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4. Dados e Amostras

4.3 Estatística Descritiva

A análise cuidadosa das variáveis a serem utilizadas pode fornecer subsídios à avaliação das hipóteses propostas e é capaz de provocar novos questionamentos que enriquecem os instrumentos de estudo. Com base nesta ideia serão destacados os principais pontos das variáveis que serão utilizadas no modelo.

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A tabela 1 representa a estatística descritiva das variáveis e municípios utilizados no modelo para o ano 2000. As variáveis incluídas apresentam informações demográficas, sociais, renda, equidade, índice de policiamento, além das informações de acesso à rede elétrica e a taxa de homicídio por cem mil habitantes.

No Brasil há 5.565 municípios, porém por problemas de ausência dados ou de criação de municípios entre o período analisado (2000-2010), foram utilizados dados de 5.457 cidades, o que representa uma perda de menos de 2% da base.

Tabela 1 – Estatística Descritiva Variáveis ano 2000

Fontes: Censo Demográfico de Pessoas e Domicílios (IBGE), Base da PNUD e SIM Nota: Dados trabalhados pelo autor

Os resultados obtidos pelas médias ponderadas das variáveis refletem as informações em âmbito nacional. Algumas informações podem ser extraídas desta tabela e comparadas em níveis mundiais.

Pelos dados da tabela é possível confirmar a presença de energia elétrica em 93,5% dos domicílios, ou seja, a carência deste tipo de serviço em 2000 era de

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6,5%. As demais variáveis também apresentam a estatística descritiva condizente com o esperado.

Na avaliação das faixas etárias o Brasil em 2000 possuía uma população jovem em que mais de 58% das pessoas tem menos de 30 anos. Na escolaridade é possível observar um atraso educacional mais de ¾ da população acima de 25 anos não possui ensino médio completo, sendo que mais de 64% sequer possui ensino fundamental completo. Na relação de distribuição de renda o Brasil possui um índice de GINI elevado que coloca o país entre os mais desiguais do mundo.

Extraindo-se o mesmo tipo de informação para o ano 2010 é possível realizar algumas comparações interessantes na evolução verificada neste período:

Tabela 2 – Estatística Descritiva Variáveis ano 2010

Fontes: Censo Demográfico de Pessoas e Domicílios (IBGE), Base da PNUD e SIM Nota: Dados trabalhados pelo autor

Constata-se que o percentual de domicílios sem acesso à energia elétrica caiu para menos de 1,5%. Um fato importante a ser notado é a observação do número mínimo de domicílio com acesso à energia no município. Enquanto em 2000

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a cidade com o pior indicador não alcançava 8% de cobertura em 2010 a pior situação tinha no mínimo 30% de cobertura elétrica, ainda muito longe do ideal, porém já indica um grande avanço.

Outros avanços que podem ser observados no período é o aumento na renda real média dos municípios, com destaque novamente para a melhora no valor mínimo, uma diminuição na desigualdade de renda demonstrada pelo índice de Gini e uma melhora no tempo de escolaridade, sendo que houve uma grande queda no percentual de pessoas que não possuíam ao menos o nível fundamental completo dentre a população acima de 25 anos e um avanço nos níveis mais avançados, a taxa de pessoas que completaram o ensino médio subiu aproximadamente 8 pontos percentuais.

Através da comparação também é possível observar uma leve queda no percentual da população de etnia branca, uma queda no percentual de residências na área rural e uma melhora no nível de emprego.

No tocante a criminalidade, porém, as notícias e os dados não são favoráveis. O número de homicídios subiu mais de 15% entre 2000 e 2010. A taxa por cem mil habitantes neste período teve uma pequena elevação até 2003, passou por uma queda até 2007 e se eleva novamente até 2010, porém nesta década se situou sempre em um nível elevado próximo de uma taxa de 27 mortes por cem mil habitantes.

No levantamento obtido com os dados do DATASUS é possível segregar algumas informações para uma análise mais detalhada4. Por exemplo, referente a informação de gênero, constata-se que o percentual de homens que falecem por agressões violentas é muito superior ao de mulheres. Com relação à raça os pardos são maioria, conforme pode ser visto na figura 4.

A faixa etária também é um fator relevante na análise, pois possui uma concentração elevada na categoria de jovens. Mais de 54% dos homicídios foram cometidos contra pessoas com idade entre 15 e 29 anos, adultos de 30 a 39 anos representam mais 22% das vítimas.

4 As informações que podem ser detalhadas dizem respeito aos dados de referência da vítima (idade,

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Figura 4 – Distribuição Étnica dos Homicídios na População Fonte: SIM. Elaboração do Autor

O DATASUS também fornece o óbito por local de ocorrência da morte, em que não necessariamente denota o local de agressão ou vitimização. Ainda assim, conforme pode ser verificado na figura abaixo, em vias públicas ocorrem um número absoluto e um percentual alto de crimes.

Figura 5 – Homicídio por localidade Fonte: SIM. Elaboração do Autor

Esta segregação permite uma análise mais apurada da variável dependente como será visto posteriormente, embora a aproximação não seja perfeita, pois o número fornecido por Hospitais e demais estabelecimentos de saúde, por exemplo, não fornece a origem da agressão, mas apenas o local do óbito.

0 5 10 15 20 25

Hospital Outros Estab. de

Saúde

Domicílios Vias Públicas Outros

N º d e h o m ic íd io s p o r lo cal ( e m m ilh ar e s) 2000 2010

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