Denição 6.2.1. Sejam {T (t) : t ≥ 0} e {S(t) : t ≥ 0} dois semigrupos dinamica-mente gradientes. Dizemos que existe um isomorsmo de diagramas de fase entre os atratores de {T (t) : t ≥ 0} e {S(t) : t ≥ 0} se as seguintes condições forem satisfeitas:
(i) Se ΞT = {{z1}, ..., {zn}, ξ1(R), ..., ξm(R)} e ΞS = {{ˆz1}, ..., {ˆzˆn}, ˆξ1(R), ..., ˆξmˆ(R)} forem as coleções disjuntas de conjuntos invariantes isolados para {T (t) : t ≥ 0} e {S(t) : t ≥ 0}, respectivamente, então n = ˆn e m = ˆm.
(ii) Existe uma bijeção D : ΞT → ΞS de forma que exista uma solução global ξ : R → X de {T (t) : t ≥ 0} satisfazendo
lim
t→−∞d(ξ(t), Ξi) = 0 e lim
6.2 Estabilidade estrutural de semigrupos Morse-Smale 121
se, e somente se, existir uma solução global ψ : R → X de {S(t) : t ≥ 0} tal que
lim
t→−∞d(ψ(t), D(Ξi)) = 0 e lim
t→∞d(ψ(t), D(Ξj)) = 0.
Lema 6.2.2. Vamos supor as mesmas condições do Teorema 3.5.5, ou seja, {Tη(t) : t ≥ 0}η∈[0,]1 é uma família de semigrupos contínua e coletivamente assintoticamente compacta em η = 0 que satisfaz
(a) {Tη(t) : t ≥ 0} tem atrator global Aη para cada η ∈ [0, 1] e Sη∈[0,1]Aη é limitado; (b) para cada η ∈ [0, 1], Aη contém uma coleção de conjuntos invariantes isolados Ξη =
{Ξ1,η, ..., Ξn,η} tal que limη→0dH(Ξi,η, Ξi,0) = 0 para todo 1 ≤ i ≤ n;
(c) existem δ > 0 e η0 ∈ (0, 1] tal que Ξi,η é o conjunto invariante maximal em Oδ(Ξi,η), 1 ≤ i ≤ n e 0 ≤ η ≤ η0;
(d) {T0(t) : t ≥ 0} é um semigrupo dinamicamente gradiente com atrator global A0 e coleção de conjuntos invariantes isolados Ξ0 = {Ξ1,0, ..., Ξn,0}.
Além disso, vamos supor que ηk → 0 e ξk : R → X é uma solução global de {Tηk(t) : t ≥ 0} tal que
lim
t→−∞d(ξk(t), Ξi,ηk) = 0 e lim
t→∞d(ξk(t), Ξj,ηk) = 0.
Então existe uma sequência de soluções globais ξl : R → X de {T0(t) : t ≥ 0}, com 1 ≤ l ≤ m − 1 (m ≤ n), e conjuntos invariantes isolados {Ξnl}1≤l≤m ⊂ Ξ0 tais que Ξn1 = Ξ1,0, = Ξnm = Ξj,0 e
Ξnl ←−−−− ξt→−∞ l(t)−−−→ Ξt→∞ nl+1 , para 1 ≤ l ≤ m − 1. Demonstração. Seja 0 < δ < 1
2 min{d(Ξi,0, Ξj,0) : i < j}. Como limt→−∞d(ξk(t), Ξi,ηk) = 0 e dH(Ξi,η, Ξi,0) −−→ 0η→0 , podemos considerar uma subsequência de {ξk} e assumir que ξk(t) −−−→ ξk→∞ 1(t) uniformemente em compactos de R, para alguma solução global ξ1 de {T0(t) : t ≥ 0} tal que ξ1(t)−−−−→ Ξt→−∞ n1 := Ξi,0.
122 Semigrupos Morse-Smale
Por (G1), existe um conjunto invariante isolado Ξn2 ∈ Ξ0, Ξn1 6= Ξn2 tal que ξ1(t)−−−→t→∞ Ξn2.
Se Ξn2 = Ξj,0, a demonstração está concluída. Caso contrário, existem {kl}l∈Ne t0 l > tl de forma que d(ξkl(tl), Ξn2) < δl, d(ξkl(t), Ξn2) < δpara todo t ∈ [tl, t0l)e d(ξkl(t0l), Ξn2) = δ.
Temos que t0
l− tl → ∞ quando l → ∞, pois, caso contrário, poderíamos assumir que t0l − tl → τ e ξkl(tl) → x ∈ Ξn2, implicando que liml→∞ξkl(t0l) = T0(τ )x ∈ Ξn2, o que contradiz nossa hipóteses.
Tomando uma subsequência, podemos assumir que existe ξ2(t) = liml→∞ξkl(t + t0l). Como t0
l− tl → ∞, temos que d(ξ2(t), Ξn2) ≤ δ para todo t ≤ 0 e, consequentemente, ξ2(t)−−−−→ Ξt→−∞ n2. Além disso, existe Ξn3 ∈ Ξ0\(Ξn1, Ξn2)tal que ξ2(t)−−−→ Ξt→∞ n3. Podemos repetir esse argumento e, sendo Ξ0 nito, obtemos a sequência desejada.
Teorema 6.2.3. Seja {Tη(t) : t ≥ 0}η∈[0,1]uma família de semigrupos contínua em η = 0, satisfazendo
(i) {Tη(t) : t ≥ 0} tem atrator global Aη para cada η ∈ [0, 1], Sη∈(0,1]Aη é compacto e {Tη(t) : t ≥ 0} é reversível para todo η ∈ [0, 1];
(ii) Ξη = {{z1,η}, ..., {zn,η}, ξ1,η(R), ..., ξm,η(R)} é uma coleção de conjuntos invariantes isolados para {Tη(t) : t ≥ 0} para cada η ∈ [0, 1] e
lim
η→0d(zj,η, zj,0) = 0 e lim
η→0dH(ξi,η(R), ξi,0(R)) = 0, para 1 ≤ j ≤ n e 1 ≤ i ≤ m;
(iii) existe δ > 0 e η0 ∈ (0, 1] tais que, se 0 ≤ η ≤ η0 e Ξη ∈ Ξη, então Ξη é o conjunto invariante maximal em Oδ(Ξη);
(iv) para cada conjunto compacto J ⊂ R+, nós temos
sup
t∈J
||DxTη(t)(z) − DxT0(t)(z)||L(X)−−→ 0η→0 ,
6.2 Estabilidade estrutural de semigrupos Morse-Smale 123
(v) {T0(t) : t ≥ 0} é um semigrupo Morse-Smale dinamicamente gradiente em X com atrator global A0.
Então existe η0 > 0 tal que, se η ∈ (0, η0), então {Tη(t) : t ≥ 0} é um semigrupo Morse-Smale dinamicamente gradiente e existe um isomorsmo de diagrama de fase entre os atratores de {Tη(t) : t ≥ 0} e {T0(t) : t ≥ 0}.
Demonstração. Pelo Teorema 3.5.5, sabemos que existe η0 > 0 tal que, se η ∈ (0, η0), então o semigrupo {Tη(t) : t ≥ 0} é dinamicamente gradiente com respeito à coleção de conjuntos invariantes isolados Ξη e, se η0 for sucientemente pequeno, cada solução global em Ξη será um ponto de equilíbrio hiperbólico ou uma órbita normalmente hiperbólica.
Vamos denir D : Ξ0 → Ξη por
D(Ξi,0) = Ξi,η, para cada i = 1, ..., n.
Dessa forma, D será uma bijeção e nós podemos assumir que, sendo a transversali-dade uma proprietransversali-dade aberta, que η0 é sucientemente pequeno para que, se Wu(Ξi,0) ∩ Ws
loc(Ξj,0) 6= ∅, então Wu(Ξ∗i,η)∩Ws
loc(Ξj,η) 6= ∅e existe um ponto de interseção transversal. Isso mostra que, se existir uma conexão entre Ξi,0 e Ξj,0, então existe uma conexão entre Ξi,η e Ξj,η.
Para a recíproca, tomemos uma sequência ηk→ 0e uma sequência de soluções globais ξk : R → X de {Tη(t) : t ≥ 0}tais que
lim
t→−∞d(ξk(t), Ξi,ηk) = 0 e lim
t→∞d(ξk(t), Ξj,ηk) = 0.
Pelo Lema 6.2.2, existem uma coleção de soluções globais ψl : R → X de {T0(t) : t ≥ 0}, l = 1, ..., m − 1, com m ≤ n, e uma coleção de conjuntos invariantes isolados Ξnl,0 em Ξ0 tais que Ξn1,0 = Ξi,0, Ξnm,0 = Ξj,0 e
Ξnl,0
t→−∞
←−−−− ψl(t)−−−→ Ξt→∞ nl+1,0, para todo l = 1, ..., m − 1.
124 Semigrupos Morse-Smale Ξi,0 t→−∞ ←−−−− ψ(t)−−−→ Ξt→∞ j,0, concluindo a demonstração.
6.3 Exemplo
Mostraremos, através de um exemplo, que a transversalidade é essencial para garan-tirmos a estabilidade estrutural.
Notemos, na primeira gura, que a variedade instável Wu(e2) de e2 e a variedade estável local Ws
loc(e3) de e3 não se interceptam transversalmente.
Após uma pequena perturbação autônoma, vemos na segunda gura que a conexão entre e2e e3 foi perdida e que, consequentemente, não existe um isomorsmo de diagramas de fase entre os atratores do sistema original e o do sistema perturbado.
Figura 6.1: Atrator global sem transversalidade.
Conclusão
Neste trabalho, zemos um estudo detalhado da perturbação de semigrupos. Come-çamos, no primeiro capítulo, com demonstrações de resultados fundamentais dos sistemas dinâmicos e provamos as noções de estabilidade sob diferentes perspectivas.
Primeiro estudamos a noção mais simples de continuidade para atratores: a semi-continuidade superior. Estudamos, então, a semisemi-continuidade inferior e, por causa das diculdades de garantirmos condições para ela, tivemos que buscar novas hipóteses sobre semigrupos.
Um primeiro tipo de semigrupo estudado foram os semigrupo gradientes. É importante dizer que as hipóteses adicionais feitas para estes semigrupos se vericam em fenômenos naturais e justicam este estudo. Um resultado bastante forte relacionado à estabilidade foi que uma pequena perturbação de semigrupos gradientes continua gradiente.
Por m, estudamos os semigrupos Morse-Smale, o que nos permitiu provarmos a exis-tência de isomorsmos entre os conjuntos isolados invariantes de um semigrupo e os dos semigrupos perturbados.
Fizemos, além disso, um trabalho bem detalhado sobre as variedades estável e instá-vel de um ponto de equilíbrio hiperbólico e a permanência de órbitas periódicas. Estes resultados foram fundamentais para o estudo de estabilidade.
Este estudo, feito até aqui com caráter teórico, está bem detalhado e pronto para aplicações, em particular, em equações diferenciais ordinárias, parciais ou funcionais.
Por m, notemos que este trabalho pode ser continuado com o estudo do caso não-autônomo. Os semigrupos, denotados até aqui por {T (t) : t ≥ 0}, deverão então ser denotados por {T (t, s) : t ≥ s}, indicando que a evolução do sistema depende dos ins-tantes inicial e nal considerados, e não apenas do tempo decorrido. Conceitos básicos, como atratores e continuidade, deverão ser adaptados para este caso, e teremos então a noção de atrator-pullback. A partir disso, poderemos fazer todo o estudo da estabilidade semigrupos gradientes e Morse-Smale, agora no caso não-autônomo.
Referências Bibliográcas
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