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5.3 SELEÇÃO E DIGITALIZAÇÃO DAS INFORMAÇÕES

5.4 ESTABELECIMENTO DOS OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM

De acordo com o Programa Nacional de Educação Ambiental a missão da Educação Ambiental é contribuir “[...] para a construção de sociedades sustentáveis com pessoas atuantes e felizes em todo o Brasil.” (Brasil, 2005b)

Essa meta constitui uma aspiração bastante ampla que pode ser traduzida de diferentes maneiras em relação aos conteúdos e atividades a serem desenvolvidos.

Dessa forma, ao se construir um material didático, seja ele verbal, visual ou digital é extremamente necessário que primeiramente sejam estabelecidos os objetivos de aprendizagem que se almeja atingir com o seu uso, os quais devem abranger os aspectos conceituais, procedimentais e atitudinais.

Deve-se também destacar que a determinação clara e precisa dos objetivos da aprendizagem geralmente facilitam a avaliação da adequação do material ao(s) objetivo(s) proposto(s).

Os aspectos conceituais se relacionam aos conceitos que se objetiva transmitir, tendo-se em vista que a sua apreensão deve se dar de tal forma que se possibilite a organização das informações recebidas com as informações que já se possui ou que se venha a aprender.

Os conceitos estão estritamente relacionados aos procedimentos, os quais envolvem decisões para a realização de uma meta seja ela uma visita efetiva a um Parque, o levantamento dos problemas ambientais concernentes ao cerrado ou a construção de um painel sobre algum tema ambiental, o que pode levar ao reconhecimento da necessidade da conservação, preservação, recuperação ambiental.

A dimensão atitudinal diz respeito aos processos que permeiam todo o material didático e que devem levar ao desenvolvimento de atitudes críticas em relação aos padrões de produção e consumo da sociedade contemporânea.

Os PCNs sugerem que a ação pedagógica relacionada ao meio ambiente deve “[...] centrar-se no desenvolvimento de atitudes e posturas éticas, e no domínio de procedimentos, mais do que na aprendizagem estrita de conceitos.” (BRASIL, 1998, p.201).

Seguindo, contudo, um outro enfoque, baseados na The North American Asisociation for Environmental Education – NAEE (2004), por meio da publicação Guidelines for Excellence, consideramos que o entendimento dos processos e sistemas que compreendem o meio ambiente é um aspecto importantíssimo a ser acionado pelas práticas de Educação Ambiental, o que inclui tanto os seus aspectos bio-físicos como sócio-econômicos.

Assim, possibilitar a análise dos padrões bio-físicos e sugerir as razões para a existência desses padrões é uma tarefa a ser realizada pelo material didático voltado à Educação Ambiental, devendo-se considerar tanto processos de longo e médio prazo, tais como, no presente caso, os processos de formação do cerrado, quanto aqueles de origem antrópica desencadeados pelo desenvolvimento urbano e práticas agropecuárias.

A sociobiodiversidade, portanto, disponta como um dos conceitos chaves, na tentativa de se compreender e levar à apreensão das interações complexas entre natureza-homem. De acordo com CARVALHO (2004)

Tal noção auxilia-nos a traduzir a indissociável interação entre o mundo natural e o social, da qual resultam as condições de vida humana na terra e as suas marcas na natureza, novos cursos de vida, fluxos de comunicação e paisagens tanto naturais como culturais. (CARVALHO, 2004, p. 82)

A NAEE declara ainda que a “alfabetização” ambiental

[...] dependes on learners’ ability to ask questions, speculate, and hypothetsize about the world around them, seek information, and develop answers to their questions Learners must be familiar with inquiry, master fundamental skills for gathering and organizing information and interpret and synthesize information to develop and communicate explanations. (NAEE, 2004, p. 6)12

12 [...] depende da habilidade do aprendiz fazer questões, especular e fazer hipóteses sobre o

A NAEE afirma ainda que cidadãos ambientalmente “alfabetizados” devem ser capazes, por meio dos conceitos aprendidos, de definir um problema ambiental, tendo as habilidades necessárias para investigar as suas razões, agir sobre suas próprias conclusões, a fim de assegurar a qualidade ambiental, entendendo que o que fazem individualmente e em grupo pode fazer a diferença.

Na mesma direção os PCNs estabelecem que o trabalho com o tema transversal meio ambiente deve contribuir para que os alunos do Ensino Fundamental sejam capazes de :

• Identificar-se como parte integrante da natureza e sentir-se efetivamente ligados a ela, percebendo os processos pessoais como elementos fundamentais para uma atuação criativa, responsável e respeitosa em relação ao meio ambiente;

• Perceber, apreciar e valorizar a diversidade natural e sociocultural, adotando posturas de respeito aos diferentes aspectos e formas do patrimônio natural, ético e cultural;

• Observar e analisar fatos e situações do ponto de vista ambiental, de modo crítico, reconhecendo a necessidade e as oportunidades de atua de modo propositivo, para garantir um meio ambiente saudável e a boa qualidade de vida;

• Adotar posturas na escola, em casa e em sua comunidade que os levem a interações construtivas, justas e ambientalmente sustentáveis;

• Compreender que os problemas ambientais interferem na qualidade de vida das pessoas, tanto local quanto globalmente; • Conhecer e compreender, de modo integrado, as noções básicas relacionadas ao meio ambiente;

• Perceber, em diversos fenômenos naturais, encadeamentos e relações de causa/efeito que condicionam a vida no espaço (geográfico) e no tempo (histórico), utilizado essa percepção para posicionar-se criticamente diante das condições ambientais de seu meio;

• Compreender a necessidade e dominar alguns procedimentos de conservação e manejo dos recursos naturais com os quais interagem, aplicando-os no dia-a dia. (BRASIL, 1998, p. 197/198)

aprendizes devem ser familiarizados com a investigação, habilidades fundamentais pra obter e organizar a informação, e interpretar e sintetizar informação para desenvolver e comunicar explicações. (NAEE, 2004, p. 6)

O material didático deve assim, em relação aos aspectos procedimentais, suscitar questionamentos a seus usuários, levando-os a propor idéias que coloquem em xeque suas próprias crenças ambientais. Experienciar e observar o Parque Siquierolli virtualmente pode assim se constituir em um procedimento que leve à construção de uma base de habilidades e conhecimentos suscitando acima de tudo o desejo da experiência direta.

Dessa forma, o material didático, em relação aos aspectos atitudinais, deve propiciar ao usuário a articulação e definição clara dos problemas ambientais, identificando os diferentes grupos sociais envolvidos, os tipos de ações que podem ser desenvolvidas, percebendo as idéias de conflito e concordância, bem como as diferentes possibilidades para solução das questões ambientais que permeiam o Parque Municipal Victório Siquierolli e sua relação com os contextos regional, nacional e global.

Com base nesses critérios, foram selecionados, portanto, conteúdos que possibilitassem aos alunos conhecer algumas das especificidades do Parque, tais como a história da sua formação, as suas características fitofisionômicas e hipsométricas e sua infra-estrutura. Da mesma forma, elegeu-se alguns temas que pudessem ser tratados em relação ao Parque, mas que pudessem ser amplificados, abarcando temáticas de escalas nacional e global, como é o caso da queimada e do desmatamento.