Defeitos em CNT de parede simples
2.4 Estabilidade e orienta¸ c˜ ao dos defeitos em CNT zigzag
Antes de discutir a estabilidade dos defeitos em nanotubos zigzag, vamos apresentar as geometrias mais est´aveis dos quatro defeitos em nanotubos. No cap´ıtulo 1 apre- sentamos como os nanotubos s˜ao formados a partir do vetor quiral e, al´em disso, classificamos estes nanotubos como quirais ou aquirais. No caso dos CNT aquirais, ainda classificamos em duas classes armchair e zigzag, e o que difere estas classes de tubos ´e a maneira com que eles s˜ao enrolados. No caso do armchair o ˆangulo quiral possui o valor de θ = 30o, e para os tubos zigzag esse ˆangulo ´e zero. Sendo
assim, defeitos estruturais possuem orienta¸c˜oes diferentes nos dois casos. Na figura 2.5 mostramos as geometrias finais do defeitos para o nanotubo (8, 0) zigzag.
Figura 2.5: Apresentamos as geometrias finais para o nanotubo zigzag (8,0). Em (a) mostramos o defeito Stone-Wales; em (b) apresentamos a monovacˆancia; e fi- nalmente exibimos as divacˆancias (c) 585 e (d) 555777.
Os defeitos mais est´aveis, que eram inclinados no nanotubo armchair s˜ao parale- los `a dire¸c˜ao do eixo nos tubos zigzag. As geometrias inclinadas continuam existindo, mas s˜ao menos est´aveis do que as paralelas ao eixo. Para exemplificar o que estamos falando vamos analisar a divacˆancia (585), defeito este que possui as orienta¸c˜oes in- clinada e paralela em rela¸c˜ao ao eixo do nanotubo zigzag. No entanto, a geometria
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paralela deste defeito ´e mais est´avel do que a inclinada por aproximadamente 2.5 eV em nanotubos zigzag. Sendo assim, descartamos as geometrias menos est´aveis e daqui por diante utilizaremos somente as estruturas mais est´aveis.
A sequˆencia de estabilidade (energia de forma¸c˜ao) em nanotubos zigzag, para os defeitos discutidos no cap´ıtulo 2, seguem a mesma ordem dos nanotubos armchair, assim como o comportamento da energia de forma¸c˜ao em fun¸c˜ao do diˆametro ´e o mesmo. No caso das divacˆancias, notamos uma pequena oscila¸c˜ao da energia de forma¸c˜ao para o tubo (12, 0), e este fato est´a relacionado com a possibilidade dos CNTs zigzag poderem ser met´alicos ou semicondutores. Uma discuss˜ao detalhada desse comportamento ser´a apresentada no cap´ıtulo 3. Na figura 2.6 observamos o comportamento da energia de forma¸c˜ao em fun¸c˜ao do diˆametro para os nanotubos
zigzag.
Analisando o nanotubo (8,0), podemos comparar as energias de forma¸c˜ao do defeito Stone-Wales com a monovacˆancia, onde observamos que o defeito SW ´e mais est´avel por aproximadamente 2.6 eV. No caso da divacˆancia 585, o defeito SW ´e mais est´avel por 0.8 eV, e mais est´avel por 2.4 eV quando comparado com a divacˆancia 555777. Os valores das energias de forma¸c˜ao para esses defeitos em um nanotubo (8, 0) s˜ao apresentados na tabela 2.1.
Para estudar o comportamento da energia de forma¸c˜ao em fun¸c˜ao do diˆametro, vamos utilizar o mesmo modelo apresentado na se¸c˜ao anterior, pois o comportamento da energia de forma¸c˜ao dos tubos zigzag n˜ao diferiu muito dos armchair, e tamb´em por assumirem os mesmos limites de raio infinito. Na figura 2.7 mostramos como a energia de forma¸c˜ao dos defeitos (SW e monovacˆancia) se comporta em fun¸c˜ao do diˆametro.
Foram obtidos o seguinte parˆametro para o defeito SW (A = −13.97 [eV · ˚A]; e para a monovacˆancia encontramos as seguintes parˆametros (A = −26.0 [eV · ˚A], E0 = 8.6 [eV] e d0 = 3.7 [˚A]). Novamente, observamos que o nosso modelo ´e bem
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Figura 2.6: Apresentamos o gr´afico da energia de forma¸c˜ao em fun¸c˜ao do diˆametro para nanotubos zigzag. Na legenda apresentamos as seguintes siglas: SW (stone-wales), 1v (monovacˆancia), 2v-585 (divacˆancia-585), 2v-555777 (divacˆancia- 555777) e as siglas com a letra G referem-se ao grafeno.
ajust´avel aos pontos calculados, e que a varia¸c˜ao da energia de forma¸c˜ao ocorre lentamente para o limite de diˆametros grandes.
Neste cap´ıtulo apresentamos a estabilidade estrutural de quatro defeitos em na- notubos de carbono. Uma quest˜ao importante sobre a estabilidade das divacˆancias surgiu quando comparamos os defeitos em nanotubos de carbono e no grafeno. A sequˆencia energ´etica das divacˆancias se inverte no grafeno, isto ´e, o defeito 585 ´e mais est´avel do que o 555777 nos nanotubos, contrariando o comportamento observado no grafeno que, neste caso, apresentou como mais est´avel o defeito 555777. Por que ocorre essa invers˜ao de estabilidade? Esta quest˜ao nos leva a outras perguntas como por exemplo: em qual diˆametro de tubo a sequˆencia de estabilidade das divacˆancias ser´a igual a do grafeno? Como s˜ao as propriedades de transporte eletrˆonico das
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Figura 2.7: Mostramos o gr´afico da energia de forma¸c˜ao em fun¸c˜ao do diˆametro para nanotubos zigzag. Em (a) mostramos o comportamento da energia de forma¸c˜ao para o defeito SW; e em (b) o mesmo gr´afico mostrado e (a) para a monovacˆancia.
divacˆancias?
Para responder essas e outras quest˜oes, no pr´oximo cap´ıtulo apresentaremos um estudo detalhado sobre as divacˆancias em nanotubos de carbono e em grafeno.
Cap´ıtulo 3
Divacˆancias em CNT de parede
simples
No cap´ıtulo anterior apresentamos um estudo sobre a estabilidade estrutural de quatro defeitos em nanotubos de parede simples. O defeito mais est´avel, dentre os defeitos estudados no cap´ıtulo 2, foi o defeito Stone Wales [17]. No entanto, ao compararmos o defeito proveniente de uma ´unica vacˆancia com os defeitos que pos- suem duas vacˆancias, observamos que as divacˆancias possuem energias de forma¸c˜ao menores do que a monovacˆancia.
Trabalhos recentes [54, 55] mostraram que as divacˆancias s˜ao os defeitos mais importantes no que diz respeito a mundan¸cas nas propriedades de transporte. Uma pequena concentra¸c˜ao de divacˆancia, cerca de 0.03%, pode mudar a condutˆancia por at´e 3 ordens de magnitude. Uma maneira de modificar as propriedades eletrˆonicas dos nanotubo ´e atrav´es de irradia¸c˜ao de ´ıons [4,39,40,43–51,59,81], como foi apresen- tado na introdu¸c˜ao. Os autores da referˆencia [54] irradiaram feixes de ´ıons em CNT onde, posteriormente, fizeram medidas de resistˆencia `a baixa voltagem em fun¸c˜ao do comprimento do nanotubo. Eles mostraram um comportamento exponencial de
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tais medidas, o que ´e um indicativo de um regime de localiza¸c˜ao forte de Anderson1,
e eles atribuiram esse comportamento devido a cria¸c˜ao de vacˆancias na parede do tubo.
Simula¸c˜oes [50, 55, 81] de irradia¸c˜ao de ´ıons (Ar+) em nanotubos de carbono,
tˆem mostrado que os defeitos mais prov´aveis formados nos processos de colis˜oes s˜ao vacˆancias e divacˆancias, sendo que, em 30 − 40% dos impactos, os defeitos compostos por duas vacˆancias estavam presentes. Uma das divacˆancias que va- mos considerar neste estudo possui dois pent´agonos e um oct´agono (585), como foi mostrada no cap´ıtulo 2. Em um estudo recente [27], utilizando dinˆamica molecu- lar “tight-binding”, os autores mostraram que duas vacˆancias isoladas em grafeno podem formar o defeito 585. Esta configura¸c˜ao, contudo, reconstr´oi-se em uma con- figura¸c˜ao um pouco mais complexa, composta por trˆes pent´agonos e trˆes hept´agonos, a qual foi denominada no cap´ıtulo 2 por 555777. Os autores mostraram atrav´es de c´alculos ab initio que o defeito 555777 ´e mais est´avel do que o defeito 585 por 0.9 eV.
Considerando que as divacˆancias modificam substancialmente as propriedades de transporte, e que o defeito 555777 ´e mais est´avel do que o defeito 585 no grafeno, e ainda, como foi mostrado no cap´ıtulo 2, que o defeito 585 ´e mais est´avel do que o 555777 nos nanotubos, as seguintes quest˜oes tornam-se importantes para o enten- dimento deste problema: por que ocorre a invers˜ao de estabilidade nas divacˆancias quando comparamos as energias de forma¸c˜ao nos nanotubos com o grafeno? Deve existir um diˆametro em que essa invers˜ao de estabilidade acontece, uma vez que o grafeno pode ser pensado com um nanotubo de raio infinito. Em que diˆametro ocorre esse cruzamento? Como as propriedades de transporte s˜ao modificadas pelas
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Localiza¸c˜ao de Anderson ou localiza¸c˜ao forte de Anderson consiste na ausˆencia de difus˜ao de ondas em um meio aleat´orio - comumente encontrados em sistemas onde o grau de aleatoriedade das impurezas ou defeitos ´e suficientemente grande. A localiza¸c˜ao de Anderson ´e um fenˆomeno geral da onda que se aplica ao transporte de onda eletromagn´etica, onda ac´ustica, onda de spin etc.
3.1 Protocolo de simula¸c˜ao 45
divacˆancias?
Nas pr´oximas se¸c˜oes faremos um estudo detalhado sobre as divacˆancias em na- notubos de carbono e em grafeno afim de responder as quest˜oes apresentadas acima.
3.1
Protocolo de simula¸c˜ao
Para responder as quest˜oes apresentadas na se¸c˜ao anterior, foram feitos c´alculos de primeiros princ´ıpios baseados na teoria do funcional da densidade [83, 84] (DFT). Utilizamos os pseudopotencias ultra suaves de Vanderbilt [87] e, para a energia de correla¸c˜ao e troca, usamos a aproxima¸c˜ao generalizada dos gradientes (GGA). Mai- ores detalhes sobre a metodologia empregada nesta tese encontram-se no apˆendice A. Os c´alculos referentes as propriedades estruturais foram feitos com o c´odigo VASP [85, 86], e os c´alculos de transporte de cargas, utilizamos um c´odigo desen- volvido em nosso grupo [88] (TRANSampa), baseado em fun¸c˜oes de Green fora do equil´ıbrio (NEGF-DFT), onde a parte de DFT foi descrita utilizando o c´odigo Siesta [89].