4. ESTUDO MULTICASO
4.1 Estaleiro A
O estaleiro A está no mercado há quase 70 anos. A empresa é responsável por uma extensa implementação de dutos e representam cerca de 70% da malha instalada no país. Além disso, a empresa trabalhou em todas as refinarias brasileiras estatais, contribuindo para a sua expansão e modernização. Há contribuições também através de vários projetos para os setores de petróleo e gás, plantas petroquímicas e refinarias, mineração e plantas industriais.
O presente estudo foi feito especificamente para a unidade offshore, que fica localizada na região sul do país, no estado do Paraná. Esta unidade recebeu altos investimentos no ano de 2012 e ampliou a sua capacidade de 120 mil para 200 mil metros quadrados de terreno. Esta ampliação incluiu ainda novas unidades administrativas e escolas técnicas de capacitação, além da construção de um cais de 300 metros com capacidade para atracação de unidade flutuante de produção, armazenamento e transferência (FPSO) e plataformas submersíveis.
A entrevista foi realizada no mês de junho com um colaborador da empresa que exerce a função de engenheiro na planta.
Durante a entrevista foram abordados os tópicos a respeito da capacidade física do estaleiro, tecnologia empregada nos processos, produtividade, tempo de produção e qualidade.
A respeito da capacidade física do estaleiro, o mesmo está instalado em um terreno que hoje possui aproximadamente 215 mil metros quadrados, com uma área construída de aproximadamente 20 mil metros quadrados. Sua atividade, por se tratar de embarcações FPSO, tem grande parte da montagem dos componentes em solo e depois é feita a instalação dos componentes a bordo da embarcação que fica atracada no cais. O cais comporta embarcações de até 400 metros de comprimento total, com um calado máximo de 8,5 metros.
A capacidade de processamento de aço, segundo o entrevistado, chega a 100 toneladas de aço por semana, tendo variações de acordo com a demanda. Atualmente, o processamento está próximo a 10 toneladas por semana. Ainda de acordo com o entrevistado, este valor varia também de acordo com a quantidade de pessoas trabalhando no setor. O processamento também pode variar com o diâmetro dos dutos que estão sendo trabalhados, quanto maior o diâmetro maior será a quantidade de aço, mas não necessariamente a quantidade de horas trabalhadas.
O estaleiro A possui três pórticos rolantes, dois com capacidade de 20 toneladas e um com capacidade de 5 toneladas que estão localizados nos galpões. A área que é usada para o içamento dos módulos produzidos para o navio, conta com um guindaste de 400 toneladas, um guindaste de 250 toneladas e outro de 50 toneladas. Há também uma grua nesta área, que o entrevistado não soube precisar a sua capacidade.
A jornada de trabalho adotada pelo estaleiro é de, em média, 9 horas diárias de segunda à sexta-feira, totalizando aproximadamente 45h semanais. Os dias são divididos em dois turnos, o primeiro das 7:30h às 17:30h e o segundo das 17:30h até as 3:30h, ambos com uma hora de intervalo.
Segundo o entrevistado, o estaleiro conta com processos sofisticados de soldagem como uma solda orbital automática para utilização nos dutos e também processos como Tungsten Inert Gas (TIG), Metal Inert Gas e Metal Active Gas (MIG/MAG), eletrodo revestido, arco submerso, arame tubular e outros que são necessários para o processo de fabricação dos módulos. Segundo ele, todos os processos de solda necessários para a fabricação dos módulos são feitos no estaleiro. Assim como a solda, a empresa também realiza dentro dela todo o processo de pintura necessária aos componentes instalados nas embarcações, utilizando todos os cuidados necessários para pinturas com proteção contra fogo e água, por exemplo.
A respeito dos projetos, eles são feitos pela empresa contratante. O projeto é passado para o estaleiro já na fase detalhada e o setor de engenharia é responsável pela implementação dele em campo. As eventuais mudanças no projeto são detectadas pelos engenheiros de campo de acordo com o andamento do projeto e negociadas com a empresa contratante.
Existe a possibilidade de nacionalização de projetos estrangeiros, porém, atualmente a empresa não trabalha com nenhum projeto de fora do Brasil.
O layout da empresa foi feito de modo que agrupa processos similares de montagem, seguindo a sequência das etapas produtivas dos módulos que culmina com o término dos módulos mais perto do cais.
Como se trata de uma empresa que processa em sua maioria dutos que são utilizados na unidade flutuante de armazenamento, processamento e transferência de óleo, os processos para marcação de chapas são feitos utilizando ferramentas manuais e o corte é feito através de ferramentas como maçarico, esmerilhadeira e também possuem corte a plasma robotizado. No estaleiro há a possibilidade de montagem de vários módulos simultâneos e também a instalação simultânea na embarcação. Ainda de acordo com o entrevistado, todos os módulos são testados e possuem alto grau de acabamento no momento em que são instalados na embarcação, restando apenas retoques que devem ser feitos após a instalação.
Em relação ao controle da produção, é feito através do detalhamento do projeto um planejamento que é passado à produção e cada processo possui sua estimativa de tempo, para isso o setor de planejamento mantém comunicação com a produção para atualização do das estimativas de tempo e das tarefas concluídas. O setor de planejamento também define as tarefas com prioridades mais altas que merecem mais atenção e agilidade na fabricação.
O controle de estoque é feito através do sistema SAP, com um controle rigoroso de tudo que entra e sai de estoque. A produtividade é controlada por meio do indicador de toneladas por homem-hora, com este indicador é estimado o tempo e efetivo necessário para as tarefas a serem realizadas.
O estaleiro exerce também um rigoroso controle de tempo para a produção tendo em vista a necessidade de cumprimento do tempo de entrega previsto no contrato. Há casos em que os contratos contam com um bônus para adiantamento da entrega da embarcação e nestes casos o estaleiro tem como meta a antecipação da entrega. A respeito da contabilização destes dados de tempo de entrega, este é realizado por meio de contratos, assim, os engenheiros mais experientes conseguem fazer uma primeira estimativa de tempo necessário para a execução de um projeto.
Para a questão de prevenção e detecção de falhas há o setor de qualidade que é encarregado de buscar melhorias e redução do número de falhas em geral. Os índices de retralho internos não são contabilizados. Para retrabalho apenas são contabilizados aqueles que não foram aprovados pelo cliente, portanto, precisam ser refeitos. Há de se destacar nesta área a atenção dada à segurança do trabalho que é exercida pela empresa.
Por fim, todas as embarcações que são produzidas neste estaleiro passam pelas normas técnicas da Organização Marítima Internacional (IMO), Convenção Internacional para a Salvaguarda da Vida Humana no Mar (SOLAS), International Association of Classification Societies (IACS), Sociedade Americana de Solda (AWS) e International Organization for Standardization (ISO), e também pelas sociedades classificadoras, para o casco, Det Norske Veritas (DNV) e para o top side, Bureau Veritas (BV).