2.5 Etarismo e Discriminação por Idade
2.5.1. Estereótipos Positivos e Negativos de Idade
Diversos textos confirmam estereótipos relativos à idade, sendo a maioria bastante
similar entre países e culturas (PERRY; PARLAMIS, 2006), com predomínio dos
negativos.
Nos Estados Unidos, Palmore (2004) realizou análise sobre como indivíduos mais
velhos eram retratados em piadas e outras falas consideradas cômicas, e concluiu que
predominam os estereótipos sobre a perda de habilidades físicas e motoras, da atração ou
da capacidade sexual. Cuddy (2004) complementa os achados de Palmore (2004), ao
afirmar que estereótipos referentes a pessoas mais velhas estão normalmente ligados a
lentidão, conservadorismo e rigidez: a maioria dos idosos é percebida como “acolhedora,
mas incompetente”. Porém, conforme indivíduos recebem informações incongruentes
com o estereótipo, subtipos são formados, o que pode contribuir para percepções mais
positivas. É o caso, por exemplo, do estudo de 1981 de Brewer, Dull e Lui, onde aparecem
a carinhosa “vovó” dedicada à família e o distinto e eficiente “executivo envelhecido”,
em detrimento do “cidadão idoso”, deprimido e dependente.
North e Fiske (2012) citam a formação de subtipos, como descrito por Cuddy (2004),
como fator de otimismo para a potencial diminuição de conflitos entre gerações nos
próximos anos. Também mencionam os avanços da medicina, que podem diminuir a
imagem do declínio cognitivo com a idade; um maior contato entre gerações em
condições adequadas, pelo aumento da população idosa; e o fato de que idosos podem ser
mais altruístas que indivíduos mais novos, com base nas teorias de life span
(desenvolvimento ao longo da vida). Entre as evidências empíricas para pessimismo,
incluem uma potencial disputa de recursos entre gerações, em função de aumentos de
custos previdenciários, e a manutenção de determinados estereótipos ao longo do tempo.
Estereótipos de idade no trabalho descrevem crenças que indivíduos possuem sobre
trabalhadores e seu comportamento no trabalho, como função de sua idade cronológica
ou percebida (HERTEL et al., 2013). Eles influenciam processos de recrutamento,
programas de retenção e desenvolvimento, e clima organizacional (LOTH; SILVEIRA,
2013).
Em 2007, Posthuma e Campion fizeram um levantamento da bibliografia até então
disponível, em relação a estereótipos positivos e negativos de trabalhadores mais velhos.
O Quadro 2 apresenta um resumo de trabalhos acadêmicos referentes aos estereótipos
etários mais estudados nas organizações.
Quadro 2 – Resumo de estudos empíricos sobre estereótipos etários no trabalho
Fonte: Adaptado de Posthuma e Campion (2007)
ESTEREÓTIPOS NO
TRABALHO ESTUDOS EMPÍRICOS EVIDÊNCIAS
Baixa performance
Abraham & Hansson (1995); Ali & Davies (2003); Crew (1984); Cuddy & Fiske (2002); Dedrick & Dobbins (1991); Duncan (2001); Finkelstein & Burke (1998); Finkelstein, Burke, & Raju (1995); Gordon & Arvey (2004); Gordon, Rozelle, & Baxter (1988); Hansson, DeKokkoek, Neece & Patterson (1997); Hedge, Borman, & Lammlein (2006); Kite, Stockdale, Whitley, & Johnson (2005); Lawrence (1998); Levin (1988); Levine (1988);McCann & Giles (2002); Perry, Kulik, & Bourhis (1996); Reio, Sanders-Rejo, & Reio (1999); Rosen (1978); Rosen & Jerdee (1976a, 1988); Saks & Waldman (1998); Shore, Cleveland, & Goldberg (2003); Singer (1986)
Extensas pesquisas demonstram que o estereótipo é prevalente,
mas há pouca evidência que performance no trabalho diminui com
idade
Resistência a mudança
Broadbridge (2001); Capowski (1994); Chiu, Chan, Snape, & Redman (2001); Cuddy & Fiske (2002); Dennis (1988); Hansson, DeKoekkoek, Neece, & Patterson (1997); Hedge, Borman, & Lammlein (2006); Kite & Johnson (1988); MacNeil, Ramos, & Magafas (1996); McGoldrick & Arrowsmith (2001); Rosen (1978); Rosen & Jerdee (1976a, 1976b, 1988, 1989); Sterns & Alexander (1988); Weiss & Maurer (2004
Poucas pesquisas disponíveis; mais estudos empirícos deverão ser realizados para exame da validade
do estereótipo
Dificuldade de aprendizado
Avolio & Barrett (1987); Brooke & Taylor (2005); Dedrick & Dobbins (1991;) Duncan (2001); Finkelstein, Burke, & Raju (1995); Raza & Carpenter (1987); Rosen (1978); Rosen & Jerdee (1976a, 1976b, 1977, 1989); Sterns & Doverspike (1987); Wrenn & Maurer (2004
Estudos empíricos apresentam resultados
contraditórios
Mais confiáveis
Britton & Thomas (1973); Broadbridge (2001); Chiu, Chan, Snape, & Redman (2001); Crew (1984); Cuddy & Fiske (2002); Finkelstein, Burke, & Raju (1995); Gibson, Zerbe, & Franken (1993); Hedge, Borman, & Lammlein (2006); Levine (1988); MacNeil, Ramos, & Magafas (1996); McGoldrick & Arrowsmith (2001); Rosen & Jerdee (1976a); Weiss & Maurer (2004)
Há alguma evidência quanto a validade deste