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Introducing Web 2.0 tools in education

Web 2.0 tools introduced by students

1.4 Estado da arte

Desde o início deste trabalho, cuja concetualização teve início em 2008, de um modo natural, assistiu-se a uma grande evolução das tecnologias aplicadas em contextos educativos. Tal como o SAPO Campus evoluiu, também as outras plataformas procuraram evoluir e adaptar-se às novidades tecnológicas e às necessidades dos utilizadores. Não sendo objetivo deste trabalho fazer uma análise detalhada das características e evolução de cada plataforma, estar envolvido no processo de I&D de uma plataforma como o SAPO Campus implicou uma atenção cuidada sobre a evolução das principais plataformas e sobre os novos serviços que foram sendo lançados durante este tempo.

No domínio dos principais LMS utilizados no contexto português (Moodle e Blackboard) houve uma evolução no sentido de introduzir na sua oferta de serviços algumas ferramentas típicas da Web Social, nomeadamente os blogues e wikis. No entanto, o foco desses sistemas continua muito centrado na gestão dos processos e no replicar da estrutura e das

regras institucionais. No caso da Universidade de Aveiro, onde o Moodle é utilizado, foi realizado um esforço significativo no sentido de melhorar os processos de gestão, criando mecanismos de interligação com o Portal Académico, automatizando os processos de criação dos espaços das UCs e da inscrição de professores e alunos. No entanto, do ponto de vista pedagógico e dos objetivos da tecnologia enquanto possível promotora da comunicação, partilha e colaboração no contexto da comunidade académica, nada de significativo foi alterado. Isto não significa que as tecnologias não evoluíram. No caso do Blackboard podemos mesmos considerar que houve uma grande evolução fruto de uma atenção cuidada das transformações ocorridas na Web nos últimos anos. No entanto, dada a sua filosofia de base e o modo como os seus princípios são assimilados pelas instituições de ensino, dificilmente poderão contribuir com uma visão disruptiva do modo como as tecnologias podem ser integradas e adotadas nos contextos educativos.

Sendo o mercado de educação uma área apetecível do ponto de vista de negócio, não é de estranhar que as grandes empresas da área das tecnologias da informação tenham, também elas, apostado em produtos específicos para a educação. São exemplo desta aposta as iniciativas Microsoft Office36519 e Google for Education20. Em ambos os casos, criaram-se pacotes específicos para educação com base na oferta de serviços já disponíveis para outros contextos. Este posicionamento fez com que áreas como a partilha e edição colaborativa de documentos tivesse evoluído de um modo muito significativo, apresentando, nessas áreas, características muito superiores às disponibilizadas nos LMS e também no SAPO Campus. Uma realidade incontornável e muito distinta do cenário de início deste trabalho foi o crescimento das redes sociais e, muito particularmente do Facebook. É de salientar a aposta do Facebook em criar uma oferta específica para o contexto da educação, designada por

Facebook Groups for Schools21. De todas as soluções descritas anteriormente, esta é a que

se aproxima mais dos princípios do SAPO Campus, do ponto de vista da promoção de um espaço institucional que promova a comunicação, partilha e colaboração transversal entre todos os membros da comunidade. No entanto, este serviço ainda não se encontra disponível em Portugal, não tendo sido possível testar os detalhes da sua implementação.

19 https://products.office.com/pt-br/student/office-in-education 20 https://www.google.com/edu/

Umas das características que parece não existir nesta plataforma é a possibilidade de abrir essa comunidade para o exterior, tal como o SAPO Campus permite.

Do ponto de vista de outras soluções tecnológicas é importante destacar algumas soluções

que partilham vários conceitos comuns com o SAPO Campus, nomeadamente: Ning22, Elgg23

e BuddyPress24. Estas ferramentas, embora baseadas em abordagens tecnológicas distintas

e modelos de negócio também eles distintos, apostam em fornecer tecnologia que permitam construir redes sociais para contextos específicos, tendo tido alguma relevância em contextos educativos. No caso do Elgg e do BuddyPress existe a dificuldade de as instituições terem de suportar a instalação e manutenção da sua instalação local, caminho que se decidiu não seguir no SAPO Campus. O Ning também permite a construção de redes sociais para contextos específicos. No entanto, a mudança do modelo de negócio inerente à sua utilização fez com que muitos dos seus utilizadores iniciais, relacionados com o contexto educativo, o tenham abandonado. Do ponto de vista da conceptualização e desenvolvimento do SAPO Campus não é possível ignorar a relação de proximidade que existiu com a comunidade científica dedicada à temática dos Personal Learning Environments (PLEs). Esta temática será devidamente explorada nos artigos apresentados no CAPÍTULO 2, sendo também referidos alguns trabalhos similares desenvolvidos no âmbito desta área de investigação.

Um facto que não pode ser desprezado pelo SAPO Campus e por qualquer uma das soluções apresentadas anteriormente é a exigência dos utilizadores para que se apresentem soluções devidamente otimizadas para a sua utilização em smartphones e tablets. Para além desse foco nestes terminais por parte das soluções descritas anteriormente, é também importante estar atento a um novo fenómeno típico destas plataformas. Têm surgido diversas iniciativas que apostam em lançar aplicações muito limitadas ao nível das funcionalidades, mas que apresentam soluções muito otimizadas para um problema específico. Ou seja, existe uma mudança de paradigma em que o utilizador em vez de ter uma grande plataforma com todas as funcionalidades disponíveis, passa a dispor de um conjunto de aplicações dedicadas a problemas específicos. No entanto, dificilmente essa

22 http://www.ning.com 23 https://elgg.org

abordagem será compatível com uma estratégia global a nível institucional (tal como referido nas conclusões da fase 2 deste estudo) e, por esse motivo, essas aplicações não serão analisadas.

CAPÍTULO 2. SAPO CAMPUS UA: CONCEPÇÃO,