3 ASPECTOS METODOLÓGICOS
3.4 ESTADO DO CONHECIMENTO
3.4 ESTADO DO CONHECIMENTO
Nos últimos anos, temos observado uma significativa produção denominada
“estado da arte” ou “estado do conhecimento” em todas as áreas do conhecimento, com o intuito de mapear e avaliar determinado campo de pesquisa. Em alguns casos, são também denominadas pesquisas bibliográficas ou de revisão.
Soares (1989) pontua que o tipo de pesquisa “Estado do Conhecimento” pode ser também denominado “Estado da Arte” e propõe como objetivo inventariar e sistematizar o que vem sendo produzido em determinada área do conhecimento. De acordo com a autora, trata-se de uma investigação relevante, por permitir o conhecimento amplo sobre os temas que vêm sendo estudando em dado momento.
Romanowski e Ens (2006) e Ferreira (2002) apontam que as pesquisas de “estado da arte” ou “estado do conhecimento” podem constituir um marco histórico de uma área de
conhecimento, possibilitando sua evolução e permitindo inventariar e sistematizar tudo que é produzido sobre um determinado campo.
Nos trabalhos de Megid Neto (1999) e Ferreira (2002), os autores destacam o caráter inventariante. Megid Neto (1999) destaca ainda a sistematização oriunda dessas pesquisas, as quais objetivam identificar, recuperar, classificar e descrever a pesquisa acadêmica em um determinado período.
Com o advento da informatização e das novas tecnologias, a dificuldade de acesso foi minimizada, pois esses materiais passaram a ser disponibilizados em sites especializados. Essa intensificação de publicações gera inquietações e questionamentos como: possibilidade de inventariar essa produção? Imaginando tendências e ênfases, quais escolhas metodológicas e teóricas? E como diferenciar trabalhos entre si? Aqui, ele deve buscar responder, além das perguntas “quando”, “onde” e “quem” produz pesquisas num determinado período e lugar, àquelas questões que se referem a “o quê”
e “o como” dos trabalhos.
A partir das características apresentadas, entendemos que pesquisas do tipo estado do conhecimento são aquelas que buscam inventariar, sistematizar, descrever, avaliar e discutir certo tipo de produção acadêmica em uma determinada área e/ou tema de conhecimento em um determinado período de tempo e em um único banco de dados, buscando apresentar as características e os principais problemas dessa área em estudo, reconhecer as temáticas e abordagens dominantes e emergentes, suas lacunas e entraves teóricos e/ou metodológicos.
Sendo assim, esta pesquisa objetivou o estudo dos resumos para análise dos dados e, dessa forma, não denominamos de Estado da Arte, pois, segundo Romanowski e Ens (2006, p. 39) “[...] o estudo que aborda apenas um setor das publicações sobre o tema estudado vem sendo denominado de estado do conhecimento”, denominando assim esta parte da pesquisa como Estado do conhecimento.
Por fim, destaca-se a importância desses estudos no processo de evolução da ciência, a fim de ordenar periodicamente o conjunto de informações e resultados já existentes das várias pesquisas realizadas dos mais diversos assuntos e conteúdo, favorecendo a organização, que mostre a integração e a configuração emergentes, as diferentes perspectivas investigadas, os estudos recorrentes, as lacunas e as contradições.
Tendo em vista a necessidade de mapear e avaliar a produção das pesquisas acadêmicas sobre os jogos digitais no ensino de Química desenvolvidas no país, recorreremos à modalidade de pesquisa caracterizada como “estado do conhecimento”, utilizando a abordagem qualitativa para compreensão das informações encontradas nesta pesquisa da natureza das produções apresentadas, as características gerais e as tendências verificadas nas produções escritas sobre a temática em estudo.
Charlot (2006) nos instiga a fazer esse esforço analítico/sintético em relação à grande área da educação. Ao discutir a necessidade de definir a especificidade da educação como campo de conhecimento e de pesquisa, o autor argumenta que é preciso registrar a memória da pesquisa em educação, o que requer a elaboração de sínteses integrativas da produção científica para que se evite a dispersão, a repetição de temas e metodologias e para que se encontrem alguns pontos de partida que ajudem a melhor defini-la. Neste ponto fazemos a realocação desta necessidade de avaliação também para a área de ensino, como meio de entender as produções sobre o tema.
Partindo desses princípios metodológicos, a primeira parte do trabalho envolveu a delimitação de nosso objeto de pesquisa, trabalhos finais elaborados em programas de pós-graduação stricto sensu (dissertações ou teses) sobre a utilização dos jogos não digitais e jogos digitais no ensino de Química no ensino médio. Cabe ressaltar que nosso intuito com essa pesquisa foi mapear como se tem dado a produção sobre a utilização dos jogos e o potencial pedagógico das atividades realizadas. Dessa forma, utilizamos como critério para obtenção dos trabalhos a intencionalidade pedagógica apresentada pelos autores.
Partindo do pressuposto que os trabalhos apresentados utilizaram atividades educativas que manuseavam algum tipo de jogo como auxílio no método de ensino dos docentes, não procuramos questionar. Observamos em alguns trabalhos se a análise sobre o tema seria voltada ao lúdico, conforme o conceito do termo. Partimos do princípio de que se o autor considera seu trabalho lúdico, em nosso estudo também foi enquadrado como tal.
A obtenção dos trabalhos foi realizada a partir do levantamento e seleção das produções no Banco de Teses da CAPES (período 2007–2017), na Biblioteca Digital de Teses e Dissertações do Instituto Brasileiro de Informação em Ciências e Tecnologia (período 2007–2017). Incluímos que nos Bancos de teses e dissertações da CAPES e BDTD o termo “Química” foi utilizado na barra de busca do banco de dados.
Posteriormente, a pesquisa foi refinada com a seleção dos termos Ensino de Química Orgânica, na área de concentração. A metodologia sucedeu tendo como base de um novo refinamento os títulos dos trabalhos e as palavras-chaves localizadas abaixo dos resumos, com os termos “Jogos digitais e educativos”.
A partir da seleção das produções, iniciamos a segunda etapa deste trabalho, que se refere à obtenção e tratamento das informações. A partir da lista dos trabalhos selecionados, partimos para a obtenção da análise dos títulos, resumos e palavras-chave, para a realização, sistematização dos dados e posterior a análise de cada ponto a fim de oferecer um estudo sobre a situação dos trabalhos acadêmicos sobre os temas em discussão.