CAPÍTULO 3 – DA GUARDA COMPARTILHADA
3.5. Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e a Guarda Compartilhada
A Constituição vigente colocou em igualdade o exercício do poder familiar por ambos os cônjuges, dispõe o Código Civil de 2002, no artigo 1.588, que o pai ou a mãe que contrair novas núpcias não perde o direito de ter consigo os filhos, que só lhe poderão ser retirados por mandado judicial, provado que não são tratados convenientemente, caso contrário, se o padrasto ou a madrasta forem pessoas boas, porque não conhecer novos costumes e aumentar o círculo de amizades da criança.
Como se pode notar, a regra nada mais faz do que aprovar a orientação geral de proeminência do interesse dos menores em qualquer situação. Hodiernamente, o instituto da guarda compartilhada é regra, tendo em vista que os laços afetivos não morrem.
a necessidade de proteção a nível internacional, visando o caráter fragilizado e o não desenvolvimento mental e físico das crianças e dos adolescentes.
A Convenção Americana sobre Direitos Humanos – Pacto de San José da Costa Rica (2016) consagrou uma gama de direitos humanos, focando em justiça social a todos os países signatários.
O pacto de forma geral indaga os direitos da criança e do adolescente, mas, tratam especificamente da proteção ao direito infanto-juvenil, o artigo 4º que aborda o direito à vida
“desde o momento da concepção” e o artigo 19 diz que: “Toda criança tem direito às medidas de proteção que a sua condição de menor requer por parte da sua família, da sociedade e do Estado”.
A Declaração Universal dos Direitos Humanos (2016), tratam dos direitos da criança e do adolescente no artigo 25 que indaga “[...] A maternidade e a infância têm direito a ajuda e a assistência especiais. Todas as crianças, nascidas dentro ou fora do matrimônio, gozam da mesma proteção social”. E, o artigo 26 nos relata: “[...] Os pais têm um direito preferencial para escolher o tipo de educação que será dada aos seus filhos”.
A Declaração dos Direitos da Criança, Assembleia Geral das Nações Unidas (2016) proclamada pela Resolução da Assembleia Geral de 1636, de 20 de novembro de 1959, tem como base “os direitos a liberdade, estudos, brincar e convívio social das crianças que devem ser respeitadas e preconizadas em dez princípios”. São eles:
I - À igualdade, sem distinção de raça, religião ou nacionalidade. II - Direito a especial proteção para o seu desenvolvimento físico, mental e social. III Direito a um nome e a uma nacionalidade. IV - Direito a alimentação, moradia e assistência médica adequadas para a criança e a mãe. V- Direito a educação e a cuidados especiais para a criança física ou mentalmente deficiente. VI - Direito ao amor e à compreensão por parte dos pais e da sociedade. VII - Direito a educação gratuita e ao lazer infantil. VIII - Direito a ser socorrido em primeiro lugar, em caso de catástrofes. IX - Direito a ser protegido contra o abandono e a exploração no trabalho. X - Direito a crescer dentro de um espírito de solidariedade, compreensão, amizade e justiça entre os povos. Assembleia Geral das Nações Unidas (2016).
De modo sucinto, a criança e adolescente fruirá de todos os direitos enunciados nessa Declaração, sem exceção, distinção ou discriminação por motivos de raça, cor, sexo, idioma, religião, opiniões políticas ou de outra natureza, nacionalidade ou origem social, posição econômica, nascimento ou outra condição, seja inerente à própria criança ou à sua família.
A Declaração Mundial sobre a Sobrevivência, a Proteção e o Desenvolvimento das crianças nos anos de 1990 (2016) tem como pressuposto o “bem-estar das crianças,
propiciando a melhoria na saúde das mães e dos filhos e combatendo desnutrição, analfabetismo e a erradicação de doenças que dizimam milhares de crianças em todo o mundo”.
A Diretrizes das Nações Unidas para a Prevenção da Delinquência Juvenil – Diretrizes de RIAD (2016), segundo Dutra (2006, p.32) tem como princípios fundamentais:
1) Prevenir a delinquência juvenil como parte essencial da prevenção do delito na sociedade; 2) Propiciar investimentos objetivando o bem-estar das crianças e dos adolescentes; 3) Aplicar medidas políticas e progressistas de prevenção à delinquência, 4) Desenvolver serviços e programas com base na comunidade para a prevenção da delinquência juvenil”.
Resumindo, segundo Ferrandin (2009, p.32) “as políticas estatais de prevenção à delinquência juvenil deveriam considerar que o comportamento dos jovens que não se ajustem as normas da sociedade não resulte em tratamento indevidamente severo”.
As Regras Mínimas das Nações Unidas para Proteção dos Jovens Privados de Liberdade (2016) visam “medidas excepcionais quanto a prisão do adolescente infrator”.
E, tem como objetivo estabelecer regras mínimas aceitáveis pelas Nações Unidas para a proteção dos jovens privados de liberdade sob qualquer forma, compatíveis com os direitos humanos e liberdades, tendo em vista combater os efeitos nocivos de qualquer tipo de detenção e promover a integração na sociedade.
O Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos (2016), confirma em seu artigo 24 que:
Toda criança terá direito, sem discriminação alguma por motivo de cor, sexo, língua, religião, origem nacional ou social, situação econômica ou nascimento, às medidas de proteção que a sua condição de menor requerer por parte de sua família, da sociedade e do Estado.
Toda criança deverá ser registada após o nascimento e deverá receber um nome, e aquisição de uma nacionalidade.
As Regras Mínimas das Nações Unidas para a Administração da Justiça e da Juventude – Regras de Beijing (2016) não foi ratificada pelo Brasil, mas, serviu de base para o ECA – Estatuto da Criança e do Adolescente (BRASIL, 2003).
Essas regras mínimas foram aprovadas no dia 6 de setembro de 1984, pelo Sétimo Congresso que havia recomendado a Assembleia Geral para sua aprovação. Essa Assembleia aprovou as regras em novembro de 1984 e incluiu um anexo a Resolução 40/33 onde orientaram os Estados signatários a lidar com jovens delinquentes, resguardando os direitos
que lhe assistem e assegurando as garantias básicas processuais, ajustado pela proporcionalidade quanto as medidas adotadas.
Foram estabelecidas regras compatíveis com o sistema jurídico dos Estados Membros, onde comprovou-se que jovem é toda criança ou adolescente que podia responder por uma infração de forma diferente do adulto.
Temos por infração todo comportamento penalizado com lei, sendo assim jovem infrator é aquele a quem se imputa o cometimento de uma infração ou que seja considerado culpado por ela.
Já a X Cúpula Ibero-Americana de Chefes de Estado e de Governo – Declaração do Panamá – “Unidos pela infância e adolescência, Base da Justiça e da Equidade no Novo Milênio” (2016) relata que:
Os Chefes de Estado e de Governo dos 21 países Ibero-americanos, reunidos na Cidade do Panamá, República do Panamá, nos dias 17 e 18 de novembro de 2000; convencidos de que para conseguir um desenvolvimento humano sustentável, a consolidação democrática, a equidade e a justiça social, e com base nos princípios de universalidade, indivisibilidade e interdependência dos direitos humanos, é de importância estratégica dedicar especial atenção à infância e à adolescência, decidimos, mais uma vez, examinar em conjunto, a situação das crianças e adolescentes de Ibero-américa com o propósito de formular políticas e promover programas e ações que garantam o respeito dos seus direitos, seu bem-estar e desenvolvimento integral.
A X Cúpula traz princípios e garantias, dentre elas a equidade e justiça social, educação integral, significativa e respeitosa da diversidade linguística, étnica, cultural e de equidade de gênero, que apoie o desenvolvimento humano, acesso à educação infantil e ao ensino fundamental gratuito e obrigatório amparado pelos princípios da não discriminação, equidade, pertinência, de qualidade e eficácia, dentro outros.
A Convenção sobre os Direitos da Criança (2016) em seu artigo 2º revela que os Estados Partes adotarão medidas para “assegurar a proteção à criança contra toda forma de discriminação ou castigo por causa da condição, das atividades, das opiniões manifestadas ou das crenças de seus pais, representantes legais ou familiares”.
Por fim, dando seguimento a esse capítulo, trataremos no capítulo seguinte sobre similitudes e divergências entre a Lei da Guarda Compartilhada de 2008 (BRASIL, 2008) e a nova Lei da Guarda Compartilhada (BRASIL, 2015).