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6.1 TEMAS PRESENTES NOS DOCUMENTOS

6.1.1 Estado e economia

Os partidos de direita descrevem uma concepção de Estado a partir das suas obrigações e áreas de atuação, próximo ao colocado como sendo o desenho de Estado da “nova direita”, descrito anteriormente. É um Estado vol-tado para atender às necessidades sociais básicas, provedor de políticas públi-cas na área de saúde, educação, moradia, emprego. Na questão econômica é

29 O detalhamento desta técnica aplicada está no capítulo 4 deste trabalho, item 4.2.2 na pági-na 61.

um Estado responsável por políticas para o desenvolvimento, porém deixando para a iniciativa privada a produção de bens.

Em todos os partidos há menção30 a necessidade de políticas de ação social. Na questão saúde, os partidos apresentam gradações nos posiciona-mentos, de posturas mais elaboradas, específicas, até apenas como um item entre várias ações. Entre os partidos chilenos e no uruguaio o tema saúde apa-rece apenas entre outros temas numa sequência de itens. Nos partidos brasi-leiros o tema ganha mais atenção. O DEM apresenta menções a políticas es-pecíficas, como para mães, crianças, combate às endemias e epidemias. O PP é o que destaca mais o tema, entre as diretrizes sociais do partido estão o for-talecimento do SUS, as assistências médica, odontológica e hospitalar para toda a população.

A questão da educação também está presente em todos os partidos.

Há sempre a defesa da educação como dever do Estado, sendo de qualidade e que atenda a todos. No partido uruguaio e no DEM há mais menções da ne-cessidade de expansão e melhoria da educação do que do tema saúde. Os partidos chilenos são os que apresentam comparativamente, menor ênfase para esses dois temas.

MAIOR

ENFÂ-SE* MÉDIA** MENOR EN-FÂSE***

POLÍTICAS SOCIAIS

Combate à pobreza DEM, PP, PN,

RN e UDI

Saúde PP DEM PN, UDI e RN

Educação DEM, PP e PN UDI e RN

Política de empre-go e defesa do trabalhador

PP, DEM e PN UDI e RN

QUADRO 4:O ESTADO E POLÍTICAS SOCIAIS FONTE: AUTORA

*Maior ênfase:quando há políticas detalhadas para este tema, ou um tópico que desenvol-va propostas de políticas para essa área.

** Média: citado várias vezes no texto, uma ou duas políticas para a área.

*** Menor ênfase: quando apenas cita entre numa sequência de itens.

30 A fim ilustrativo foram selecionados alguns trechos dos documentos que estão no ANEXO 1, página 106.

Com estes temas fica destacado o papel do Estado para os partidos de direita perante essas políticas sociais, que todos os partidos trazem como sen-do função sen-do Estasen-do a oferta desses serviços a população. Na questão de combate à pobreza, se apresentam favoráveis ao combate ou erradicação, po-rém nenhum faz menção específica de alguma política social para tal ação.

Dentro do papel do Estado na economia, nos documentos há menções sobre uma atuação do Estado enquanto incentivador do desenvolvimento eco-nômico, por meio de políticas de reserva de mercado, de incentivo a emprego.

O PN é o único partido em que não há menções diretas nesse aspecto, sobre preocupações, atuações, ou limitações do Estado quanto à economia. O parti-do coloca que nas últimas décadas houve uma tendência de transferência para o indivíduo ou organizações intermediárias as responsabilidades que eram do Estado e que atualmente cabe um novo equilíbrio entre as responsabilidades individual, comunitária ou estatal.

Há preocupação específica nos partidos brasileiros quanto às atividades empresariais do Estado e a necessidade da sua limitação. Nos documentos partidários do DEM há preocupação quanto à presença do Estado na economi-a, “Preocupa-nos o crescimento descontrolado da atividade empresarial do Es-tado, que, em muitas áreas, transborda dos limites aceitos num regime econô-mico, social e político, de livre competição.” (IDEÁRIO do DEM, 2013, p. 01).

Outro ponto que o partido destaca é o combate ao que chama de burocracia excessiva.

O processo de libertação das amarras da concentração de poder in-clui a proteção do cidadão contra a asfixia burocrática, o controle da voracidade fiscal e a contenção da interferência excessiva do Estado na atividade econômica. (IDEÁRIO do DEM, p. 1)

No PP a preocupação quanto à atividade empresarial do Estado men-cionada junto com a necessidade de transferência das atividades para o setor privado.

Transferência para a iniciativa privada de toda e qualquer atividade econômica desempenhada pelo Estado, por meio de processos transparentes, e mediante avaliações que determinem preços justos e que não resultem na formação de monopólios ou oligopólios privados.

(PROGRAMA partidário, PP, p.25)

Os partidos chilenos descrevem o que chamam de “Estado social no âmbito econômico social”, como um Estado com papel normativo, fiscalizador e orientador da atividade econômica. E como nos partidos brasileiros, os chilenos restringem a atuação apenas aos casos quando a iniciativa privada demonstrar total desinteresse, ou não puder realizar.

QUADRO 5: O ESTADO E ECONOMIA FONTE: AUTORA

As descrições do papel e atuação do Estado encontradas nos docu-mentos dos cinco partidos são de um Estado com políticas sociais abrangentes e interferência mínima na economia. Os partidos brasileiros apresentam defe-sas mais específicas quanto a programas de saúde pública e educação. No partido uruguaio existe um destaque maior da educação, comparativamente à saúde, que é apresentada apenas entre outros itens. Nos chilenos existem

menções sobre essas políticas, porém não tão específicas como os demais partidos estudados. Quanto ao papel do Estado na economia todos são próxi-mos, de apoio e incentivo a iniciativa privada. Os partidos chilenos se destacam pela recorrente menção da liberdade individual, tanto para a escolha de servi-ços básicos, entre públicos ou privados, como também a liberdade de atuação no campo econômico.

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