2 A OLIMPÍADA EM SEU CONTEXTO
2.4 Estado da arte
Por ser uma olimpíada recente, com uma década de existência, e a crônica o penúltimo gênero a ser incluso no Programa57, não houve ainda suficientes enfoques acadêmicos sobre esse tema específico. Fizemos um levantamento de diversos trabalhos no campo da linguagem e educação no Banco de Teses e Dissertações da Capes e em periódicos a que tivemos acesso encontrando uma série de pesquisas sobre diferentes aspectos da OLPEF58, as quais sistematizamos a fim de dar um panorama do atual estado da arte.
Iniciamos pelas que analisam os textos dos alunos. As dissertações de Barros (2008)59, de F. Soares (2015) 60, de P. Soares (2015)61 e de Silva (2012) 62 são dedicadas ao gênero artigo de opinião e propõem-se a investigar, respectivamente, as estratégias argumentativas, as vozes presentes e a produtividade das sequências didáticas na aprendizagem dos recursos coesivos.
As conclusões do trabalho de Barros (2008), que analisou as produções semifinalistas, são positivas, pois mostram que os alunos não só desenvolvem bem sua capacidade argumentativa, como fazem uso de recursos não previstos nas oficinas do Programa. F. Soares (2015), analisando os textos vencedores das edições de 2008, 2010 e 2012, também observou que os alunos defendem suas teses fundamentando-as em argumentos plausíveis e direcionados a um auditório amplo e particular.
P. Soares (2015) constatou um dado similar, ao observar as produções dos finalistas da edição de 2014: os artigos fazem uso dos recursos argumentativos que concorrem para a formação dos blocos semânticos e apresentam um posicionamento sustentado por argumentos plausíveis, exercendo possível efeito de convencimento no público-leitor. Silva (2012)
57 O documentário foi incluído em 2019, mas até a data de escrita desta tese, a Olimpíada não havia iniciado. 58 O levantamento foi realizado entre janeiro e abril de 2017 e depois atualizado em abril de 2018. Decidimos indicar as referências das obras consultadas nesta seção, em nota de rodapé, a fim de não sobrecarregar as Referências ao final.
59 BARROS, G.M.Z. Gênero argumentativo no ensino fundamental I - análise de produções de alunos participantes do prêmio Escrevendo o Futuro – 2004. 2008. Dissertação (Mestrado em Filologia e Língua Portuguesa). Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas. Universidade de São Paulo, São Paulo. 60 SOARES, F.L.B.L A argumentação em artigos de opinião da Olimpíada de Língua Portuguesa. 2015. Dissertação (Mestrado em Letras) Universidade Estadual do Rio Grande do Norte, Pau dos Ferros, RN.
61 SOARES, P. C. O discurso argumentativo em artigos de opinião produzidos por alunos finalistas da
olimpíada de língua portuguesa: uma análise à luz da teoria dos blocos semânticos. 2015. Dissertação
(Programa de Pós-graduação em Linguística). Universidade Federal do Ceará, Fortaleza.
62 SILVA, H. C. da. Estratégias de referenciação em textos da Olimpíada de Língua Portuguesa
Escrevendo o Futuro. 2012. Dissertação (Mestrado em Língua Portuguesa). Pontifícia Universidade Católica
também constata o uso de variadas estratégias de referenciação nos textos de participantes diversos da edição de 2010, sem precisar os gêneros em voga.
Outros trabalhos realizam um estudo linguístico das produções memorialísticas dos discentes. A dissertação de Queiroz (2015)63 trata dos movimentos argumentativos em memórias produzidas pelos próprios discentes e pelos cinco vencedores do concurso em 2012, com o fim de provar que textos narrativos também são constituídos por procedimentos e recursos argumentativos. Nascimento (2015)64 elege as vinte produções finalistas de 2012 para investigar o uso do discurso reportado, direto e indireto, observando os recursos linguísticos mobilizados, a função dos verbos dicendi e a função do dizer outro nesses textos.
Albuquerque (2015)65, em uma direção mais formal, investiga os fatores linguísticos e extralinguísticos que motivam o uso de determinada forma do pretérito (imperfeito do indicativo ou perífrases imperfectivas) nas narrativas. Nessa mesma direção, Firmo (2014)66 recorre ao aporte da Linguística Sistêmico-Funcional para analisar a ocorrência do sistema avaliativo na construção da emoção no gênero memórias, observando a hibridização entre os subsistemas da atitude e da gradação.
Ainda sobre memórias, a tese de Gaydeczka (2012)67 avalia positivamente as produções memorialísticas dos participantes finalistas em 2008, chegando à conclusão de que eles obtiveram êxito na construção do estilo e da autoria, ora se reportando as vozes presentes no material didático do Programa, ora se distanciando desses enunciados e demarcando certa polêmica com eles. Brum (2015)68, alicerçada nos pressupostos foulcaultianos, constata o
empoderamento discente, a emergência do eu e o reconhecimento do outro nas narrativas memorialísticas.
É natural que os estudos acima apresentem um posicionamento favorável à proposta da OLPEF, dado o corpus privilegiado que analisam – textos classificados pelas comissões
63QUEIROZ, N.C.P de. Argumentação em memórias literárias da Olimpíada de língua portuguesa. 2015. Dissertação (Mestrado Profissional em Letras em Rede Nacional). Universidade do Estado do Rio Grande do Norte. Pau dos Ferros.
64 NASCIMENTO, K. S. da S. O discurso do outro no gênero memórias literárias: funções, marcas e verbos introdutores. Dissertação (Mestrado em Letras). Universidade do Estado do Rio Grande do Norte, 2015.
65 ALBUQUERQUE, M. G. S. Uso do imperfeito do indicativo e de perífrases imperfectivas de passado em
memórias literárias produzidas por alunos de escolas públicas brasileiras. 2015. Dissertação (Programa de
Pós-graduação em Linguística). Universidade Federal do Ceará, Fortaleza.
66 FIRMO, A. F. A hibridização dos subsistemas atitude e gradação no gênero memórias literárias. 2014. Dissertação. (Programa de Pós-graduação em Linguística). Universidade Federal do Ceará, Fortaleza.
67 GAYDECZKA, B. Questões de estilo e de gênero: um estudo sobre enunciados memorialísticos da Olimpíada de Língua Portuguesa Escrevendo o Futuro. 2012. Tese (Doutorado em Filologia e Língua Portuguesa). Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas. Universidade de São Paulo, São Paulo. 68 BRUM, A. F. O empoderamento através das narrativas memorialísticas: ressignificando a prática escolar. 2015. Dissertação (Mestrado em Teologia: Educação Comunitária com Infância e Juventude). Programa de Pós- graduação em Teologia. Escola Superior de Teologia, São Leopoldo.
julgadoras do concurso –, verificando procedimentos argumentativos consistentes nos artigos opinativos (BARROS, 2008; P. SOARES, 2015; F. SOARES, 2015) e recursos argumentativos e variadas formas de se inter-relacionar com o discurso outro, colaborando com a construção autoral das memórias (QUEIROZ, 2015; NASCIMENTO, 2015; GAYDECCZKA, 2012; BRUM, 2015). No caso de Silva (2012), a análise de produções diversas à revelia do gênero já induz à constatação de múltiplos recursos de referenciação, pois cada gênero pede certas formas de encadeamento textual.
Passemos agora à síntese analítica das pesquisas que se dedicaram à análise do material didático do Programa. Os trabalhos de Oliveira (2016)69, de Freitas (2009)70, de Santos (2011)71, de Silva (2014)72 e de Bezerra (2010) 73 observam, respectivamente, as oficinas dedicadas ao artigo opinativo e as condições de produção dos textos discentes, o estatuto dos textos exemplares apresentados nos materiais didáticos da OLPEF como prototípicos da dissertação escolar ou configuração de novo gênero, a escolarização do artigo opinativo no caderno dirigido ao professor e a metodologia do Caderno “Pontos de Vista”.
Analisando as oficinas sobre artigo de opinião realizadas em uma turma do segundo ano do Ensino Médio, Oliveira (2016) defende que as sequências didáticas propostas pelo Programa são eficazes, tal qual a atuação da professora por ele observada em sala de aula, pois ambas contemplam as diferenças de aprendizagem entre os alunos. Freitas (2009), com base nos estudos sócio-retóricos dos gêneros, ressalta que a abordagem dada pela OLPEF ao gênero artigo de opinião apresenta uma mudança de concepção e de tratamento didático da produção textual, o que faz emergir um novo gênero distinto da tradicional dissertação.
Já os estudos de Santos (2011) e de Silva (2014) apontam para a direção oposta: criticam a metodologia adotada pelo Programa por focar mais os aspectos da organização composicional e da funcionalidade do gênero, em detrimento dos aspectos discursivos e ideológico-valorativos. Na visão das autoras, a perspectiva pedagógica da OLPEF é a de
69 OLIVEIRA, S. de F. Ecos de práticas pedagógicas em textos produzidos por estudantes da educação
básica na Olimpíada de Língua Portuguesa: um estudo de caso. 2016. Dissertação (Programa de Pós-
graduação em Letras). Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, Belo Horizonte.
70 FREITAS, E. da S. O gênero artigo de opinião do Programa Escrevendo o Futuro: estudo de caso. Dissertação. (Mestrado em Ciências da Linguagem). Universidade do Sul de Santa Catarina, Florianópolis. 71 SANTOS, S. N. dos. A discursividade no caderno Ponto de Vista, da Olimpíada da Língua Portuguesa
Escrevendo o Futuro. 2011. Dissertação (Mestrado em Estudos da Linguagem). Universidade Federal de Mato
Grosso, Cuiabá.
72 SILVA, P. B. Educação linguística e projetos de letramento: as condições de produção do gênero artigo de opinião na Olimpíada de Língua Portuguesa Escrevendo o Futuro. 2014. Dissertação (Mestrado em Letras: cultura, educação e linguagens) Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, Vitória da Conquista, BA.
73 BEZERRA, L. S. Pontos de vista de gêneros no ponto de vista da Olimpíada de Língua Portuguesa. In: 7ª Semana de Licenciatura: educação científica e tecnológica: formação, pesquisa e carreira, 2010, Jataí. Anais da
formar um produtor de textos competente, e não necessariamente um cidadão crítico. Bezerra (2010) identifica perspectivas distintas sobre gênero no caderno didático “Pontos de Vista”: apesar de se dizer partidário da abordagem bakhtiniana, a metodologia foca mais os aspectos composicionais e linguísticos do artigo de opinião, respaldada na perspectiva de gênero textual.
No que diz respeito aos poemas e aos gêneros narrativos explorados pelo Programa, destaca-se a dissertação de Trindade (2012)74 que investiga o tratamento dado aos gêneros literários nos materiais didáticos. A pesquisadora averigua que a natureza literária dos textos é negligenciada, em favor de práticas reducionistas de compreensão textual que, em geral, induzem o aluno a realizar a leitura prevista, esperada pelo Programa. As estratégias de leitura mobilizadas não exploram o caráter estético dos textos, nem a sua materialidade ficcional, pouco levando em conta, portanto, os efeitos dos textos sobre o leitor.
Acerca das memórias literárias, D. Guimarães (2013)75 observa, a partir da análise do caderno dirigido ao docente e de entrevistas com professores participantes do Programa, que o processo de didatização é redutor, pois as dimensões ensináveis das memórias mobilizadas nesse caderno e na sequência de aulas, conforme discurso dos docentes, são limitadas à cópia de um modelo do gênero.
O trabalho de Boeno (2013)76 também faz uma avaliação negativa do tratamento dado ao gênero memórias no Caderno do Professor, propondo uma série de reformulações. Também Erdei (2014)77, ao analisar a didatização do gênero poema, chegou à conclusão
similar: a abordagem dada pelo Programa é de cunho formal, e o modelo de sequência didática genebrino leva ao engessamento do gênero e do próprio planejamento docente.
Acreditamos que a perspectiva teórica assumida pelos pesquisadores induz o olhar para determinados aspectos e não para outros, levando a conclusões díspares. Assim, pomos em xeque os resultados de Oliveira (2016), dado que uma sequência didática pronta, pré- estabelecida dificilmente prevê as dificuldades de aprendizagem que os sujeitos apresentam no decorrer do processo. Do mesmo modo, questionamos o resultado de Freitas (2009), pois
74 TRINDADE, V. de C. M. A Educação estética na contemporaneidade: a estrutura linguística do texto
literário e a formação do leitor. 2012. Dissertação (Mestrado em Letras). Pontifícia Universidade Católica de
Minas Gerais. Belo Horizonte.
75 GUIMARÃES, D. R. Didatização da memória literária na Olimpíada de Língua Portuguesa. 2013. Dissertação (Programa de Pós-graduação em Linguagem e ensino). Universidade Federal de Campina Grande, Campina Grande.
76 BOENO, N de S. Memórias literárias: das práticas sociais ao contexto escolar. 2013. Dissertação (Programa de Pós-graduação em Estudos da Linguagem) Universidade Federal de Mato Grosso, Cuiabá.
77 ERDEI, L. S. A didatização do gênero discursivo poema: uma análise enunciativo-discursiva bakhtiniana. 2014. Dissertação (Mestrado em Estudos da Linguagem). Universidade Federal de Mato Grosso, Cuiabá.
a OLPEF, a princípio, anuncia o trabalho com o gênero da esfera jornalística – o artigo opinativo –, logo não seria razoável esperar que emergisse do material o gênero dissertação argumentativa.
Coadunamos com a posição assumida por Santos (2011), por Silva (2014), por Bezerra (2010), por Erdei (2014), por D. Guimarães (2013) e por Boeno (2013), estudos que também se ancoram na perspectiva bakhtiniana, e por Trindade (2012)78, pois os dados da análise da didatização da crônica, realizada no Capítulo 4 desta tese, também apontam para um tratamento redutor do gênero.
Para Silva (2014), é necessário articular a metodologia do Programa à de projetos de letramento para que as produções textuais estejam ancoradas em uma prática social significativa. É o que faz o trabalho de Fernandes (2015)79 ao desenvolver um modelo didático que objetiva dar novo significado às práticas de leitura e escrita da OLPEF por meio de um projeto de letramento, o qual resultou em uma transformação dessas práticas escolares em práticas sociais mais amplas.
Além de Fernandes (2015), outros trabalhos apresentam propostas de intervenção. Silva (2015)80, a partir da análise das escolhas léxico-gramaticais mobilizadas pelos alunos na produção das crônicas para afirmarem seus posicionamentos e avaliações sobre a comunidade onde vivem, elabora uma proposta de sequência didática sobre esse gênero ancorada na perspectiva do Ciclo de Aprendizagem, como alternativa ao modelo apresentado pela OLPEF. A dissertação de Sousa (2015)81 também traz uma contribuição interessante
para o Programa, ao propor a realização de uma Webquest para incentivar os alunos com indicadores de Altas Habilidades/Superdotação a pesquisarem sobre o tema “O lugar onde vivo”.
A tese de Gebara (2009)82, que versa sobre a constituição da poesia enquanto gênero discursivo no ensino-aprendizagem de língua primeira, apresenta alternativas didáticas de
78 Embora ancorada na teoria da literatura, em especial, em Schiller, a autora traz reflexões similares às nossas e aos últimos estudos comentados.
79 FERNANDES. F. V. A. Olimpíada de Língua Portuguesa: ressignificação de práticas de leitura e escrita. 2015. Dissertação (Mestrado Profissional em Letras). Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Natal. 80 SILVA, M. A. F. da. Gênero crônica produzido por finalistas da olimpíada de língua portuguesa: escolhas léxico-gramaticais de avaliatividade e ciclo de aprendizagem. 2015. Dissertação (Mestrado Profissional em Letras). Universidade de Pernambuco, Garanhuns.
81SOUSA, R. M. de. Uma proposta de uso do procedimento Webquest no Programa de Atendimento de Alunos com Indicativo de Altas Habilidades/Superdotação em Língua Portuguesa. 2015. Dissertação
(Programa de Pós-Graduação em Mestrado Profissional em Letras em Rede Nacional). Universidade Federal do Pará, Belém.
82 GEBARA, A. E. L. O ensino singular dos gêneros poéticos: reflexões e propostas. 2009. Tese (Doutorado em Filologia e Língua Portuguesa). Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas. Universidade de São Paulo, São Paulo.
representações plurais dos gêneros poéticos que podem ser implementadas em contextos distintos do da OLPEF. Todas essas pesquisas que apresentam alternativas ou propostas complementares à sequência didática do OLPEF são bastante profícuas por apontarem para o professor novos caminhos que ele pode trilhar, modificando ou adaptando as atividades apresentadas pelo Programa ou formulando novas estratégias didáticas condizentes com seu propósito pedagógico e com a realidade escolar na qual atua.
Outra temática encontrada com frequência nos trabalhos sobre a OLPEF diz respeito ao impacto das oficinas didáticas na produção discente, a partir da formação de grupos de controle, a exemplo das pesquisas de Silva (2010)83 e de Medeiros (2015)84 que se voltam para as memórias literárias, de Leite (2009)85 e de Franco (2015)86 que se interessam pela produção dos artigos de opinião, de Cambrussi et al (2013)87 que observa as escritas de poemas e memórias e de Braga (2012)88 que destaca as diferenças entre o trabalho prescrito e o trabalho real no tocante às oficinas do gênero crônica.
Esses seis estudos de pesquisa-ação apontaram os desafios e as dificuldades de realização do Programa pelas pesquisadoras-docentes e compararam as versões inicial e final dos textos dos estudantes, observando melhorias significativas. Numa linha de pesquisa similar, outros estudos de caso apontam que, apesar dos problemas, os alunos progridem na produção escrita. As dissertações de mestrado de Barbosa (2011) 89, de Oliveira (2015)90 e de
J. Guimarães (2013)91 fazem um balanço positivo da OLPEF no ensino dos gêneros.
83 SILVA, E. M. da. Olimpíada de Língua Portuguesa: um diagnóstico com foco nos alunos. 2010. Dissertação (Mestrado em Ciências da Linguagem) Universidade Católica de Pernambuco, Recife.
84 MEDEIROS, P.V.S. Escritas da memória: fomento à leitura e à escrita nas (re)construções da identidade com o gênero memórias literárias. 2015. Dissertação (Mestrado em Letras) Universidade do Estado do Rio Grande do Norte, Assu.
85 LEITE, A. M. de C. Elementos articuladores em artigo de opinião: uma experiência com sequência didática no ensino médio. 2009. Dissertação (Mestrado em Estudos Linguísticos). Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte.
86 FRANCO, C. C. C. A educação dialógica no ensino de produção de textos em Língua Portuguesa. 2015. Dissertação (Mestrado Profissional em Letras – PROFLETRAS) Universidade Federal do Ceará, Fortaleza. 87 CAMBRUSSI, M. F. et al. Reflexão sobre a experiência de ensino pela ministração de oficina: o caso da oficina de preparação para a Olimpíada de Língua Portuguesa. Encontros de Vista, n.12, p.1-11, jul./dez. 2013. Disponível em: http://www.encontrosdevista.com.br/Artigos/artigo_4_12.pdf Acesso em: 15 fev. 2018.
88 BRAGA, N. L. F. M. Produzindo crônicas: um estudo a partir da Olimpíada de Língua Portuguesa. 2012. Dissertação (Mestrado em Linguagem e Ensino). Universidade Federal de Campina Grande, Campina Grande. 89 BARBOSA, G. A. da S. A contribuição da Sequência Didática no desenvolvimento da leitura e da escrita
no Ensino Médio : análise dos materiais didáticos “Sequência Didática Artigo de Opinião e “Pontos de Vista”.
2011. Dissertação. Faculdade de Ciências e Tecnologia. Universidade Estadual Paulista, Presidente Prudente. 90 OLIVEIRA, V. A. dos S. Uso de Enunciados Proverbiais em Crônicas na Olimpíada de Língua
Portuguesa. 2015. Dissertação (Mestrado Profissional em Letras). Universidade Estadual de Londrina,
Londrina.
91 GUIMARÃES, J. E. O Programa Olimpíada de Língua Portuguesa Escrevendo o Futuro e suas relações
com as ações pedagógicas em sala de aula. 2013. Dissertação (Mestrado em Educação). Universidade Federal
A primeira foca o caderno de orientação sobre o artigo de opinião. A segunda apresenta os resultados de uma sequência didática que propiciou o diálogo e a comparação entre a crônica e os provérbios, levando a um uso produtivo desses gêneros nos textos dos alunos. E a última aponta as contribuições do Programa para as ações docentes e para a melhoria da escrita dos discentes. Os resultados de tais estudos, entretanto, são previsíveis, dado que a reescrita de quaisquer textos tende a apresentar uma versão melhor elaborada que a inicial, especialmente após um período de estudo e orientação desse trabalho.
A dissertação de Oliveira (2010)92 traz resultados mais ponderados: as memórias produzidas por alunos de uma turma de oitavo ano contemplaram os aspectos mais gerais do texto e do próprio gênero (estilo, conteúdo temático e estrutura composicional), porém nem todas revelaram apreensão adequada da proposta temática. Quanto aos mecanismos de referenciação, fizeram mais uso das anáforas pronominais e nominais que de outros recursos coesivos. Uma conclusão interessante do trabalho de Oliveira (2010) é que os critérios de avaliação propostos pela OLPEF são apenas parcialmente contemplados no Caderno do Professor, sendo esse um dos nossos elementos de análise no que concerne ao gênero crônica.
Já a pesquisa de Irigoite (2011)93, também um estudo de caso, traz resultados desanimadores: os alunos não conseguiram se apropriar da proposta da OLPEF, por não terem contato com a crônica em suas práticas reais de letramento, o que impediu um efetivo diálogo com o gênero explorado na escola.
Apesar de se ancorarem na mesma temática da produção textual discente, os trabalhos que se caracterizam como estudos de caso ou observação de grupos de controle fazem avaliações opostas do Programa. Por tomarem como dados realidades e sujeitos diversos, tais trabalhos chegam a resultados díspares a respeito das contribuições do Programa para a construção da autonomia dos sujeitos participantes, o que torna inviável compará-los. No que concerne à formação e à atuação docente no Programa, também já há várias pesquisas realizadas.
A dissertação de Trentin (2014)94 e as teses de Altenfelder (2010)95 e Cardia (2011)96 analisam o discurso dos professores, através de questionários e depoimentos,
92OLIVEIRA, Neila Silveira de. Apreensão do gênero textual relato de memórias em produções escritas da
Olimpíada de Língua Portuguesa 2008. 2010. Dissertação (Mestrado em Estudos de Linguagens). Fundação
Universidade Federal do Mato Grosso do Sul, Campo Grande.
93 IRIGOITE, J. C. da S. Vivências escolares em aulas de português que não acontecem: a (não) formação do aluno leitor e produtos de textos – enunciado. 2011. Dissertação (Mestrado em Linguística). Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis.
94 TRENTIN, A. C. B. As contribuições da “Olimpíada de Língua Portuguesa – Escrevendo o Futuro” para
respectivamente, enfatizando a importância da OLPEF para a formação profissional e pessoal, isto é, para a satisfação, o bem-estar e a autoestima desses profissionais.
A dissertação de A.C. Barbosa (2015)97 investiga a implementação das oficinas sobre memórias em uma turma de oitavo ano, analisando a relação entre o trabalho prescrito e o trabalho real, com foco principalmente na observação das práticas de multiletramentos indicadas pela OLPEF e das que emergem da condução didática do próprio professor, chegando à conclusão de que o Programa contribui para a inserção dessas novas práticas de uso das tecnologias da comunicação e da informação e de textos multimodais.
Em contrapartida, os trabalhos de Cerutti-Rizzatti (2012)98, de Moura (2016) 99 e de D.