SISTEMAS AVALIAÇÕES INDICADORES
12. Estabilidade: a estabilidade conceitual das variáveis componentes e do próprio indicador bem como a estabilidade dos procedimentos para
sua elaboração.
Em suma, são apontados também alguns aspectos a serem medidos pelos indicadores: economicidade, eficiência, eficácia e efetividade. Sendo que a economicidade se refere à minimização dos custos dos recursos utilizados na consecução das atividades, sem comprometer os padrões de qualidade. Eficiência significa a relação entre os produtos (bens e serviços) gerados por uma atividade e os custos dos insumos empregados para tal em um determinado período. Essa dimensão, portanto, mede o esforço do processo de transformação de insumos em produtos. Eficácia é determinada pelo grau de alcance das metas programadas, em um determinado período, independentemente dos custos implicados. Efetividade é a relação entre os resultados alcançados e os objetivos propostos, entre o impacto previsto e o impacto real de uma atividade.
3.4 BALANCED SCORECARD
Um artigo escrito pelo professor de administração de empresas, Eccles (1991) para a Harvard Business Review de título “The performance measurement
manifesto” apontava as mudanças que estavam por acontecer, em que as empresas
precisariam inovar no modo que avaliavam seu desempenho.
Com a evolução do ambiente que as organizações atuam, seu mercado e necessidades, Kaplan e Norton (1997) identificaram a necessidade de desenvolver um sistema de gestão estratégica para medir o desempenho da organização e com isso auxiliar o atingimento de seus objetivos. Até então somente eram utilizadas medidas financeiras. Então, em 1992 foi publicado por Kaplan e Norton o primeiro artigo apresentando o Balanced Scorecard, iniciando com a seguinte frase: "o que você mede é o que obtém" (RODRIGUES, 2016). O BSC é um conjunto balanceado de indicadores financeiros e operacionais que visam medir o desempenho da organização.
Sobretudo, o BSC destaca-se a partir de pesquisas que verificaram sua ampla aceitação e utilização em todo o mundo. Em sua revisão literária, Rodrigues (2016) levantou 6.648 ocorrências para o termo Balanced Scorecard em pesquisa realizada na base de dados Web of Science do período de 1992 a 2013. Também
demonstra que dentre os autores com maior volume de artigos publicados, segue liderando o ranking os precursores Kaplan e Norton. Tais dados apenas confirmam a vasta utilização desta ferramenta que se mostrou altamente eficaz, trazendo um novo olhar sobre as organizações e suas formas de medir desempenho.
Naturalmente, as organizações estão inseridas em um ambiente cada vez mais competitivo, com isso, múltiplos fatores devem ser levados em consideração para que possa alcançar melhores resultados. O Balanced Scorecard (BSC) “traduz a missão e a estratégia das empresas num conjunto abrangente de medidas de desempenho que serve de base para um sistema de medição e gestão estratégica” (KAPLAN; NORTON, 1997, p. 2). Mesmo para as instituições que estão acostumadas a trabalhar com indicadores, o BSC inova com indicadores que trazem um equilíbrio entre o curto e longo prazo e entre medidas não financeiras e financeiras e diversas perspectivas, essa é a sua base (FILGUEIRAS; BARROS; GOMES, 2010).
Tais indicadores estão alinhados com os objetivos e metas e plano de ação da organização, e são construídos com base em quatro perspectivas: Financeira, de clientes, dos processos internos e perspectiva de aprendizado e inovação (MENEZES, 2010). O BSC combina indicadores que medem o desempenho passado, com vetores impulsionadores do futuro, juntamente com foco na visão estratégica da organização (KAPLAN; NORTON, 1997). As perspectivas estão ilustradas na Figura 5.
Figura 5 - BSC e as quatro perspectivas
Fonte: Adaptado de Kaplan e Norton (1997).
As perspectivas por si só não traduzem a efetividade do BSC. Mas sim seu alinhamento conjunto. Todas as perspectivas são alinhadas e trabalham juntas em consonância com os objetivos da organização. O processo de discussão dos indicadores, sua construção, o acompanhamento, antes, durante e depois é que farão a diferença na organização (FILGUEIRAS; BARROS; GOMES, 2010).
Conforme Rodrigues (2016), os conceitos das perspectivas do BSC são traduzidos a seguir.
3.4.1 Perspectiva Financeira
É caracterizada por demonstrar o desempenho financeiro da instituição. Esta medida se relaciona com todas as demais perspectivas, pois deve ser também o objetivo delas. Todas a medidas devem buscar melhorar o desempenho financeiro. Conforme Kaplan e Norton (1997), o início do Scorecard deve ser os objetivos financeiros a longo prazo, relacionados as demais perspectivas, conjecturando as ações que precisam acontecer para se obter o resultado econômico esperado.
Conforme apontado por Paula (2016) dentro da perspectiva financeira verifica-se toda a parte de planejamento, contidos os objetivos e metas da organização vinculados aos resultados financeiros. Como exemplo desses resultados temos o faturamento bruto, ticket médio, margem de contribuição, ponto
Perspectiva Financeira Visão e Estratégia Perspectiva Aprendizado e crescimento Perspectiva de Clientes Perspectiva de Processos internos
de equilíbrio, EBITDA (Earnings before interest, taxes, depreciation and
amortization) que significa Lucro antes dos impostos, taxas, depreciação e
amortização, lucro líquido e vários outros termos técnicos específicos da área contábil e financeira. Barbosa, Freire e Crisóstomo (2007) complementam que na perspectiva financeira, os indicadores podem ser vinculados à performance estratégica da organização, seja ela de expansão ou de eficiência.
Segundo Kaplan e Norton (1997) o negócio possui ciclo de vida e fases. Conforme cada fase o BSC precisa ser ajustado para evidenciar o objetivo financeiro. São divididos em: crescimento, sustentação e colheita.
Na fase de crescimento a organização está no início do seu ciclo de vida, está em busca de alavancar suas vendas, investe em produtos com potencial retorno de crescimento, para isso pode comprometer seus recursos e até mesmo operar com um fluxo de caixa negativo. A taxa de retorno sobre o capital investido é considerada baixa (BERNSTORFF; COSTA; GIRARDI, 2003; RODRIGUES, 2016).
A fase de sustentação é onde se encontram a maioria das organizações, elas aumentam gradativamente seus investimentos, de forma a garantir sua participação no mercado e aliviar pequenos estrangulamentos. Os objetivos financeiros em relação à lucratividade são mais exigidos nesse momento como retorno sobre o capital empregado (return on capital employed-ROCE), valor econômico agregado (economic value added – EVA) (BACK; DUTRA; CASAGRANDE, 2012).
A última fase é a colheita, que é o amadurecimento da organização. Onde seus idealizadores desejam desfrutar de todo investimento e esforço realizado. Nesta fase o objetivo é aumentar o fluxo de caixa e reduzir o capital de giro. Os estágios podem se alternar em uma organização, quando, por exemplo uma empresa madura decide expandir seu ramo de atuação, retornando à fase de crescimento e assim sucessivamente (BERNSTORFF; COSTA; GIRARDI, 2003).
Para se entender melhor as principais características de cada fase, foi elaborado o Quadro 5.
Quadro 5 - Características de cada fase da organização segundo Kaplan e Norton (1997)