A Lei no 9.883, de 7 de dezembro de 1999, institui o Sistema Brasileiro de Inteligência e cria a Agência Brasileira de Inteligência – ABIN. Para dispor sobre a organização e o funcionamento do Sistema Brasileiro de Inteligência surge o Decreto no 4.376, de 13 de Setembro de 2002. Os órgãos que compõem o SISBIN podem ser verificados na Figura 69.
Figura 69 – Composição do SISBIN
Fonte: Elaborada com base no Decreto no 4.376/2002
O mistério da Justiça, por meio da Secretaria Nacional de Segurança Pública (SENASP) compõe o Sistema Brasileiro de Inteligência (SISBIN) conforme expressa o Decreto no 4.376/2002. Além de compor o SISBIN a SENASP é o órgão central do Subsistema de Inteligência de Segurança Pública (SISP) de acordo com Decreto no 3.695/2000, isto pode ser observado na Figura 70. É importante destacar que os Estados da
164 Federação e o Distrito Federal podem integrar o SISP, conforme expressa no decreto referenciado. Este último Decreto cria o Conselho Especial do Subsistema de Inteligência de Segurança Pública, órgão de deliberação coletiva, com a finalidade de estabelecer normas para as atividades de inteligência de segurança pública. Entre as suas atribuições estão:
• Propor a integração dos Órgãos de Inteligência de Segurança Pública dos Estados e do Distrito Federal ao Subsistema;
• Estabelecer as normas operativas e de coordenação da atividade de inteligência de segurança pública;
• Acompanhar e avaliar o desempenho da atividade de inteligência de segurança pública;
• Constituir comitês técnicos para analisar matérias específicas.
Figura 70 – Composição do Subsistema de Inteligência de Segurança pública Fonte: Figura elaborada com base no Decreto no 3.695/2000
Podemos verificar que a atividade de inteligência, devido à sua complexidade, exige cuidados importantes na criação de normas, procedimentos e métodos para apoiar sua execução, nos limites desenhados pelo Estado Democrático de Direito, elegendo como bases o respeito aos cidadãos e às leis do País.
Frente a estas colocações, percebe-se que a SENASP necessita de um setor especifico para tratar dos assuntos relacionados à atividade de inteligência. Neste contexto, destaca-se a Coordenação-Geral de Inteligência (CGI/SENASP), órgão responsável por executar a atividade de inteligência estratégica da SENASP.
Entre suas atribuições, podemos ressaltar duas, expostas na Portaria no 1.821/2006: “desenvolver ações estratégicas no âmbito da Segurança Pública e promover a integração dos órgãos que compõem o Subsistema de Inteligência de Segurança Pública (SISP)”.
Nesse sentido, a CGI/SENASP, após visualizar a necessidade de desenvolver formas de interagir com as inteligências dos Órgãos Federados e Distrito Federal, vem trabalhando no sentido de favorecer o intercâmbio de informações, produção e a difusão do conhecimento de segurança pública, por meio de procedimentos bem definidos e aprimorados, dotados de mecanismos tecnológicos especialmente desenvolvidos.
É possível alcançar os referidos propósitos graças aos avanços da engenharia e gestão do conhecimento e da massificação do uso das tecnologias da informação e comunicação na administração pública, através do governo eletrônico. Importante, também, se faz destacar o alto grau de segurança adotado nas instituições, em particular, na proteção do conhecimento produzido.
Para executar as atividades acima expostas, a CGI/SENASP conta com uma estrutura delimitada às necessidades que são inerentes à nova atividade de inteligência de segurança pública.
Considerando o contexto evidenciado, a Coordenação-Geral de Inteligência procura trabalhar com solidez na concepção dos produtos, enquanto estrutura institucional, e valorização do elemento humano, norteando os profissionais que executam tais atividades. As bases sólidas podem ser encontradas na missão da CGI/SENASP e o norteamento nos valores institucionais.
• Como Missão central de suas ações a CGI/SENASP tem: “Integrar e padronizar os Organismos de Inteligência de Segurança Pública”
• Os Valores Institucionais da CGI/SENASP são:
Ética; Lealdade; Excelência profissional; Responsabilidade; e Pró-atividade. Para a consecução de seus objetivos, a CGI/SENASP conta com duas Coordenações ligadas diretamente a ela e uma terceira, que é independente, conforme se segue:
A Coordenação de Inteligência (COINT), subdividida em Divisões Regionais de Inteligência Estratégica (DRIE) nas regiões Norte, Sul, Nordeste, Centro-oeste e Sudeste. A Divisão de Doutrina de Inteligência de Segurança Pública (DD) e a Divisão de capacitação (DC).
166 I – Promover a integração das atividades de inteligência de segurança pública desenvolvidas por todos os órgãos de inteligência que compõem o Subsistema de Inteligência de Segurança Pública (SISP);
II – Desenvolver a implementação de normas, procedimentos e condutas de atividades de inteligência de segurança pública, em âmbito regional e nacional, com o escopo de estabelecer padrões de excelência de ações de inteligência de segurança pública de natureza operacional e estratégica.
A Coordenação de Redes e Sistemas de inteligência (CORESI) que agrega a Divisão de Redes de Inteligência (DRI) e a Divisão de Sistemas de Inteligência (DSI). A primeira gerencia a Rede Nacional de Inteligência de Segurança Pública (RENISP) e a Rede Internacional de Informações (RESINF). Já a segunda, gerencia o Sistema Nacional de Identificação de Veículos em Movimento (SINIVEM), Sistemas de Inteligência Digital e os Sistemas de interceptação de Sinais.
São atribuições da CORESI:
I – Fomentar o intercâmbio de informações através de redes e sistemas
II – Estabelecer políticas para utilização das redes e sistemas
III – Criar indicadores para medir a eficiência e eficácia das redes e sistemas
IV – Desenvolver um sistema integrado entre inteligência e a estatística
V – Buscar parcerias que possibilitem o crescimento das redes e sistemas
VII – Difundir as boas práticas dos gestores e operadores integrantes das redes e sistemas de inteligência
Por último, a Coordenação de Informações de Segurança Pública (INFOSEG) que conta com a Divisão de Infraestrutura e a Divisão de projetos, possuindo as seguintes atribuições:
• A Rede INFOSEG tem por objetivo a integração das informações de Segurança Pública, Justiça e Fiscalização, como dados de inquéritos, processos, de armas de fogo, de veículos, de condutores, de mandados de prisão, dentre outros entre todas as Unidades da Federação e Órgãos Federais.
• A Rede disponibiliza informações por meio da internet em âmbito nacional, utilizando um Índice onde é possível acessar informações básicas de indivíduos. O detalhamento dessas informações é acessado, a partir de uma consulta inicial no índice, diretamente nas bases estaduais de origem, mantendo a autonomia dos estados em relação as suas informações detalhadas. A rede INFOSEG concentra em sua base de dados apenas as informações básicas que apontam para as fontes de dados dos estados, no caso das informações de processos, inquéritos e mandados de prisão.
A composição do organograma da CGI/SENASP é apresentada na Figura 71.
Figura 71 – Organograma da CGI
Filosofia de trabalho da CGI/SENASP
A CGI/SENASP, com foco em seu planejamento estratégico, elegeu três pilares para o encadeamento de suas ações, com foco no elemento fundamental que movimenta a atividade de inteligência, a saber, o conhecimento. Assim, a atividades buscam a consunção dos seguintes objetivos:
• Produzir conhecimento
• Compartilhar
• Integrar
Esta filosofia de trabalho consubstancia-se em um ciclo virtuoso, apresentado na Figura 72, de produção do conhecimento a ser utilizado pelos operadores de Segurança Pública, voltado à proteção do cidadão e ao fortalecimento do estado democrático de direito.
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Figura 72 – Tripé de sustentação da filosofia de trabalho da CGI Fonte: Elaborado pela CGI/SENASP
Pautada numa forma Concêntrica de interação, tendo como centro gravitacional a Informação, a CGI/SENASP foca seus esforços para que este ciclo seja perpetuamente alimentado.
A Figura 73 dá uma ideia de capilaridade e da forma de atuação da CGI/SENASP no território Nacional, demonstrando como as suas coordenações se relacionam dentro de uma visão una, de ação, e pluri, de contexto.
Figura 73 – Forma de atuação das Coordenações da CGI Fonte: Elaborado pela CGI/SENASP
Diante das atribuições estritas e com observância dos padrões de segurança da informação e adequabilidade à realidade tecnológica, a Coordenação-Geral de Inteligência
necessita de um sistema de conhecimento. Como o autor desta dissertação tinha o intuito de desenvolver um modelo de sistema de conhecimento para inteligência de segurança pública e foi convidado a fazer parte do grupo da CGI/SENASP, o que era para ser um modelo passou a virar um projeto de sistema.
O sistema recebeu a denominação de Base Nacional de Conhecimento (BNC) e pode ser considerada a primeira etapa do Sistema Nacional de Conhecimento para Segurança Pública. Este sistema auxiliará a CGI, juntamente com toda comunidade de inteligência legalmente constituída a produzir conhecimento com intuito de subsidiar as autoridades na tomada de decisão nos níveis operacionais, táticos e estratégicos das instituições de segurança pública e órgãos congêneres.
Desta forma, o sistema é um marco inovador na produção de conhecimento para atividade de inteligência de Segurança Pública.