4 OBSERVAÇÃO DA PRESENÇA DAS LÍNGUAS CHINESAS EM FOZ DO
4.1 PRESENÇA VISUAL DA ESCRITA CHINESA
4.1.1 Estabelecimentos Comerciais
Notou-se que a língua chinesa na sua forma escrita é encontrada principalmente em estabelecimentos comerciais, com uma função informativa e também representativa, em virtude de efeitos da globalização e significados locais, como forma de estratégia de mercado e para atrair o público alvo.
A foto a seguir é de uma casa de chá (tradução da escrita em inglês na placa) localizada no centro da cidade que vende variedades de produtos feitos com chá e sagu, muito popular em Taiwan, os ideogramas são da escrita tradicional.
Figura 1: Placa da loja Bubble Fresh
Fonte: Arquivo de visita ao campo (2017).
A próxima figura é da fachada de um supermercado que pertence a uma rede importante na região. O estabelecimento se localiza no centro da cidade, onde se observa, além da língua portuguesa, a escrita em inglês, alemão, espanhol, chinês e árabe. Independente de qual tenha sido a intenção do estabelecimento, a fachada com essa diversidade de línguas atrai consumidores por simbolizar um local acolhedor e receptivo de várias nacionalidades. Além disso, releva destacar, em especial, a escolha das línguas chinesa e árabe, as quais são as línguas das nacionalidades mais representativas na cidade, segundo os dados da PMFI, [201-?].
Figura 2: Fachada de um supermercado.
Fonte: Arquivo de visita ao campo (2017).
As três fotografias a seguir são de uma loja, de pedras preciosas, localizada ao lado do Restaurante China, no bairro da Vila Yolanda. A primeira foto à esquerda é a fachada lateral da loja. Destaca-se que os nomes das pedras preciosas estão apresentados unicamente na escrita chinesa logo abaixo do desenho das pedras, demonstrando-se, assim, de maneira clara e explícita o público alvo consumidor que se pretende atingir.
Figuras 3, 4 e 5: Loja de pedras preciosas.
A segunda foto acima, do meio, é a entrada, observa-se que o letreiro da fachada frontal do estabelecimento é o único local onde há a escrita na língua portuguesa. A terceira foto, à direita, são as letras em destaque embaixo da placa escrita Diamante Azul, tanto um lado, como o outro estão escritos os mesmos dizeres em inglês Precious Stones em cima e a tradução em chinês embaixo que significa pedras preciosas.
A imagem seguinte é de um açougue localizado no centro da cidade, e merece destaque em razão da política linguística adotada. Por meio de conversas informais com os responsáveis pelo estabelecimento comercial, extraiu-se que além de optarem pelo uso da escrita nas línguas chinesa e portuguesa, também adotaram a enumeração com algarismos arábicos como forma de facilitar a comunicação de eventualmente um chinês que não saiba falar em português ser atendido por um funcionário que só sabe falar em português, tal estratégia facilita a comunicação e é uma maneira de aumentar os lucros, atraindo para o comércio os consumidores que não sabem nem falar nem ler em português. Ainda, destaca-se que muitos dos produtos vendidos não são encontrados nos supermercados ou nos demais açougues da cidade, por serem partes que não são costumeiramente consumidas por brasileiros em geral, como bexiga e testículo bovino.
Figura 6: Placa fixada na parede de um açougue.
Fonte: Arquivo de visita ao campo (2017).
A fotografia a seguir é a vitrine de uma loja de vestuário feminino localizada no centro da cidade. Os ideogramas da escrita tradicional chinesa, em destaque, na imagem à direita (特売) pronunciam-se /tè mái/, segundo o alfabeto fonético pin yin, e significa promoções na língua portuguesa.
Figuras 7 e 8: Vitrine de uma loja.
Fonte: Arquivo de visita ao campo (2017).
Da mesma forma que a fachada do supermercado da foto anterior, além do caráter informativo, anúncios em várias línguas têm o intuito de chamar a atenção do consumidor, uma forma de atração de clientela. Independentemente da nacionalidade dos administradores desses estabelecimentos comerciais, sejam eles chineses, brasileiros, etc., eles são gestores da língua. E pode-se afirmar que esses gestores reconhecem não apenas a existência da língua chinesa, mas a circulação, o poder e o alcance da escrita chinesa, razão pela qual decidiram inseri-la em suas vitrines e fachadas, locais de visualização pública, tornando-se parte da paisagem linguística de Foz do Iguaçu.
Os proprietários de estabelecimentos comerciais que imprimem suas escolhas linguísticas na paisagem linguística da cidade são gestores de línguas (BERGER; ELSENBACH, 2017). E essas escolhas decorrem de uma variedade de fatores, como os valores atribuídos às línguas, atitudes linguísticas, pertencimento a uma determinada identidade linguística, dentre outros. Desse modo, o fortalecimento das condições de visibilidade de determinada língua em relação a outras, pode ser reflexo das formas como são dispostas nos espaços de visibilidade, pelos seus gestores.
Por fim, a fotografia a seguir foi tirada da fachada de uma academia situada no centro da cidade. Os ideogramas são da escrita japonesa, mas são os mesmo da escrita chinesa tradicional (柔道), em mandarim, pronuncia-se / Róudào/, segundo o alfabeto fonético pin
yin, e possui o significado de “judô” e transmite uma imagem de autenticidade do que está
sendo divulgado.
Figuras 9 e 10: Placa fixada no muro de uma academia.
Verifica-se que na cidade de Foz do Iguaçu é possível observar a presença da escrita chinesa nas fachadas dos estabelecimentos comerciais, em especial, no centro, onde provavelmente reside a maioria dos chineses. Além da escrita chinesa, há também a presença da escrita japonesa que se assemelha muito à escrita chinesa e em alguns casos são os mesmos ideogramas como a última fotografia colacionada. A fotografia à direita são os ideogramas ampliados para melhor visualização. A seguir foram selecionados três restaurantes especializados em culinária oriental e que são reconhecidos pela comunidade linguística chinesa como pontos de encontros e reuniões.