tipificados no Código Civil Vamos iniciar a nossa quarta aula, na qual estudaremos mais alguns tipos
4.2 Eventos desportivos
4.2.1 Estatuto do torcedor
Figura 4.2: Torcedor
Fonte: http://vivamelhoronline.com
A Lei nº 10.671, de 15 de maio de 2003, mais conhecida como Estatuto do Torcedor, veio para estabelecer normas de proteção e defesa do torcedor, e seu conteúdo tem o mesmo teor moralizador que a Lei 9.615/98, a Lei Pelé. Porém, o Estatuto do Torcedor fez mais, ao introduzir profundas modifica- ções legais há tempos necessárias para a moralização do esporte brasileiro. A modificação mais importante, já que o Estatuto do Torcedor é lei proteti- va dos direitos do torcedor, foi introduzida pelo seu art. 3º, que equiparou ao fornecedor, definido pelo Código de Defesa do Consumidor – CDC, a entidade responsável pela organização da competição, bem como a entida-
Legislação Aplicada à Eventos
de detentora do mando de jogo. O que significa dizer que essas entidades desportivas passaram a ter, com o Estatuto do Torcedor, todos os deveres e responsabilidades que o CDC atribui ao fornecedor, cabendo aos torcedores os mesmos direitos e instrumentos processuais que os consumidores – em especial a legitimidade do Ministério Público para a promoção de ações co- letivas.
Outra modificação importante é a obrigatoriedade da existência de critérios técnicos, conforme o artigo 8º, que determina que as competições deverão ser promovidas de acordo com calendário anual de eventos oficiais, que garanta às entidades de prática desportiva participação em competições du- rante pelo menos dez meses do ano; e que adote, em pelo menos uma competição de âmbito nacional, sistema de disputa em que as equipes parti- cipantes conheçam, previamente ao seu início, a quantidade de partidas que disputarão, bem como seus adversários.
Assim, fica garantido assim que as equipes tenham atividades por pelo me- nos dez meses do ano, o que lhes possibilita geração de receitas e de em- pregos, já que o desporto profissional é reconhecido, por lei, também como atividades econômicas.
O art. 19 prevê que os dirigentes respondam solidariamente, com as entida- des responsáveis pela organização da competição, independentemente da existência de culpa, pelos prejuízos causados a torcedor que decorram de fa- lhas de segurança nos estádios. Assim, da mesma forma que ocorre no CDC, a lei prevê a responsabilidade objetiva do dirigente pela reparação do dano. Quanto à Justiça Desportiva, os artigos 34 e 35 determinam que ela deve se ater aos princípios da impessoalidade, da moralidade, da celeridade, da pu- blicidade e da independência; exigidas a motivação e a publicidade de suas decisões, vedado o segredo de justiça.
Vimos que a legislação desportiva, no caso o Estatuto do Torcedor, equipara as entidades desportivas ao fornecedor – conceito definido pelo Código de Defesa do Consumidor.
Assim, com o advento do Estatuto do Torcedor, podemos afirmar que a re- lação entre torcedor e entidades desportivas passou a ser uma relação de consumo.
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Ocorre que os contratos que têm por objeto uma relação de consumo go- zam de um tratamento diferenciado e específico por parte do Código de Defesa do Consumidor.
Quanto ao tema, podemos afirmar que a questão dos Direitos do Consu- midor é tão importante que é tratada pela própria Constituição Federal. Por exemplo, quando trata dos direitos e deveres individuais e coletivos, o artigo 5º, XXXII, diz que "o Estado promoverá, na forma da lei, a defesa do con- sumidor".
Ainda, a Constituição menciona a defesa do consumidor quando trata dos princípios gerais da atividade econômica no Brasil, citando em seu artigo 170, V, que a defesa do consumidor é um dos princípios que devem ser ob- servados no exercício de qualquer atividade econômica.
Neste sentido é que podemos afirmar que o Código de defesa do consumi- dor veio para defesa e proteção do consumidor, tendo um capítulo inteiro dedicado ao tema “Proteção Contratual” (capítulo VI). Mas estudaremos o CDC na nossa próxima aula.
Curiosidade
Bingo
Também reclamaram da obrigatoriedade da numeração dos ingressos e do direito do torcedor ocupar o local correspondente ao número constan- te do ingresso, afirmando para isso haveria necessidade de instalação das cadeiras numeradas, majorando os custos.
A leitura atenta da lei, contudo, revela que não é obrigatória a instalação de cadeiras numeradas, bastando numerar o local de cada torcedor na própria arquibancada.
Deve-se observar que nem existe a obrigatoriedade de todos os lugares serem numerados, pois além de se assegurar a existência da denominada "geral", o local em que os torcedores assistem à partida em pé, nada im- pede que os estádios sejam divididos em setores, ficando uma parte sem numeração onde os torcedores que assim preferirem, especialmente os integrantes de torcidas organizadas, possam se agrupar para agitar suas bandeiras e fazer suas coreografias, participando de uma forma ativa do espetáculo, ao contrário daqueles que preferirem sentar e assistir passiva- mente ao espetáculo.
Legislação Aplicada à Eventos
Resumo
Nesta aula, estudamos o contrato de representação dramática, em que o autor autoriza a exploração comercial de sua obra, por um empresário, me- diante apresentação pública (teatro e cinema, por exemplo); e a legislação relativa aos eventos esportivos, em que, por meio da lei 10.671/2003, co- nhecida como “Estatuto do Torcedor”, as entidades desportivas foram equi- paradas ao fornecedor do CDC, entre outras disposições dadas.
Atividades de aprendizagem
• Você já foi a um estádio de futebol? Assistiu a algum jogo profissional de futebol? Descreva quais as possíveis irregularidades que viu e que, even- tualmente, pudessem estar em desacordo com as normas do Estatuto do Torcedor.
Anotações
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