3. Tempos, Usos e Ritmos
3.1. Estabelecimentos Comerciais
Atualmente, existe uma crescente preocupação com a imagem da cidade, o que leva a que uma grande parte do edificado seja alvo de diversos projetos de intervenção, de forma a promover melhorias na imagem e conforto do edificado, alargando-se, ao espaço público. Desta forma, assistimos a algumas alterações nos estabelecimentos comerciais, conferindo-lhes, assim, um aspeto mais atrativo e dinâmico, uma vez que estes apresentam cada vez mais características distintas, onde a oferta de artigos é bastante variada, o que despoleta assim, uma maior competitividade entre si. A Baixa do Porto apresenta, essencialmente, infraestruturas voltadas para os visitantes de tempo curto, onde o crescimento de estabelecimentos comerciais, como lojas de roupa, de lembranças ou artesanato, de restauração, como os cafés, restaurantes ou bares, bem como espaços direcionados para o alojamento local são uma realidade cada vez mais presente. Esta nova realidade surge como uma mistura daquilo que é visto como o comércio tradicional e os novos estabelecimentos modernos e heterogéneos.
Os levantamentos funcionais dos estabelecimentos localizam-se naquilo que é apelidado por muitos como a área principal da Baixa da Cidade do Porto, estendendo-se desde o eixo da Liberdade até à Praça da Ribeira. Estes levantamentos centram-se na atividade comercial ao nível do rés-do-chão nos meses de julho de 2018, janeiro de 2019 e julho de 2019.
Figura 5 - Total de estabelecimentos por tipo de atividade em julho de 2018
O tipo de atividade predominante nos eixos em estudo são, essencialmente, cafés e restaurantes, onde foram registados cerca de 71 estabelecimentos (ver tabela 1). Importa, também, referir a expressão dos estabelecimentos que se encontram em estado devoluto (72), que representam a maior fatia deste registo, por devoluto entendem-se os estabelecimentos que até à data (julho 2018) se encontram abandonados, sem o funcionamento de qualquer atividade comercial, em obras ou desabitados mas com condições para futura exploração.
Aqueles que têm uma expressão menor são os estabelecimentos direcionados para o Comércio de Artigos para o Lar e Profissão e o Comércio de Artigos de Higiene, Saúde e Profissão, com o registo de 5 estabelecimentos, respetivamente. O Comércio Alimentar e o Comércio de Artigos de Cultura e Lazer também se apresentam com baixa representatividade (ver tabela 1).
De um modo geral, os estabelecimentos estão distribuídos de forma uniforme por todos os arruamentos em estudo, sendo que se denotam algumas concentrações de estabelecimentos de comércio não especializado na Praça Almeida Garrett, Rua das Flores e Rua Mouzinho da Silveira, assim como os cafés e restaurantes apresentam maior expressão no Largo S. Domingos e na Praça da Ribeira. Assiste-se, também, na Rua das Flores e na Rua Mouzinho da Silveira uma elevada representatividade de estabelecimentos de comércio de vários tipos (Cultura/ Lazer; Alimentar; Pessoais; Não Especializado).
Figura 6 - Estabelecimentos por tipo de atividade em janeiro de 2019
Figura 9 - Total de estabelecimentos por tipo de atividade em julho de 2019
Ao analisar a evolução dos estabelecimentos comerciais num período de seis meses (janeiro 2019), verifica-se um aumento do número de estabelecimentos devolutos (75) e um aumento do número de estabelecimentos direcionados para o Comércio de Artigos Pessoais (29), este último com mais expressão na Rua Mouzinho da Silveira. Desde julho de 2018 a julho de 2019, as alterações a nível comercial são mais visíveis. O Comércio de Artigos Pessoais continua com um aumento progressivo passando de 22 estabelecimentos em julho de 2018 para 31 em julho de 2019, este tipo de comércio reflete-se, essencialmente, em lojas de roupa, como por exemplo a abertura da Tiffosi na Rua das Flores/ Rua Mouzinho da Silveira. Também se registou um aumento de Cafés/ Restaurantes verificados na Rua Mouzinho da Silveira (consultar figura 10). Por outro lado, verifica-se uma diminuição do Comércio Não Especializado e dos Serviços Culturais, Recreativos e de Turismo, justificado pela diminuição de Posto de Turismo na área.
Todas as ruas/praças em estudo contam com estabelecimentos devolutos mais visíveis na Rua das Flores e na Rua Mouzinho da Silveira, sendo que a maioria dos edifícios se encontram em bom estado, mas desocupados de atividade comerciais, porém alguns deles encontram-se em processo de reabilitação profunda. Estes diminuíram no período de um ano, uma vez que em julho de 2018 apresentavam cerca de 72 estabelecimentos ou seja 23,5% do seu total de estabelecimentos, porém, e apesar de em janeiro de 2019 terem aumentado o para 75 correspondente a 24,5% do total registado, passados seis meses o número dos mesmos voltou a diminuir, desta vez para 66
estabelecimentos (consultar tabela 1).
Tabela 1- Total e percentagem dos estabelecimentos em julho de 2018, janeiro de 2019 e julho de 2019
Figura 10 - Total de estabelecimentos em julho de 2018, janeiro de 2019 e julho de 2019
Comércio Alimentar 13 4,2 14 4,6 15 4,9 Comércio Artigos Pessoais 22 7,2 29 9,5 31 10,1 Comércio Artigos para o lar e profissão 5 1,6 4 1,3 6 2 Higiene/ Saúde/ Beleza 5 1,6 5 1,6 7 2,3 Comércio Artigos de Lazer/ Cultura 15 4,9 13 4,2 14 4,6 Artigos Não Especializados 37 12,1 33 10,8 32 10,5 Café/ Restaurante 71 23,2 70 22,9 74 24,2 Alojamento 21 6,9 19 6,2 21 6,9 Serviços Culturais, Recreativos e de Turismo 21 6,9 21 6,9 18 5,9 Outros Serviços 24 7,8 23 7,5 22 7,2 Devoluto 72 23,5 75 24,5 66 21,6
% Tipo de Atividade julho
2018 %
janeiro 2019 %
julho 2019
Tabela 2 - Total de alterações ocorridas nos estabelecimentos desde julho de 2018 a julho de 2019
Figura 12 - Percentagem das alterações ocorridas entre julho de 2018 e julho de 2019
Numa visão geral, podemos concluir que uma percentagem considerável de estabelecimentos, em estudo, sofreu modificações, que face ao período de levantamento, que foi de apenas um ano, é bastante significativo. Cerca de 20% destes estabelecimentos sofreram alterações, valor que se aproxima dos Aliados que regista alterações dos estabelecimentos de cerca de 25%. Contudo, no período de julho de 2018 a julho de 2019, alguns estabelecimentos sofreram modificações, sendo que a maioria destas, se concentra na abertura de novos estabelecimentos, que em julho de 2018 se encontravam em estado devoluto. Dentro dos 22 estabelecimentos que abriram destacam-se o Comércio de Artigos Pessoais, essencialmente, lojas de roupa como a abertura da loja Tiffosi e Panamar, na Rua Mouzinho da Silveira e os Cafés/ Restaurantes como, por exemplo, a
Alterações Total de estabelecimentos Total de estabelecimentos (%)
Abriu 22 7,2
Encerrou 15 4,9
Alteração do proprietário 4 1,3
Atividade diferente 15 4,9
abertura dos restaurantes Wok to Walk, Bartolomeu e Artesão, também, na Rua Mouzinho da Silveira.
Relativamente aos estabelecimentos que encerraram (15), não existe nenhum tipo de atividade que se destaque, porém muitos destes necessitavam de uma intervenção de reabilitação profunda. Com o mesmo número de estabelecimentos surgem aqueles que sofreram alterações do tipo de atividade. Estes estabelecimentos podem ter estado desocupados durante um curto período de tempo e quando voltaram ao ativo o seu tipo de atividade inicial mudou. Contudo, estes também podem ter passado por alguma intervenção de curta duração. Neste seguimento, e uma vez que estas alterações podem ser justificadas de igual modo, importa referir que quatro dos estabelecimentos viram o seu proprietário alterado.
Em suma, e de modo a fazer um apanhado geral de toda a área de estudo, podemos concluir que esta se encontra abastecida por estabelecimentos comerciais e de serviços de diferentes tipos, conferindo-lhe, assim, características dinâmicas e heterogéneas. O carácter diversificado das lojas garante aos seus residentes e visitantes da cidade o acesso a uma panóplia de ofertas que vai de encontro aos seus hábitos de consumo.
Do ponto de vista das alterações ao nível dos estabelecimentos, e face ao tempo considerado, estas podem ser vistas como pouco marcantes no que respeita à transformação do tipo de atividades, porém, e apesar do período de estudo ser curto, já se notam algumas modificações.
No que respeita às ruas/praças em estudo, a Rua das Flores e a Rua Mouzinho da Silveira assumem-se, cada vez mais, como pontos de interesse por parte dos visitantes da cidade, uma vez que, estas se destacam pela presença de lojas com tipos de atividades diferentes. Sendo que, conseguem captar a atenção daqueles que procuram a novidade e as lojas de marca, como, por exemplo, a Tiffosi e aqueles que procuram o tradicional e o antigo como, por exemplo, a loja das bandeiras. Tanto o Largo de S. Domingos como a Praça da Ribeira destacam-se pela oferta de estabelecimentos de restauração, enquanto que as restantes ruas como a Rua Sousa Viterbo ou a Rua Infante do Infante D. Henrique vão-se tentando adaptar aos novos ritmos e usos da cidade.