6 DIREITOS DO EMPREGADO DECORRENTES DO ACIDENTE DO TRABALHO
6.1 DIREITOS TRABALHISTAS
6.1.1 Estabilidade Acidentária
Estabilidade acidentária trata-se de hipótese específica de garantia de emprego, que pode ser assegurada por meio de lei ordinária, com fundamento no princípio da norma mais benéfica (art. 7º, caput, CF/88).
Tratando-se de estabilidade provisória, o art. 118 da Lei 8.213/91 expressa o seguinte:
82 Art. 118. O segurado que sofreu acidente do trabalho tem garantida, pelo prazo mínimo de doze meses, a manutenção do seu contrato de trabalho na empresa, após a cessação do auxílio-doença acidentário, independentemente de percepção de auxílio-acidente.
De acordo com a própria redação do supracitado artigo, a percepção de auxílio-doença acidentário pelo empregado constitui pressuposto para o direito à estabilidade provisória.
Como o referido benefício previdenciário somente é devido após 15 dias de
afastamento da atividade, em razão da incapacidade para o trabalho (art. 59, caput,
da Lei 8.213/91), esta suspensão por prazo superior a 15 dias é outro requisito para
fazer jus à mencionada garantia de emprego.
A estabilidade provisória é medida de inteira justiça ao empregado acidentado. Caso não existisse, certamente com a ocorrência do acidente do trabalho, haveria consequentemente, a dispensa do empregado acidentado do contrato de emprego, pela incapacidade laboral para efetivação do serviço empregatício.
Ainda, tem-se que a estabilidade provisória gera o direito de reintegração ao emprego, mas caso haja incompatibilidade quanto ao relacionamento entre o empregado e o empregador, pode haver a conversão da reintegração em indenização, sendo obrigatório, o pagamento dos direitos trabalhistas frente ao período da estabilidade, como: remuneração pelos 12 meses de estabilidade ao emprego, adicionais, 13º salário, férias com 1/3, FGTS + 40%, aviso prévio, entre outros.
Segundo GARCIA (2006, p. 89), as doenças profissionais e do trabalho normalmente não se manifestam de forma súbita, mas vão se alojando, pouco a pouco, no organismo, até causarem a impossibilidade de labor. Nessas hipóteses, muitas vezes não se verifica o efetivo recebimento do auxílio-doença acidentário antes da extinção contratual. O autor, por meio de interpretação teleológica do dispositivo legal, defende a tese de que, se o afastamento das atividades por mais de 15 dias ao menos “deveria” ter ocorrido, deve-se considerar preenchido o requisito legal. Se o trabalhador não recebeu auxílio-doença acidentário, nem pôde ficar afastado até a recuperação de suas condições de trabalho, em razão de falta da empresa,
83 GARCIA (2006, p. 90) ressalta que não se admite que ele seja novamente prejudicado, devendo-se neutralizar as consequências do ato ilícito.
Em virtude disso, o Tribunal Superior do Trabalho, ao revisar a Orientação Jurisprudencial 230, convertendo-a na Súmula 378, corretamente passou a prever em seu inciso II, que: “São pressupostos para a concessão da estabilidade o afastamento superior a 15 dias e a consequente percepção do auxílio doença acidentário, salvo se constatada, após a despedida, doença profissional que guarde relação de causalidade com a execução do contrato de emprego”.
Ou seja, em se tratando de doença ocupacional, não se pode aplicar literalmente o rigor da previsão do art. 118, da Lei 8.213/91, justamente em razão das peculiaridades das enfermidades ocupacionais, quando comparadas ao acidente típico. Não se faz necessária a existência de sequelas, posteriores ao acidente, para a aquisição da estabilidade acidentária, eis que ela está assegurada “independentemente” de percepção de auxílio-acidente.
O prazo de garantia da manutenção do emprego de acordo com o art. 118, da Lei 8.213/91 é de, no mínimo, doze meses após a cessação do auxílio-doença acidentário. Essa palavra “mínimo” significa dizer que o período não pode ser livremente ampliado pelo intérprete e aplicador da norma, ou seja, a lei assegura um patamar mínimo quanto a esta garantia de emprego, não sendo válida a fixação do período de estabilidade em nível inferior, seja por meio de outras fontes normativas, seja por negociação coletiva.
No entanto, GARCIA (2006, p.91) reforça a concretização do princípio da norma mais favorável, considerando que é plenamente possível e válida a estipulação de prazo superior ao mínimo legal caso exista uma norma mais favorável que estabeleça prazo superior a doze meses, seja pelo contrato individual de trabalho, seja por norma coletiva negociada. Ausente a existência de norma mais benéfica, aplica-se automaticamente o prazo legal.
Valido mencionar a Súmula 378 do TST, que reforça a estabilidade provisória,
verbis:
Súmula nº 378 - TST - Estabilidade Provisória - Acidente do Trabalho - Constitucionalidade - Pressupostos
84 I - É constitucional o artigo 118 da Lei nº 8.213/1991 que assegura o direito à estabilidade provisória por período de 12 meses após a cessação do auxílio-doença ao empregado acidentado.
II - São pressupostos para a concessão da estabilidade o afastamento superior a 15 dias e a consequente percepção do auxílio doença acidentário, salvo se constatada, após a despedida, doença profissional que guarde relação de causalidade com a execução do contrato de emprego. A dispensa do empregado sem justa causa, antes que este esteja recuperado, é nula, pois, estando ele ainda incapacitado, o seu contrato está suspenso, o que obsta a despedida arbitrária. Nesse caso, a estabilidade não teria como ser adquirida, já que não foi cessado o gozo do benefício previdenciário.
No campo das patologias psíquicas, a nova redação da Súmula 378 do TST veio deixar clara a garantia ao emprego que os empregados acometidos por tais doenças têm enquanto perdurar o infortúnio, afinal, deve-se ressaltar que as patologias psíquicas não têm cura, mas apenas controle, não sendo justo que o empregado vitimado ficasse desamparado após os doze meses de estabilidade provisória, uma vez que os sintomas de sua doença são reincidentes, exigindo do trabalhador um tratamento permanente e muitas vezes custoso, o qual certamente deixaria de ocorrer quando o empregado fosse demitido da empresa, permanecendo sem qualquer chance de reingressar no mercado de trabalho.