seguinte poluente:

 Dióxido de enxofre.

A análise deste poluente nos anos 2010 e 2011, deve-se ao facto de estes serem os dados mais recentes disponibilizados pela estação de monitorização Minho-Lima.

DIÓXIDO DE ENXOFRE

O dióxido de enxofre (SO2) pode resultar de processos naturais, todavia, a queima de combustíveis fósseis constitui a sua principal fonte, sendo que a sua concentração na emissão gasosa está directamente relacionada com a percentagem de enxofre presente no combustível.

O SO2 contribui para a formação das chuvas ácidas, uma vez que pode ser transformado em trióxido de enxofre (SO3), que na presença de vapor de água dá origem a compostos como ácido sulfúrico (H2SO4). A exposição a concentrações elevadas de SO2, H2SO4 e sulfatos pode estar na origem de certos problemas respiratórios e de irritações nas mucosas dos olhos, sendo a influência tóxica agravada quando estão na presença de partículas em suspensão. Nas plantas os sintomas podem ocorrer ao nível da redução da taxa de crescimento e da actividade fotossintética. A deposição destes compostos nos materiais provoca a sua corrosão e acelera o seu processo de envelhecimento e degradação.

De acordo com o Decreto-Lei n.º102/2010, os valores limite exigidos, no que diz respeito ao SO2 são:

 Valor limite horário para protecção da saúde humana de 350 g/m3 (a não exceder mais de 24 vezes por ano);

 Valor limite diário para protecção da saúde humana 125 g/m3 (a não exceder mais de três

 Valor limite para protecção dos ecossistemas no ano civil e período de Inverno (1 de Outubro a 31 de Março) 20 g/m3;

 Limiar de alerta de 500 g/m3, medido em três horas consecutivas.

Na estação de monitorização de qualidade do ar Minho-Lima, a concentração de SO2 obtida para os períodos anuais de 2010 e 2011 está dentro dos limites de protecção da saúde humana, definidos no Decreto-Lei n.º102/2010 de 23 de Setembro.

Tabela 10 – Número de excedências ao valor legislado para o limiar de alerta, segundo o Decreto-Lei n.º 102/2010 de 23 de Setembro (APA, 2015)

Designação Ano Valor

Tabela 11 – Número de excedências ao valor de protecção da saúde humana na base horária, segundo o Decreto-Lei n.º 102/2010 de 23 de Setembro (APA, 2015)

Designação Ano VL + MT

MT – Margem de tolerância: 150 µg/m3

Tabela 12 – Número de excedências ao valor de protecção da saúde humana na base diária, segundo o Decreto-Lei n.º 102/2010 de 23 de Setembro (APA, 2015)

Designação Ano VL

Tabela 13 – Concentrações médias anuais de SO2 para protecção dos ecossistemas, segundo o Decreto-Lei n.º 102/2010 de 23 de Setembro (APA, 2015)

Designação Ano Valor

Entre os óxidos de azoto presentes na atmosfera, o óxido nítrico (NO) e o dióxido de azoto (NO2) são os mais relevantes como poluentes já que ambos contribuem para a formação de smog e chuva ácida. O NO resulta essencialmente da queima de combustíveis fósseis, a altas temperaturas, tanto em instalações fixas (centrais térmicas e fornos industriais), como em veículos automóveis. O NO2, presença de NOx, mesmo em concentrações reduzidas, em simultâneo com SO2 e ozono é também susceptível de afectar gravemente as plantas. Os materiais, especialmente os polímeros naturais e sintéticos, são também danificados por este poluente. Os óxidos de azoto podem ainda participar em reacções com os compostos orgânicos voláteis dando origem a oxidantes fotoquímicos, designadamente, ozono.

De acordo com o Decreto-Lei n.o 102/2010, os valores limite exigidos, no que diz respeito ao NO2

são:

 Valor limite horário para protecção da saúde humana de 200 g/m3, (a não exceder mais de 18 vezes por ano);

 Valor limite anual para protecção da saúde humana de 40 g/m3;

 Limiar de alerta de 400 g/m3, medido em três horas consecutivas.

A monitorização efectuada na estação de qualidade do ar Minho-Lima, evidencia que a concentração de NO2 para o período anual de 2013 está dentro dos limites de protecção da saúde humana, definidos no Decreto-Lei nº 102/2010, de 23 de Setembro. Para o mesmo período em análise verificou-se também que não existiram excedências do valor limite da base horária, e ainda que o limiar de alerta, 400 µg/m3, não foi ultrapassado.

Para o período anual de 2014, os dados da concentração de NO2 ainda não se encontram disponíveis

Tabela 14 – Número de excedências ao valor legislado para o limiar de alerta, segundo o Decreto-Lei n.º 102/2010 de 23 de Setembro (APA, 2015)

Designação Ano Valor

Tabela 15 – Número de excedências ao valor de protecção da saúde humana na base horária, segundo o Decreto-Lei n.º 102/2010 de 23 de Setembro (APA, 2015)

Designação Ano VL

Tabela 16 – Concentrações médias anuais de NO2 (APA, 2015)

Designação Ano VL finamente dispersas na atmosfera, no estado líquido ou sólido. Originadas directamente nas fontes emissoras ou produzidas na sequência de reacções químicas em fase gasosa, as partículas podem ser constituídas por um variado número de compostos, desde poeiras de carbono a metais pesados, dependendo da fonte de emissão. Os constituintes mais nefastos são, contudo, os sulfatos, os nitratos, os hidrocarbonetos policíclicos e os metais pesados.

As partículas inferiores a 10 m de diâmetro (PM10) podem ser inaladas pelo ser humano e são susceptíveis de afectar gravemente todos aqueles que têm doenças pulmonares crónicas obstrutivas

e/ou de coração. A deposição de partículas na vegetação é também nociva pelo facto de as impedir de receber a luz solar.

De acordo com o Decreto-Lei n.o 102/2010, os valores limite exigidos, no que diz respeito a partículas PM10 são: concentração ultrapasse o valor legal 35 dias por ano;

 O valor limite anual de 2013 para protecção da saúde humana não foi excedido;

 Para o período anual de 2014, os dados da concentração de PM10 ainda não se encontram disponíveis na página da internet da APA.

As tabelas que se seguem apresentam um resumo das constatações anteriores.

Tabela 17 – Número de excedências ao valor limite diário para a protecção da saúde humana, segundo o Decreto-Lei n.o 102/2010 de 23 de Setembro (APA, 2015)

Designação Ano VL + MT

Tabela 18 – Valores limites anuais para a protecção da saúde humana, segundo o Decreto-Lei n.º 102/2010 de 23 de Setembro (APA, 2015)

Designação Ano VL + MT por uma névoa que se forma alguns metros acima da superfície do solo. Este poluente forma-se ao nível do solo como resultado de reacções químicas que se estabelecem entre alguns poluentes primários, tais como os óxidos de azoto, os compostos orgânicos voláteis (COV) ou o monóxido de carbono. Estas reacções dão-se na presença de luz solar, sendo particularmente importantes no verão. As fontes de poluentes primários são diversas tais como o tráfego e as indústrias.

O ozono é um poderoso oxidante, o que se reflecte nos ecossistemas, nos materiais e na saúde humana podendo irritar o tracto respiratório, já que o oxida, podendo provocar dificuldades respiratórias (p.ex. impossibilidade de respirar fundo, inflamações brônquicas ou tosse). O ozono é o principal constituinte do smog fotoquímico, o qual é frequentemente associado a diversos efeitos sobre grupos sensíveis como crianças, doentes cardiovasculares e/ou do foro respiratório e idosos; é também, frequentemente, apontado como o principal responsável por perdas agrícolas e danos na vegetação, existindo espécies particularmente sensíveis ao seu efeito tal como o Pinus Alepensis.

Segundo o Decreto-Lei n.º 102/2010 de 23 de Setembro, os limiares de informação e de alerta aplicáveis ao ozono, assim como os valores alvo, são os referidos seguidamente:

 Limiar de informação média horária 180 g/m3;

 Limiar de alerta média horária 240 g/m3;

 Valor-alvo para a protecção da saúde humana 120 g/m3; a não exceder mais de 25 dias, em média, por ano civil, num período de três anos;

 Valor alvo para a protecção de longo prazo 120 g/m3.

Em 2013, na estação de monitorização de qualidade do ar Minho-Lima, verificou-se que o valor do limiar de alerta à população excedeu uma vez o valor definido no Decreto-Lei n.o 102/2010 de 23 de Setembro, enquanto o valor-alvo para protecção da saúde humana, com o valor 120 µg/m3, foi excedido em 35 dias, sendo que excedeu 10 dias o número de excedências permitidas pelo diploma.

Em 2014, tanto o valor do limiar de alerta à população como o valor-alvo para protecção da saúde humana não excederam os valores definidos no Decreto-Lei n.o 102/2010 de 23 de Setembro.

No que concerne aos objectivos de longo prazo para protecção da saúde humana, quer para 2013, quer para 2014, a Agência Portuguesa do Ambiente, não apresenta dados.

Tabela 19 – Número de excedências aos valores legislados para o limiar de alerta à população e o limiar de informação à população, segundo o Decreto-Lei n.º 102/2010 de 23 de Setembro (APA, 2015)

Designação Ano Valor

Tabela 20 – Número de excedências ao valor alvo para protecção da saúde humana, segundo o Decreto-Lei n. º 102/2010 de 23 de Setembro (APA, 2015)

Designação Ano Valor alvo

(c) Número de dias do ano em que se verificaram uma ou mais excedências ao valor-alvo (120 µg/m3).

Tabela 21 – Valores dos objectivos obtidos para protecção da saúde humana, segundo o Decreto-Lei n.º 102/2010 de 23 de Setembro (APA, 2015)

Designação Ano Valor alvo

No documento NOTA DE APRESENTAÇÃO (páginas 152-163)