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REVISÃO DA LITERATURA

3.1 ESTADO NUTRICIONAL E CONSUMO DE NUTRIENTES

Najas et al. (1994) avaliaram o padrão alimentar de idosos residentes nos municípios de São Paulo. Foram selecionados 283 idosos pertencentes ao projeto multicêntrico

“Identificação de necessidades dos idosos residentes em zona urbana do município de São Paulo”. Nove distritos foram agrupados em três regiões segundo ordem crescente de nível socioeconômico, formando respectivamente as regiões I, II e III.

Para a obtenção do padrão de consumo alimentar utilizou-se um diário alimentar. Os resultados mostraram que mais de 90% dos idosos das 3 regiões consomem arroz, pão, feculentos e macarrão. Mais de 70% consomem arroz e pão diariamente, sendo que houve uma tendência de diminuição do consumo de pão com a diminuição do nível socioeconômico. Dentre os alimentos protéicos, o feijão, o leite e substitutos são os mais consumidos. O feijão é ingerido por mais de 60% dos indivíduos na região I e II e por 30% na região III e o leite é consumido por 90% dos idosos da região III e por 69% da região I. O consumo diário de alimentos reguladores foi

baixo, sendo mais elevado na região de maior poder econômico. Concluiu-se que o padrão dietético dos idosos estudados foi semelhante a outros grupos populacionais no tocante aos alimentos energéticos, porém diferem com relação aos protéicos e reguladores.

Valasquez-Melendez et al. (1997) calcularam a composição quantitativa e a densidade nutricional de algumas vitaminas e minerais da dieta habitual, em relação ao sexo e idade em uma população da área metropolitana de São Paulo. Foram utilizadas informações do inquérito alimentar realizado de 1990 a 1991 pelo Departamento de Nutrição da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo. Participaram do estudo 548 indivíduos selecionados entre os 1100 que concluíram o estudo principal. As informações sobre o consumo de nutrientes foram obtidas por meio de entrevistas para abordagem do histórico alimentar individual. A densidade da dieta foi avaliada utilizando-se o Índice de Qualidade do Alimento (IQA). Com relação à idade verificou-se que o consumo de tiamina foi menor entre os idosos em relação aos outros grupos etários (p<0,0001), no entanto não atingiu o nível inadequado. O consumo de niacina apresentou diminuição gradativa em função da idade, sendo menor no grupo de idosos (p<0,0001).Os idosos também apresentaram menor consumo de cálcio (p<0,00001) e ferro (p<0,0001). Concluiu-se que o baixo consumo de alguns micronutrientes esteve associado ao sexo e a idade.

Andrade et al. (1997) com o objetivo de conhecer os hábitos alimentares e de rejeição de alimentos dos idosos freqüentadores de instituições não asilares de Natal-RN, selecionaram aleatoriamente 70 idosos na faixa etária de 60 a 87 anos, que responderam a um questionário contendo questões referentes aos hábitos alimentares, tabagismo, prática de esportes dentre outras. A análise dos dados revelou que dentre os alimentos energéticos os tubérculos foram os mais consumidos (90%). No grupo dos alimentos protéicos o consumo de carne, leite e feijão foi superior a 70%, sendo a carne a mais consumida diariamente (82%). Os alimentos reguladores (frutas e verduras) foram os mais consumidos diariamente (91%). Com relação à rejeição alimentar, verificou-se que atingiu 38,6% dos idosos e os alimentos mais rejeitados foram os folhosos, manga, abacaxi, carne de porco e crustáceos. Desse total quase 50% dos entrevistados alegaram que a rejeição se

dava por problemas de saúde quando da ingestão dos mesmos; 37% citaram as orientações médicas ou nutricionais e 11% alegaram não gostar do alimento.

Tavares, Anjos (1999) descreveram o perfil nutricional da população idosa brasileira com base nos dados da Pesquisa Nacional sobre Saúde e Nutrição realizado em 1989. A análise antropométrica foi feita por meio do IMC utilizando-se os pontos de corte sugeridos pela OMS. A amostra foi composta por 4277 indivíduos correspondente em, números expandidos, a mais de dez milhões de idosos. Do total de idosos, 2028 (47,4%) eram do sexo masculino e 2249 (52,6%) do sexo feminino.

Nos homens, a prevalência de baixo peso geral (7,8%) foi maior que os sobrepesos grau II e III (5,7%) enquanto que no grupo feminino observou-se o inverso, 8,4%

contra 18,2%. A prevalência de magreza aumentou com o aumento da faixa etária.

O sobrepeso geral foi maior entre as mulheres (50,2% contra 30,4% nos homens).

Verificou-se que no grupo de maior pobreza 11,2% dos homens e 13,9% das mulheres apresentavam magreza. No grupo de maior nível de renda, apenas 3,6% e 2,7% apresentavam este problema, respectivamente. O inverso aconteceu nos sobrepesos II e III, pois sua prevalência passou de 1,4% em homens e 12,1% em mulheres de menor renda para 10,5% e 22,1% para homens e mulheres respectivamente de maior renda. Na categoria de analfabetismo, cerca de 13% dos idosos apresentavam magreza, reduzindo-se a sua freqüência a zero no grupo com 12 anos ou mais de escolaridade. Por outro lado, observou-se um aumento da presença dos sobrepesos II e III, de 2% em homens e 13,4% em mulheres analfabetos para 14,6% e 31,2%, respectivamente, para os que cursaram de 9 a 11 anos. Os resultados indicaram um quadro preocupante de alterações nutricionais em idosos no Brasil, principalmente em mulheres.

Huang et al. (2001) compararam o estado nutricional entre idosos funcionalmente dependentes e não dependentes, residentes em Tawian. Noventa e seis idosos com idade entre 65 a 80 anos (42 funcionalmente dependentes e 54 sem dependência) responderam a um questionário de dados pessoais, completaram um questionário de freqüência alimentar e um R24. Além disso, todos os participantes foram submetidos a um exame de sangue e tiveram suas medidas antropométricas aferidas. Os resultados mostraram que a média do peso dos participantes foi

significativamente maior do que a média ideal. Verificou-se que 12,8% dos idosos dependentes estavam com sobrepeso contra 9,5% do outro grupo. Uma pequena proporção dos indivíduos demonstrou IMC ≤21Kg/m2 enquanto que 16,7% dos dependentes e 13% dos não dependentes apresentaram IMC > 27 Kg/m2 , indicando obesidade. Com relação aos marcadores bioquímicos, todos os valores médios estavam dentro do padrão de normalidade. Os idosos funcionalmente dependentes apresentaram os valores de triglicerídeos significativamente maiores (p=0,003). A maioria dos indivíduos apresentou o consumo de niacina e calorias, abaixo de 75%

da recomendação diária (RDA) e, os valores de vitamina A, C, tiamina, riboflavina, cálcio e ferro, foram iguais ou superiores a RDA de Taiwan. Concluiu-se que os idosos com dependência funcional apresentaram um consumo inadequado de ferro e concentrações de triglicerídeos fora do valor normal, demonstrando maior risco para doenças crônicas.

Brasil (2004) descreveu o perfil antropométrico e nutricional da população adulta brasileira em 2002-2003. O estado nutricional foi medido por meio do Índice de Massa Corporal (IMC), segundo os pontos de corte estabelecidos pela Organização mundial de Saúde (OMS) que classifica os indivíduos em baixo peso (IMC<18.5 Kg/m2), sobrepeso (IMC ≥25 Kg/m2) e obeso (IMC≥30 Kg/m2). Os resultados mostraram que a proporção de adultos com déficits de peso foi de 4%. A estratificação da amostra segundo as faixas de idade demonstrou que entre os idosos houve aumento da prevalência de baixo peso com o aumento progressivo da idade sendo de 2,9%, 3,6% e 6,7%, respectivamente para as faixas 55-64, 64-74 e 75 ou mais anos. No entanto, para essas idades o baixo peso superou a faixa de normalidade de 5% apenas entre os homens com 75 anos ou mais (8,9%). A estratificação da população segundo classes de rendimentos familiares mensais per capita demonstrou que houve um aumento uniforme da prevalência de déficits ponderais com a diminuição da renda. Com relação ao excesso de peso, verificou-se que 40,6% da população adulta foi enquadrada nessa categoria, não havendo diferença entre os sexos. Houve uma tendência de aumento da prevalência com o aumento da idade, no entanto entre os idosos, homens a partir de 55 anos e para as mulheres a partir dos 65 anos, observou-se uma tendência de declínio na

prevalência. Considerando-se a renda, observou-se que o sobrepeso aumentou de modo uniforme e intenso com a renda entre os homens enquanto que entre as mulheres a relação foi menos intensa apresentando-se de forma curvilínea sendo as maiores prevalências encontradas nas classes intermediárias de renda. Os resultados relativos à obesidade reproduziram o padrão observado para o excesso de peso, ou seja, a partir da faixa de 55 a 64 anos houve uma diminuição da prevalência com o aumento da idade.

Menezes; Marucci (2005) com o intuito de avaliar as informações antropométricas e de composição corporal de idosos institucionalizados, selecionaram 305 indivíduos, de ambos os sexos, residentes em seis instituições geriátricas do Estado do Ceará.

Os resultados mostraram que a idade variou de 60 a 99 anos, média de 75,9 (DP=

9,5). Verificou- se que, com exceção do perímetro do braço, os valores médios das variáveis peso, altura, circunferência do braço, área muscular corrigida, dos homens foram maiores do que o das mulheres (p<0,05). Os valores médios do IMC e da prega cutânea tricipital (DCT) foram maiores entre as mulheres, no entanto observou-se relação significante apenas entre DCT e sexo. Observou-se um declínio significante dos valores antropométricos com o avançar da idade e que apenas a variável estatura não apresentou diferença estatisticamente significante entre os grupos etários (p<0,05). Conclui-se que existe uma tendência de diminuição dos valores antropométricos com o avançar da idade.

Santos; Sichieri (2005) avaliaram o estado nutricional e compararam o IMC com outros indicadores de adiposidade e de localização de gordura em idosos e adultos de meia idade. A população estudada foi composta por 699 indivíduos com 60 anos ou mais e 1306 adultos com idade entre 40 a 59 anos, que participaram da Pesquisa de Saúde e Nutrição do município do Rio de Janeiro, realizada entre 1995 e 1996. Foram analisadas as medidas antropométricas referentes à massa corporal, estatura, perímetro braquial, perímetro da cintura, perímetro do quadril, dobra cutânea tricipital, e dobra subescapular. Verificou-se que o sobrepeso e o perímetro da cintura inadequado foi mais prevalente entre as mulheres (54,6% e 65,9 respectivamente). As medidas relacionadas com adiposidade não apresentaram nos idosos alta correlação com o IMC (0,45-0,85 nos homens e 0,54 a 0,86 nas

mulheres). Concluiu-se que a prevalência de sobrepeso em idosos foi alta para ambos os sexos e o IMC guardou relação similar com a adiposidade independente do envelhecimento.

Lopes et al. (2005) verificaram a adequação da ingestão de nutrientes para uma amostra populacional de Bambuí, de acordo com as recomendações nutricionais enfocando as diferenças entre sexo e idade. A amostra foi composta por 550 participantes para os quais foi aplicado um questionário de freqüência alimentar, referente ao último ano, e um R24. O percentual da população que apresentou o índice de adequação da dieta de acordo com os valores recomendados foi baixo, principalmente para o consumo de carboidratos (2,4%), proteínas (17,6%), vitaminas (0,0 a 5.1%) e minerais (0,0 a 21,1%). Quanto à idade, 64,3% de idosos relataram baixa ingestão protéica e 39,3% apresentavam alterações das frações lipídicas;

sendo que 35,7% informaram consumo excessivo de ácidos graxos saturados.

Observou-se que os idosos apresentaram as piores adequações quando comparados com os adultos, com exceção para o consumo de proteínas (22,6%

contra 16,7% para adultos), ferro (25% contra 6,4%) e colesterol (97,6% contra 94,2%). Os autores ressaltaram que os resultados do estudo podem contribuir para o planejamento em saúde do município, ao sugerir intervenções dietéticas de acordo com o sexo e a idade, objetivando prevenir principalmente as doenças cardiovasculares.

3.2 RELAÇÃO ENTRE CONDIÇÃO DE SAÚDE BUCAL, ESTADO NUTRICIONAL E